Two Pieces
6 Capítulo 5
Quinn estava sentada na cadeira acolchoada do quarto que Rachel estava ocupando desde que saíra da UTI, a morena já havia sido retirada da sedação já não corria risco. A loira estava segurando a pequena Berry em seu colo, apoiava o corpinho com um braço e com a mão segurava a cabeça coberta de cabelos escuros e finos.
Mia dormia tranquilamente nos braços de Quinn, a enfermeira havia lhe entregado a menina que resmungava e não queria dormir no berçário. Já estava cheia de vontades e Quinn estava satisfeita em deixa-la ainda mais mimada.
– Hey… — Sua voz era baixa e suave para não acordar o bebê. – Hey minha menina… eu esperei muito para te ver, sabia? Você é tão linda quanto a sua mãe… e parece que tem uma voz tão potente quanto. – Sorriu examinando a boquinha que parecia mamar sem ter realmente um bico por perto. O nariz era perfeito, pequeno e bem centrado no rostinho vermelho, ela não iria ter a pele pálida isso era certo. A boca era de Rachel assim como a testa e o queixo, as sobrancelhas eram escuras como as da mãe, mas tinham um toque mais fino do que as de Rachel. – Eu queria tanto participar da sua vida… te ver sentar, comer a primeira papinha, engatinhar, falar a primeira palavra, os seus sorrisos pela manhã, ficar em pé a primeira vez, segurar na sua mão para que você ensaia-se os primeiros passos. Ah Mia… eu realmente queria te levar na escola no primeiro dia de aula, ouvir a tua primeira leitura e as musiquinhas que você aprender na escola.
Quinn suspirou balançando a neném devagar.
– Para com isso… — Rachel murmurou, seus olhos estavam piscando lentamente.
Quinn ergueu a cabeça e soltou um suspiro de alivio junto com um sorriso.
–Hey… graças a deus. – Quinn ficou sem ação, não sabia se levantava e levava Mia até Rachel ou se corria para chamar um médico.
– Vem cá. – Rachel mirava a pequena nos braços de Quinn. – Me deixa pegar um pouco nela.
Quinn se moveu até estar parada ao lado da cama e com cuidado passou a menina para a mãe.
– Ela é linda como você. – Quinn sussurrou vendo Rachel examinar o rosto da filha com um sorriso bobo nos lábios.
– Ela é perfeita. – Rachel pegou a pequena mãozinha contando os dedinhos. – Deus, ela é tão pequena.
– Ela é sua filha. – Quinn suspirou com um sorriso terno. – Ela é mais do que perfeita.
Rachel ergueu o rosto para a loira.
– Porque estava falando aquilo? – Perguntou em voz baixa, tentou limpar a garganta. – Pega um pouco d’água pra mim, por favor?
Quinn foi até uma mesinha lateral e encheu um copo com água fresca e prontamente estendeu para a morena que tomou pequenos goles para umedecer a garganta antes de estender o copo para a loira.
– Desculpa. – Quinn pediu evitando olhar para a morena. – Eu apenas queria pedir desculpas por não poder estar com ela.
– E por que você não vai estar? – Rachel franziu as sobrancelhas. – Vai se afastar de mim? Eu sei que temos que conversar sobre tudo o que aconteceu…
– Rachel… respire. – Arqueou as sobrancelhas claras enquanto soltava uma risada. – Achei que você não me quisesse por perto devido… bem… você sabe…
– Para. – Moveu Mia para um braço a apoiando bem enquanto com a outra mão segurou a de Quinn. – Temos que conversar isso é óbvio, mas você não vai ficar longe de mim.
– Certo… — Quinn olhou para Mia. – Mamãe eu estou acordada.
Rachel olhou para a filha e abriu um sorriso maior ainda.
– Minha Mia. – Sorriu embalando a filha. – Seus olhos são lindos.
– São os olhos do papai. – A voz de Brody veio da porta, ele havia a entreaberto e estava com um sorriso orgulhoso nos lábios.
Mia tinha os olhos entreabertos deixando o azul muito claro ser percebido. Brody tinha um ursinho médio nas mãos e um ramalhete de flores na outra.
– Vou deixar vocês. – Quinn se dirigiu para a porta.
– Quinn. – Rachel a chamou fazendo com que a loira se virasse. – Fica.
– Eu tenho que chamar o seu médico. – A loira piscou um dos olhos antes de sair.
Brody se inclinou para olhar a bebê com um sorriso largo nos lábios.
– Ela é linda de mais. – Comentou com um sorriso bobo.
– Ela é sim. – Rachel olhou para a porta rapidamente antes de olhar para a filha.
– Depois que vocês saíram da sala de operações ficou tudo um pouco confuso. – Brody enfiou as mãos nos bolsos da jeans. – Seus pais tiveram que arrastar a Quinn daqui e aquele seu amigo é o pai da Beth teve que tirar o Hudson.
– Onde ele está? – Rachel olhou para o homem que deu um pequeno sorriso presunçoso.
– Bem…
***
Kurt fechou a porta do apartamento de Rachel assim que todos entraram.
– Vamos nos acalmar. – Hiram olhou para os dois supostos pais de sua netinha. – Vocês dois precisam se acalmar e esperar os resultados do exame de DNA antes de saírem assumindo a menina.
– Não preciso de exame para saber que é minha. – Finn rolou os olhos, se largou no sofá pequeno. – É bom arrumar as coisas da Rachel e da bebê para quando elas saírem do hospital. Elas virão morar comigo.
– O que? – Kurt voltou da cozinha segurando uma garrafa de água mineral e a estendendo para Beth que estava agarrada a Quinn. – Finn, você mora em um loft que não tem se quer um quarto por que aquela porcaria é um studio.
– Vai ser temporário. – Finn deu de ombros. – Vou comprar uma boa casa em Lima e iremos criar a menina lá. Não tem porque continuar em New York.
– Rachel trabalha aqui. – Kurt continuou argumentando. – Ela não vai sair de New York.
Leroy ergueu uma sobrancelha enquanto fitava Finn, Hiram saiu da sala junto com Shelby para arrumar algo para poderem servir aos que estavam na sala enquanto Beth estava perto da janela com Quinn e um outro homem alto de ombros largos e uma espessa cabeleireira escura. Brody estava em pé olhando as fotos de Rachel espalhadas pelas paredes, se demorando em algumas que eram recentes e foram tiradas durante a gravidez.
– Rachel teve uma filha minha e vai cria-la. – Finn deu um sorriso torto. – Ela não pode criar uma criança e trabalhar ao mesmo tempo e além do mais criar uma criança em New York não é nada saudável. Criança precisa de ar puro, correr por gramados, subir em árvore e brincar na rua e aqui ela não vai ter nada disso.
Kurt zombou mantendo os olhos azuis cheios de sarcasmo.
– É uma menina Finn e não um garoto. – Kurt atirou para o irmão.
– Tio Kurt eu sou menina e faço tudo isso quando estou na casa da vovó. – Beth se virou para o Hummel franzindo as sobrancelhas claras antes de olhar para o pai. – Não faço papai?
– Faz sim meu amor. – Noah sorriu com os seus olhos verdes brilhantes, acariciou o rosto da menina. – O que o tio Kurt quis dizer é que… — Puck buscou os olhos de Quinn que estavam um pouco vermelhos.
– Ele quis dizer que uma criança pode ser educada na cidade tranquilamente e ter esse tipo de brincadeiras apenas às vezes. – Quinn ofereceu, sabia que mentia para a menina, mas não tinha uma resposta melhor sem entrar em uma briga com Kurt. – Não se preocupe amor.
Beth acenou com a cabeça.
– Posso ficar no quarto da Mia? – Pediu para o pai com os olhos pidões.
– Pode, mas não bagunce nada. – Noah observou a menina sair disparada.
Brody olhou a menina sair e soltou um suspiro esperançoso, Quinn se aproximou dele a passos lentos.
– Quer ver o quarto? – Perguntou em voz baixa tentando evitar que Finn que continuava entretido em sua briga com Kurt.
– Não acho que Rachel vá gostar que eu entre sem ela em casa. – Brody deu um pequeno sorriso de lábios. – Posso fazer o Finn calar a boca?
– Seria adorável da sua parte. – Quinn suspirou fechando os olhos.
De uma maneira tímida o homem a envolveu em um abraço hesitante.
– Vai ficar tudo bem. – Sussurrou para a loira. – Elas vão ficar bem.
Quinn suspirou sentindo o cheiro dele entrar pelo seu nariz e aos poucos o tremor de seu corpo foi se acalmando.
– Que lindo. – Finn debochou olhando para eles. – Formam um casal bonito.
– Cale a boca. – Brody olhou para ele. – Eu to de saco cheio do som da tua voz.
– E eu da sua presença na vida da minha futura esposa.
– Quando você vai crescer e perceber que ela nunca foi sua? – Brody estreitou os olhos claros.
– Acha que ela foi sua? – Finn zombou. – Acredite que ela é minha.
– Nem minha e nem sua. – Brody garantiu com calma. – Rachel nunca pertenceu a nenhum de nós dois, ouso dizer que não passamos de dois enganos na vida dela.
– Diga por você. – Finn se levantou do sofá. – Rachel é minha mulher, sempre foi e sempre será.
– Pelo amor de Deus você é tão burro assim? – Brody soltou Quinn e se virou para ele. – Meu Deus do céu!
– Não me chame de burro. – Finn franziu as sobrancelhas. – O único burro aqui é você.
– Chega! – Leroy gritou. – Parem de se comportar como meninos de 5 anos de idade.
Se pôs entre os dois homens e passou a encarar ora um ora o outro.
– Não gosto disso. – Sua voz diminuiu de tom, mas continuou irritado. – Nenhum pai gosta de ver a filha dar a luz e não saber quem é o pai do filho que está parindo. Não posso falar nada. Ela é adulta e se sustenta, é dona do próprio nariz, mas não vou deixar dois marmanjos barbados ficarem disputando minha filha ou minha neta como se fossem duas bolas de futebol.
Brody enfiou as mãos nos bolsos da calça e acenou com a cabeça para dizer que havia entendido. Finn encarou o ex-sogro parecendo não acreditar no que ele falava.
– Eu vou me casar com a Rachel. – Finn pousou a mão no ombro de Leroy como se fosse tranquiliza-lo. – Vou cuidar bem dela e da nossa filha. Como sempre deveria ter sido.
– Finn, eu só vou falar isso uma vez. – Leroy pousou a mão com força no ombro do rapaz. – Rachel é quem vai decidir o que fazer e você, se for mesmo o pai da neném, irá aceitar isso.
– Rachel é inteligente. – Finn sorriu com tranquilidade.
– Eu sei muito bem disso, mas se ela quiser que você seja apenas o pai da menina é o que você vai ser. – Leroy apertou o ombro de Finn. – Me entendeu meu rapaz? Nada de se mudar para o seu apartamento. De ir morar em Lima ou de se casar. Se isso não for o que a minha filha quiser.
Finn fechou a expressão de seu rosto enquanto encarava os olhos escuros de Leroy Berry.
– É melhor você sair. – Leroy o puxou na direção da porta e a abriu empurrando Finn sutilmente. – Nos vemos amanhã no hospital.
***
– Meu pai o expulsou? – Rachel arregalou os olhos diante da risada baixa que o Weston soltava.
– Sim o expulsou. – Acariciou os cabelos da própria nuca. – E bem… espero que você não se importe, mas eu vi o quarto…
– Gostou?
– Lindo de mais e eu espero que você não se importe, mas eu dei um pequeno toque pessoal no quarto dela. – Olhou para a menina.
– Tudo bem. – Rachel olhou para a menina.
– Eu preciso ver um apartamento novo… — Brody suspirou. – Me ajuda com isso? Eu gostaria de ter um quarto para ela na minha casa… óbvio que ela não vai dormir comigo tão cedo, mas eu gostaria que ela tivesse um lugarzinho perto de mim… se você e a Quinn permitirem.
Rachel olhou para ele que estava concentrado na menina.
– Eu não te negaria contato com ela. – Falou atraindo o olhar dele. – Ela é tão sua quanto minha.
Brody acenou com a cabeça.
– Mas eu também preciso que a Quinn concorde. – Broddy estava sério. – Não vou me colocar entre vocês, não tenho esse direito e eu quero que você seja feliz, minha única vontade é participar da vida da Mia e ter voz nas decisões sobre ela.
– Não acho que a Quinn te negaria isso. – Rachel sorriu voltando a ninar a menina que havia adormecido outra vez.
– Você tinha que ver quando levaram a Mia para o berçário. – Ele puxou a cadeira para mais perto da cama.
– Por que?
***
Beth segurava firmemente na mão de Quinn e Puck enquanto andavam pelo corredor do hospital até o berçário.
– Vou poder pegar no colo? – Olhou para o pai.
– Não amor, ainda não. – Puck respondeu vendo a menina amuar os lábios. – Vamos apenas olhar através do vidro.
– Rachel vai me deixar pegar no colo? – Olhou para Quinn.
– Só quando você estiver sentadinha e prometer ter muito cuidado. – Quinn respondeu vendo a menina sorrir e pular.
– Quinn… — Puck indicou o berçário com o queixo.
– Ele tem o direito de estar aqui. – Quinn murmurou vendo Finn andar de um lado para outro na frente do vidro e um Kurt entediado apoiado na parede.
– Cheguei tarde? – Brody apareceu segurando oito copos. – Eu achei que precisaríamos de um pouco de cafeína e… — Agachou na frente de Beth e cuidadosamente destacando um dos copos. – Chocolate quente com marshmallow?
Beth sorriu para ele aceitando o copo.
– Obrigada. – Murmurou abaixando os olhos, ele lhe deixava tímida.
– De nada. – Sorriu para a menina antes de se erguer e estender a bandeja para os dois. — Café?
– Obrigada. – Noah pegou dois e estendeu um para Quinn. – Pronto para isso?
– Ansioso para saber com quem ela parece. – Voltaram a caminhar. – Espero que com a Rachel.
Puck soltou uma risada enquanto se aproximavam. Shelby, Hiram e Leroy se aproximavam pelo outro lado junto com a médica.
– Todos aqui? – A médica sorriu para os presentes. – Ótimo, irei ver a neném e já iremos trazê-la para cá.
Brody ofereceu o restante dos cafés e propositalmente deixou Finn sem um.
– Rachel está estável. – Shelby falou para Brody e Quinn. – Logo irão libera-la para o quarto.
– Ótimo. – Os dois responderam juntos.
Quinn tomou um gole do café enquanto se posicionava na frente do vidro olhando para os bebês com um pequeno sorriso.
– O que você quer aqui? – Finn estava parado nas costas dela.
– O mesmo que você, conhecer a filha da Rachel.
– Eu estive pensando. – O tom de voz dele era baixo e pausado. – No porque diabos você estaria aqui e estaria tão inteirada sobre a vida de Rachel…
– Você pensa? – Quinn franziu as sobrancelhas.
– Você a quer. – Os lábios dele se colaram ao ouvido de Quinn. – A quer como mulher. A quer como eu já tive tantas vezes.
Quinn tentou relaxar o corpo enquanto seus olhos pousavam sobre a médica que vinha até o vidro com o pequeno embrulho em seus braços.
– Ela é minha. As duas são minhas. – Finn rosnou, sentiu que todos se aproximavam do vidro.
A médica afastou a manta para que o rosto de Mia ficasse exposto, um suspiro coletivo pode ser ouvido. Quinn sorriu tendo certeza que a menina era uma cópia de Rachel.
– Minha. – Finn sorriu estufando o peito.
Mia bocejou e abriu os olhinhos enquanto espreguiçava cheia de preguiça, os olhos azuis tão claros se destacaram quase imediatamente.
– O que? – Finn balbuciou recuando alguns passos, a veia em seu pescoço saltou. – Ela não é minha?
Brody se colocou ao lado de Quinn olhando para a menina, sentiu a lágrima escorrer pelo seu rosto enquanto o sorriso orgulhoso se expandia pelos lábios.
– Ela tem os olhos do pai. – Quinn inclinou a cabeça para ele sem retirar os olhos da bebê.
Brody inclinou a cabeça para ela e sussurrou.
– Ela é nossa.
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