Two Lives...
19 Especial...
Notas iniciais
....Luz e Trevas....Dois Irmão...
O que todos não sabiam era que ele era meu irmão, meu pequeno irmão, para quem prometi proteger...
Olhava pela janela do apartamento onde caia uma grande chuva, as ruas e pessoas que corriam lá me baixo, estavam borradas, mas não porque a chuva molhava a janela, mas porque eu chorava, não conseguia segurar aquelas lágrimas, havia acordado de um pesadelo, na verdade eram lembranças a muito tempo guardadas em minha memória, olhava para a janela com os punhos cerrados, a cada gota que caia e se desmanchava no chão era mais uma pontada em meu peito, tinha me esquecido daquele dia infernal, em que presenciei a maior traição que eu podia ter vivido na vida, nada doeu mais forte do que saber e ver que estava sendo traído por quem mais confiei.
Seco com força minhas lágrimas, não querendo demonstrar fraqueza, mas a verdade era que, ainda esperava que aquelas memórias desaparecessem de minha cabeça, fungo e olho para o lado vendo a garota mais estranha e mais aconchegante e perfeita que já conheci depois de meu pai, Lucy, dormia tão bem, tão calma, sentia remorso por não conseguir ser alguém melhor, que ela mereça.
Descido esfriar minha cabeça e pegando meu cachecol, saio com cuidado para não acorda-la pela janela, a chuva ainda se derramava lá fora, mas não me importei, senti meu corpo se arrepiar quando senti as gotas pingarem em mim, um choque de realidade me chocou novamente, aquilo havia acontecido em uma noite como essa, onde chovia forte mas sem nenhum vento, apenas a chuva, caminhei sem pressa pelas calçadas, enquanto sem minha permissão eu viajava novamente naquelas memórias...
"Andava sem forças pela floresta, enquanto em minhas costas ele estava desmaiado, tínhamos conseguido fugir de mais uma seção de surra que recebíamos toda vez que chegávamos em casa, sentia fome, sono e muita dor, minha cabeça latejava e consegui ver alguns pingos de sangue em minha camiseta molhada pela forte chuva, que ótimo, minha cabeça estava sangrando, suspiro e retiro ele de minhas costas colocando-o encostado em uma árvore, percebo que ele também tinha alguns cortes pelo rosto e braços, retiro minha camiseta e vendo uma folha grande com água da chuva, torço já molhada pela chuva minha camiseta e começo a limpar os machucados dele, limpo tudo e então seco o sangue já começando a secar em minha testa, me permito sentar um pouco encostado em uma árvore mais a frente e permaneço observando ele, tão pequeno e indefeso, não era aquela vida que queria para ele, cerro os punhos com força, ele só tinha cinco anos, se eu tivesse força para poder pelo menos lutar para protege-lo, mas não tinha, só tinha seis anos.
Escuto alguns gemidos vindo dele e corro para acorda-lo, ele de vagar abre os olhos um pouco inchados pelo choro, e me olha sorrindo fraco em seguida.
–Aconteceu outra vez...não é Onni-san?-murmura ele sorrindo sem graça, eu sorrio também.
–Não se preocupe, não vou deixar que encostem em você outra vez...eu prometo-estava muito cansado, meu corpo doía só de me mexer, mas também sabia que ele estava morrendo de fome, então tinha que arranjar comida-Fique aqui...irei voltar para pegar comida...volto logo-falei esfregando seus cabelos brancos, não tínhamos nada a ver, mas não ligava, ele segura minha mão com um olhar amedrontado.
–Não Onni-san...eles vão acha-lo, não vá-pedia, eu sorri.
–Não podemos ficar sem comida...ainda mais você que está magro desse jeito...está parecendo uma pena de tão leve!-falei brincando, ele abaixa a cabeça se olhando e em seguida infla as bochechas emburrado.
–Não sou tão magro assim...-murmura e eu gargalho, ele era fofo por natureza, bagunço mais seus cabelos e me levanto.
–Fique aqui...eu já volto, se escutar algum barulho de pessoas vindo corra para o sentido contrário...você sabe o que fazer não é?-perguntei ele, mesmo com uma expressão amedrontada, confirma-Volto logo...
E parti, corri novamente pela floresta onde morava, logo mais a frente se podia ver um riacho com uma ponte que interligava com a pequena cidade, mais parecido com um vilarejo, com cuidado atravessei a ponte velha e me escondi o máximo que consegui das pessoas que passavam por perto, não era fácil me esconder por conta dos meus cabelos que eram chamativos de mais, mas consegui atravessar a rua sem ser percebido, avancei mais alguns metros, entre os becos das casas, parando na frente de uma casa pequena, com um portãozinho de madeira pintado em branco, um pequeno jardim com inúmeras flores bem cuidadas, janelas em um azul escuro, paredes tão brancas quanto o portão.
Era uma casa típica de dona de casa, respiro fundo sentindo um embrulho só de encarar aquele lugar, por fora parecia a casa de uma família feliz, por dentro...era o inferno,corri para o lado da casa vendo pela janela uma cesta de pães junto com mais algumas frutas perto da janela, consegui pegar algumas, mas quando estava para se virar, sinto ser segurado pela camiseta branca que usava, um pouco surrada e rasgada, meu corpo gela só ao ver sombra na parede e no chão da pessoa atrás de mim.
–O que pensa estar fazendo seu inútil? já não disse que roubar as coisas é falta de surra?!-a voz potente do homem atrás de mim, me fez tremer, mas eu não tinha medo, tinha raiva e ódio daquele homem, o olhei com um sorriso de deboche.
–É? então você deveria levar uma surra para parar de pegar o dinheiro da Elie- falei sem me preocupar com as consequências, no momento seguinte, senti ser prensado com toda minha força contra a parede de madeira, as frutas caíram dos meus braços para o chão.
–Escute pirralho maldito...eu sugiro que guarde essa língua bem dentro da boca, ou ela vai servir para o Thor comer!-ele dizia entre dentes, demonstrando a irritação que sentia no momento, Thor era nosso gato, ou no caso a peste daquele homem, era mais bem tratado do que a esposa e os filhos, senti repulsa quando ele se aproximou perto de mim-Não quero que fique andando por ai dizendo asneiras está ouvindo? por mim vocês nem teriam nascido...você e aquele merdinha do seu irmão!-ele disse com um sorriso em meio a dentes amarelos e fétidos, o olhei com ódio acumulado por anos, odiava não ter forças para enche-lo de porrada quando ousava falar do meu irmãozinho.
–Me solte!-exclamei com raiva e me debatendo, ele riu e me soltou só para me dar um chute no estômago me jogando para trás, senti minhas vistas rodarem e o ar abandonar meus pulmões, tossi com minha mão na barriga, e o vi vindo para cima de mim novamente, tentei me levantar mas meu corpo não aguentava mais, já tinha chegado a meu limite a muito tempo, ele me chuta nas costelas novamente e acho que desmaiei por dois segundos, grunho de dor, e escuto ele se deliciando com meu sofrimento, olho para frente e consigo ver, mesmo com toda aquela chuva, uma silhueta familiar, minhas vistas estavam turvas, mas eu reconheceria de longe aquele andar e aquele perfume, por um minuto senti ser salvo, mas então a realidade veio como um balde de água fria.
–O que esse garoto ainda faz aqui? achei que já o tivesse matado!-exclama com uma voz irritada, sentia a dor se alastrar dentro de mim, e as lágrimas brotarem em meus olhos, aquela a quem dizia me amar estava agora me olhando como se fosse um monstro ou um animal sarnento-Deixe-o...não vale a pena se incomodar por conta disso!-as palavras não eram medidas, o ódio era sentido por todas as letras, consigo me levantar e olho para os dois com um amargo em meu coração.
–Vocês...vão pagar...por isso...eu juro!!-grito e saio correndo sem nem me importar com as pessoas ao meu redor, elas jogavam objetos, xingavam, juravam-me de morte, diziam coisas horríveis para alguém com apenas seis anos e idade.
Sai correndo atravessando a ponte, queria apenas sair dali, queria apenas conseguir um minuto de paz, e sabia que iria ter se estivesse com ele, mas estava errado, quando adentro a floresta escuto o grito de meu irmão, meu coração acelera ainda mais e o medo me possui, corro o mais rápido que pude para encontra-lo, para protege-o, quando o encontro estava rodeado de várias pessoas, eu travo com mais medo ainda, conhecia aquelas capas, conhecia o simbolo desenhado nelas, dei um passo para trás, mas consegui vê-lo, estava assustado, com muito medo, trinquei os dentes e chutando meu medo para longe, empurrei a perna de um daquele enormes homens e fiquei na frente do meu irmão.
–Não irei permitir que toquem nele!!-exclamei o mais confiante que pude, mas eu tremia, tremia muito, e eles perceberam pois deram risada.
–O que alguém como você pode fazer tremendo desse jeito?-pergunta um dos caras debochado, me sentia ainda mais humilhado, se é que era possível eu ainda ter algum orgulho, para me sentir humilhado.
–Não estou tremendo!! não vou deixar que machuquem meu irmão!-gritei com mais raiva ainda, eles pararam de rir e me olharam sério.
–Irmão? ei pirralho você nos disse que não tinha irmão!-dizia outro mais para o meio, escuto um gemido atrás de mim e olho para ele, que tinha os olhos tampados pelo cabelos.
–Ototo?-chamei e ele levanta os olhos, foi quando senti uma forte dor no meu pescoço, levei minha mão até o mesmo vendo estar sangrando muito, olhei assustado para aquele pequeno ser a minha frente que tinha olhos azuis opacos e sem vida, me assustei.
–E eu não tenho...ele não passa de um lixo-fala ele me olhando, sua voz era tão fria que não o reconheci, cai no chão com minhas pernas moles, e minhas vistas começando a se turvar novamente, estava perdendo muito sangue e muito rápido.
–Do...Porque?-consegui murmurar enquanto tentava entender, ele suspira.
–Sinto muito por isso...mas eles tem rasão...somos monstros, e devemos seguir nosso caminho....me desculpe por ter mentido para você Onii-san...mas na verdade....eu menti, senti medo no começo mas agora eu consigo me acostumar-ele falava e eu tentava entender, mas logo veio o tiro no meu peito, na palma da mão de meu irmão saia uma névoa densa na cor cinza, azul e braco enquanto rodeava seu corpo como gelo-seco escuro, pois era realmente frio, agora eu sabia, meu irmão era um mago...
–Deixe-o aqui...ele não vai resistir mesmo...fique tranquilo Onii-san..irei cuidar do seu Ototo-disse um dos caras com as capas, sorrindo perverso.
–Ryu..-sussurrei com os olhos cheio de lágrimas,vi os olhos antes tão brilhantes e azul e agora foscos de meu irmão se virar contra mim, vi ele me dando as costas...e indo embora, mas antes de apagar pude ouvi-lo dizer.
–Adeus...Natsu-nii-e só então apaguei."
Suspiro pesado olhando para o céu, depois daquele dia nunca mais soube dele, de ninguém daquela cidade maldita, mas por alguma rasão, eu sabia, podia sentir, que ele estava vivo, e que algum dia o encontraria novamente, só espero que não como meu inimigo...

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