Twisted Life
20 A batalha do céu e a terra (2)
Quando se acalmou um pouco, Kizuko desceu do céu e esperou pacientemente pelo divergente se recuperar. A adrenalina ainda corria pelo seu corpo, seu sangue fervia, pedindo por mais, era sua natureza. Enquanto esperava o divergente terminar de sair dos destroços, Kizuko não deixou de notar a destruição causada na cidade, feita pelo divergente. Então o mesmo se questionou naquele momento, aonde estão as provas da capacidade destrutiva do divergente? Kizuko não havia visto demonstrações de poder o suficiente do divergente.
Assim que o homem conseguiu sair, com muita dificuldade, sua silhueta estava um tanto quanto distorcida. Mas não demorou muito para o mesmo revelar-se. Chocante para todos, mas o impacto e o ataque de Kizuko foram o suficiente para dilacerar e arrancar fora o braço direito completo do homem, juntamente com uma fração do torso do mesmo. Mas apesar de tais gravíssimos ferimentos, o divergente conseguia se manter de pé, com uma expressão de ódio e nojo estampada em sua face. Kizuko levanta as sobrancelhas. numa maneira de expressar sua surpresa e "orgulho" do estrago que causou no oponente.
"Maldito. Desgraçado... Filho de..." — Murmura o divergente com pausas longas entre cada palavra por conta do cansaço e dor. "Eu vou fazer... você cair... em pedaços." — Diz o divergente, quanto repentinamente, utiliza seu poder para regenerar seus ferimentos, oque faz Kizuko se impressionar genuinamente. "Nossa." — Diz o rapaz, ainda com as sobrancelhas levantadas. O mesmo bate duas palmas, enquanto alguns passos para a frente. "Você aguentou golpes meus, seguiu meu ritmo por um tempo, sobreviveu, e se regenerou? Parabéns, você fez o mínimo. Estou impressionado." — Comenta o jovem de maneira genuína, mas ainda com aquele toque passivo-agressivo. Assim que o divergente se regenerou por completo, fez um grunhido, enquanto manifestava seu poder em ambas as mãos.
"Me escute bem, seu lixo." — Falou o divergente, preparando-se para um anúncio. "Meu nome é Cytto. Eu nasci do peca..." — Diz o divergente, antes de ser interrompido por Kizuko de maneira grosseira. "Blá, blá, blá. Quer cortar sua introdução ridícula de vilãozinho mixuruca?" — Responde o rapaz, com uma expressão cínica. "Com todo o desrespeito... Não é como se eu fosse me lembrar do seu nome depois que te matar." — Termina Kizuko, com um sorriso debochado no rosto. Cytto, agora furioso, expande o seu poder e faz com que a energia que produz, seja moldada numa espécie de coluna plana. E com movimentos flúidos, balança suas mãos, fazendo sua habilidade chegar até Kizuko, para o atacar. O jovem obviamente desvia, mas notou que, quando a habilidade do divergente encostou nas coisas ao redor de si, tanto os destroços, quanto as poeiras por perto, começaram a lentamente deteriorar-se, se desintegrar, corroer-se. Mas antes que pudesse pensar mais sobre, o homem ataca em direção à Kizuko novamente. Como uma alternativa viável, Kizuko se cobre em energia divina no último momento, protegendo-se do ataque e da corrosão. O ataque de Cytto toma a forma de correntes antes de atacarem o rapaz, e assim que o mesmo se defende utilizando sua habilidade, as correntes se enrolam em volta do braço do jovem. Mas graças à energia divina, as correntes nem sequer encostaram na pele do rapaz.
A multidão observando a luta na organização começa a mover-se de maneira mais ansiosa a cada movimento dos dois. Masato e Alaska continuam a debater sobre o ocorrer do evento, enquanto prestam atenção na tela. "Oma está usando sua habilidade para criar uma barreira no seu corpo para se proteger da corrosão causada pela habilidade do divergente... Inteligente." — Comenta Alaska. Masato, por outro lado, balança a cabeça em reprovação. "Não... Parece que ele se distraiu. Demorou demais para reagir. Foi instintivo, ele é muito de fazer as coisas desse jeito." — Responde Masato, quase como que fosse profissional no que estava dizendo. "Distraído? Com oque exatamente? Isso não faz sentido. Deve ser coisa da sua cabeça." — Diz Alaska. Masato olha para a garota de canto de olho, e depois volta a prestar atenção na tela.
Cytto, numa tentativa raivosa, começa a puxar o rapaz para perto, mas Kizuko se segura no chão apenas com a força de suas pernas. A corrosão das correntes causa faíscas ao entrar em contato com a aura divina do jovem, causando fricção. Kizuko encara a reação do contato entre as duas capacidades e dá um leve sorriso, olhando nos olhos do divergente. "Ah, de longe? Vem ficar pertinho de mim." — Diz o rapaz, enquanto agarra uma das correntes com a mão livre, e utiliza a mão do braço preso para agarrar a outra também. Cytto fica surpreso com a decisão do invicto, e pensa em dissipar as correntes, mas já era tarde demais. Com um único e forte puxão, Kizuko puxa o divergente até si em alta velocidade.
O jovem agarra o homem pelo pescoço, fazendo as correntes se dissiparem devido a surpresa e força avassaladora do rapaz, que impede o divergente de se soltar. Kizuko dá um leve sorriso enquanto nota meticulosamente a regeneração de Cytto. Até os mínimos ferimentos, causados pelos próprios arredores e destroços, curados uniformemente e de maneira efetiva. "Parece que você se regenera sem problemas... né?" — Murmura o rapaz, com um sorriso pretencioso descarado em seu rosto. "Então não preciso me preocupar em me segurar, pra não te matar rápido..." — Diz Kizuko, olhando nos olhos do divergente, que encara com um fortíssimo receio do que está por vir.
"Vamos brincar um pouco, tá bom? Vou te explicar como vai ser..." — Murmura o rapaz, em tom piada, enquanto o divergente arregala os olhos. Kizuko então o larga, empurrando de leve, enquanto dá alguns passos para trás, estralando o pescoço e logo em seguida alongando os braços. O divergente encara de maneira confusa, como se Kizuko totalmente imprevisível. Além de ser muitíssimo perigoso por sua força definitiva, era muito imprevisível quanto suas decisões em luta. "Tu só tem que ficar se regenerando, enquanto eu bato em você sem parar. Cada vez mais forte." — Explica Kizuko, com um tom amigável, que contrasta totalmente com sua sentença cruel, sem falta de um sorriso e uma expressão quase que indiferente. "Não vale arregar, viu?" — Termina o jovem, apontando pro divergente, que pela primeira vez na batalha, demonstra nervosismo sério.
Cytto não espera e toma iniciativa, tentando se afastar. Mas era inevitável, o invicto avançou em velocidade máxima, e encaixa um soco de direita na face do homem, que sente a força massiva do rapaz. Kizuko arregala os olhos e começa a atacar o divergente sem dó. De maneira selvagem e potente, enquanto avança pelos destroços da cidade de Hyoshi. Cada golpe vem mais forte que o anterior, e Cytto apenas sente a dor crescer cada vez mais. O jovem então finaliza com dois socos, lançando o divergente no chão, que rola pela sujeira e concreto. Mas sem espera, Kizuko avança novamente, agarrando Cytto pelo cabelo e dispara em direção aos destroços de um prédio empresarial. Com um impacto avassalador, Kizuko começa a esfregar e arrastar o rosto do divergente pelo concreto, metal e tudo que estive no caminho por muitos e muitos metros. A expressão de animação no rosto do jovem é clara, enquanto Cytto sentia sua pele ser rasgada e o concreto penetrar sua carne.
Após arrastá-lo o suficiente, Kizuko rasga o ar enquanto se prepara para lançar o homem, e o atira para longe, mas logo em seguida parando. Sentindo algo molhando em sua mão, o rapaz vira a cabeça e nota um pouco de sangue na sua mão. "Ah, que nojo, cara." — Resmunga o rapaz, esfregando a mão nas suas calças e respirando fundo. Kizuko fica parando por alguns segundos, e então solta um bocejo, uma surpresa para os espectadores da luta. O invicto então desaparece novamente e aparece na frente de Cytto, que está largado no chão, com um pedaço de concreto enorme em cima de si. Kizuko encara a cena com indiferença. "Bora, levanta aí, acha que acabou?" — Diz o rapaz, levantando o pedaço de concreto com facilidade, revelando o corpo de Cytto, severamente machucado, mas se regenerando, oque contribui para a animação de Kizuko, que observa pacientemente.
Assim que o divergente aparenta se regenerar totalmente, e se move levemente, Kizuko não espera para que o mesmo levante e agachando, o mesmo agarra o cabelo de Cytto e levanta sua cabeça, revelando sua face, metade rasgada e machucada, ainda se regenerando. O olho funcional do divergente o encara com raiva e quase que nojo. "Ah, vai ficar me olhando desse jeito?" — Murmura Kizuko, fazendo cara de coitado, antes de segurar o cabelo do homem mais forte e começar a bater o rosto do mesmo no chão. Cada vez que o rapaz levanta o rosto de Cytto e esmaga no chão, ele aumenta a força, cada vez mais. Até que, de repente, no intervalo entre levantar a cabeça do divergente, Cytto agarra o pulso de Kizuko, e libera sua corrosão, que começa a fazer faíscas por causa do contato entre as duas habilidades.
O jovem olha para oque está acontecendo com uma expressão desacreditado, mas também decepcionado. "É sério? Você já sabe que isso não..." — Diz Kizuko, antes de ser interrompido por um estouro causando pelo contato entre as duas técnicas, oque faz o mesmo se afastar de Cytto, que começa a se levantar mais rapidamente, enquanto se regenera. Kizuko se mostra confuso pela primeira vez. "Que porra foi essa?!" — Pensa o jovem, olhando para a sua barreira, justamente aonde Cytto usou sua corrosão. A aura uma vez branca, pura, agora com remanescentes da "praga" do divergente, que permanecem por pouco tempo na barreira de Kizuko antes de se desintegrarem, tornou-se impura por alguns segundos. O jovem olha para o homem novamente, mas dessa vez desacreditado, e um tanto quanto enraivado. "Oque foi que você fez?!" — Questiona Kizuko, encarando o divergente, enquanto fecha os punhos. Cytto, terminando de se regenerar, encara Kizuko, levemente determinado. "Nivelando as coisas." — Responde Cytto, preparando-se para outro "round".
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