Twisted fates one shot
1 Capítulo 1 - Twisted fates
Aconteceu que eu segui um rumo totalmente diferente na minha vida; me graduei em música pela Universidade de Frankfurt, resido agora em Berlim e sobrevivo fazendo pequenos concertos privados.
Eu tenho levado uma vida tranquila por aqui. Conheci alguns amigos durante minha formação e conheço alguns outros músicos, mas nada nunca foi suficiente pra me fazer esquecer dela. Esquecer do que aconteceu na festa da nossa formatura e de como ela estava linda naquele vestido azul.
Era noite de concerto, mas meu único serviço era preparar vocalmente os cantores. Fui, executei meu serviço com excelência e tomei o trem de volta para a estação. Não queria ouvir ópera naquela noite, não queria estar naquela sala de concerto, só queria ouvir a voz dela e estar em qualquer lugar que fosse com ela.
Era outono, o frio estava chegando cada vez mais depressa na capital. Desembarquei do trem e decidi ir para a Starbucks tomar um chocolate quente. Subi os lances de escadas rolantes olhando para as pessoas nas plataformas; pareciam tão vazias. Será que também sentiam falta de alguém? E no meio desse devaneio todo foi quando eu a vi.
Ela estava de costas na fila para pedir algo no café onde eu ia. Seu cabelo preso em um coque frouxo e o casaco azul, da cor de seu vestido de formatura, que ela usava fizeram com que eu congelasse por um instante mas logo voltasse a mim. Não podia acreditar, não podia ser sério. Em que lugar do mundo a gente sente saudades de alguém e logo em seguida, completamente por acaso, encontra este alguém?
Ah como eu queria que as escadas rolantes subissem mais rápido. Eu precisava correr em direção a ela, precisava abraçá-la de novo e dizer o quanto esses 10 anos longe acabaram com meu coração por conta da saudade que eu sentia dela. Finalmente cheguei no andar onde ela estava. Queria ensaiar algo pra dizer, queria que ela sentisse o tamanho da minha saudade, que ela visse em meu olhos o quanto tudo o que eu queria era ver os dela brilhando novamente. Apertei meu passo e desviava de todos que passavam para finalmente me aproximar dela. A cada passo meu coração se acelerava mais, quase como que quando nos despedimos no fim daquela festa em 2016. A cada passo eu conseguia ignorar o frio, as pessoas, o preconceito, a insegurança… tudo o que outrora me afastou dela. Tudo que outrora me fez atravessar o oceano e me esconder aqui.
Passei pela fila sem olhar os rostos, sem me importar com os resmungos em alemão, e quando finalmente me aproximei, toquei em seu ombro e chamei seu nome. Ela se virou e em um sorriso desconcertado disse:
“Perdão, esse não é meu nome. Você deve ter me confundido”
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