Two More Lonely People
5 Capítulo 5 - Behind Blue Eyes
Notas iniciais
Mil desculpas eu não sou muito boa em fazer o POV do Russell afinal sou uma garota D: Mas espero que vocês gostem!
Russell's POV:
Após ficar dias enfurnado em meu quarto de hotel, sem contato com o mundo exterior, e assistindo á todas as trilogias existentes no catálogo, resolvi ligar o meu celular para tentar me reconectar com o mundo.
253 ligações perdidas. 171 mensagens de texto.
A maioria das mensagens e ligações já eram de se esperar. Ligações e mensagens nada interessantes de produtores, diretores, oportunistas e algumas outras de minha mãe e amigos. Não que eu tivesse muitas pessoas agregadas ao meu círculo social, mas meus amigos se preocupavam com toda a pressão feita pelo mundo do showbiz sobre mim. Uma mensagem entre tantas me chamou a atenção. Regina Simons.
Regina era uma das únicas amigas com quem eu nunca me atrevi a ter algum caso, e também uma das únicas em que eu confiava cegamente. Ela era uma mulher excêntrica e tinha uma beleza que agradava á diferentes tipos de homens. Nós éramos muito amigos, por mais que nossas visitas um ao outro não fossem feitas com frequência, ela me contava seus maiores segredos e me ajudou em muitos momentos de altos e baixos em minha vida.
A mensagem dizia:
Mova sua bunda magrela, estou em Londres. Esteja no Flat Wine ás 11h.
E essa era Regina e sua grande sutileza.
Tive sorte de resolver ligar o celular naquele momento, eram dez e meia da manhã quando li a mensagem.
O sol irradiava em um dos raros dias de calor na Inglaterra, e então decidi vestir uma camiseta regata de algodão, meu par de calças preferidas, chinelos e meus inseparáveis óculos de sol.
Quando cheguei no Flat Wine, logo a reconheci. Ela estava sentada em uma das mesas no canto da cafeteria mexendo em seu celular silenciosamente. Seus cabelos estavam molhados, e ela usava uma camiseta rasgada em forma de top e estampada com a foto de alguma banda sueca desconhecida. Ao me avistar, ela começou a acenar freneticamente e tratei de sentar em uma das cadeiras á sua frente na mesa.
– Quem é vivo sempre aparece, não é? – Disse ela enquanto guardava o celular na bolsa. – Pedi alguns donuts, sei que esses são seus favoritos. – Regina apontou para uma caixa relativamente grande aberta na mesa.
– Bom dia para você também Regina! – Falei enquanto me servia com uma das rosquinhas da caixa.
E então, enquanto mastigávamos os grandes e extremamente doces donuts, ficamos em silêncio por alguns minutos e isso parecia a incomodar. Mas não demorou muito até ela arranjar algum assunto. Na verdade o pior deles.
– Fiquei sabendo sobre o... — Ela não mencionou a palavra divórcio assim que percebeu a expressão de desconforto que fiz. — Como você se sente?
– Devastado. Já fazem cinco meses e eu ainda me sinto mal, não posso ouvir o nome dela sem que o meu estômago se aperte como se eu sofresse uma doença degenerativa. Eu simplesmente não consigo esquecer. – Engoli o último pedaço e continuei — Eu já deveria ter superado.
– No fim do meu primeiro casamento era exatamente assim que eu me sentia. — Disse ela mordiscando um pedaço de donut — Se ele ainda me quisesse, eu não pensaria duas vezes antes de voltar para os braços dele. O primeiro casamento é sempre inesquecível.
Regina já havia se casado 5 vezes. Ela era uma trambiqueira de primeira linha, mas tinha um bom coração. Seus dois últimos maridos eram extremamente velhos e morreram deixando uma grande herança para ela, o terceiro era jogador de futebol, o segundo era um ator extremamente famoso e o primeiro era a sua paixão da adolescência. Ele a dispensou e ela pareceu nunca superar isso.
– Eu sou um idiota. Sempre fui. Não é á toa que sempre acabo perdendo as pessoas. Primeiro meu pai, a maioria dos meus amigos e agora Katheryn...
– Ora cale a boca! Não foi sua culpa o seu pai ser um babaca Rusty, nunca foi nem nunca vai ser. Você é uma pessoa melhor agora. — Ela lambeu os lábios salpicados de açúcar — E é isso o que realmente importa.
– Nunca te contei o que realmente aconteceu para tudo acabar não é? Você é uma das únicas pessoas neste mundo que confio, e sinto que preciso te contar. – Peguei mais um donut da caixa e o mordi cuidadosamente.
– Estou aqui para te ouvir. Sempre vou estar.
E então comecei a contar para Regina toda a história do dia em que cometi o pior erro de minha vida: trair Katy. Me lembrava nitidamente do rosto da stripper, de quantos copos de bebida eu havia consumido e principalmente do buraco que senti no peito assim que fiquei sozinho no quarto de motel barato. Nunca em minha vida me senti tão sujo e estúpido.
Eu percebi que era fraco. E a única época em que me senti forte foi quando eu e Katy estávamos juntos, ela conseguia me passar um tipo de força e determinação que eram de outro mundo. Nosso amor sempre foi cósmico.
– Sei que vai ser difícil, mas você tem que tentar superá-la, isso não te faz bem.
– Eu estou tentando juro que estou. Mas não é fácil acordar todos dias, e me dar conta que deixei minha alma gêmea ir embora.
– Até porquê, parece que ela já te superou. — Regina falou em um tom enojado.
Ela nunca gostou de Katy e não fazia questão de esconder.
– O que você quer dizer com isso? — Eu realmente não havia entendido.
– Você não viu as últimas notícias? Ela foi vista aos amassos com o guitarrista de Florence Welch. — Minha expressão pareceu surpreendê-la — Oh... Você não sabia. Eu...
– Não. — A interrompi — Eu não sabia. — Fechei os olhos e rangi os dentes enfurecido.
Katy me superar era exatamente o que eu queria, mas porque tudo aquilo me deixava mal? A vida estava seguindo, estava tudo bem com ela e era esse o importante. Mas saber que outro alguém a tinha, me deixou totalmente sem rumo.
Regina me conhecia muito bem, e percebeu o quanto aquilo havia me chocado. Sem dizer uma palavra, ela pagou a conta e saímos da cafeteria sem nos olhar diretamente. Quando estávamos na calçada, percebi um tumulto que acontecia há poucos metros, mas não me incomodei em olhar, e então senti Regina segurar a minha mão.
– O que você está fazendo? – Soltei a mão dela no mesmo instante.
– Estou fazendo isso por você.
E então ela aproximou seu rosto do meu e beijou meus lábios rapidamente, não me dando tempo nenhum para desviar.
Dei alguns passos para trás para impedir que ela continuasse a me beijar. Até aquele momento eu não havia percebido qual o motivo de tudo aquilo. Olhei para o lado, e percebi que o tumulto se tratava de vários paparazzis aglomerados. E eu tinha certeza que aquelas fotos não iam demorar para chegar aos olhos do mundo, mais especificamente aos olhos de Katy.
Fale com o autor