Twilight Shadows : Evil is between us...
19 Butterflies, Devils & Unholy Deals
POV Bella
O silêncio entre mim e Caroline não era vazio.
Era cheio demais.
Ela estava sentada na poltrona da sala dos Cullen, os braços cruzados, o corpo rígido como se qualquer movimento pudesse fazer tudo desabar. Eu permaneci de pé por alguns segundos antes de me sentar à frente dela, sentindo aquele peso antigo no peito — o tipo de peso que não vem de um erro isolado, mas de anos de coisas não ditas.
— Eu não vim me justificar — comecei. — Vim porque a gente precisa parar de fingir que isso não existe.
Caroline respirou fundo, o maxilar travado.
— Engraçado — disse ela. — Porque fingir sempre foi o que você fez de melhor.
Aquilo doeu. Porque não era totalmente mentira.
— Eu sei que te machuquei — respondi. — Mas você também nunca foi honesta comigo.
Ela riu sem humor.
— Quer honestidade? Ótimo. — Os olhos dela brilharam. — Eu sempre gostei do Edward, Bella. Sempre.
Meu estômago afundou.
— Antes mesmo de você chegar em Forks. — Ela continuou. — Ele era diferente. Gentil. Distante. E quando eu virei vampira… — a voz falhou por um segundo — …quando eu estava quebrada, com medo, fora de controle… ele estava lá.
Eu engoli em seco.
— Ele me ajudou a aprender a não odiar o que eu tinha me tornado — Caroline disse. — E cada vez que ele te escolhia… parecia que eu estava perdendo algo que nunca foi realmente meu.
O silêncio entre nós ficou pesado.
— O beijo não foi só sobre você e ele — ela completou. — Foi sobre tudo o que eu nunca tive coragem de dizer.
Eu senti as lágrimas arderem.
— Eu nunca quis te roubar nada — falei baixo. — Mas também não posso pedir desculpa por amar alguém que… — parei. — Que ainda me ama.
Caroline fechou os olhos por um instante.
— Eu sei. — A voz dela saiu cansada. — E é isso que dói mais.
Quando ela se levantou, não havia raiva. Só cansaço.
— A gente não vai sair ilesa disso — ela disse. — Mas pelo menos agora… é verdade.
E pela primeira vez em muito tempo, aquilo foi suficiente.
O riso da Renesmee ecoava pela praça como algo sagrado.
Edward estava agachado, fingindo não conseguir pegá-la enquanto ela corria em círculos, provocando, os cabelos castanhos balançando ao vento. Eu observava a cena sentada no banco, sentindo algo raro: paz sem culpa.
— Mamãe! — Nessie gritou. — Olha!
Uma borboleta azul pousou perto da fonte.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela correu atrás dela.
— Renesmee! — levantei rápido. — Espera!
Ela virou a esquina da praça… e parou.
Quando cheguei até ela, senti o ar mudar.
Duas mulheres estavam ali.
Lindas demais. Perfeitas demais. Olhos que refletiam o oceano profundo e algo ainda mais antigo.
— Que criança adorável — disse a de cabelos escuros, Sybil, sorrindo.
— Posso sentir… — murmurou Seline. — Ela não pertence a lugar nenhum.
Meu coração disparou.
— Renesmee, vem pra cá — falei, estendendo a mão.
As duas mulheres me olharam então.
E foi como ser observada por algo que já me conhecia há séculos.
— Você é interessante — Sybil disse. — Muito interessante.
Renesmee segurou minha mão com força.
— Mamãe… — sussurrou. — A gente precisa ir embora. Agora.
— Claro — respondi, sem tirar os olhos delas. — Estamos atrasadas.
Sybil sorriu, mas havia frustração ali.
— Até breve, Bella.
Quando nos afastamos, eu senti.
Não era curiosidade.
Era fome.
-
POV RenesmeeEu tentei ser forte.
Quando cheguei em casa, contei tudo. As mulheres. O jeito que elas olhavam. As coisas que eu senti — dor, mar, gritos, fogo.
Eles me acalmaram. Mamãe me abraçou. Vovô Carlisle disse que eu estava segura.
Mas eu sabia.
Naquela noite, sonhei que a casa queimava.
O fogo subia pelas paredes como se estivesse vivo. Eu gritava por eles, mas ninguém ouvia.
Acordei com alguém sentado na minha cama.
— Olá, pequena milagre.
Ele sorriu.
Não era bonito. Era convincente.
— Quem é você? — perguntei, mesmo já sabendo.
— Sou aquele que espera do outro lado — respondeu. — Alguns me chamam de Cade. Outros… de diabo.
Tentei gritar.
Ele segurou minha mão.
— Não tenha medo. — Os olhos dele brilharam. — Você vai mudar tudo.
E o mundo desapareceu.
-
POV BellaO plantão estava tranquilo demais.
Carlisle revisava prontuários. Stefan comentava algo sobre exames de rotina. Tudo parecia normal — o que, para mim, já era suspeito.
Quando voltei para minha sala, a luz estava acesa.
— Você nunca tranca a porta — Silas comentou, encostado na janela.
Meu corpo ficou rígido.
— Saia daqui.
— Não posso. — Ele sorriu. — Ainda não.
Ele se aproximou devagar.
— Eu estou encantado por você, Bella. — A voz era honesta. — Não como duplicata. Como possibilidade.
— O que você quer?
— Uma aliança. — Ele inclinou a cabeça. — Engane os Viajantes. Me ajude a vencer as sereias. E depois… — fez um gesto simples com a mão — …me mate.
O ar sumiu dos meus pulmões.
— Você quer morrer.
— Mais do que qualquer coisa.
Ele se aproximou mais um passo.
— Você entende monstros — disse. — E eu confio nisso mais do que confio na esperança.
Antes que eu respondesse, ele desapareceu.
E eu soube:
O jogo tinha começado de verdade.
E minha filha… estava no centro dele.
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