Twice In Love

2 Capítulo II


Notas iniciais
Segundo (e último) chappie. Também foi betado pela minha uke-chan. ^^ Enjoy. ~

[Reita’s POV]

Talvez eu soubesse desde o início que aquilo não daria em nada. Mas eu estava terrivelmente confiante de que tudo acabaria bem, que todo negativismo fora guardado em algum lugar bem escondido; num lugar que nem eu mesmo poderia encontrá-lo.

Tudo estava caminhando bem. Com a ajuda de Miyavi, principalmente.

Eu sabia que ele não estava nem um pouco feliz em ter que omitir a verdade de Ruki, mas, no fundo, eu sabia também que aquele garoto tão bom aos amigos queria apenas que ficássemos juntos.

Ele foi o único que ficou sabendo de tudo o que aconteceu. Felizmente, ele pareceu lamentar o bastante nosso final de relacionamento para me ajudar a enganar o baixinho.

Não que eu me sentisse bem naquela situação. Eu não gostava de enganá-lo, mas ele não me dava escolhas.

Quando nosso namoro começou a desandar – por um motivo que eu mal sei -, eu já esperava que ele não ia agüentar aquela situação por muito tempo. Ele sempre foi determinado e eu tinha a consciência de que, caso ele decidisse que estava acabado, não teria volta.

E foi assim, basicamente.

Fazendo questão de verbalizar todos os erros que havíamos cometido, a rotina insuportável qual havíamos estabelecido e o fato de que eu, visivelmente, não o tocava mais com o carinho de antes, ele terminou com tudo.

Não houve brigas, não houve discussões. Foi pacífico porque fui tolo o suficiente para engolir calado o fato de que ele realmente achava que eu não o amava como antes, não o desejava como antes.

Será que ele sentia minha mão entrelaçada na sua quando dormíamos? Ele acreditava quando eu dizia que o amava? E todas as vezes em que terminamos na cama... Será que ele percebia o que fazia comigo? A forma em que eu adorava seu corpo, idolatrava sua voz e amava seu cheiro?

Ele notou quando ele começou a não responder minhas declarações de amor e virava de costas pra mim na hora de dormir? Ou quando ele saia de casa enquanto eu ainda dormia e nem ao menos me avisava?

Ele percebeu quem abriu mão de nós dois? Se ele ao menos tivesse me escutado... Se tivesse atendido ao meu pedido e ficasse... Ele precisava perceber que eu não havia desistido. Eu acreditava no que sentia por ele.

Porque eu tinha a certeza de que o tocava exatamente como antes. Eu sabia que o amava, sabia que o que eu dizia era verdadeiro. E também sabia, lamentando por isso, que ele estava insatisfeito.

E esse foi o motivo inicial de tudo o que fiz. Eu provaria que ele poderia se apaixonar duas vezes por mim, mesmo não sabendo quem era. E ele caiu como um patinho, não foi? Desde a primeira festa, ele se entregou de uma forma que até me assustou.

Diga-se de passagem, esse gesto me chateou um pouco. Só eu sabia o quanto precisei fazer pra poder receber um “sim” quando o pedi em namoro. Ou quanto o primeiro beijo havia demorado pra acontecer.

E se eu já havia conseguido uma vez, conseguiria de novo. Ou quantas vezes precisassem, até o dia em que meu coração decidisse deixá-lo em paz.

Às vezes, não poder mandar no coração era algo que realmente me incomodava. Mas, enquanto eu ainda não tivesse controle total sobre o que sentia, ia continuar tentando.

Ruki já estava apaixonado por mim. De novo.

Eu podia perceber isso na forma que ele me tocava nas festas, na forma que ele tentava firmar contato visual para descobrir quem poderia estar por trás daquela maldita máscara.

Graças a Miyavi, Ruki ainda não sabia quem era aquele homem. Embora, às vezes, eu chegasse a acreditar que ele desconfiava que era eu. Na verdade, me espantava o fato dele não ter descoberto ainda.

Porque eu poderia estar com máscara, sapato de plataforma para não aparentar a mesma altura, mas... Era eu ainda. E eu o reconheceria, caso fosse o contrário.

Mas ele não era meu chibi avoado? Eu poderia pintar nosso apartamento inteiro tendo certeza que ele só perceberia se eu comentasse algo, ou pelo cheiro da tinta.

O que tinha acontecido é que eu estava cansado de ficar calado. E de mentir também.

Realmente fui pra Tókio, como disse a ele. E como as festas caíam sempre no período de férias, eu voltava para Kanagawa para visitar a família.

Durante todo o tempo em que fiz isso, pensei em ir visitá-lo. Mas... Bem, eu saí de Kanagawa loiro e voltei moreno. O garoto da festa era moreno. E esse pensamento me fazia ficar sem ir até a sua casa, com medo que ele descobrisse tudo e me privasse até mesmo de poder tocá-lo naquelas festas.

Nas últimas semanas, voltei para Kanagawa em definitivo, sabendo que não poderia adiar isso ainda mais.

Sem contar que eu cheguei tão tarde na cidade no dia da última festa que não pude ir. Miyavi disse que ia dar um jeito no chibi por mim e... Bem, essa era uma conversa que eu teria com ele depois¹.

- Você não vai mais ter que voltar? – neguei com a cabeça, sentado de lado no banco, para ficar à sua frente. – Isso é ótimo, Aki!

E eu tentava a todo custo ignorar nossas mãos entrelaçadas sobre seu colo.

- Depende do ponto de vista, não é? – joguei a indireta, vendo seu sorriso quase sumir. – É horrível ficar longe de você... Mas é pior ainda te ter por perto e não poder... dar carinho da forma que eu queria.

- Akira... Por favor, eu... Olha, o que tivemos foi ótimo e eu também sinto saudade às vezes. Mas, bem, acabou. Você concordou comigo que era o melhor, Rei.

- Eu concordei porque não queria discutir. O que não quer dizer que eu tenha desistido.

- Concordou porque não queria discutir? Agora você vai querer dizer que eu fui o culpado? – e as mãos foram soltas.

- Não estou culpando você por tudo. Mas se dependesse de mim, estaríamos juntos até hoje, Ruki!

- E você queria o que? Continuar um namoro que estava fadado ao fracasso?!

- Sabe, Ru... Se um estava disposto a não deixar que terminasse... que fracassasse... Teria dado tão certo quanto estava, na sua visão, nos primeiros meses. E sabe qual foi o motivo por eu ter me afastado? Pra não te deixar nervoso, como eu sabia que você ficava quando achava que eu estava invadindo sua privacidade. E o que era pior: antes, o tempo que era dedicado a nós dois se tornou seu. Porque você queria ficar sozinho, e eu respeitava. É tão difícil entender que eu poderia ter jogado tudo ao ar quando você começou a rejeitar meu carinho? Você não consegue ver que eu poderia ter terminado com tudo por passar horas sozinho somente porque você estava tendo um ataque de melancolia infundada?

- Depois que tudo aconteceu, eu me arrependi, Akira! – seu semblante passou algum desespero. – Eu senti saudades! E doeu quando você foi pra longe! Mas aquilo estava acabando comigo e você está sendo egoísta o suficiente para ver só o seu lado! Sabe o que machucou, Rei? Eu depositei toda minha esperança em nós. Mas não estava dando certo e toda aquela situação estava me corroendo dia-a-dia! – respirou fundo, tentando conter um choro que já deixava sua voz embargada. – E tem mais, Aki... Eu gosto de outra pessoa.

Revelou, baixo, como se fosse o pior segredo do mundo.

- Ruki... – escorreguei pelo banco, chegando mais perto e pegando seu rosto com as mãos. – Como você pode ser tão tolo? Como você ainda não percebeu nada?

-... – ficou em silêncio, abaixando os olhos.

- Quem é ele? – perguntei, em tom baixo, apenas para confirmar.

- Eu... É uma pessoa que eu encontrei numa festa.

- O que você sabe sobre ele?

- N-nada...

- E o que você sente? Quando está com ele? — Ele arqueou a sobrancelha, parecendo irritado com a pergunta. – Ruki, apesar de tudo, ainda somos amigos, não?

- Eu não sei... Me sinto... Bem.

- Bem? Só isso?

- Era igual, Aki. O mesmo que eu sentia quando começamos. A mesma segurança, o mesmo calor, a mesma... paixão. – finalizou.

- Tem certeza que não sabe nada sobre essa pessoa? – e ele negou com a cabeça. — Você sabe tudo sobre ele. Como não conseguiu perceber até hoje, conhecendo essa pessoa como ninguém?

- Hã? – voltou os olhos pra mim.

- Você se apaixonou de novo por mim, Ruki.

- O que?! – exclamou, com alguma raiva.

- Eu sou esse homem, Ruki, por Kami-sama! Como você pôde ter sido tão lerdo? – larguei seu rosto, ficando momentaneamente impaciente. Como ele conseguia ser tão... burro? – Era eu o tempo inteiro! Em todas as festas, todos os anos! Sempre eu, sempre meus beijos, meu calor, minha segurança e minha paixão. Você se apaixonou por mim de novo. – terminei, com a feição incrédula.

- Você... Você me enganou esse tempo todo?! Eu não acredito... Logo você? Mentiu que estava viajando só pra... Pra conseguir alguns amassos?

- Não! – comecei, quase assustado pela conclusão dele. – Eu realmente estava em Tókio. Fiquei sabendo que iria exatamente uma semana antes da festa. E... eu só fiz isso porque queria poder me despedir de você. Já que você não iria comigo, claro. Porque esse era o plano inicial, se quer saber.

Ruki ponderou alguns segundos, a cabeça baixa todo o tempo.

- Não era você na última festa.

- Não. Na verdade, eu nem sei o que aconteceu na última festa.

- Por quê?

- Porque eu voltei mais tarde de Tókio. E não pude-

- Não. Por que fez isso? Por que me enganou?

Suspirei, tentando achar uma forma de explicar tudo da melhor forma possível.

- Eu soube que precisaria passar uns tempos em Tókio. De início, ia levar você comigo. Então... bem, nós terminamos e teria sentido morarmos juntos em outro lugar, então... Eu precisava de você uma última vez.

- E as outras vezes?

- Pois bem... Eu achei que não poderia voltar para Kanagawa no período de férias. Pra falar a verdade, nem tinha pensado nessa possibilidade. Por isso quis me despedir. Mas então, quando pude voltar... Eu estava com saudades, Ru. Eu... Não é algo que se pode explicar, na realidade. Sabe quando algo é mais forte que você? Pois então. Aquilo era tremendamente mais forte. Foi a única saída que eu encontrei pra chorar um pouco menosquando não estava com você.

O silêncio se arrastou por longos minutos, deixando meus pensamentos bagunçados tentarem achar alguma finalidade em toda aquela situação.

- Eu não sei o que dizer, Aki. Juro pra você que... Eu não sei o que pensar, não sei o que dizer e muito menos o que fazer. Digo... Você me enganou, e eu estou chateado por isso. Tem noção do quanto eu me sinto burro por nem ao menos ter pensado nessa possibilidade? Por outro lado, eu entendo você. Eu poderia ficar feliz por ter alguém disposto a fazer qualquer coisa por mim. Ao mesmo tempo... Se eu der outra chance, não vai ser tudo igual? Não vai ser pedir pra que aconteça tudo de novo?

- Eu só quero que você entenda que eu não fiz por mal. Mesmo se parecer egoísta... Não foi minha intenção.

Mantivemos o contato visual, sendo quebrado somente quando o baixinho resolveu me abraçar, quase me fazendo chorar por tê-lo tão próximo de novo, sentindo seu carinho.

- Eu fui muito lento, não fui? – perguntou, rindo dentre o choro.

- Sim. Tão lento quanto quando você acordava.

- Você pode me dar um tempo? Digo, pra pensar em tudo. – desfez o abraço, olhando pra mim enquanto passava os dedos pelas lágrimas. – Eu to confuso ainda. Estou entre o ódio e o amor por você. – riu fraco.

- Acredite, você me fez virar o mestre da paciência em esperar uma resposta. Lembra o quanto você demorou da primeira vez? E olha que você nem tava apaixonado por uma versão mascarada minha.

- Pois é. – riu um pouco mais alto. – Mas agora é sério, Rei. Eu quero um tempo. Não é algo que eu possa decidir agora. Mas prometo que vou dar uma resposta em breve. Você sabe que eu gosto de você... Mas, sabe, na minha cabeça, eu ainda to encantado com o cara da festa e ele não é você. Vai demorar um tempo pra cair a ficha.

- Eu fiz uma bagunça, não foi? – perguntei, levemente culpado.

- Oh, sim. – concordou, balançando a cabeça.

- Vou precisar de uma fantasia pra poder te beijar hoje?

Ele gargalhou, exatamente daquele jeito infantil tão... adorável.

- Não. Mas considere isso como “saudade”, tudo bem? Não é uma volta oficial.

- Qualquer coisa desde que você me deixe provar que eu continuo te amando tanto quanto antes. – sorri, antes de me aproximar mais e acabar com a distância entre nós.

E mesmo dizendo que nosso namoro não era o mesmo de antes, lá estava ele: Apaixonado por mim pela segunda vez.

¹ Só pra esclarecer: O Ruki comenta que o garoto não estava sendo o mesmo na última festa. O que nos leva a concluir que o Miyavi arranjou um outro pra ficar com ele, pra não deixar o baixinho pegar qualquer um no lugar do Rei. XDDD Apesar de achar que vocês já desconfiam sobre a identidade da tal pessoa, só cito nomes na B-side. ^^

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*soltando fogos* Acabooou. ~

Foi curta né. Q Mas enfim, se eu não mostrasse o segundo chappie hoje pra Thami-chan, ela ia me perseguir com uma vassoura voadora e jogar uma crucius (???) em mim. ;;;; *ela quem disse, ok?* *apanha horrores*

Enfiiim. Bem, eu fiz essa fic pra Thami-chan porque todos os autores de fics sabem o quanto os comentários nas fics são importantes, não é? E, bem, acho que qualquer um aqui que já postou um Reita x Ruki, Aiji x Maya ou alguma outra fic que ela leu, já viu algum review dela.

E é desse tipo de leitores que precisamos, sabe? Ela apoia todas as fics que acompanha, inclusive, já vi a guria comentando em fics que ela começou a acompanhar e, mesmo que a fic tivesse tomado um caminho que não a agradava em nada, ela continuou lá apoiando a escritora.

Então, sabe, acho que se todos os leitores fizessem isso, talvez, só talvez, o número de fics de baixa qualidade aqui no Nyah ficariam menores. Porque... assim, se eu vejo um autor errando em algo e avisá-lo, ele vai tentar melhorar. Só que sem review, comofas? Q

Bem, já falei demais. ~

Agradeço a Chii, uke-chan e Thami-chan pelos reviews do primeiro chappie. Quanto aos outro que leram e nem ao menos comentaram, nada a declarar. Desanimador, sério.

Até a próxima. (^-^)/

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!