Twenty Seven Years
5 05 - Uma Jarra e um Copo
TWENTY SEVEN YEARS
05 — Uma jarra e um copo: o fim.

Ele era meu tudo, aquele menino com os olhos verdes e fofo. Meu coração disparava e eu me sentia feliz, minhas mãos soavam e tremia de ansiedade. Esse sentimento que eu queria manter para sempre em seu coração. O sentimento de pertencer a ele. Uma jarra cheia de amor para dar para ele, era tudo dele se eu tivesse tido a coragem.
Era divertido, o doce sabor do primeiro amor. Aquele amor que te alimenta com todas as coisas que um amor deveria dar. O amor era sobre isso: dar sem cobrar, se alimentar de amor e migalhas... Que tortura, para um introvertido. Mas existia o desejo de ser dele, apenas dele. Um amor que estarei escrevendo pela última vez. A jarra amou por 10 anos e isso é tempo demais para manter um copo vazio que me olhou como apenas um amigo e nada mais.
É doloroso admitir que finalmente o amor contido por tantos anos aos poucos foi morrendo, mesmo que eu deseje mantê-lo não existe cura para um amor não correspondido. Aquele cheio de "E se..." que nunca existiu e não existirá.
Eu queria tanto amar você, copo vazio, que não pode ser preenchido com nada que eu tenha a oferecer.
Sobre você eu estava disposta a tentar ir com você, mas não era possível. Você não tinha nem uma gota de água pra encher a minha enorme jarra desesperada por qualquer coisa, até mesmo lama.
Era tudo ilusão da minha cabeça fértil, o desejo de mão única, que nunca seria saciado. Porque aos poucos eu entendi que não existia amor pra mim. Aquela criança de 18 anos que não sabia nada da vida. Não sabia também sobre sua condição limitadora e agonizante de nunca poder amar outra pessoa.
Mas o desejo era desesperador também.
Vinte sete anos amando você, e eu não poderia mais te dar isso.
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