Two Hearts, Two Bloods
14 Capítulo 14
PVO ANNE
Já se passa uma semana que eu deixei Luh naquele porão horrível, que eu deixei uma das únicas pessoas que eu realmente gostei, uma das únicas pessoas que gostou de eu morrer. Sim, eu me sinto culpada pela morte dela. Eu sempre soube que ela não pensa direito antes de falar nada, mas eu a ouvi, e isso foi o mais horrível, eu aceitei ir embora, aceitei sair de la sem ela, aceitei a morte dela para me salvar. Isso me mata por dentro.
Bom, depois de sair de la toda machucada eu meio que me arrastei para um ônibus onde o motorista me deixou entrar e ainda me levou para um hospital, onde meu tio trabalhava, me atendeu, cuidou dos meus machucados, me salvou da morte e ligou pros meus pais que apareceram la super preocupados falando que não deviam ter me mandado embora, que estavam arrependidos desde a hora que eu entrei no avião, que eles não queriam aquilo realmente e tentaram falar comigo varias vezes mais eu não atendia as ligações deles, que eles estavam muito mal e que não queriam isso, que a partir de hoje eles não iriam me largar mais.
A coisa que mais me chamou atenção foi os olhos do meu pai. Estavam diferentes, diferentes de como sempre eram. Estavam agora amorosos e calorosos, me chamando para olhar para eles e ver que ele realmente se importava agora, me convidando a acreditar que ele percebeu a idiotice que ele fazia antes e que agora ele percebe que eu existo. Nós tivemos uma conversa a sós onde ele pediu desculpas e falou que Sabia que estava errado e que ele deveria ter dado mais atenção para mim e que ele não tinha sido um bom pai, eu sorri e falei que não guardava rancor dele, que depois de tudo só queria que tudo ficasse bem, meio que ficou, agora esta quase tudo perfeito.
Agora eu estou bem com minha família, nós tomamos café juntos todo dia, eu vou para escola onde encontro minhas amigas que me apóiam e sempre ajudam a cuidar de meus machucados, sempre vêem se os curativos estão bem feitos, são umas fofas. Nós estudamos, eu volto pra casa e almoço com minha prima Bella, e minha empregada Marie, depois de tarde quase sempre eu fico em casa em meu projeto secreto.
Meu projeto secreto é descobrir o que a família de Luna queria dizer com “os nomes”. Eu me lembro como se fosse hoje deles gritando que queriam os nomes, estavam dispostos a matar alguém da família deles pra conseguir aqueles nomes horríveis. Deve ser algo muito importante para eles quererem tanto assim.
Eu comecei a procurar nos livros pretos de minha família alguma coisa sobre nomes, algo que eu poderia usar para procurar, mais eu não tenho tido muitas respostas sabe, eu simplesmente não achei nada, NADA, que pudesse me ajudar, mais achei varias coisas interessantes sobre feitiços e uma dimensão diferente em que tudo podia acontecer. Claro que isso é mentira, magia não existe, não existem feitiços e tudo aquilo mesmo sendo fascinante é ridículo.
Sabe agora eu comecei a pensar sobre Luna, sobre tudo que ela significou pra mim, ela deu a vida dela pra salvar a minha, uma coisa que eu não acreditava que ninguém poderia fazer, ninguém pensaria em fazer. Ela foi legal comigo e daí me reconheceu, ou nem tanto, sabe eu tinha mudado muito, não queria que ninguém me reconhecesse, funcionou até eu contar a ela.
Tudo entre eu e ela foi tão rápido, e eu percebi que eu acabei com a vida dela e ela não foi nem um mês da minha, não aproveitamos nada, nós não saímos direito, no dia que conheci ela a família dela nos atacou, em algumas semanas nós nos revelamos e depois viemos para minha cidade, e logo depois ela morreu.
Nada foi noticiado, eu procurei bastante nos jornais, algo sobre ela, eu voltei naquele ligar e tudo que encontrei foi um sapato dela, alguns fios de seu cabelo na época loiros e muito sangue no chão. Eu peguei o sapato para mim, tudo que eu queria era algo que me lembrasse dela por algum tempo, eu só queria algumas lembranças, porque não passei muito tempo com ela sabe.
Eu sempre lembro dela, às vezes eu fico bastante chateada e às vezes lembro dela tão feliz, sorrindo comigo tomando café da manha que eu rio, e ai quando lembro quando a encontrei, embaixo de uma arvore, no chão, chorando, eu penso o que realmente podia estar passando pela cabeça dela, porque ela estaria daquele jeito.
Bom falando de outras coisas, minha família mudou muito, eles estão, ou parecem estar muito felizes e preocupados comigo, parece que eles realmente se importam agora, vêem que fizeram algo de errado comigo, acho que eles sabem que na verdade eu estava certa, sempre, e eles errados, tudo que eu queria ela atenção sabe, era tudo que eu queria e eles não me davam, e depois me largaram, para sempre, como se eu não fosse nada para eles. Acho que na época eles não imaginaram quanto isso doeria. Em mim e neles.
Vou confessar outra coisa que eu tenho pensado muito, bastante mesmo vou confessar para mim mesma porque sempre que esse pensamento me vem à cabeça eu o tiro rapidamente, não gosto de pensar nisso mais agora eu estou realmente considerando.
Ir para la, para a pequena cidade onde Luh e os amigos dela dominavam, o que me faz pensar, naquelas semanas que eu passei la eu não os vi. Não vi os amigos dela que ela tanto gosta, não vi nada, mal ouvi falar sobre eles, mais só da pequena apresentação que ela me falou dava para ver que ela os amava muito, que eles amavam ela e que ela amava um pouco mais Dam, podia ver pelos olhos dela e de como ela ficava corada quando falava dele, tenho certeza que ele era bem legal, ou assim me pareceu.
Voltando, pelo amor eu não consigo mesmo organizar minha cabeça! E u começo a pensar em algo e logo em outro e em outro e assim eu me perco, e na verdade é muito irritante isso sabe. E toda hora eu tenho que ficar pensando sabe, sim, é claro que eu sei! Eu sou uma pessoa muito irritante, eu mesma confesso isso, sim sim.
Então, na verdade eu estava pensando em voltar la para pesquisar mais sobre os supostos nomes e tudo e sobre a família dela, mais eu ainda tenho um pouco de medo, porque devo dizer que não sai bem da ultima vez que encontrei a família dela e não anseio encontrá-los de novo. O que eles fizeram em mim ainda dói, às vezes, em todos os sentidos que as pessoas podem pensar.
Eu poderia voltar para la, minha família na verdade não ligaria de ir comigo, porque eu tenho falado muito bem de la, mais não sei se eu quero ir com minha família, o que eu quero fazer la é uma coisa mais pessoal, é meu e da Luh e eu não queria ninguém perto para presenciar, serio mesmo, mais eu acho que se a solução for ir com a minha família eu ficaria feliz de ir com eles, ainda mais que nós não saímos muito juntos, tipo nós saímos, mais não para muito longe e seria perfeito sair um pouco dessa rotina que nos mata.
Então esta decidido, já esta tudo decidido em minha cabeça, eu quero voltar para la, poderia estudar naquela escola e saber o que ela fazia, conversar com os amigos dela. Tenho certeza de que já anunciaram a morte dela naquele lugar, talvez os amigos dela queiram saber um pouco mais do que aconteceu com ela, tenho certeza que se fosse com uma das minhas amigas eu iria querer.
Porque será que tudo na minha vida tem que acontecer tão rápido? Em um piscar de olhos eu tenho uma vida perfeito, depois eu brigo com meu pai, já não estou mais na minha cidade, estou com uma amiga em outra, sou espancada, descubro bobagens sobre a magia e logo estou voltando para minha cidade vendo uma amiga morrer, por mim e daí eu quero voltar para aquela cidade, meio que sem pensar que a família dela pode estar la esperando por isso, eles podem querer que exatamente isso aconteça, que eu volte, que eu procure mais.
Mais sabe acho que eles não iriam querer me matar se eu falar que sei um dos nomes, claro que eu não sei, se eles me perguntarem eu falo que os darei quando tiver todos, se eles me deixarem em paz para descobrir, claro que é um bom plano, eu não tenho certeza se vai funcionar, eles podem simplesmente me espancar de novo e fazer eu falar o que eu não sabia, e alem de passar uma mentira eu ficaria machucada, de novo, e eu não sei o quanto meu corpo vai agüentar de tudo isso, minha família nunca me bateu realmente e agora me bateram muito em um intervalo de tão poucos dias que eu mal conseguia andar, mais é claro, eles não pegavam leve quando batiam, ainda mais os tios dela, quando eles me bateram eu podia jurar por tudo que não sairia de la viva. Agora olha eu aqui e o corpo dela desaparecido, morta, sem noticias. Ah, que lindo, acho que estou ficando emocionada.
Mentira.
Eu tenho que planejar como falar com meus pais que eu quero voltar la. Bom, nós estamos bem perto de uma época em que eles poderiam tirar umas férias, para mim, para eles, só para descansar mesmo, e ai nós poderíamos ir, tranqüilos, de boa como sapos na lagoa.
Falando em meus pais, eu pego os livros que estão agora jogados no chão e os coloco na prateleira, endireitados, em fila por ordem de anos, era muito legal poder ler sobre todos aqueles feitiços, mais isso não estava me ajudando muito.
Me viro e tenho um vislumbre de minha imagem no espelho, o que eu tenho evitado há tanto tempo que uma pessoa vaidosa se mataria. Uma pessoa normal ficaria louca. Então eu paro na frente do espelho e me analiso, tipo me analiso mesmo, eu posso ver meus cabelos com mechas coloridas que estão desbotadas muito embaraçados, não conseguiria passar meus dedos por eles sem agarrar no mínimo 45678 vezes. Meu rosto tem marca de alguns cortes pequenos e meus olhos estão.. Apagados. Parece que toda a luz que eu costumava ver em mim foi embora. Eu não podia elogiar o resto também, eu estava muito magra, poderiam me chamar de anoréxica ou bulemica e minhas roupas estavam largas e rasgadas. Eu estou parecendo uma mendiga, não posso negar.
Desde o acontecimento eu tenho tentado manter minhas forças para me arrumar todos os dias e sorrir e tudo, mais em casa eu fico bem diferente. Na frente de todos eu estou sempre arrumada e sorrindo, tenho uma desculpa para todos os meus machucados e tudo, mais quando eu chego em casa desabo. Ou desabo em lagrimas, em minha cama choro sozinha por coisas que fiz, ou que não fiz, ou desabo nos livros, por frustração de toda a minha vida que deu errado agora estar dando certo eu me jogo nos livros e leio, leio, leio e leio mais até.. Até meus pais chegarem, ou um pouco antes, que é quando eu guardo os livros e finjo que passei a tarde toda em meu computador ou dormindo.
Meus pais acreditam, claro, eles sempre acreditam no que eu falo, alias eu cheguei toda machucada e eles estavam tão sentimentais, não passaria na cabeça deles que isso tudo na verdade era uma mentira. Eu não gosto muito de mentir para eles, na verdade eu odeio mentir para eles mais eu não posso contar a eles tudo que aconteceu la, mesmo não sendo algo de mais porque eu não sei o que realmente aconteceu, mais se fosse algo de mais eu não quero envolver meus pais, prefiro que eles fiquem bem longe disso, isso agora é um problema só meu e eu lidaria sozinha como sempre lidei com tudo.
Eu ouço a porta de minha casa bater, meus pais chegaram, eu podia ouvi-los la em baixo, agora subindo as escadas, eles viriam primeiro no meu quarto ver se eu passei à tarde bem, eu não quero falar com eles de verdade, me jogo na cama e fecho os olhos. Minha mãe bate na porta e depois de alguns segundos ela abre, olha para mim e sorri, posso ver pela fresta de meus olhos abertos o sorriso dela, ela apaga as luzes e vai embora.
Não esta tão cedo, eu poderia dormir agora, e assim acontece.
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