Two Ghosts

1 Capúnico - Dois Fantasmas


Notas iniciais
Gente, parece um milagre eu aparecer aqui na mesma semana com mais uma fic Grillows, mas vamo aproveitar que tô inspirada, okay? Então aproveitem e não se esqueçam de ouvir Two Ghosts do Harry Styles, por que é maravilhosa!

Same lips red, same eyes blue
Same white shirt, couple more tattoos
But it's not you and it's not me
Tastes so sweet, looks so real
Sounds like something that I used to feel
But I can't touch what I see

Os mesmos lábios vermelhos, os mesmos olhos azuis
A mesma camisa branca, algumas tatuagens a mais
Mas não é você e não sou eu
É tão doce, parece tão real
Soa como algo que eu costumava sentir
Mas não consigo tocar o que vejo

A sensação era estranha, mas ao mesmo tempo deveras prazerosa. Era gratificante passar pela Streep e ver as luzes dos cassinos refletindo na janela do carro. Era bom respirar os ares de Vegas mais uma vez... Nos anos que esteve fora, Grissom sentira saudades de muitas coisas. Do seu trabalho, de sua casa no bairro tranquilo, da fazenda de corpos, dos casos mais estranhos, — que pareciam só acontecer naquele local -, mas, mais do que qualquer outra coisa, o que mais lhe apertava o coração, todas as vezes que refletia sobre o que ficou para trás, era saber que ela havia ficado também.

Por isso, quando aterrissou, há menos de uma hora atrás, adentrou o primeiro táxi e moveu-se até o condomínio no qual ele sabia que ela ainda residia.

Nos longos sete anos, os quais viajara o mundo, dando suas palestras, conhecendo lugares que jamais pensou que conheceria, arrependendo-se de decisões que pensara serem tão certeiras em sua vida, não tinha voltado uma única vez sequer para Nevada.

Gil sabia que Catherine estava bem. Sabia que ela estava realizada, havia voltado a ter o posto de Supervisora no Laboratório e agora, além de comandar o time, também torcia e esperava por Lindsey, que cursava a mesma faculdade da mãe.

Sentiu o carro estacionar fronte à casa dela e de repente toda aquela coragem, construída de São Francisco até aquele momento, se esvaiu.

Ouviu o taxista lhe chamar e após pagar a corrida, puxou sua mala do banco traseiro e saiu do veículo, ouvindo o mesmo afastar-se a cada instante.

Respirou fundo antes de dar o primeiro passo. Já passava das duas da tarde. Será que Catherine estava acordada? Se ele se lembrava bem, era nessa hora que o melhor sono chegava. Será que ela estava em casa, ou estaria fazendo um turno duplo? Estaria Catherine presa no laboratório e atolada de relatórios para fazer, assim como o próprio ficava?

Não. Ela não. Grissom perdera as contas de quantos relatórios Catherine fizera por ele e como a mesma sempre lhe lembrava dos mesmos e até mesmo de quando ficava infinitamente brava quando Gil os deixava acumular, desorganizando a mesa e sala que ela tinha passado tanto tempo organizando, por conta própria.

Aproximou-se da porta e ainda titubeou em tocar ou não a campainha. Decidiu-se por fazê-lo, afinal, já havia chegado até ali. Mal podia conter um sorriso, quando lembrou que a veria em alguns instantes, se assim os Deuses desejassem. Não era de tudo um homem religioso, e claro que já a havia visto via FaceTime diversas vezes durante os anos que esteve fora, mas no começo, devido a situação, pela qual havia saído, foi difícil retomar o contato que tinham antes...

Ouviu o som da campainha ressoar dentro da grande casa. Seu coração acelerou e quando percebeu o movimento do outro lado da porta, não pode deixar de abrir o sorriso que reservava só a ela.

— Grissom! É você mesmo? – ela indagou perplexa, sem tirar uma das mãos da porta.

— Em carne e osso. – respondeu e mal terminou de falar quando foi atacado pelo abraço dela.

Catherine literalmente havia pulado nele. Grissom largou a mala para circular a cintura dela, enquanto ouvia a mulher chorar e gargalhar ao mesmo tempo. Sentiu sua camisa molhada no ombro e se afastou para encará-la, depois de tantos anos.

Os mesmos olhos azuis, que adorava tanto, os lábios cheios estavam vermelhos, talvez ela fosse sair, ou acabara de chegar, pois ainda estava com as roupas costumeiras de campo.

Cath lhe sorriu e murmurou um “entre” enquanto puxava sua mão e o guiava casa adentro.

Ela lhe perguntou o por quê de não ter avisado, ela teria preparado algo mais sofisticado do que comida chinesa do catálogo telefônico. Na mesma hora recebeu uma resposta dele, lhe lembrando que em matéria de culinária, ambos sabiam qual era melhor e que não era ela.

Sentaram-se no imenso sofá branco na sala de estar, ambos estavam lado a lado, com taças na mão, olhando as águas cristalinas da piscina mexendo e sendo iluminadas pelo sol de fim de tarde em Vegas.

Era uma bela visão, porém, não mais estonteante do que a que jazia a seu lado.

We're not who we used to be
We're not who we used to be
We're just two ghosts standing in the place of you and me
Trying to remember how it feels to have a heartbeat

Não somos quem costumávamos ser
Não somos quem costumávamos ser
Somos apenas dois fantasmas no lugar de você e eu
Tentando nos lembrar de como é sentir o coração bater

— Como você está? – ela quis saber. Inclinou-se no sofá, de forma que ficasse fronte a ele, porém sem sair do lugar.

Ele deu de ombros – Bem... eu acho. – ele sorveu um pouco de vinho branco. – as palestras vão bem. O livro sobre entomologia forense vende bastante, vi bastantes lugares... – ele deixou a frase morrer.

Catherine rolou os olhos e também bebericou o vinho. – Eu perguntei como você está Grissom, não seus projetos.

Ele sorriu. – Eu sou meus projetos.

— Assim como Sara era, sete anos atrás? E veja só no que deu, não é mesmo? Ou será que eu fui seu primeiro projeto, de caridade talvez?

Ele a encarou perplexo pelo repentino ataque. – Catherine... – suspirou. – não seja injusta. – deixou a taça na mesa de centro, fronte a eles. – Jimmy, te encontrou, não eu, obviamente eu gostei de você e quis te ajudar, lhe ajudei sim, mas... – ele a encarou profundamente. Azul com azul. – foi uma troca. Olhe para trás e veja o quanto você fez por mim... – ele se referia não só a trabalho, mas não achava que ela perceberia isso, não depois de tanto tempo e tantas chances desperdiçadas.

Willows encarou o chão. O tapete que circulava a sala por debaixo dos sofás parecia deveras interessante agora.

— Olha pra mim... – ele pediu e ao mesmo tempo alcançou o rosto dela com uma das mãos.

— Eu só queria que as coisas tivessem sido diferentes entre nós... – a loira confessou e sentiu as lágrimas se aproximando. – desde aquele dia no French Palace, dançando pra seduzir aqueles ogros e fazendo dinheiro fácil, desde aquele fatídico dia em que Stephanie foi assassinada, desde... – ele engoliu um soluço e desviou o olhar dele. – desde a primeira vez que te vi, tão deslocado naquele bar cheio de garotas seminuas – ela riu lembrando da cena. – eu queria tanto que tivéssemos dado certo... – outro suspiro, porém dessa vez ela o encarou. – mas eu nunca te mereci Gil... e ainda não mereço!

Catherine tirou a mão do homem de seu rosto e levantou-se do sofá branco. Pegou seu copo na mesinha e ficou de pé parada fronte às portas de vidro que levavam até a área da piscina.

O sol iluminava seu rosto, suas madeixas e seu corpo, não mais coberto pelas roupas de trabalho, a mesma havia trocado há muitos minutos trás, antes de sentar-se com Grissom.

O grisalho, não tocou na taça, porém, levantou-se para ficar ao lado dela.

— Eu desejei que fosse eu e não Eddie e ter um filho com você. – confessou, todavia, não a encarou. Permaneceram olhando para a piscina. – eu quis tanto que Lindsey fosse minha filha... e quando você me pediu para ser o padrinho dela, meu coração se quebrou um milhares de partes no peito, por que eu sabia que apesar de ser mais do que eu merecia, não era o suficiente.

As lágrimas agora escorriam silenciosas pelo rosto de porcelana da mulher. Catherine segurava a taça com um pouco de força, agarrava-se a ela, como se sua vida dependesse disso.

The fridge light washes this room white
Moon dances over your good side
This was all we used to need
Tongue-tied like we've never known
Telling those stories we already told
'Cause we don't say what we really mean

A luz da geladeira deixa este quarto branco
A Lua dança sobre seu lado bom
Era tudo o que costumávamos precisar
Calados como se não nos conhecêssemos
Contando aquelas histórias que já contamos
Porque não dizemos o que realmente queremos dizer

— Nós somos fantasmas do nosso passado Gil, dos nossos desejos. – afirmou a loira, virando-se e enxugando as lágrimas.

— Eu me culpo por isso Catherine. Eu deveria ter lutado por você, deveria ter insistido em nós depois do seu divórcio, deveria ter cortado Sara enquanto eu pude... – ele confessou, porém, permaneceu olhando o pôr do sol.

— E por que você não fez? – inquiriu, notava-se a dor e o ressentimento na voz dela. – eu teria dito sim Grissom... Deus sabe que eu teria dito sim pra você. Mesmo que me custasse o trabalho, ou o que quer que fosse.

Ele a encarrou, dessa vez os olhos azuis de Gilbert encontravam-se vermelhos.

— Eu tive medo Catherine! Medo de ser rejeitado! Nós sempre funcionamos tão bem daquele jeito e... – respirou fundo. – eu preferi ficar com o pouco do que te perder pra sempre e... – encarou-a profundamente de um extremo da sala. – eu não suportava mais não te ter comigo, pelo menos, perto de mim e... por isso eu voltei e eu não estou bem por que eu não tive você por sete anos e ninguém Catherine, ninguém se compara a você, ninguém se compara a nós!

A lira deixara de limpar as lágrimas assim que o homem a sua frente, seu grande amigo, seu maior amor, começara a falar.

Tinha um sorriso no rosto, olhos cheios d’água e soluçava de felicidade em meio às cachoeiras em seu rosto.

Grissom atravessou a sala e tirou a taça de vinho das mãos dela apenas para colocar suas mãos atrás das orelhas dela, ao lado do rosto, os dedos dentro do cabelo sedoso. Encostou sua testa na dela e esperou até sentir as mãos geladas dela envolverem seus pulsos.

Narizes encostados, respirações misturadas, pequenos sorrisos antecipando o que estava por vir, mesmo depois de terem trocado aquele ato algumas vezes no passado, sentiam como se fosse a primeira vez.

— Eu amo você. – ela o ouviu sussurrar antes de tocar os lábios nos dela, capturando não só a carne, mas todos os longos anos de amos reprimido e chances perdidas.

Ao findar do toque, ela o respondeu – Eu também te amo Grissom. – e aproximaram-se novamente para selar mais um beijo.

Notas finais
POIS É, eu não ia fazer um final feliz não, por que esse hino é de sofrimento, mas deu pra encaixar ele ai também!
Espero que tenham gostado! Foi feita com muito amor e inspiração!
See ya xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!