Two Can Keep a Secret

1 Two Can Keep A Secret - A Nathan Chronicle


Nathan esticou seus braços, respirando fundo e deixando com que o ar puro do campo entrasse em seus pulmões. Uma de suas paixões era passar a tarde longe da cidade movimentada a que morava, podendo relaxar do stress do dia a dia, podendo ser quem ele realmente era e sem a necessidade de vestir a pesada máscara que sempre precisava usar. Não que se importasse que alguém soubesse sobre sua verdadeira personalidade, mas fingir que era um homem sério e comprometido sempre fora mais divertido do que ser um psicopata. Sabe como é, tudo que é proibido sempre fora mais prazeroso.

Desta vez, não podia deixar com que sua natureza viesse à tona, estava com a companhia de sua namorada. Normalmente, teria se dedicado menos àquela pessoa que atraíra o seu olhar, mas a resistência desta o atraíra fatalmente – literalmente. Ele estava interessado em conhecer sua psique muito mais do que de qualquer outro que encontrara em seu caminho até então, o que fazia com que sentisse a necessidade de tê-la para si. Algumas semanas se esforçando para conquistar sua confiança, mais outras para possuir seus sentimos e lá estavam os dois, deitados no gramado verde da chácara que um dia pertencera a seus pais, num local afastado da cidade o suficiente para terem privacidade.

- Olha, aquela parece uma ovelha! – a garota exclamou ao seu lado, apontando para uma das nuvens ao céu e voltando seus olhos negros para o menino. – Sempre me perguntei por que reconhecemos formas em nuvens, sabia?

- É por nosso cérebro procurar formas conhecidas naquilo que não a possui. – respondeu, ainda olhando para o céu.

- Entendi. Engraçado, né? É igual àquela coisa de uma pessoa parecer à outra. Tanto é que várias vezes pensamos ver alguém e, quando vemos de perto, é uma completamente diferente.

O garoto não respondeu, continuando a observar o céu azul acima dos dois. Ela era uma boa garota, não havia como negar. Mas parecia que, após conquistá-la, toda aquela magia que ela possuía e que o atraía estava se esvaindo, perdendo o encanto aos poucos e isso não lhe satisfazia. Odiava não poder ter o mesmo sentimento de curiosidade sobre alguém, pois não era capaz de criar um sentimento, além deste, que o pudesse ligar a outra pessoa e, pelo jeito que as coisas iam, ou ele encontrava um modo de reacender a paixão que possuía, ou teria que terminar o namoro. Eis que pensou em algo que seria muito mais divertido. Ao menos para ele.

- Você sabe guardar segredos? – perguntou, seu olhar fixo nas nuvens que passavam pelo firmamento ensolarado.

- Qualquer um que seja seu. – ela respondeu com um sorriso, apoiando-se no braço para que pudesse olhá-lo. Ele correspondeu o gesto, ficando face a face com a garota, pousando seu olhar alaranjado nos olhos dela. Ela não notou o brilho sinistro que tais pedras âmbar possuíam.

- Esse é daqueles que se leva ao túmulo. – um pequeno sorriso se abriu no canto da boca do garoto, tomando um ar muito mais instigador do que antes. A mão livre da garota se levantou à altura de seu seio esquerdo, fazendo um pequeno x em sua pele com a ponta de seu dedo e levantando a mão logo em seguida, um gesto que demonstrava a promessa.

- Não precisa prometer, eu sei que você não vai contar a ninguém. – seu sorriso se abriu ligeiramente mais. – Eu matei meus pais.

- O... O que? – ficou boquiaberta, sem saber o que dizer além disto.

- Exatamente isto. Eles não eram pais exemplares, sabe? Usaram o pequeno filho deles, se você entendeu, esse filho sou eu, para roubar bancos e dar golpes em pessoas. Foram presos vez ou outra, mas nada muito assustador. Eles achavam que eram os mestres do crime e toda aquela conversa estava me entediando. Então os matei para ver se ficava mais divertido. – levantou os ombros, como quem não se importava. – Ufa! Contei. E não é que confessar um crime realmente te deixa mais leve? Eu até fiquei um pouco orgulhoso. Cinco facadas no peito do meu pai e o pescoço da minha mãe aberto. Demais, né?

Ela se afastou um pouco do corpo do menino, que logo se jogou por cima do dela. A morena passou a se debater no chão, tentando escapar das mãos do homem que a observava de modo doentio, como se analisasse cada traço de desespero que se formava em seu rosto, alimentando do medo que crescia em seu peito e a deixava cada vez mais assustada. Ainda tentando escapar, Nate prendeu os braços da garota na grama fofa com seus joelhos, sentando-se em seu abdômen. Respirar se tornava difícil com aquele peso em cima de seu corpo, o que se tornou pior ainda quando as mãos do homem foram direto para seu pescoço nu, afastando as mechas de cabelo caídas por cima.

— Quanto menos você se mexer, melhor, porque aí não dói. E recomendo também a não lutar contra a sensação de sono que você vai sentir em questão de uns trinta segundos. – a voz do outro dava a impressão de que ele falava sobre algo simples e comum, como fazer a massa de um bolo. – Juro que vou ser o mais rápido que eu puder. Sabe como é, duas pessoas sabem guardar um segredo melhor se uma delas estiver morta.

Cada vez mais, a garota sentia a pressão em seu pescoço aumentar, a vontade de respirar virando o seu mais novo desespero. Seus pulmões gritavam por uma quantidade mísera de ar, porém, com suas traquéias bloqueadas, a garota mal conseguia gritar alguma coisa. Nathan cantarolava alegremente enquanto via o terror nos olhos de sua vítima, que tentava se livrar daquele peso a todo custo. A dor começou a invadir seu corpo, espalhando-se a partir do ponto que os dedos do garoto tocavam sua pele, passando a tomar seus pulmões e a consumir sua mente. A visão do homem em cima de si passou a ficar cada vez mais embaçada, tornando-se somente um grande vulto. Então o preto tomou conta de sua consciência e sua alma se desprendeu de seu corpo totalmente.

- Até que foi rápido. – ele sorriu, conferindo o horário no relógio automaticamente. – Poxa, que fome. Acho que vou pegar alguma coisa pra comer lá na casa. Depois eu cuido disso.

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