Twisted Demon Opera

10 Princes of the Universe - Part One


As portas da sala do trono viraram nada além de pedaços de madeira e pedra com a chegada brutal de Dante. O meio-demônio tirou o pó do casaco e observou o local, a visão sendo ofuscada pela luz proveniente do vitral que se localizava sobre o trono. Então era a partir daquele local que Mundus mandava e desmandava no Inferno, nada mal. Claudius aguardava por ele, sentado no trono, e não se abalou com a chegada de seu antagonista, ao contrário, sorriu de modo arrogante. Iria fazer justiça a seus companheiros caídos com as próprias mãos.

- E tudo isso apenas pra arranjar uma casa própria? Tente um crediário da próxima vez. – Dante ironizou.

- Seu senso de humor me é peculiar. Lembre-se que passei muito tempo preso, graças a seu pai, logo não entendo a graça da coisa. – Claudius ergueu-se lentamente.

O Príncipe do Inferno desceu lentamente os degraus que levavam ao trono e ficou em pé de igualdade com seu oponente, fitando-o nos olhos. Dante trazia em seu interior o mesmo espírito revoltoso de seu pai, sem sombra de dúvidas.

- Mas honestamente, pra quê tudo isso? Pra que trazer Pandemonium para a Terra? – perguntou o caçador, sem desviar os olhos.

- Os humanos são criminosos, corruptos, e mesmo assim desfrutam deste paraíso que é a Terra. Os demônios são todos atirados nos abismos pelo simples fato de serem demônios. Não há justiça nisso, então decidi virar o jogo. – Claudius estava convicto sobre o que dizia, aquela realmente parecia ser a crença do loiro.

- Desculpe amigo, mas não posso deixar você sair por aí soltando demônios que certamente vão promover uma chacina de inocentes. Então se puder parar com essa bobeira e me deixar selar essa bagunça, ficaria grato. – replicou Dante.

- Então é isso? Você preteriu seu legado demoníaco e se aliou aos humanos? – o Príncipe demonstrava um misto de surpresa e indignação, afinal, aquele era o Filho de Sparda, não o filho de um demônio qualquer.

- Isso aí, apesar de sua enrolação pra falar, é isso aí.

- Que seja então, vou te matar como se matasse um humano! – bradou Claudius, sacando Tyrfing e correndo na direção de seu oponente.

As espadas chocaram-se, e ambos os combatentes foram obrigados a cravar os pés no chão para não recuar. Dante rapidamente forçou a lâmina de Claudius para baixo e tentou atingi-lo com um corte, devidamente bloqueado. O loiro recuou alguns passos e avançou novamente, com uma estocada esquivada pelo caçador.

- Você realmente quer lutar? – Dante perguntou, com um tom quase melancólico – Isso é mesmo necessário? Vamos acabar repetindo a história de nossos pais, e no ritmo que as coisas estão, nossos filhos vão repeti-lo também.

- A História é um eterno bumerangue, mas fique tranqüilo, vou me certificar que dessa vez, o final seja diferente! – O Príncipe do Inferno não estava interessado em negociar, parecia consumido pela vontade de destruir seu oponente.

Saltou sobre Dante e tentou atingir-lhe com um ataque cortante, o qual foi defletido por Rebellion. Não se intimidou, ao contrário, avançou novamente, golpeando várias vezes. O caçador foi obrigado a defender-se e dar vários passos para trás, até que finalmente encontrou uma brecha entre os ataques de seu oponente e atacou com toda a sua força. O ataque, no entanto, foi em vão, pois Claudius fez surgir uma de suas cartas na manga, um poderoso escudo circular metálico ornamentado com gravuras geométricas, que cobriu a região vulnerável. Era assim que o Filho de Mundus lutava: com espada em uma mão e escudo na outra, de igual para igual com seus inimigos.

Dante, claro, foi pego de surpresa, e o preço que pagou pelo deslize foi uma estocada na barriga. Gemeu de dor, e apoiou-se em um joelho. Seu oponente não lhe deu tempo de se recompor, tentou atingi-lo novamente, mas o caçador conseguiu sustentar um bloqueio. Sacou uma de suas pistolas e disparou no oponente, que estava com a guarda aparentemente aberta, mas o esforço foi inútil, pois Claudius defendeu-se dos projéteis com seu escudo.

O loiro chutou seu adversário com força, arremessando-o contra a parede, que sofreu grandes danos com a colisão. Dante levantou-se com dificuldades, apoiado em Rebellion, e disparou com suas pistolas mais uma vez. Claudius riu do esforço enquanto se defendia com o escudo.

- Isso é tudo, Dante? É só isso que é capaz de fazer sem usar o poder de seu pai? Deveria ter trazido a espada dele junto, já que sozinho não tem força para me enfrentar. – a essa altura, Claudius tinha a vitória como sendo certa.

A provocação enfurecera Dante grandemente, o meio-demônio assumiu sua forma demoníaca, o casaco tornando-se parte dele, como uma segunda pele, as feições sendo totalmente distorcidas. Saltou na direção de Claudius, surpreso, e atacou com toda sua força, partindo o escudo do príncipe do inferno ao meio e ferindo-lhe o ombro.

O loiro recuou até cair próximo ao trono, que serviu de apoio para que se reerguesse, sangrando. Respirava com dificuldades, o ataque de Dante o teria partido ao meio não fosse o, agora destruído, escudo.

- Seu pai era mais durão que você. – foi a vez de o caçador provocar, a voz alterada pela transformação.

- Haha, ainda não acabamos com essa luta, afinal, você não é o único meio-demônio por aqui... – Claudius sorriu, antes dele mesmo liberar os poderes que herdara de seu pai.

O Príncipe do Inferno emitia uma forte luz branca, que parecia formar asas sobre suas costas. Pura energia demoníaca girava ao seu redor, formando uma espécie de manto, constantemente em movimento. Assim como Mundus, a verdadeira face de Claudius era muito mais semelhante a um anjo do que a um demônio. Saltou, ou melhor dizendo, voou na direção de seu oponente, Rebellion e Tyrfing digladiavam-se uma vez mais enquanto faíscas promovidas pelo choque dos metais inundavam a Sala do Trono.

- Não é o primeiro alado que enfrento, sabia? – disse Dante, lembrando-se de sua luta passada com Julian. Agora toda aquela confusão desencadeada pelo ex-professor parecia pertencer a um passado distante.

Claudius voou pelo ambiente, e voltou a atacar, com poderosas investidas, que forçavam o Filho de Sparda a esquivar-se, uma vez que era impossível segurar ataques em carga daquela magnitude, até que finalmente teve uma idéia. Quando o oponente aproximava-se para mais um ataque, atirou, obrigando-o a conter-se e a se defender com sua espada. Nesse ínterim correu em seu encontro e atravessou-lhe com Rebellion, carregando-o até prender inimigo e espada na parede.

- Agora, acabou para você, Claudius. – sentenciou o caçador, enquanto retomava forma humana.

O sangue do loiro descia pela lâmina da espada de Dante, sujando-lhe as mãos. O Príncipe também retomou sua forma humana, estava incapaz de sustentar os poderes demoníacos por mais tempo. Não significava, no entanto, que havia desistido. Com as duas mãos, segurou Rebellion pela lâmina, e com tudo que lhe restava de força, começou a tirar a lâmina de si. Dante, espantado com a força de vontade do oponente, acabou sendo obrigado a ceder, e logo Claudius estava livre novamente, apesar de absurdamente ferido.

- Ainda estou respirando, então ainda não acabou! – Claudius cuspia sangue enquanto falava, era óbvio que estava sem condições físicas para continuar lutando, não obstante, precisava continuar. Todos os seus aliados morreram em combate, não seria justo que ele se rendesse, não.

Segurou Tyrfing com as duas mãos, mantendo-a ao seu lado e paralela ao corpo, postura germânica, que aprendera com os bárbaros que invadiram Roma. Era velho, sim, velho, apenas o corpo não denunciava sua idade, e como passara muito tempo preso, em letargia, preservara um quê da vitalidade característica dos jovens.

- Já chega! O que vai ganhar morrendo, ein? – Dante estava desesperado com a situação, não queria matar seu oponente, ele era, no final das contas, um mestiço como ele – Eu sei que você perdeu seus companheiros, eu também percebi isso, mas você acha que sua morte é desejo deles?

- Um dia todos vamos morrer, e eu não poderia encará-los novamente sabendo que me entreguei somente para preservar minha vida. Agora, eu ou você, um de nós, vai tombar aqui. – Claudius sorria com dificuldades, sangue escorria-lhe pela boca.

Dante também estava bastante ferido, aquela situação toda era absurda. Era esse o legado de Sparda? Uma infinidade de batalhas para serem travadas? Era esse o preço a se pagar para a preservação dos homens? Para que muitos pudessem viver, uns poucos deveriam ser sacrificados? Não, aquela não era hora para indagações. Girou Rebellion várias vezes sobre a cabeça, e então empunhou a espada com as duas mãos, tal qual seu oponente, mas mantendo a lâmina baixa, transversal ao corpo e parcialmente oculta pelo casaco. Aprendera essa postura com Vergil, era ideal para atacar de maneira imprevisível.

- Seu idiota....- foi tudo que pôde dizer.

Os mestiços foram de encontro um do outro, mas apenas Dante conseguiu golpear seu oponente. Rebellion cortou brutalmente o abdômen de Claudius, que deu mais alguns passos antes de cair de joelhos, quebrado. Era o fim daquela luta para o Herdeiro de Mundus, Senhor do Pandemonium.

- E no final, os humanos venceram....- foram as últimas palavras de Claudius, antes que ele fosse definitivamente ao chão.

Dante por muito pouco não caiu também, apoiou-se em Rebellion, aliviado por ter vencido. Aquilo marcava o fim daquele ciclo de batalhas, e a preservação da hegemonia humana sobre a Terra. O momento de tranqüilidade, no entanto, foi efêmero. O corpo de Claudius ergueu-se novamente, não pela força do mestiço, mas por outra força. Aliás, dizer que fora o corpo, e não o homem, que se reerguera era extremamente preciso, pois aquele já não era Claudius, e sim outra pessoa.

O caçador fitou visivelmente nervoso a cena, e apontou Rebellion na direção da anormalidade. Aquilo não podia estar acontecendo, tinha certeza que era um sonho. O problema é quando os sonhos rompem a membrana que os separa da realidade. O corpo de Claudius tinha os ferimentos recobertos por uma película cristalina similar à rubi, e sorria maldosamente.

- Surpreso em me ver novamente, Dante? – a voz não era a do meio-demônio, e sim a de seu pai, segura, poderosa – Não deveria, já que esse castelo me pertence. Ele está impregnado de minha força, de minha presença. Eu sou Mundus, Senhor do Inferno, Príncipe deste Mundo.