Two Atormented Souls
4 Epílogo
Notas iniciais
Matthew:
Como é possível um ser humano ter a aparência de algo e na verdade ser totalmente o oposto? O irônico na minha pergunta é que eu sou a prova viva de que isso pode acontecer porem no caso dela é diferente. Todos a veem apenas como a menina doce, completamente frágil e indefesa, mas o que eles não sabem é que a menina frágil é na verdade uma mulher forte, força qual ela usou para me marcar, sim me marcar e me lembrar dia a pois dia que depois de anos; enfim consegui achar um oponente a minha altura, oponente esse que eu irei fazer questão de acabar de uma vez por todas.
Melissa:
Alguma vez já sentiu uma sensação estranha como se tivesse sendo observada? Mas que ao olhar para os lados percebe que ninguém esta prestando atenção em você?
Muitas vezes tenho essa sensação, é como se o meu sexto sentido soubesse de algo que a minha memória não estivesse conseguindo entender ou negando a entender. Paro de pensar essas coisas sem fundamentos e decido andar um pouco pela festa na inútil tentativa de esvaziar um pouco a mente, paro em algumas mesas e jogo conversa fora ( com um bando de pessoas falsas, devo ressaltar ) depois do que pareceu décadas para mim, enfim saio de perto daquelas pessoas e vou para um canto mais afastado.
— Aceita uma taça de vinho senhorita? — pergunta um dos milhares de garçom que tinha naquele lugar.
— C-claro — digo meio gaguejando por causa do olhar que o garçom deu para o meu decote que de discreto não tinha absolutamente nada.
Logo que levo a taça à boca para dar o primeiro gole, percebo que no fundo da taça tem um papel, por isso jogo o conteúdo da mesma em um vaso de planta que ali tinha e pego o papel e vejo que o mesmo foi plastificado( provavelmente para não molhar ).
Abro o papel: Vá ate a mesa de comida e pegue o celular e espere...
E de novo aquela sensação de que alguém estava me vigiando me tomou, olho ao redor e vejo que todas as pessoas estão ocupadas demais cuidando das suas vidas medíocres e hipócritas para se importar com qualquer coisa, e isso era bom né? Ou pelo menos deveria ser. Mesmo com aquela sensação me perturbando preferi acreditar que aquilo era só mais uma brincadeira de algum fã ou do meu produtor, por isso fui ate a mesa de comida. Chegando lá olhei em volta e me deparei com um celular preto, quando o peguei o mesmo começou a tocar e fez com que eu desse um passo para trás. Voltei para perto e pensei em pegar , mas no exato momento o celular parou , o que fez com que eu soltasse o ar que nem tinha percebido que estava prendendo, por fim me viro para sair e no exato momento o celular volta a tocar, em um ímpeto de coragem ou pura burrice atendo o celular.
— Alô — escuto uma respiração do outro lado da linha. — Eu sei que tem alguém, pare com essa brincadeira já — digo elevando a voz e começando a ficar meio histérica.
— Quem disse que é brincadeira? — pergunta a voz do outro lado, era uma voz suave, mas ao mesmo tempo sedutora e provocativa, que me fez sentir leves tremores pelo corpo.
— Então, porque ficou quieto no começo? — pergunto olhando em volta com uma rapidez sobrenatural, entretanto nada de suspeito consegui ver.
— Porque é bom ver como é o medo das pessoas, é algo que nasce do nada mais que vai se tornando algo que te domina e te paralisa por completo sem dar chance de você realmente fugir — antes que ele acabasse de falar eu tinha plena certeza que ele era um louco e que eu estava ferrada.
— E-e quem disse que estou com medo? — Pergunto tentando soar normal.
— Sua voz falha ao falar comigo, seus pés batem freneticamente no chão, suas unhas passam pelo seu braço de dois em dois segundos e você prende a respiração toda vez que eu falo — solto a respiração ao perceber que ele estava certo. — Porem acho que para o que vou fazer a respiração não vai precisar existir mesmo — diz soltando uma gargalhada sombria.
— Como assim? — pergunto sussurrando, no intuito da minha voz não tremer, entretanto sem sucesso.
— Pensou que ia escapar de mim, mas estava muito enganada — antes que eu pudesse falar qualquer coisa um único som é ouvido por mim no meio de tantas conversas, olho para baixo e me deparo com sangue jorrando de dentro de mim, minhas mãos vão para aquele ponto na tentativa de fazer parar, algo que não ia acontecer. Sinto meus olhos se fecharem e lágrimas rolarem, as pessoas em volta gritando, uns pedindo ajuda, outros aterrorizados e alguns apenas olhando. Tudo acontecia em câmera lenta, e tudo que eu me perguntava era por quê? Porque que a dor não acaba logo? Porque eu não morria logo? E porque aquilo estava acontecendo comigo? Foi como um flash que do nada apareceu, que eu me lembrei da proposta feito há uns meses atrás e a pergunta feita por ela, perguntando o que tinha a perder? Pois bem só agora fui descobri o que eu tinha a perder.
— Ora ora, se não é minha irmã que deu o ar da graça — digo com sarcasmo.
— Não sei por que tanta surpresa — diz sentando-se em uma das cadeira que tinha na varanda e me olhando com um ar sério.
— O que você veio fazer aqui? — pergunto sem rodeios, ate porque sempre foi assim só procurávamos uma a outra quando precisávamos de algo e nesse caso com certeza não ia ser diferente.
— Quero te fazer uma proposta — diz com aquele mesmo olhar, um olhar enigmático como se escondesse os mais dos profundos dos segredos.
— Qual? — pergunto a olhando seriamente.
— Quero que você troque de lugar comigo — diz sem expressar nenhuma emoção.
— Como é que é? Esta louca? — digo me levantando e não acreditando no que ela estava dizendo.
— Porque estaria louca? E bom, a louca aqui é você e não eu – ela diz encarando as próprias unhas bem feitas.
— Isso nunca daria certo. Eu estragaria tudo, como estraguei o casamento dos nossos pais — digo soltando um muxoxo.
— E porque não? Somos gêmeas ninguém nunca saberia, principalmente pelo fato de ninguém saber que você existe — com essa ultima parte acabei me sentindo magoada. Não por ela ter dito isso, mas sim pelo fato de ser a mais pura verdade, ninguém sabia da minha existência.
— Mas mesmo assim por que eu faria isso? Você sempre amou isso e agora do nada quer mudar — digo não entendendo o que ela pretendia com isso.
— Não é você que diz que esta cansada de ser a que ninguém conhece? Por que você não dá uma chance? — diz com um olhar tão penetrante que juraria que ela era capaz de enxergar ate a minha alma.
— E porque eu deveria dar uma chance?— retruco.
— Porque você não tem nada a perder — responde simplesmente, mas logo em seguida acrescenta — a não ser é claro, continuar nessa mesma vida medíocre, vivendo com os restos dos outros e tendo que aguentar patrão rabugento e sendo humilhada sempre, é realmente isso que quer?
Bom nem preciso dizer qual foi a minha resposta e em hipótese alguma eu imaginaria que o que eu perderia era minha própria vida, a única coisa que nunca poderia ter de volta, entretanto esse foi o preço que eu paguei por ter sido gananciosa e desejado fazer parte desse mundo, e o que adiantou? No fim vou embora dele como se nunca tivesse existido aqui, vou ser apenas uma alma vagando por ai atrás daqueles que causaram a minha morte e a única coisa que vou desejar é a VINGANÇA.
O QUE VOCÊ TEM A PERDER?
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