Notas iniciais
Boa leitura, pessoal, e perdão por qualquer erro.

Saindo do consultório do Dr. Lupin, Harry mantinha a cabeça baixa, pois não queria que os demais pacientes no corredor vissem as lágrimas que desciam lentamente por seu rosto.

Aquela consulta tinha sido arrasadora, não que as outras, durante os seis últimos anos desde que descobrira sua doença, tivessem sido boas e animadoras. Não foram. Durante os dois primeiros anos, Harry se mantinha recluso, e a cada nova consulta seu medo aumentava, ele pensava que ficando recluso e descansando, ele teria mais tempo de vida. Seu médico afirmou que não. Não importava se ele comia apenas coisas saudáveis, ou se dormia no horário certo, não importava se ele fazia exercícios, sua doença estava cada vez maior, tomando conta dele e levando embora seus anos de vida.

Foi então que Harry tomou a decisão de que não ficaria mais trancado em um apartamento esperando a morte, se ela o quisesse, que viesse buscá-lo.

Nos quatro anos que se seguiram até agora, Harry não se limitava. Viagens, festas, passeios, escaladas, de tudo ele fazia, já que estava morrendo mesmo, queria pelo menos fazer de tudo um pouco, e conhecer o tanto de lugares que fosse possível.

Sem se apegar a ninguém, Harry viajava de país em país, cidade em cidade, conhecendo cada lugar especial, aprendendo suas histórias e deixando sua marca por onde passava.

Conhecer novas pessoas também estava incluso no pacote, Harry fizera muitos colegas em suas viagens, e fizera alguns amigos também, amigos esses que sempre estavam entrando em contato e marcando de se verem. Poucos eram os que realmente sabiam da condição e do diagnóstico de Harry, e como bons amigos verdadeiros, eles se preocupavam e tinham medo pelo moreno, porém depois de muita conversa e de Harry deixar bem claro que parar suas viagens não o faria melhorar, seus amigos o apoiaram a seguir seus sonhos enquanto podia. Afinal, a vida é realmente muito curta e não se sabe o dia de amanhã.

— Ei Harry! — O moreno ouviu do outro lado da linha, assim que atendeu ao celular que tocava insistentemente. Ele já se encontrava fora do consultório e andava por uma calçada. — Você demorou atender , tá tudo bem? Como foi a consulta?

Aquele falando sem parar era Rony, seu amigo de infância, o amigo de mais longa data que Harry tinha. Os dois eram inseparáveis, como irmãos. E Rony sempre ligava logo após as consultas de Harry, para saber as novidades que em geral sempre eram as mesmas, nenhuma melhora e menos tempo de vida.

— E ai, cara! Eu tô bem sim, tava distraído e não tinha prestado atenção no celular. — Harry avistou uma pequena pracinha e se sentou em um banco, fechando os olhos e apenas ouvindo o seu melhor amigo do outro lado da linha. — A consulta deu na mesma, nenhuma melhora, aproximadamente dois meses...

Harry suspirou e ouviu seu amigo engolir em seco, ele sabia o que Rony estava pensando, que dali a dois meses, a qualquer momento ele perderia o melhor amigo.

— Você vai continuar na praia? — Rony perguntou. — Já escolheu uma?

Aquela era uma decisão que Harry tomara a dois meses atrás, depois da consulta que ele achava que seria a última. "Aproximadamente quatro meses de vida restantes" foi o que dissera o Dr. Lupin, então Harry resolvera voltar para casa, rever os amigos e ir de praia em praia e fazer aquilo que ele mais amava, surfar.

Londres era cercado por belas praias, algumas ótimas para descansar e curtir um dia de lazer, outras ideais para quem amava pegar uma onda. E Harry amava surfar, se sentia livre, leve e solto no meio das ondas, uma tarde na praia, em cima de uma prancha era a definição de paraíso para o moreno.

— Cara, minha decisão é a mesma, o surfe me ajuda a ficar mais leve, vou continuar pegando onda em Fistral, se for mudar de praia eu aviso. — Harry disse ao amigo de uma só vez, e quando Rony o questionou sobre quais as outras alternativas o moreno analisou e respondeu. — Eu pensei na praia de Kingsgate Bay... porque... bom... você sabe.

Aquele era um assunto delicado, e Rony sabia qual era, os pais de Harry casaram naquela praia, Harry fora concebido ali e ele comemorava todos os aniversários, antes dos seus pais morrerem, ali naquela praia. E foi voltando dela, da comemoração de bodas de casamento que James e Lily Potter sofreram o acidente que lhes tirou a vida.

Harry evitou a praia nos anos seguintes, somente depois do seu diagnóstico foi que ele voltou lá. Para Harry, a presença de seus pais era mais sentida ali, do que quando ele levava flores ao túmulo deles no cemitério. Ali, ele chorou e contou tudo aos pais, e no fim se sentiu mais leve e foi quando tomou a decisão de fazer as viagens, ele sempre teve o sonho de conhecer o mundo, sonho herdado de seus pais, ele vinha realizando esse sonho por eles e por si mesmo.

— Eu sei mano, essa é uma ótima ideia. — Rony respondeu em apoio ao amigo. — Nos avise se for partir, e quando irá, Mione e eu queremos passar uns dias com você.

Mione era na verdade Hermione Granger, prima de segundo grau de Harry, a única parente que o moreno conhecia, eles cresceram juntos, os pais de Mione cuidaram dele depois do acidente dos pais. A morte do Sr. Granger a um ano e meio e logo após a morte de sua esposa a um ano, tinha abalado muito os primos e Harry e Hermione tinham se aproximado mais ainda, o que Harry julgou ser um erro depois, pois segundo ele, Mione já tinha perdido os pais e em pouco tempo o perderia também. O que o confortava era saber que sua prima e seu melhor amigo tinham um ou outro, e que ele tinha parte naquele romance já que foi através de Harry que Rony e Hermione se conheceram e se apaixonaram. Ele sabia que Hermione era autossuficiente, mas também sabia que a prima precisava de conforto e apoio, Harry se sentia bem sabendo que Hermione estaria em boas mãos, afinal, Rony era a melhor pessoa que Harry conhecera em toda a sua vida.

Bom... pelo menos ele achava isso, até conhecer Ela. Podia se dizer então que agora, Rony era a segunda melhor pessoa que Harry conhecera em toda a sua vida.

— Harry? Cara tu tá com a cabeça aonde meu irmão? — Harry ouviu o amigo chamar e só então percebeu que tinha ido longe em pensamentos, sobre o melhor amigo, a prima, praias, e Ela.

— Eu tô aqui cara... só... só tava pensando em umas coisas — Harry tentou voltar ao assunto. — Eu aviso vocês sim, não se preocupem, qualquer coisa podem me encontrar em Fistral, pegando a maior onda possível.

— Então aproveita cara, quando eu for, vou te deixar pra trás — Harry riu daquilo, pois sabia que Rony era amador no surf, só tinha aprendido para ter o que fazer quando acompanhava o amigo e os pais a praia, porque o moreno se recusava a fazer outra coisa que não fosse surfar na sua mini prancha. — Vai rindo mano, tu vai ver só, eu aprendido umas manobras muito boas cara.

— Deve ter aprendido mesmo. — Harry riu mais ainda e continuaram a conversar sobre outras coisas. E Harry ainda estava na mesma posição sentado no banco da praça com os olhos fechados quando se lembrou de algo importante e indagou o melhor amigo. — Ei cara, e a Mione? Ainda tá se sentindo mal?

Houve um silêncio breve do outro lado da linha, e depois um risinho e Harry soube que Rony estava escondendo alguma coisa.

— Fala logo cara, aconteceu alguma coisa pra tá dando risinhos? — Harry costumava dizer que Rony só dava risinhos quando estava bobo e ele só ficava bobo quando o assunto era Hermione. — Da última vez que você estava só risinhos, foi a duas semanas quando Hermione te deu o Cerveja e você disse que o gato era filho de vocês. Falando nisso, Hermione já aceitou o nome do garoto? Combina com o pêlo alaranjado dele.

Hermione adotou um filhote de gato e deu de presente a Rony que amava gatos e tinha perdido o seu a uns meses. Rony nomeou o bichano de Cerveja, pois estava tomando Cerveja amanteigada quando Mione lhe entregou a pequena caminha com o filhote, agora Hermione não queria aceitar o nome que o namorado tinha escolhido, Harry achava tudo muito engraçado, e sabia que uma hora a prima ia ceder, afinal o nome já tinha pegado e o gatinho só respondia por ele.

— Ah! A última tentativa dela foi, Bichento... — Rony começou a rir na ligação — O gatinho... ele só virou de costas e foi embora pra caminha dele. Acho que ela se deu por vencida.

— Então ganhamos, o garoto é o Cerveja! — O moreno comemorou e depois que Rony parou de rir, um silêncio tomou a ligação, dessa vez Rony estava perdido em pensamentos também.

— Harry...? — chamou ele meio vacilante depois de um tempo em silêncio. — Você já contou para Gina? Digo... sobre o diagnóstico e tudo...

E ali estava, o pensamento que Harry estava tentando manter fora de sua mente, o mesmo pensamento que o fizera ir atrás de outra consulta, o mesmo pensamento que lhe fizera chorar ao sair do consultório do Dr. Lupin. Um pensamento com nome e sobrenome. Gina Weasley era esse pensamento, a bela jovem de longos cabelos ruivos que estava cursando o último ano de Psicologia. A jovem que amava surfar, tanto quanto Harry amava. A bela mulher que lhe tirou o sono durante os últimos dois meses, que lhe prendera com o olhar, e havia lhe conquistado com o sorriso. Gina, ela era o motivo da consulta. Porque desde que tinha conhecido Gina, naquele belo dia na praia, ele desejava ter mais tempo. Somente um pouco mais de tempo.

Sobressaltado pela mudança repentina no assunto, Harry abriu os olhos e lembrou de onde estava sentado, sentiu uma pontada no peito que já lhe era bem conhecida, e querendo adiar o assunto com nome e sobrenome ele indagou o melhor amigo.

— Ei, e a Mione? Tu enrolou e não me disse se ela tá bem ou não... — Harry lembrou o amigo da sua pergunta. — Ela fez algum exame ?

— Então cara... — Rony estava dando risinhos de novo e Harry estava prestes a lhe ameaçar quando ouviu uma voz longe na ligação chamar. "Ron? Amor cheguei" era Hermione, tinha chegado do trabalho. — Ei vida, estou aqui na cozinha, Harry está na linha! Viva voz! — O ruivo respondeu todo animado e o moreno riu da animação do amigo, mesmo sem entender o motivo, e ficou atento quando Rony disse — Ele fez aquela pergunta, aquela bendita pergunta, A PERGUNTA AMOR, ainda bem que você chegou. Aaaaaaah.

— Calma cara, não vai infartar, deixa a Mione me contar o que diabos aconteceu, tu é só enrolação, suspiros e risadinhas. — Harry disse ao amigo e se dirigiu a Mione. — E Ai prima?! Como vai a vida de Enfermeira?

— Ah primo, não tem coisa que eu ame mais fazer, e ei, obrigada pelas lembranças das praias, são lindas. — Hermione agradeceu ao primo. E ambos riram quando ouviram Rony murchar, "ah e eu? Não me ama tanto assim?" Ao que a namorada respondeu. — Sim meu dengo, eu te amo e embora você dê bastante trabalho não é desse trabalho que estou falando.

Os primos riram com o muxoxo de Rony e continuaram a conversar sobre o trabalho da prima até que Harry tornou a perguntar sobre a saúde dela.

— Tá tudo bem comigo Harry, não se preocupe, foram só enjoos e algumas tonturas — Hermione começou a contar tranquilamente e Harry ficou aliviado. — Fiz alguns exames e descobri que é normal, acontece nos primeiros meses de gravidez.

Harry demorou exatamente um minuto para processar o que acabara de ouvir, e só saiu do transe quando ouviu de novo as risadinhas de Rony e ouviu a prima dizer "Calado Ronald, deixa ele processar a informação".

E mesmo depois de ter processado tudo, a única coisa que saiu da boca de Harry foi:

— Ai meu Deus. — Então Harry teve um estalo, e uma súbita alegria se apoderou do moreno. — AI MEU DEUS... AI MEU DEUS RONALD WEASLEY!!! EU PODIA TE MATAR CARA, MAS ESTOU FELIZ DEMAIS PRA ISSO!!! — Harry estava em pé a essa altura, e andava de um lado para o outro na praça, em uma animação total. — HERMIONE PARABÉNS! PARABÉNS AOS DOIS! EU TÔ MUITO FELIZ!!!!!! QUANTOS MESES? JÁ SABEM O SEXO DO BEBÊ? VOCÊS JÁ TEM NOMES ESCOLHIDOS? E...

— Harry, calma pelo amor de Deus. — Hermione pediu rindo do outro lado da linha, e ao fundo dava para ouvir Rony morrendo de rir. — Assim vai me deixar louca. Uma pergunta de cada vez primo. E obrigada, estamos muito felizes também com essa notícia.

— É cara. — Rony se acalmou o suficiente para agradecer ao amigo. — Estamos muito felizes mesmo...

Harry conseguia sentir a felicidade na voz do casal, a emoção e tudo o mais, e ele não conseguiu impedir de se envolver em tal emoção. Talvez por toda a felicidade e emoção da notícia incrível de que sua prima está grávida, Harry se pegou observando algumas mães e suas crianças que brincavam ali perto, nos jardins da praça. E por um minuto ele desejou aquilo.

Porém no minuto seguinte Harry se lembrou que era impossível, e se focou nos amigos na ligação, se sentando novamente no banco da praça e fazendo uma pergunta de cada vez como Hermione pedira.

— Caraca, quase 4 meses e sua barriga nem aparece direito. — Harry estava perplexo, ele via as fotos de sua prima nas redes sociais e ninguém diria que ela estava grávida de três meses.

— Agora aparece um pouco quando uso roupas mais coladas, uma pequena bolinha. Ron é todo bobo com ela.

— Imagino mesmo, e falando nele, cadê o bobalhão?

— Ele foi pegar um creme pra fazer massagem nos meus pés, estão um pouco inchados pelo dia corrido. Mas não se preocupe primo tá tudo bem.

Continuaram conversando por um bom tempo, até que Rony fez aquilo de novo, falou do assunto com nome e sobrenome.

— Cara, mudando de assunto, sobre a consulta,os exames e o diagnóstico, você tem que contar a Gina. Para o bem dela. E... bem... para o seu também... — Rony falava meio exitante, pois sabia que o moreno não estava confortável com o assunto. — Cara...

— Rony, sinceramente eu não quero falar sobre Ela. — O aperto conhecido no peito do moreno estava lá de novo. E tudo o que ele queria era que passasse. — Eu provavelmente nem vou vê-la de novo cara, foi só alguns dias de surf, nada demais, nos tornamos amigos apenas.

— Harry, me desculpe a intromissão... — A prima começou a falar e Harry até tentou impedir porque sabia que sempre que a Mione falava, ele ouvia e cedia a razão. — Mas vocês estão longe de serem apenas amigos, qual é primo... você não passava mais de duas semanas em uma praia, e passou dois meses em Fistral, você ligou num dia avisando que estava partindo em outra aventura, e ligou no dia seguinte avisando que ficaria mais um pouco, e já passaram dois meses Harry. Claro que foi ela que te fez ficar, foi por ela... a consulta foi por ela não é... você estava decidido a não fazer mais consultas, e de repente fez outra. Harry não minta para si mesmo, você gosta dessa garota, não importa o quanto tente negar a si mesmo, o sentimento está aí, e é visível para qualquer pessoa, Gina precisa saber de sua condição. E você precisa ouvir seu coração, não é tarde demais para viver um grande amor, você sabe disso...

— Meus sentimentos não contam Hermione, — Harry sentia a frustração se apodera dele novamente — Gina só me vê como amigo, ela perdeu o namorado em um acidente a menos de um ano, ela não quer um relacionamento, e me desculpa mas não vou por ela em uma situação parecida com a qual ela já viveu. Não é justo Mione, ela não precisa ser atingida pela explosão também... — Harry constantemente se referia a sua morte como uma explosão, e aos seus amigos como sobreviventes dela. — Eu não vou fazer isso prima, sinto muito... vou voltar a Fistral, ela está na faculdade, provavelmente não verei ela de novo, você bem sabe como vida de universitária é corrida.

— E o que vai fazer quando ela ligar? Mandar mensagem? Quando ela quiser te encontrar? — Dessa vez era Rony fazendo as perguntas. — Quase todos os dias ela te manda mensagem, vai ignorar isso também? Se não quer realmente vê-la, por que vai continuar em Fistral? Por que não ir para a aventura seguinte ? Dois meses é um bom tempo para encontrar algo digno do aventureiro Harry Potter. Por que ficar cara? Admita que é por Gina, pare de dar desculpas, pare de esconder o que sente...

— E Harry, pelo que você nos contou sobre Gina e sobre o período que passaram juntos, essa garota não lhe considera apenas como amigo, tenho absoluta certeza que ela gosta de você também...

Harry estava a beira de um colapso, ele evitava o assunto porque não queria pensar em tudo o que vinha com ele, era doloroso demais pensar em tudo isso. Mas os amigos continuavam tentando convencê-lo a falar com a garota e tudo o que isso implicava estava deixando Harry louco.

— A gente nunca nem se beijou! Gina nunca demonstrou sentir nada além de amizade, nunca demonstrou interesse, não sei de onde vocês dois tiraram essa ideia maluca. — Harry sabia de onde os dois tinham tirado a ideia, sabia que tinha sido pelas infinitas horas que ele passava falando da garota, mas Harry tinha consigo que mesmo que tivesse passado horas falando com Rony e Mione de Gina, não tinha como eles saberem dos sentimentos dela, apenas dos seus. — Mesmo que eu encontre ela de novo, não tem porque eu contar dos exames e dessa droga na minha cabeça, ela não precisa saber disso, não quero mais uma pessoa com a preocupação de quando vai ser a última vez que falará comigo!

— Mas Harry, você não pode fazer essa escolha! Gina deve escolher! Desculpa mas você está sendo egoísta com ela! — Hermione estava alterada aquela altura, não suportava a ideia de uma pessoa ter suas escolhas tiradas dela. — Harry pelo amor de Deus, pare de agir como se não fosse digno de amor, lembra de a culpa é das estrelas? O mundo não é uma fábrica de realizações de desejos, é impossível viver uma vida sem se ferir, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Gina merece essa escolha....

— Amor... se acalme, você se alterou, o bebê... — Rony estava notavelmente preocupado com a namorada e só então Harry percebeu que ele e a prima estavam alterados em uma discussão e ele se preocupou também.

— Calma prima, eu sei que você está certa, desculpe por isso... — Harry estava sendo sincero, ele realmente sabia que devia contar a Gina, que ela merecia uma escolha. — Tá tudo bem…

Hermione se acalmou e foi se deitar deixando Harry e Rony ainda conversando, os meninos a convenceram que era melhor ela descansar e Harry prometeu que iria considerar tudo o que ela havia dito.

— Qual o seu medo Harry? — Rony perguntou ao amigo depois que Hermione se retirou. — Por que exita tanto em contar a Gina? Tem medo que ela se afaste? Porque olha… eu concordo com Hermione, tá na cara, pelo o que você conta, que Gina gosta de você.

Harry pensou por um momento, ele não tinha medo de Gina escolher se afastar, ele sabia que havia uma probabilidade da garota escolher partir, e ele não julgaria ela por isso, não podia esperar que ela ficasse que ela encarasse tudo, não depois do que havia passado no último ano.

Esse não era o medo de Harry. Harry não tinha medo, na verdade, o que estava lhe consumindo era outra coisa. Algo que a muito tempo o moreno não sentia.

— Não sei cara, eu realmente não sei… — Harry estava exitando e Rony percebeu isso.

— Cara para de se prender! Por que é tão difícil você assumir o que sente?! — Rony se alterou na ligação, tentando chamar o amigo a razão de seus sentimentos. — Só põe tudo pra fora!

— Eu não tenho medo Ok! — Harry se levantou também alterado, a respiração rápida conforme todos os pensamentos iam e vinham em sua mente. — Eu só... nunca senti isso por mais ninguém! Nunca em toda a minha vida uma garota mexeu comigo como Gina está fazendo, nem antes e nem depois do diagnóstico. COMO DIABOS SE CONTA PARA O AMOR DA SUA VIDA QUE VOCÊ ESTÁ MORRENDO?!

Harry acabou gritando a última parte e as crianças que brincavam no jardim ali perto ficaram olhando quando ele se sentou na grama e se escorou em uma árvore, chorando.

— O amor da sua vida? — Rony perguntou. — Então você assume que não é apenas uma amizade?

— Não Rony, não é apenas uma amizade. Eu amo ela, e a amei assim que nossos olhos se encontraram. A amei como pessoa, como amiga e amo como mulher a mulher que quero para mim… droga Rony, eu nunca nem a beijei e a amo. E como diabos vou contar a ela que eu amo ela e que vou morrer em dois meses. Como vou pedir a ela que fique ao meu lado. Eu sei que é egoísta da minha parte e sei que ela merece ter uma escolha, mas e se ela escolher ficar? Ela vai ser outra sobreviventes quando a explosão acontecer? Ela vai sobreviver a isso depois de tudo o que ela passou? o acidente o namorado morto. Eu não quero ser um fardo pra ela Ron…

Harry falava tão rápido, e as lágrimas desciam por seu rosto que estava abaixado entre as pernas para que ninguém visse suas lágrimas.

— Harry, olha só, Gina vai sofrer de um jeito ou de outro daqui a dois meses… — Rony começou a dizer. — Ela vai saber da sua morte, e vai sofrer mais ainda por não ter estado com você, eu coloco minha mão no fogo e digo que ela está apaixonada por você e que ela vai sofrer mais ainda se você não contar… e outra… — Rony esperou um pouco processando o que iria dizer para tentar acalmar o amigo. — Tenho certeza que Gina é forte, e ei, ela tá se formando em psicologia certo? Então… só aí dá pra ver a força que a garota tem. Ela merece ter uma escolha Harry, e você merece ser amado, toda forma de amor é válida, todo tempo de um romance mesmo sendo curto, é válido.

— Eu nem sei se ela gosta de mim do mesmo jeito…

— Pois você prefere arriscar e contar tudo e talvez ter os melhores últimos meses da sua vida e morrer tendo vivido um grande amor ou deixar tudo de lado, e sofrer até o último dia de vida com o arrependimento de não ter tentado? Porque você sabe que vai se arrepender não sabe?

— É eu sei…

Harry agora olhava para o céu que escurecia, Rony havia desligado a alguns minutos pois tinha que ir trabalhar e as últimas lágrimas desciam pelo belo rosto do moreno que ainda estava sentado escorado na árvore.

Foi aí que uma linda menina de longos cabelos ruivos se aproximou e lhe estendeu uma flor amarela.

— Desculpe moço, eu estava brincando aqui perto e ouvi sua conversa. — A menina disse a Harry quando ele pegou a flor- Sinto muito por esta morrendo… deve ser um saco — A menina disse e Harry riu com aquilo. — Mas olha, a moça de quem você falou, eu acredito que ela vai ficar, e que daqui uns anos quando perguntarem pra ela se valeu a pena ter lhe amado ela vai dizer que sim, que foi a melhor escolha da vida dela.

Harry estava com os olhos marejados pela emoção.

— Como você pode ter tanta certeza pequena? — Ele perguntou à menina.

— Porque é o que minha mãe sempre diz quando perguntam a mesma coisa a ela… — Dito isso uma voz chamou no meio da praça e Harry viu uma mulher que beirava aos 30 anos acenando para a menina — Tenho que ir, vamos a sorveteira. — A menina sorriu e acenou um tchauzinho ao qual Harry retribuiu. — Se cuida.

— Obrigada — Harry gritou para a menina e a observou correr e segurar a mão da mãe enquanto ambos atravessam a rua.

A noite já havia caído quando Harry atravessou a rua em busca de um táxi para o seu apartamento. A flor amarela ainda em suas mãos, e em seu coração a decisão do que fazer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.