Two Is Better Than One.
3 Capítulo 3 – Harry? Harry Styles?
Notas iniciais
Acordei de novo com a pulga da Ana Julia pulando por cima de mim. Minha mãe estava arrumando algo para vestir, e pelo barulho do chuveiro, meu pai estava tomando banho.
– Babi, levanta logo, vem! – ela tentava me puxar pelo braço.
– Sai Ana! – disse irritada e sonolenta.
– Bom dia dorminhoca! – minha mãe disse sorridente. – Nós vamos dar uma volta. Você vem, ou vai ficar ai dormindo?
Senti minha barriga doer, ótimo, cólica menstrual em plenas férias? Pra minha sorte, eu estava em Londres e não no Caribe.
– Deixa, de tarde eu vou. – respondi sem um pingo de vontade de sair dali.
Prendi meu cabelo num coque, e sai da cama encolhida, meu pai saiu do banheiro e eu aproveitei para fazer minha higiene. Eles estavam prontos para sair, e eu lá, no banheiro, morrendo de cólica.
– Alice, nós estamos indo, ok? – uma voz grossa soou atrás da porta. Era o meu pai. – qualquer coisa você nos liga!
– OK! Divirtam-se! – respondi gritando.
Saí do banheiro, fui até a minha mala de mão, procurar pelo meu remédio de cólica. Foi em vão, eu não achei. Pelo jeito eu havia esquecido no Brasil. Separei uma muda de roupa, um pacote de absorvente, e fui para o banheiro tomar banho. Aproveitei para demorar, o meio ambiente que me perdoe, mas estava muito frio, e eu estava com muita preguiça de sair dali, aproveitei também, porque eu estava sozinha. Sai do banho, me vesti, peguei minha bolsa. Eu precisava sair para comprar remédio para cólica.
Lá estava eu, nas ruas de Londres, a procura de uma farmácia. As ruas estavam movimentadas, pessoas falando no telefone, entrando e saindo dos comércios, mas ninguém saia de nenhuma farmácia. Dei voltas e mais voltas, até que finalmente achei uma. Comprei qualquer remédio para cólica, porque eu havia esquecido a minha receita no Brasil. A moça me atendeu educadamente, eu paguei pelo remédio, o guardei em minha bolsa, e sai. Minha barriga roncou, mas dessa vez era fome, e não cólica. Decidi parar na Starbucks. Entrei lá e o clima estava aconchegante, pelo jeito o aquecedor estava ligado. Fiz o meu pedido: chocolate quente com dois cookies de chocolate. Meu Deus, aquilo era muito bom. Comi os cookies enquanto fitava o ambiente. Aquelas pessoas, aquele lugar, como eles eram diferentes de nós brasileiros.
Minha cólica apertou, então decidi ir tomando o chocolate quente pelo caminho. Paguei minha comanda, e fui em direção à porta. De repente...
“Poft.” Lá estava eu no chão, suja de chocolate quente.
– Meu Deus, me perdoa! – alguém parecia tentar me ajudar.
– Olha o que você fez! – eu disse olhando para o meu moletom, todo sujo de chocolate quente.
Eu não sei o que era pior: estar caída no chão da Starbucks suja de chocolate quente ou todo mundo te olhando.
– Deixa eu te ajudar. – a tal pessoa me ofereceu alguns guardanapos. Eu ainda não havia olhado para ela. Eu estava preocupada era com o meu moletom, até que finalmente pude ver quem era o imbecil que havia batido em mim com uma porta.
Quando olhei para ele, senti um arrepio. Foi assustador o que eu senti. Harry Styles estava ali, o Harry do One Direction, a banda por qual minha irmã é apaixonada estava agachado comigo, tentando me ajudar. E também foi ele que me acertou com aquela porta. Parece até novela.
– Me perdoa, eu não quis te acertar. – ele dizia todo atrapalhado com os guardanapos na mão.
– Olha, eu já ouvi suas desculpas! – respondi áspera. – agora será que eu posso ir embora?
Ele me estendeu a mão, e me ajudou a levantar. Aquilo realmente foi fofo. Finalmente pude ver seus olhos esverdeados. Aquilo me encantou, meu coração disparou e minhas pernas bambearam, afinal, eu estava na frente de Harry Styles...
“Para sua imbecil! Você não gosta dele, nem de 1D. E ele te acertou com uma porta!” – parecia que havia uma vozinha na minha cabeça repetindo isso.
Eu peguei minha bolsa, joguei o copo plástico no lixo e sai andando. Mas ele insistiu em ir atrás de mim. Mas que moleque chato. Se acha o tal, aposto.
– Meu Deus, será que dá pra você parar de ficar irritadinha? – agora seu tom de voz era outro, ele parecia estar bravo. Eu simplesmente parei de andar e me virei para ele. – eu te pedi desculpas, isso não é o bastante? – ele finalmente se acalmou, parecia um anjo falando.
– Olha, eu não estou num dia muito bom. – respirei fundo. – me desculpa. Mas agora eu preciso ir andando. – me virei para continuar meu caminho.
– Ei, espera! – mas meu Deus, como esse menino era insistente. – quer que eu te leve para a casa?
– Não precisa, messssmo! – respondi sorrindo.
– Vem, eu não mordo. – ele insistiu.
– Okay né! – disse rindo.
Harry estava de touca e óculos escuros. Bom, pelo jeito ele havia comemorado alguma coisa com alguma pessoa. Eu sabia daquilo graças à Ana, fanática por One Direction. O carro dele não estava muito longe dali, então logos entramos em seu humilde Audi R8, e eu lhe entreguei um panfleto do hotel que estava em minha bolsa. Ele ligou o som do carro, e estava tocando o que? What Makes You Beautiful. Foi algo involuntário, mas eu comecei a cantar baixinho. Ele me olhou e riu.
– Então você gosta? – ele continuou com o risinho.
– Gosto do que? – boiei com a pergunta dele.
– Da música, durd. – ele fez uma careta.
– Ah, sim! Eu curto a música. Mas minha irmã é fanática. – lembrei dos ataques de loucura dela quando via os meninos pela TV e ri sozinha.
– E ela é bonita? – Harry falou num tom malicioso.
– Hey! Ela tem 6 anos! – protestei.
– Ah, sim. – percebi um ponto de decepção em seus olhos. Ele caiu do cavalo dessa vez. – Mas então, como você se chama?
– Bárbara, quer dizer, Bárbara Bulari. – respondi tímida. – E você é o Harry Styles, o marido de meninas do mundo inteiro. – disse imitando aquelas fãs fanáticas.
– Isso mesmo. – parece que ele achou graça no meu comentário. – Mas então, você não me parece ser inglesa.
Eu entendi o que ele quis dizer, ele ainda não havia me comido. Aposto que ele já comeu Londres inteira, menino safado. Típico do Harry por qual as meninas do mundo inteiro eram apaixonada.
– Sou brasileira. – dei de ombros. – vim passar uns dias aqui.
– Brasileira? – sua animação estava estampada em seu sorriso, e que sorriso. – adoro brasileiras, minhas fãs lá do Brasil são lindas, fofas, são apaixonantes.
– E loucas. – sussurrei.
– Sim, e como são! – ele ria.
Harry diminuiu a velocidade do carro, e estacionou em frente ao hotel.
– Bom, obrigada pela carona. – eu disse me ajeitando para sair do carro.
– Espera! – ele pegou no meu braço. – me desculpa de verdade.
– Não precisa ficar se desculpando. – sorri. – até mais.
– Até. – ele beijou meu rosto, e eu sai do carro.
Vi seu Audi sumir pela rua, então entrei para dentro do hotel, afinal estava frio e eu não estava afim de congelar ali. Peguei o elevador, cheguei no meu andar e entrei no quarto. Logo tratei de ligar o aquecedor. Com toda aquela confusão com o Harry, esqueci da minha cólica. Mas mesmo assim, tomei meu remédio, troquei de roupa, e liguei meu notebook. Eu estava decidida a não contar sobre o Harry para a Ana, acho que ela não entenderia, e acabaria chorando por eu ter visto um dos ídolos dela.
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