Two Hearts, Two Bloods
5 Capítulo 5
Cap. 5
Eu vou tomar um banho, tomo e me arrumo, coloco uma saia rosa fluorescente, uma blusa preta, luvas de renda e um sapato de salto alto preto, arrumo meu cabelo e saio de casa, eu tinha que curtir um pouco também não? Alias todo mundo tem direito de curtir o quanto mais melhor. E como meus amigos agora estariam em suas casas fazendo deveres de matemática, eu tinha que sair sozinha, mais isso não era um problema, eu já estava acostumada, e pelo menos assim eu achava. Tranquei a porta do meu apartamento e sai, primeiro simplesmente olhei minha rua, não havia muitas pessoas, então eu sai e fui me encaminhando para... Para aonde eu queria ir? Eu não sabia, não sabia o que queria então simplesmente deixei meus pés me guiarem, e se eu fosse pelo caminho errado não era culpa minha. Coloquei minha musica (The Pretty Reckless, outra que você não conhece, não é sabidinho?) e sai andando pela rua, sem rumo, sem ter para onde ir e sem me preocupar com isso. Sabe a minha cidade é tão pequena que não teria problema eu andar assim, só deve ter umas 7 ruas, eu iria achar meu caminho de volta. Segura, sã e salva. Eu talvez nem tanto assim...
Eu não sorri quando eu vi onde eu estava,aonde meus pés tinham me levado, aonde eu deveria estar talvez, mais eu não gostei nem um pouco disso, era sombrio e eu não queria estar ali, mais já que estava na porta achei melhor entrar, não é mesmo, que desfeita seria eu parar na porta de um cemitério tão bonito quanto esse e ficar fora. Só para explicar eu não sou esse tipo de garota que vai a cemitérios, chora e usa preto, não sou assim, mais eu já tinha passado muito tempo la, desde que Romeu morreu. Explicação? Romeu é meu melhor amigo, ou era, ele morreu a alguns anos atrás, assassinado, esfaqueada em um roubo. Cruel, mais ninguém realmente ligou. No enterro dele não havia quase ninguém, porque ninguém realmente ligava pra ele mais ninguém o conhecia de verdade, só eu. Eu amava aquele garoto, como amigo, ele era ótimo, nós éramos melhores amigos e ele sabia tudo sobre mim e eu sobre ele. Mas ele morreu, e me deixou sozinha, demorou um tempo para compreender que não era culpa dele nem nada, eu costumava vir visitar ele todo dia, há muito tempo.
Não era novidade para eu estar aqui, eu já havia passado por isso varias vezes e já estava acostumado.
Eu entrei la dentro, meio que sorrindo, eu tinha o caminho decorado na minha cabeça, claro. Eu vi, como sempre, era um tumulo branco, bonito, de carvalho, as ultimas flores que levei ainda estavam em cima, mortas, mais continuavam bonitas. Ninguém o visitava, só eu. Bom, todos ainda tentavam superar a morte dele, maioria simplesmente começou a ignorar então.
Eu me sentei do lado do tumulo, no lugar de sempre. Não me pareceu certo estar ali, não sei. Deve ser porque eu nunca o superei, nunca vou na verdade, pelo menos essa é a minha opinião, isso é algo muito meu e eu não...
“As coisas ficaram mais difíceis. Tudo é muito mais difícil sem você aqui querido. Queria que você estivesse aqui, comigo. Você sempre fez tudo ficar melhor. Ainda faz. Sem você aqui eu me sinto... morta. Eu tentei superar querido, mais você avisou, não deu certo, eu me apaixonei de novo e ele me largou.” Eu estava conversando com ele, eu sempre fiz isso, agora me parecia ridículo falar com um morto. Mais o que antes. Um vento forte soprou, jogando meu cabelo para trás e bagunçando tudo. Vi uma flor morta voando, eu não gostava da idéia, mesmo estando morta queria ela ali,então sai atrás dela.
Então eu fui atrás de flor. Correndo, ela caiu em cima de um caixão, era velho e de madeira real, antigo de verdade, mais eu gostava, sempre gostei de coisas assim, sorri um pouco, achei bonito então fui até ele, e li o nome “Luna Charm – 07/03/1995 – 23/12/2011”, eu olhei escandalizada para aquilo. Então eu vi varias flores, tulipas negras, rosas vermelhas e uma em especial que chamou minha atenção. Uma orquídea vermelha, a mesma flor que Anth me deu no nosso 1º encontro, perfeita. Uma lagrima escorreu do meu olho, quem faria isso?
Eu larguei tudo que estava comigo no chão e sai correndo, descalça, sem nada, sem celular, eu simplesmente não podia ver aquilo. Devia ser alguém muito, muito horrível, mesmo...Eu simplesmente não consigo! Eu sou sensível com essas coisas de cemitério, e aquelas flores estavam novas, isso era coisa de agora, recente mesmo.
Eu fui direto para minha casa, fui para o banheiro, deixei a luz apagada, lavei meu rosto no escuro, depois me deitei, na dormi, passei a noite toda chateada, chorando.
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