Two Pieces

22 Capítulo 21


Notas iniciais
Estou tendo alguns problemas de ordem pessoal. Desculpem, mas vai demorar mesmo.

Quinn parou nas suas costas, se encararam através do espelho. Sentiu os dedos da loira roçarem em seu queixo o erguendo.
– Você é sexy. — Quinn falou em voz baixa. — Você é confiante. É sensual. É segura do que quer, tem suas convicções bem definidas e corre atrás delas. Você sabe argumentar. Você odeia perder.
Mia respirou fundo, engoliu a saliva que estava em sua boca.
– Nunca se esqueça disso. — Quinn sussurrou. — Você não é o prêmio de consolação,
Mia a encarou com intensidade, sentindo o sangue quente correr em suas veias e a contração no baixo ventre. Virou o rosto devagar sentindo a respiração de Quinn bater em sua bochecha.
– Nunca abaixe a cabeça para ninguém. — A loira sussurrou. — Seu talento irá falar por si só.
– Ainda fala da personagem? — A morena sussurrou de volta.
Quinn deu um pequeno sorriso antes de se afastar de Mia e caminhar até o rapaz que estava no outro lado da sala experimentando o figurino.
Mia respirou fundo antes de olhar para o próprio figurino.
– A mamãe... como a senhora pode ser tão burra? — Sussurrou para si mesma antes de olhar para Quinn através do espelho.
Se afastou entrando na sala de figurino e adereços para poder trocar de roupa, colocou suas próprias roupas antes de se afastar para pegar a bolsa, o roteiro estava lá dentro. Sentiu o celular vibrando.
– Falando no diabo. — Suspirou antes de atender. — Oi mãe.
– Tive uma conversa interessante com o seu pai. — A voz de Rachel veio pelo auto falante.
– Eu costumo ter várias, mas sobre o que era o assunto. — Prendeu o celular entre o ombro e o rosto enquanto revirava a bolsa atrás do maldito roteiro, precisava de uma bolsa menor.
– Sobre você ter sido escalada para um filme.
– Ah sim... — Mia revirou os olhos puxando o roteiro um pouco amassado, fez uma careta. — Sim, eu fui.
– E como foi isso?
– Beth me fez um favor. — Soltou a bolsa antes de sentar na cadeira vazia da maquiagem.
– Beth?
– Sim, mãe, Beth... sua meia irmã. — Tentou desamassar o roteiro.
– De quem é esse filme, Mia? — A irritação da Berry começou a ficar palpável.
– Hnnn... de uma amiga dela. — Mia sentiu a dissimulação pingar por suas palavras. — Sua amiga que está mais para uma mãe, na verdade. Quinn Fabray.

*

Abriu a garrafa de cerveja jogando a tampa sobre o balcão da cozinha antes de levar a garrafa aos lábios. Sentou-se na bancada da cozinha deixando a garrafa contra o mármore e pescando um pedaço de frango frito com as mãos.
– Boa noite. — Ouviu a voz ligeiramente estridente.
Quinn ergueu os olhos do pedaço de frango vendo Beth se aproximar da geladeira.
– Janta comigo? — Quinn indicou o balde com pedaços de frango frito.
– O que diabos aconteceu com a sua dieta? — Beth franziu as sobrancelhas antes de pegar uma garrafa d'água.
– Estou... ansiosa. — Quinn soltou o pedaço de frango antes de agarrar um guardanapo de papel para limpar os dedos. — Aquela menina me deixa nervosa.
– Mia? — Tomou um gole de água antes de se aproximar apoiando-se na bancada ficando de frente para Quinn. — Isso eu estou pagando para ver.
– Tem algo nela. — Quinn apoiou o braço sobre o mármore antes de pegar a garrafa e dar um gole na cerveja.
– Além da irresponsabilidade, inconsequência e deliciosa liberdade da idade? — Beth pegou um pedaço de frango de dentro do balde e rasgou um pedaço com os dedos.
– Hoje... hoje eu fui fazer a prova de figurino com os atores e fiz o que sempre faço. Falei sobre os personagens para eles, para que eles incorporem a persona, mas... acabei me pegando falando dela em determinado momento. — Quinn suspirou.
– Isso é... paixonite. — Comeu um bocado da carne antes de soltar uma risada baixa.
– Quantos anos você acha que eu tenho? — Quinn arqueou a sobrancelha.
– Quinze a mais que eu? — Beth arqueou a sobrancelha de maneira idêntica a da mãe. — Vamos mãe... é só uma paixonite. Mia é bonita, interessante...
– Filha da Rachel. — Quinn suspirou.
– Ela não parece com a Rachel. — Beth apontou enquanto continuava a comer o frango meticulosamente. — Pelo contrário. Não tenho visto Rachel nos últimos cinco anos, mas Mia é o completo oposto do que ela se tornou.
Quinn manteve uma expressão irritada, era a mesma expressão sempre que Rachel virava tópico de conversa. Se limitou a terminar o pedaço que havia começado a comer enquanto Beth fazia o mesmo.
– Estava pensando, podemos fazer um churrasco. — Beth começou com calma. — Sei que Joey adoraria ficar conversando com a senhora o dia inteiro enquanto fazem hambúrguer na churrasqueira.
– Não tenho culpa se sou a sogra que não aterroriza ele. — Quinn soltou uma risada baixa. — Shelby já se acostumou com a ideia do casamento?
– Já... mas ainda reforça que deveríamos esperar mais tempo para termos nossa própria casa. — Beth rolou os olhos. — Não estou ficando mais nova.
– Pra que tanta pressa em casar? — Quinn pegou outro pedaço de frango. — Quero dizer, vocês podem morar juntos primeiro.
– Já estamos perto dos 30. — Beth suspirou. — Queremos ter uma família.
– Eu sei, mas preciso fazer coro a Shelby quando digo que vocês deveriam ter uma casa própria. Viver de aluguel é difícil, montar uma família é difícil.
– Nós sabemos disso. — Beth abaixou o pedaço de frango. — Não estamos esperando que seja fácil, mas as coisas estão indo tão bem. Na questão de trabalho, para nós dois. Temos um bom dinheiro guardado e temos conversado sobre ir ao banco ver nossa linha de crédito.
Quinn suspirou antes de concordar com a cabeça.
– Só ficamos preocupadas.
– Eu sei. — Beth ofereceu um sorriso pequeno. — Nós sabemos.

*

Quinn se inclinou por cima de uma mesa vendo alguns quadros que deveriam se tornar takes. Puxou uma prancheta para perto fazendo algumas poucas anotações antes de sentir alguém pairando nas suas costas.
– Tive uma conversa interessante com a minha mãe ontem. — Mia se postou ao lado dela.
– Hn? — Quinn a olhou antes de voltar sua atenção para a prancheta. — Que bom.
– Sim, recebi uma palestra de 30 mins sobre como você estaria me usando para se aproximar dela. — Mia se inclinou para olhar os desenhos. — São bons.
– São meus. — Quinn sentiu o pescoço tenso. — Gosto de ter uma visão do que esta escrito antes de filmar. Então sua mãe acha que eu estou te usando?
– Sim. — Mia se inclinou sobre um, era um quadro de sua personagem. — Ela disse bastante coisas... mas acho que frisou bastante o quanto inconstante você é com relação a mulheres.
– Só disse isso? — Quinn arqueou a sobrancelha soltando a prancheta e apoiando-se contra a mesa, cruzou os braços abaixo dos seios.
– Ela disse algo que me fez pensar. — Mia suspirou endireitando a postura. — Se você me viu tanto como sua filha, então por que não veio atrás de mim? Depois que minha mãe foi embora com meu pai.
– É complicado. — Quinn suspirou.
– Coisas de adultos? — Mia deu um sorriso irônico.
Quinn soltou uma risada fraca antes de balançar a cabeça.
– Precisamos de vocês duas para as leituras de cena. — Um homem apareceu na entrada da tenda.
– Estamos indo. — Quinn suspirou olhando outra vez para Mia. — Quer respostas? Então venha a minha casa essa noite.

*


Quinn servia duas taças de vinho, concentrava sua atenção naquele ato tentando evitar qualquer tipo de pensamento pecaminoso com relação a mulher sentada em seu sofá.
– Posso fazer uma pergunta? — Mia estava olhando para as costas de Quinn.
– Pode, mas pense bem se quer saber a resposta. — Quinn se virou segurando as duas taças.
– O que minha mãe realmente significou na sua vida? — Se levantou tomando uma das taças de Quinn. — Ela foi... apenas outra garota que passou pela sua cama?
Quinn fitou os olhos azuis da mulher antes de tomar um gole da taça.
– Sua mãe não foi outra garota. — Falou em voz baixa e pausada. — Sua mãe foi A garota.
Mia inclinou-se para ela, passando um dos braços pelo pescoço de Quinn. Os dedos roçaram a base da nuca acariciando os fios loiros.
– Me conte então. — Sussurrou sem desviar os olhos dos verdes. — Me diga por que ela foi A garota.
Quinn suspirou saindo do abraço da mulher.
– Isso não é conversa para termos. — Sorriu de leve tentando amenizar o clima.
– Mas é um desejo meu saber. — Mia insistiu. — Eu cresci tendo o seu nome como um tabu, minha mãe se negava a falar sobre você mesmo depois do divórcio dos meus pais.
Quinn deu as costas para ela, tomou outro pequeno gole da taça.
– Só entendi algumas coisas, várias na verdade, no dia em que o tio Kurt e minha mãe brigaram e ele jogou na cara dela que ela nunca conseguiu ser realmente feliz e sim se contentou com uma felicidade acomodada ao lado do meu pai. Ele disse que ela havia deixado a felicidade escapar quando deixou você.
– Kurt sempre teve a mania de falar de mais, pelo visto não mudou muito. — Quinn deu um sorriso antes de desviar os olhos.
Mia sentou cruzando as pernas trouxe a taça de vinho para mais perto.
– Mas eu gostaria de saber de você e não dele. — Mia possuía um tom de voz firme.
Quinn lambeu os lábios antes de afastar a taça do corpo com um movimento fluído.
– O que gostaria de saber? — Seu tom de voz se tornou mais impessoal e mecânico, olhou para Mia. — Eu amei a sua mãe. Amei a sua mãe na sua idade e até um pouco antes. Muito antes. Eu esperei a sua mãe, esperei através dos anos, dos romances dela. Sofri em silêncio. Dei suporte sem pedir nada em troca. Estive ao lado dela quando ela se descobriu grávida de você. Ela me mandou embora quando descobriu que eu a amava como mulher e mesmo assim eu fiquei. Também fiquei quando ela não me queria por perto durante a sua batalha com o câncer. Eu a tive em meus braços por pouco tempo, pelo tempo que ela me permitiu isso. E eu também a vi voltar para os braços do seu pai, em segredo para... não me magoar tanto. O que você deseja saber Mia? Se eu amei sua mãe? Sim, eu a amei. Eu inventei um amor para ela. Eu me esmerei por ela, para ser alguém a altura dela. Mas não era para ser.
Quinn soltou um suspiro tomando um longo gole da taça, virou de costas caminhando até a janela.
– Você ainda a ama? — Mia perguntou com calma.
Quinn soltou uma risada fraca.
– Ah minha menina, um dia irá entender que não se deve fazer as perguntas para as quais não quer saber a resposta. — Respondeu para a mais nova sem desviar os olhos da cidade que se revelava pela janela.
– Mas eu quero saber. — Mia retrucou se levantando. — Você fala como se ela tivesse sido o amor da sua vida, mas ela te machucou tanto que eu não consigo entender como você pode ama-la.
– Eu te dei o meu lado da história. — Quinn se virou para ela. — Existe outro lado, o lado da sua mãe. Antes de criar um juízo sobre a nossa história você deveria ouvi-la.
Mia parou na frente de Quinn, ergueu a mão tocando o rosto da mulher.
– Por isso se tornou alguém que quebra corações? — Perguntou em voz baixa. — Por que ela quebrou o seu e agora você tem medo de deixar outra mulher tentar juntar os pedaços?
Quinn arqueou a sobrancelha, inclinou a cabeça para o lado com um meio sorriso.
– Sua mãe me mudou de muitos jeitos e em muitas épocas da minha vida, talvez esta tenha sido a última mudança que ela me causou. — Encolheu os ombros fazendo pouco caso.
Mia segurou o queixo de Quinn a fazendo inclinar a cabeça em sua direção.
– E se eu não quiser ser outra garota na sua cama? — Perguntou em voz baixa para Quinn que arqueou a sobrancelha outra vez. — E se eu quiser ser a mulher que vai te reconstruir?
– Vai querer competir com a sua mãe? Mostrar que é melhor? — A loira negou com a cabeça. — A menina você ainda tem tanto a aprender.
– Me ensine então. — O sorriso malicioso surgiu nos lábios de Mia.
– Não entre em um jogo onde as regras são ditas por outra pessoa. — Quinn a avisou.
– E se eu mudar as regras do jogo?
Quinn abriu um sorriso malicioso.
– Bem... a primeira regra é simples. — Passou o braço pela cintura da mais nova a puxando para junto de seu corpo. — Vamos apenas nos divertir...
Quinn jogou esperando ver Mia recuar diante daquela investida. Mia se inclinou para cima mordendo o lábio inferior da loira enquanto seus olhos azuis mantinham os olhos verdes cativos, sugou o lábio com um pequeno sorriso.
– Boa ideia. — Sussurrou contra os lábios de Quinn.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone