Twice Love
5 Capítulo 4 - Desejo.
Notas iniciais

Haviam se passado alguns dias, desde a internação de “Bella” no hospital San Martin. O quadro da mulher continuava o mesmo. Ou seja, nada de melhoras. Em meio aos turnos de Caleb, havia se tornado rotina visitar e conversar com a paciente todas as vezes. Ele não entendia porquê, mas em certo ponto , desabafar com ela, mesmo sem respostas, era algo que o deixava calmo. Era uma coisa que ela tinha. Um ar de calmaria, como um anjo.
Era final de semana, e naquele sábado, Caleb não precisaria comparecer no hospital, e mesmo que a preocupação em relação a sua paciente especial, se realçasse em seu peito, o mesmo deu- se ao direito de descansar.
Dormiu a manhã toda, para compensar os vários turnos seguidos. Quando acordou, fez uma corrida pelo bairro, afim de exercitar seus músculos como de costume, e em seguida voltou para casa, onde fez um almoço leve, e comeu sozinho.
Tomou um banho relaxante e decidiu que naquela tarde faria algo para se divertir. Logo, lembrou-se que naquele dia a exposição fotográfica para qual Sarah tinha comprado ingressos para ele, aconteceria. Trocou-se, usando algo mais formal e logo depois, pegou seu carro com a intenção de visitar a galeria.
As fotos eram impressionantes, ele tinha que admitir. Haviam focado em detalhes, que na maioria das vezes, as pessoas ignoravam. Todas em cores vibrantes, e agradáveis de se olhar. Ele realmente, sentiu que sua decisão de vir, valeu a pena.
Parou no centro do salão, onde um quadro peculiar estava exposto. Era uma foto em preto e branco. A única de toda exposição. Nela se destacava a sombra de uma mulher, jogando tênis e a obra era assinada por uma mulher chamada “Emma Fox”. Caleb, ficou tão encantado com a peça, que quando viu que o preço era aceitável, decidiu compra-la.
—É uma obra muito bonita. — ouviu uma voz delicada soar atrás de si. Virou-se e então se deparou com uma bela mulher. Dona de um rosto com traços finos, e um corpo, semelhante ao de uma modelo.
—Sim. É. — Caleb concordou, com um sorriso.
—Algo me diz que você estava assim tão encantado por ela, por ser a única peça diferente da exposição. — a mulher comentou, se posicionando ao lado dele, e também encarando a peça.
—Todas as obras são diferentes. São como pessoas. — o Walters disse serenamente.
—Só que algumas são especiais, certo? — a mulher desconhecida indagou.
—Quem? As obras? Ou as pessoas? — Caleb se deu ao trabalho de brincar.
—Acho que as duas. — ela respondeu sorrindo.
—Caleb Walters. — o médico se apresentou, estendendo sua mão.
—Darcey Ross. — disse de volta, aceitando o cumprimento. — Então, Caleb...Você vem sempre aqui? — a loira de cabelos curtos gracejou.
—Tenho a impressão de que você está flertando comigo, estou certo? — o médico indagou direto e a mulher alargou o sorriso.
—E se estiver? O que fará em relação a isso? — Darcey indagou com diversão.
—Acho que o correto seria eu te chamar para tomar um café comigo. — Caleb afirmou.
—E você é um cara correto? — a Ross perguntou.
—O mais correto de todos. — respondeu com um sorriso.
Após Caleb pagar e receber o quadro, ele e a Ross seguiram rumo a uma cafeteria na esquina da galeria. Os dois se acomodaram numa mesa dos fundos, e depois de fazerem seus pedidos, começaram uma conversa animadora sobre vários assuntos, principalmente sobre si próprios.
Caleb ficou sabendo que Darcey era uma advogada, que acabara de arrumar um emprego em um escritório de San Diego. Ela até admitiu que era um pouco viciada no trabalho, o que rendeu boas risadas aos dois, por Caleb admitir que o hospital também consumia todo seu tempo.
O Walters gostou dela, de sua personalidade simples, porém encantadora. Gostou da sua postura de advogada séria, que em segundos poderia se transformar na de uma mulher comum.
Se despediram, com a promessa de que marcariam outro encontro em breve.
Sarah iria gostar de saber daquilo. — pensou Caleb, mas por hora preferiu não falar nada. A Jones ainda estava irritada com as decisões recentes dele e forçar a barra para mais uma discussão com ela, não era algo que o Walters desejava.
Naquela tarde, depois do momento que teve com Darcey, se dirigiu ao hospital. Precisava ver Bella, para se certificar do estado dela. Chegando lá, alguns estranharam sua presença, por não haver plantão dele naquele dia, mas quando o homem foi até o quarto de Bella, a cena foi autoexplicativa.
Ao adentrar ao quarto, suspirou ao ter a imagem de sempre. A bela garota, deitada, de olhos fechados, respirando com a ajuda de aparelhos. Por preocupação, checou os sinais vitais dela e as máquinas, querendo saber se houve alguma alteração, mas nada aconteceu.
Sentou próximo a cama, e segurou a mão macia dela, querendo que ela sentisse sua presença ali.
—Hey. — cumprimentou num tom suave. — Você é realmente uma preguiçosa, não é mesmo? — permitiu-se brincar. — Venho todos os dias aqui, na esperança de ver alguma melhora no seu caso, mas nada muda. Você continua na mesma, e isso me assusta. — Caleb admitiu. — O que temia vai acontecer; Sarah está certa, vai demorar muito para você acordar. — o Walters disse, sorrindo triste. — Mas, eu posso te esperar. Paul,eu e até mesmo Sarah podemos te esperar. — continuou. — Sabe, eu conheci uma garota hoje, Darcey Fox...Ela é legal, eu me senti bem com ela, marcamos de sair de novo e eu estou realmente tentado a dar uma chance a isso, porque convenhamos, eu sou bastante solitário. — riu com essa última parte. — Mas, eu não sei...Quando eu a vi, eu não senti que era ela, entende? Não senti algo parecido com “Eu encontrei a mulher certa”...Okay, eu sei que é idiotice da minha parte esperar por isso, mas você já teve essa sensação? Sabe, de encontrar uma pessoa e por mais estranho que soe, ela simplesmente ser certa para você? — É claro que ele não obteve resposta. — Eu nunca senti isso, mas deve ser algo incrível e eu quero essa sensação... — prosseguiu.
Aquela “conversa” perdurou até a noite chegar. Quando se sentiu exausto, Caleb decidiu que o melhor que tinha a fazer, era ir para casa. E assim o fez.
San Diego. — 1 MÊS DEPOIS.
Caleb sorriu a medida que se despedia de um de seus pacientes que havia acabado de receber alta, e franziu as sobrancelhas ao avistar uma animada Sarah vir em sua direção com alguns exames nas mãos. Se aproximou dela, esperando uma explicação.
A médica estendeu os exames em direção a ele, e antes mesmo que o Walters lesse seu conteúdo, ela adiantou o que estava escrito.
—Você precisa ver isso...Não é nada grandioso, mas eu fiz esses exames em Bella, hoje pela manhã e me surpreendi com os resultados...Houve uma melhora significativa nos sinais vitais dela. Ela está estável, os aparelhos não serão mais necessário. A atividade cerebral continua a mesma. Mas a pequena mudança em si, é algo realmente animador. — Caleb abriu um sorriso enorme ao ouvir aquilo.
Já era bom saber que Sarah estava menos arisca em relação a garota internada — ela começou a aceitar aos poucos — saber que Bella apresentava melhoras então, era algo a se comemorar.
Caleb rapidamente leu as constatações médicas dos exames.
—Você acha que as chances dela se recuperar totalmente aumentaram? — Ele sabia a resposta, mas naquele momento implorou mentalmente, que Sarah mentisse para ele. Mas ela obviamente não faria isso.
—Você sabe que não...Mas dado o estado dela anteriormente, essa melhora é realmente um avanço. Ela está há mais de um mês aqui, Caleb, se ela nem ao menos saísse dos aparelhos, isso queria dizer que as chances de sobrevivência dela são inexistentes. — falou com toda sua seriedade. Enquanto ambos, caminhavam lado a lado pelo corredor do hospital.
—De qualquer forma, saber isso me anima muito. — o médico disse.
—Eu sei de outra coisa que vai te animar muito também: Seu encontro com a Darcey, hoje. — ela disse implicante, como uma boa amiga.
Sarah havia conhecido Darcey alguns dias depois do primeiro encontro dela com Caleb. O médico havia convidado a loira, para almoçar com ele e Sarah depois de um plantão pela manhã. As duas haviam se dado super bem, e a Ross foi devidamente aprovada pela sua melhor amiga.
—Não estou contando tanto com isso, Darcey fez uma reserva naquele restaurante no centro, super formal. Sabe que eu não gosto desse tipo de lugar. — Caleb falou com um suspiro.
—É normal que ela queria algo especial. É o quinto encontro de vocês, a esse ponto ela espera um pedido de namoro. — Sarah comunica como se fosse obvio.
—Eu sei disso, mas... —A Jones não deixou que ele terminasse.
—Se você disser que não sabe se vai pedir ela em namoro, porque ainda não tem certeza sobre ela ser a mulher certa, eu bato em você. Darcey Ross é incrível, eu namoraria ela se fosse homem. — Sarah fez drama e Caleb sorriu.
—Paul não tem a mesma opinião, ele acha que ela é uma megera e isso porque só esbarrou nela uma vez. — o Walters relembra.
—A opinião do Paul não conta. Ele só leva em conta peitos e os traseiros das mulheres. — Sarah retruca e os dois não resistem e gargalham disso.
[...]
Após checar mais dois quartos, Caleb segue para a cafeteria do hospital, onde por ventura encontra seu melhor amigo, Paul, o mesmo lê alguns papeis distraidamente, enquanto toma, o que parece ser chocolate quente.
—Hey. — Caleb cumprimenta ao se aproximar, e Paul ergue seus olhos na direção dele.
—Hey. — diz de volta. — Achei que já tivesse ido para o encontro com a Darcey estranha. — debocha, com diversão.
—Ainda não entendi porque não gosta dela. — o Walters diz, se sentando de frente para ele.
—Ela tem algo que não me agrada, não posso te dizer o que é. Mas ela simplesmente não combina com você. — fala sem muitos argumentos.
—Vou pedir ela em namoro hoje. — Caleb anuncia.
—Por que Sarah te forçou a isso? — Paul indaga irônico.
—Sabe que não é por isso. Olha, você mais do que ninguém sabe o quão solitária essa vida de médico pode ser as vezes, eu quero alguém com quem eu possa relaxar, desabafar sobre um plantão exaustivo e coisas do tipo. — o Walters explica.
—Não precisa de uma namorada com a Darcey para isso, pode simplesmente arrumar uma diversão em uma boate qualquer. — Paul “aconselha”.
—Eu não sou como você, esse tipo de coisa não me atrai. — diz sorrindo.
—Okay, já entendi, você irá pedi-la em namoro realmente. — Paul diz se rendendo.
—Vai ficar de plantão hoje a noite? — Caleb indaga.
—Sim. — Paul responde, não entendendo o porquê da pergunta, mas não demora a descobrir. — Pode deixar, eu fico de olho na “Bella”. — diz, antes mesmo que eu pedido seja feito.
—Obrigado. — Caleb agradece.
[...]
Ao entrar no restaurante, ele a avista vestindo uma roupa elegante, e o esperando com um sorriso. Darcey estava simplesmente linda, Caleb trajado em seu terno formal, vai até onde ela está e a cumprimenta com um breve beijo.
—Espero que nos divertamos hoje, demorei séculos para fazer essa reserva. — ela diz, quando os dois se acomodam em seus lugares.
—Eu sinto muito por me atrasar. — Caleb fala em tom sereno.
—Tudo bem. — ela o tranquiliza.
O garçom logo chega e eles fazem seus pedidos.
—Então, como foi seu dia? — ela questiona acariciando a mão dele.
—Cansativo. — responde sorrindo.
—Pergunta estúpida, eu sei, é claro que foi cansativo, você é um médico. — Darcey murmura. —E sua paciente preferida como vai? — indaga e os olhos de Caleb brilham.
No segundo encontro deles, Caleb havia lhe falado por alto sobre Bella, e Darcey aparentemente havia achado seu ato encantador e o apoiou naquilo.
—Ela apresentou uma melhora, não é algo muito grande, mas eu estou animado. — ele diz sorrindo sincero. Falar de Bella, sempre o fazia sorrir.
—Isso é muito bom. — Darcey afirma.
O jantar se passa de forma leve, com assuntos amenos. A cada instante a expectativa para o pedido acontecer crescia em Darcey, ela sabia que Caleb a pediria em namoro naquele noite.
A sobremesa estava prestes a chegar, quando o celular do médico começou a tocar sem parar. Darcey o olhou incomodada, quando viu Caleb retirar o aparelho do bolso do paletó.
—Não vai entender, certo? — ela perguntou incrédula.
—É do meu trabalho. — ele diz um tanto angustiado, quando vê o nome de Paul piscar na tela.
—Eu sei que o seu trabalho é importante para você, assim como o meu é extremamente para mim. Mas eu desliguei o celular hoje, porque tinha a intenção de aproveitar esse momento com você. — a Ross fala um tanto indignada.
—É diferente, Darcey, o meu trabalho é salvar as pessoas. — Caleb diz, um pouco incomodado com a atitude dela. — Preciso atender, só vai levar um instante. — Sem esperar resposta dela, ele se levanta.
Não demora muito a chegar ao banheiro do estabelecimento e atender a ligação.
—Paul, eu realmente espero que não tenha me ligado apenas para atrapalhar meu encontro por causa da sua implicância com a Darcey. — o médico diz ao atender, por conhecer bem o amigo.
—Eu não liguei por isso. Algo aconteceu. — aquelas palavras fazem o Walters ficar em alerta.
—O que foi? — pergunta com a voz fraca.
—É a Bella, Caleb, ela acaba de ter um ataque cardíaco, estamos tentando fazer o possível, mas, as chances dela não sobreviver são altas. — aquelas palavras quebram algo dentro do médico.
—Estou indo para o hospital. — anuncia após algum tempo em silêncio, e logo desliga.
No caminho de volta para a mesa, com a expressão abalada, ele desfaz o nó de sua gravata apressadamente.
—Eu preciso ir. — Caleb diz para Darcey e ela arregala os olhos.
—O que? Por quê? — indaga aturdida.
—Bella precisa de mim. — é o que ele diz, antes de literalmente correr em direção a saída.
O trânsito parecia mais caótico naquela noite, enquanto Caleb dirigia rumo ao hospital, ele pedia mentalmente que a garota sobrevivesse, pois com a mera possibilidade dela morrer, se sentia desesperado. Mesmo sem entender porquê, lágrimas se formavam em seus olhos.
Quando adentrou ao prédio do San Martin, passou como um flash por Melody, pegando seu crachá e vestindo seu jaleco rapidamente, o mesmo seguiu em direção ao quarto de Bella.
Chegando lá, viu Paul e Sarah tentando salva-la. Mas nada parecia surtir efeito, sem se preocupar com a invasão, adentrou ao quarto, e avaliou o estado dela rapidamente. Então mais uma ataque aconteceu, seu peito subia e descia de forma acelerada, para em seguida as batidas caírem drasticamente.
—Peguem o desfibrilador. — o aparelho não demorou muito para estar em suas mãos. Soando de nervosismo, ele encarou a garota. —Vamos lá, Bella, eu sei que você quer viver. — falou em tom baixo.
Posicionando o aparelho em seu tórax,o pressionando contra sua pele, ele tentou reanima-la pela primeira vez. Mas desesperadamente nada aconteceu. Então o clima de tensão perdurou na sala, enquanto Sarah e Paul o encaravam com olhares penosos.
—200 joules. — ele gritou para sua equipe.
Ele tentou mais uma vez, mas nada aconteceu, o médico já se encontrava chorando.
—300 joules. — instruiu, então todos se afastaram.
Ele pressionou o aparelho coberto por gel mais uma vez, e após alguns segundos nada aconteceu. Ele sentiu uma dor profunda em seu coração com aquilo
E quando ninguém mais esperava isso e já estavam prestes de divulgar a hora do óbito, Bella deu sinal de vida e seus sinais vitais se estabeleceram.
Caleb se encostou na parede do quarto, completamente aliviado. A essa altura até Sarah chorava de emoção. A Jones se aproximou de Caleb com um sorriso.
—Você tem razão, essa garota não quer morrer. Ela está lutando por algo. — Caleb assente emocionado, a medida que encara a garota adormecida, que voltou ao seu coma, mas que ao menos ainda estava viva.
Los Angels. — Muito Tempo Atrás.
Mia andava pelo clube distraidamente, com sua melhor amiga, Chloe, em seu encalço. As duas conversavam sobre o encontro da primeira, na semana anterior. A Grey lhe dizia que desde o encontro não havia se comunicado com Austin, que queria se fazer de difícil por mais tempo, para então ceder.
—Então quer algo com ele? — Chloe indagou, sem entender a lógica da Grey.
—Eu quero transar com ele. — é direta e Chloe arregala os olhos.
—Mia! — a repreende.
—O que? Eu realmente quero transar com ele, o cara é quente! Acha mesmo que se eu quisesse um relacionamento romântico seria com um cara como esse? Ele transa com qualquer criatura que use saias. — fala sem o mínimo remorso.
—E você quer entrar na lista? — a outra pergunta, com uma sobrancelha arqueada.
—Caso eu entre na lista, serei um dos nomes riscados em negritos, como as que merecem um segundo round. — debocha, sem se preocupar com o excesso de inocência de sua melhor amiga.
—Sabe o que eu acho? Que ele, querendo ou não, mexe com você. E você, querendo ou não, gosta disso. — fala, fazendo Mia gargalhar.
—Por que acha isso? — indaga ainda rindo.
—Quando você conhece um cara que te atrai, você simplesmente vai para a cama com ele, não se preocupa em se fazer difícil. Mas com esse cara, você está se dando ao trabalho de se importar. — Chloe fala sabiamente, então passa a frente de Mia, e sobe as escadarias rumo a quadra de tênis.
—Você está errada. — Mia murmura na falta de um argumento melhor.
—Você sabe que não estou. — a outra diz convicta.
Mia revira os olhos, para disfarçar seu incomodo, antes de pegar sua raquete e adentrar a quadra vazia, que estava prestes a ser ocupada por ela e Chloe. A Grey se posiciona em seu lugar, e Chloe faz o mesmo, agarrando sua raquete com força e em seguida quicando a bola em direção a Mia.
Com maestria e rapidez a Grey rebate, e assim o jogo começa. Uma verdadeira dança de movimentos talentosos feitos por Mia. Que aproveitou aquele momento para aliviar o incomodo que sentiu pelas palavras de Chloe soarem como algo estranhamente certo.
Soando e ofegante, ela faz um saque forte e nesse momento seus olhos capturam mais uma presença na quadra. Das redes de proteção, Austin a encarava com um sorriso conquistador, ao lado de outro homem que aparentava ter a mesma idade que ele.
Chloe estranhou quando viu Mia estancar no lugar e olhou na direção que a amiga encarava e encontrou dois belos homens, pela expressão que a amiga fez, ela pôde apostar que um daqueles era Austin.
—O que faz aqui? — Mia questionou ao chegar perto dele.
—Eu tinha uma aposta pagar. — ele comenta divertido e pela primeira vez naquela semana, Mia sorri verdadeiramente.
—Fico feliz em saber que irá honrar isso. — fala em tom sereno.
—Eu sempre honro minha palavra. — murmura, então nota que não apresentou seu amigo. —Esse é David, meu melhor amigo. — apresenta, apontando para o cara ao seu lado, Mia estende a mão em direção a ele.
—Mia Grey. — diz, mesmo já tendo ideia que ele sabia quem era ela.
—Muito prazer. — cumprimenta sorrindo, logo eles soltam as mãos.
—Então, podemos jogar agora? — Austin questiona.
—Achei que já estivéssemos jogando. — Mia responde sedutoramente.
Chloe chega e é impossível não notar o interesse que David demonstra ao vê-la.
—Essa é Chloe,uma amiga. — Mia diz sem muita cordialidade.
—Ótimo! Ela pode fazer companhia ao Dave, enquanto jogamos. — Austin diz como se fosse uma ideia incrível.
Antes mesmo que Chloe se negue, Mia vira-se para ela e encara com uma expressão pidona.
—É realmente uma ótima ideia. — diz, e Chloe suspira antes de dizer:
—Tudo bem.
Logo, Austin e Mia estão a sós. A Grey rapidamente, lhe passa a raquete de Chloe, e sorri quando vê ele ir até o outro lado da quadra.
—O que iremos apostar dessa vez? — pergunta gritando.
—Se você ganhar, eu saio com você de novo. — Mia grita de volta.
O primeiro saque de Austin, causa risos em Mia, por ele ser simplesmente terrível. Ela pensa que a medida que o jogo se passe, o mesmo fosse se mostrar melhor no jogo, mas isso não acontece. Vendo que seria uma vitória fácil — e por não querê-la naquele momento. — ela se aproximou dele, ainda rindo.
—Você é realmente péssimo no tênis. — acusa e Austin ri também.
—Não posso discordar. — resmunga aos risos.
—Eu vou te ajudar. — ela fala indo para trás dele.
Ela move o braço do mesmo de um jeito que o faça sacar melhor, mas Austin nem se dá ao trabalho de prestar atenção. A proximidade do corpo de Mia com o seu, o faz ter pensamentos impróprios.
—Isso seria bem mais interessante se eu que estivesse te ensinando. — diz com malicia, então se vira para Mia, conseguindo capturar um sorriso dela. —Eu gosto de você, Mia, realmente gosto. — fala, soando estranhamente sincero.
—Por que eu sou difícil? — arrisca, sorrindo.
—Porque você é você. — aquelas palavras fazem Mia gargalhar, e num ato surpreendente, as mãos de Austin prendem sua cintura. Ela o encara afetada e em seguida suspira.
—Você não vai conseguir fazer com que eu acredite de você. — ela afirma convicta.
—E quem disse que eu quero que acredite em mim? — após essa fala, ele simplesmente cola seus lábios nos dela. Mia não se esquiva, sem reservas ela retribui, e passa seus braços pelo pescoço dele, querendo aproximar seus corpos e aprofundar o beijo. O cheiro dele se impregnando sem sua pele, a fazia enlouquecer. Ela não soube bem como descrever aquele momento, porque certas coisas, por mais que a gente tente, não dá pra ser escrita ou descrita, apenas sentida ou vivida. Ela nunca havia beijado alguém daquela forma. Nunca havia se entregado tanto. Nunca havia ignorado as pessoas ao seu redor como naquele momento.
Quando se separaram, colaram suas testas uma na outra e se olharam, ofegantes. Mia riu, e Austin a encarou confuso.
— Eu tinha medo de acabar gostando de você. — ela admiti, ainda nos braços dele.
— E agora não tem mais? — Austin questiona de volta.
— Não. Eu já gosto. — É sincera mais uma vez. — Há algo em você, que é diferente de tudo que eu já conheci, eu sei que você sente o mesmo em relação a mim, não adianta assumir a postura de babaca. — ela fala ainda rindo.
—Quer sair comigo, Mia Grey? — questiona, sem apostas, sem complicações.
—Só se você for você mesmo. Nada de mentiras, ou jantares falsos. — ela pede.
—Serei só o Austin. Garanto. — diz sorrindo.
—Ótimo. — fala, antes de beija-lo mais uma vez. Com toda animação que pôde. O tênis se tornou desinteressante naquele momento.
[...]
Os dois estavam na sorveteria do clube, tendo o primeiro encontro deles de verdade. Estavam se conhecendo, sem reservas.
—Então, você gosta de fazer faculdade de arquitetura? — Mia questionou, dando uma colherada em seu sorvete.
—Gosto, mas não sei bem se é o que eu amo fazer. Minha família trabalha com isso, então, foi a melhor opção que encontrei. — Austin responde dando de ombros. — E você? Gosta da profissão que escolheu?. — indaga curioso.
—Depois de jogar tênis, decorar é o que eu mais gosto de fazer. — ela murmura em resposta.
—Seus pais apoiam isso? — Austin indaga e Mia se mexe desconfortável.
—Meu pai não se importa muito com o que eu faço, e minha mãe...Morreu no meu parto. — diz se sentindo incomodada.
—Eu sinto muito. — ele fala em tom sereno.
—Não mais do que eu. — Mia comenta, mordendo os lábios.
—É por isso que você é assim? Tão descompromissada? Digo, eu ajo como um babaca porque realmente sou um, mas você...É só um muro que você criou, aparentemente você tem medo das pessoas quebrarem – . — o Headthorne fala com sabedoria.
—Eu não tive uma vida fácil, minha madrasta é péssima, meu pai ausente...Nunca tive a oportunidade de me entregar completamente a alguém que valesse a pena. — desabafa.
—Suponho, que eu nem de longe seja esse alguém. — Austin brinca.
—Suposição correta. — Mia cantarola.
—Sua sinceridade é algo encantador. — ele fala a encarando.
—Posso te encantar ainda mais...Que tal irmos para um lugar mais discreto?. — indaga de um jeito sensual.
—Tem certeza? — Austin pergunta torcendo para que a resposta seja um “sim”.
Mia ergue seu rosto na direção do dele e praticamente sopra a palavra.
—Absoluta.
[...]
Mãos bobas, toques intensos e beijos quentes é nisso que se resume o caminho deles até o apartamento de David — que foi forçado a empresta-lo mais uma vez. — Eles nem ao menos esperam chegar ao apartamento para começar as preliminares. Quando se encontram no corredor, Austin prende Mia contra uma parede e ataca o pescoço dela com desejo. Mia arfa, geme e ofega ao mesmo tempo, enquanto as unhas delas se embrenham no cabelo dele.
Austin a ergue, fazendo com que suas pernas se encaixem na cintura dele,e assim ele aperta coxa dela com brutalidade, e logo passa a beijar sua boca mais uma vez. Mia sente que ele está excitado e sorri a medida que morde o lábio inferior dele com força.
Os dois se encaram, e veem luxúria em suas pupilas...Mas ainda sim, há outra coisa ali, algo que eles não precisam descobrir no momento.
Austin começa a caminhar com Mia em seu colo,e com dificuldades abre a porta do apartamento. Quando adentram a sala, Austin a coloca no chão,e ainda se beijando, ele guia ela até o quarto de hospedes do pequeno apartamento.
No meio do caminho até lá, Mia dá um jeito de livrar-se da camisa de Austin e passa a beijar o peitoral dele, enquanto ele ofegava de prazer.
Austin também a ajuda a livrar-se da camisa e short esportivo, e se delicia com a visão do corpo espetacular dela, coberto apenas por uma lingerie preta.
Ele para por um momento apenas para observa-la, então as mãos dele passeiam pela nuca dela, em seguida para as costas, logo chegando ao traseiro onde ele aperta com desejo. Com um empurrão leve, Mia se encontra jogada na cama, de barriga para cima.
Seu parceiro assume o controle da situação, e assim desliza sua língua pela extensão dos seios dela, até chegar em em sua barriga, Mia se agarrava em um lençol a medida que isso acontece, e pedindo por mais, logo solicita com o olhar para que Austin tira seu sutiã, e ele assim faz.
Não demora muito para que a calcinha dela, e a cueca dele também estejam no chão. E não demora muito para que Austin se encontre dentro dela, a preenchendo, e a cobrindo de prazer. Movimentos cheios de paixão, a descoberta de coisas nunca sentida antes por duas pessoas que achavam já ter sentido de tudo.
Algum tempo depois se encontravam ofegantes na cama, seus corpos cheios de marcas; Arranhões, chupões e mordidas. Seus corpos nus estavam suados, e seus cabelos desgranhados.
Não satisfeita com aquilo, Mia resolve que é a vez dela de brincar, então sobe em cima dele, completamente pelada, e o dá um beijo molhado para então os movimentos quentes recomeçarem, dessa vez com mais intensidade..
Vão para mais uma rodada, e após essa mais algumas acontecem.
Quando a noite chega algo incrível acontece, os dois caem no sono, e se permitem dormir juntos — algo que os dois nunca fizeram antes com outros parceiros. — Austin a abraça por trás, e se sente confortável com isso. Gostava do cheiro dela e da textura de sua pele.
Se encontravam tão cansados, que acabaram dormindo por toda a noite.
Na manhã seguinte, Austin acordou com um barulho vindo do banheiro, abriu os olhos com dificuldade e procurou Mia pela cama, mas ela não se encontrava lá.
Logo a Grey surgiu, totalmente vestida, e prendendo seus cabelos, deixando os chupões evidentes.
Mia sorriu para ele.
—Para onde você vai? — Austin questiona sem entender.
—Para casa. — fala como se fosse obvio.
—Mas... — ele nem sabe o que dizer.
—Transamos foi ótimo...Você já satisfez seus desejos e eu também...Não precisamos tomar café juntos e termos uma manhã amorosa por isso. — ela diz sem se afetar.
—Aquele papo sobre gostar de mim era mentira. — Austin nota.
—Atuação na verdade. Sem ofensas Austin, mas você acha que uma garota como eu, ia cair nos seus jogo? Eu que crio jogos, e você caiu no meu. — fala fazendo um bico.
—Ótimo. — ele diz com desdém.
—Que bom que estamos entendidos, preciso ir agora. — comunica então após dar um selinho nele sai porta a fora.
Austin finalmente sentiu o que todas as garotas que ele havia ficado antes sentiram; Frustração, carregada de raiva e completa de humilhação.
Mas algo dizia a ele, que aquele não era o fim dele e de Mia. Nem de perto.
Fale com o autor