Tutorial de Como Fumar Cigarros

2 Vocês estão na minha calçada


Eu levanto da cama e saio andando pelo corredor, estou descalça e com o meu pijama de ursinhos. Eu tenho esse pijama desde os oito anos então você pode imaginar que ele já esteja ficando curto para mim, e está. Mas eu teria que lhe contar duas coisas: foi a minha mãe que me deu ele e eu não cresci muito.

Coloco a mão no rosto e esfrego meus olhos, observando meu pai parado de frente ao fogão fazendo alguma coisa que eu suspeito que sejam omeletes.

Eu lembro da primeira vez eu vesti esse pijama e apareci na cozinha de manhã, o meu pai falou “Bom dia, Ursinha.” E a minha mãe riu.

Puxo uma cadeira para próximo do armário e procuro pela minha xícara preferida, quando trago a cadeira de volta para mesa e sento, os meus braços ficam perfeitamente encaixados em cima da mesa.

Eu tento ver o meu rosto refletir na xícara e faço caretas.

O meu pai coloca café com leite para mim e não fala nada. Eu assopro duas vezes antes de me arriscar, ele coloca um omelete para mim e senta a mesa.

Meu pai coloca um pedaço de omelete na boca e mastiga algumas vezes.

“O que você vai fazer a manhã toda? Alasca, se você aprontar alguma.”, ele fala.

“Não vou fazer nada, pai.”, digo.

O meu lema é: Minta as vezes porque a vida não é feita só de verdades.

“Acho bom.”, meu pai responde.

“Eu acho ótimo, pai.”, falo e abro um sorriso.

“Não brinque comigo.”, ele diz e levanta com o prato e o copo na mão. “Já estou atrasado.”

Ele joga o que tem na mão na pia, pega as chaves em cima do balcão e vai trabalhar.

Eu termino de comer e limpo a mesa antes de ir lavar a louça.

Quando já estou secando a louça olho pela janela e vejo dois garotos com suas bicicletas na calçada da casa ao lado. Eles devem ter mais ou menos a minha idade, logo lembro do meu plano missão ninja tutorial cigarros etc.

Um deles tem o cabelo preto e anda arrumadinho além da bicicleta moderna, o outro tem uma bicicleta velha e usa roupas normais.

Eu os observo cautelosamente e tento lembrar se algum deles é da minha escola.

Corro para o quarto e troco de roupa. Arrumo minha cama tão rápido que fica quase do mesmo jeito que estava antes.

Eu fecho a porta e desço os três degraus e sento no ultimo. Ajo como se estivesse ali a minha vida toda enquanto faço o possível para entender o que os garotos conversam.

“Eu não sei se vou conseguir completar.”, um deles fala.

“Falta pouco para você. Pede dinheiro a sua mãe.”, o outro responde.

“Ela não tem dinheiro agora.”, eles acabaram de pisar na minha calçada.

“Ei.”, eu falo depois de levantar.

“Oi.”

“Oi.”

“Do que vocês estão falando?”, pergunto.

“Figurinhas.”, o arrumadinho fala.

“Álbum de figurinhas.”, o outro diz.

Eu penso em alguma coisa para falar mas não me vem nada a cabeça.

“Vocês estão na minha calçada.”, digo.

“Estamos.”, é o da bicicleta velha que responde.

“Vocês vão ter que fazer uma coisa para mim.”, eu falo. “Em que escola vocês estudam?”

“Naquela da rua Rodrigues.”

Minha escola não fica na rua Rodrigues. Começo a achar que o meu plano foi por água a baixo.

“Por que temos que fazer alguma coisa para você?”, o arrumadinho fala se preparando para subir na bicicleta.

“È uma coisa legal. Perigosa, sim, mas muito legal.”, eu digo.

“Não sei se quero correr perigo, meus pais não vão gostar se eu fizer alguma coisa errada.”, ele diz.

Eu olho para o outro garoto, que apenas me observa.

Acho que escolhi as pessoas erradas. Esses nunca devem ter ido parar na diretoria, penso.

“Vocês conhecem um garoto alto e do cabelo vermelho?”, tento mais uma vez. “Aquele que...”

“Que já foi preso?”, o garoto fala, fechando um olho.

“Chip, ela tá falando daquele lá. A gente tem que dá o fora daqui, essa garota é maluca.”

“Chip?”, pergunto.

“È. Eu sou o Chip e esse é meu amigo”

“Não fala o meu nome pra ela. Pode ser bandida ou sei lá o que.”

Chip se aproxima do garoto e eles cochicham alguma coisa.

“Certo. Nós temos algumas perguntas pra você.”

Eu penso um pouco.

“Não posso responder perguntas. Vocês estão na minha calçada.”, digo.

“To falando que é bandida.”, o garoto fala.

“Qual é a dos seus olhos?”, pergunto pra ele.

“Eu tenho um plano.”, Chip balança as mãos. “Se você fala o seu nome, o meu amigo fala o dele e vocês se cumprimentam. È isso ou nada. E aliás, ele é do Japão.”

O Chip é o garoto que gosta de dá ordens.

“Meu nome é Alasca.”, falo.

“Certo. Essa foi boa.”

“Qual é o problema?”, pergunto.

“O problema é que você mente mal.”, Chip fala e o japonês ri.

Isso me deixa irritada e eu me aproximo deles.

“Na verdade, eu minto muito bem. O meu nome é Alasca e vocês vão me ajudar em uma missão complicada, se você não quer falar o seu nome.”, aponto para o japonês. “Vou te chamar de sushi.”

Eu pensei que iria irrita-los mas eles riem, o japonês ri tanto que fica com o rosto vermelho.

Eles cochicham alguma coisa e tornam a rir. Então Chip estica a mão para um cumprimento porém eu cruzo os braços e olho para eles desconfiada.

“Não é nada.”, Chip balança a cabeça. “È só que o meu amigo acha que você seria boa em fazer, você sabe, rap.”

“È. Eu sou o Takumi.”

“Não sei se sou boa nessa coisa de rap. Precisamos falar sobre o plano.”, digo.

“Esse garoto que você falou não é gente boa. Mas ele é só metido.” Chip faz uma pausa. “E ruim.”, termina.

“È. Ele já foi preso.”, Takumi fala.

“Certo. Vamos fazer isso, vocês vão pesquisar o passado do inimigo e o que ele faz da vida. Depois que eu tiver essas informações, vou criar o plano.”, falo bastante séria para que eles percebam que não é brincadeira.

“Eu sou bom em investigar.”, Takumi diz.

“Acho que podemos fazer isso.”, Chip responde.

“Estamos juntos?”, eu falo e estico o braço.

Primeiro Chip coloca a mão em cima da minha e depois Takumi faz o mesmo.

“Estamos juntos!”, falamos e levantamos as mãos ao mesmo tempo.

Eles começam a caminhar para longe e eu subo os degraus em direção a porta da minha casa.

“Devemos marcar um encontro. O que vocês acham de amanhã ás 5h?”, eu me viro e falo.

“Sim. No terreno baldio que fica na esquina daquela rua ali, você sabe?”, Chip aponta para outra rua.

Eu conheço o lugar porque fica no caminho da escola.

“Sei sim.”, respondo. Depois me viro e abro a porta.

“Alasca!”, Takumi fala e eu olho para ele. “O que você quer com o tal garoto?”

“Cigarros.”, digo.

Takumi fica com a expressão confusa e Chip ri.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.