Entrei no carro e tia Jenna já estava surtando. Perguntando sem parar como havia sido a minha primeira vez.

– Calma! – Falei pra ela rindo e um pouco sem jeito.

– Calma? Eu preciso de detalhes! Foi sua primeira vez Elena! Lembra como ficou louca quando deu seu primeiro beijo e me ligou correndo pra contar? Por que agora seria diferente mocinha? – Falou ela com um tom brincalhão.

– É uma experiência diferente.. – Tia Jenna me deu língua e fez um sinal pra que eu continuasse falando. – OK! Foi perfeito! Não poderia imaginar nada que chegasse ao nível! Tia.. Tia.. Acho que estou apaixonada. – Falei suspirando. Fechei os olhos e repassei toda a noite na minha cabeça.

– Fico tão feliz de ver minha sobrinha bem novamente. Nada melhor do que apagar lembranças ruins com as boas.

– Eu que o diga Tia. – Sorri pra ela. Ficamos em silêncio por um tempo. Eu adorava aquela conexão com a minha tia, era a minha melhor amiga, podia contar com ela pra qualquer coisa. – Você ainda lembra da sua primeira vez?

– Eu lembro. É o tipo de experiência que vai ficar guardada pra sempre com você, Elena. E se foi bom.. Vai ser melhor ainda de se recordar. – Concordei com a cabeça.

Chegamos à casa da amiga da tia Jenna, Andie. Não menti para os meus pais dizendo que dormiria lá, olhando por esse lado. Ela foi muito receptiva e agradável.

– Oi! Você é a Elena não é? Jenna fala muito de você. É um prazer te conhecer. – Disse ela me dando um abraço caloroso.

– É um prazer também. – Sorri.

– Ei! Aluguei uns filminhos de terror.. Quem topa? – Ela disse.

– Terror é comigo mesmo. – Tia Jenna falou e de repente nós três começamos a rir. Sabíamos que tia Jenna era uma medrosa, o que tornou sua frase ainda mais engraçada.

Colocamos o pijama e fomos em direção ao sofá. Andie havia preparado pipoca, refrigerantes e todos os tipos de guloseimas que eu podia imaginar, de brigadeiro a cup cakes. Tia Jenna tinha me dito que ela saiu de um relacionamento de 4 anos e estava muito abalada. E o que é melhor pra curar uma dor de cotovelo do que uma noite do pijama só de garotas? Começamos a assistir A hora do pesadelo. Minha tia e a amiga dela pareciam estar com medo e davam gritinhos estridentes de 5 em 5 minutos. Confesso que se não tivesse viajando tanto em meus pensamentos, também ficaria estérica. Não parava de pensar em Stefan. Sim, foi tudo perfeito mas.. Fico pensando se não me precipitei, se fui muito fácil, se ele vai perder o interesse por mim.. Droga! Será que fiz tudo errado? Não conseguia me concentrar no filme. Agora estava realmente insegura com tudo isso. Disse a minha tia que estava cansada e ia dormir. Fui para o quarto e deitei na cama. É claro que eu não ia conseguir pregar o olho aquela noite, só precisava ficar sozinha. Estava tudo tão bem, por que meu cérebro era tão teimoso? Queria tanto mandar uma mensagem ou até mesmo ligar pra ele.. Não! Não seja tão boba, ele vai achar que você ficou louca e no fim das contas vai acabar te machucando. Meu coração ficou pesado, eu odiava essa angústia infantil. Senti o celular vibrar. Dei um pulo. Quando olhei o visor vi que a mensagem era da Bonnie. Fiquei desapontada.

Como está o seu verão amiga? -B”

“Você nem imagina o quão bom está sendo! Vou te ligar pra contar tudo, ok?”

“Liga!”

Quando liguei pra Bonnie eram exatamente 00h30min, desliguei o telefone e notei que tinha se passado 2 horas. Ah! Como é bom conversar com a minha amiga, conseguiu me fazer sorrir e esquecer minha paranoia. Fiquei tão entretida com a conversa que não havia percebido o último sms que recebi. Era dele! Meu coração saltou forte. Respirei fundo com medo do que iria ler. Fechei os olhos e abri a mensagem.

“Ei! Só queria te lembrar do quanto você é linda. Dorme bem, anjo.”

Toda a minha insegurança boba foi embora naquele instante. Dei um sorriso bobo. Não sabia o que responder. Fiquei olhando aquela mensagem por alguns segundos. Quão fofo alguém pode ser? Nossa! Eu adorava essa meiguice que ele tinha.

Dorme bem também amor.”

Guardei o celular. Pensei em Stefan até cair no sono.

Eu e tia Jenna fomos para casa. Papai e mamãe estavam na varanda abraçados quando chegamos. Olharam para nós e sorriram juntos. Eu admirava o amor deles.

– Se divertiram? – Disse mamãe.

– Sim. Foi muito divertido. – Disse tia Jenna naturalmente como se a gente tivesse mesmo só feito uma simples noite do pijama. Não me sentia bem mentindo pra mamãe, mas ainda não estava pronta pra falar que não era mais virgem.

Fui para o meu quarto e joguei o celular na cama. Não demorou muito até que ele tocou. Era o Stefan. Fiquei nervosa. Esperei que tocasse 3 vezes. Atendi.

– Oi. – Falei.

– Linda. Quero te ver hoje. Está ocupada?

– Não. Também quero ver você. Na praia em meia-hora? – Disse esperançosa. Estava louca para vê-lo.

– Ok. Nós vemos lá.

– Certo. Beijo.

– Ei, linda.

– Diz – Cara, como ele podia ser tão fofo? Ai! Isso mexia comigo.

– Eu te amo.

– Eu te amo.

Desliguei o telefone. Só depois de alguns segundos eu voltei a me recompor. Fui tomar um banho. Deixei a água lavar a minha alma. Refleti sobre tanta coisa. Lembrei-me de como fui àquela praia pra fugir dos meus problemas, do Matt. E agora estou vivendo um novo amor. Um amor que me faz bem. Que me faz sentir vontade de continuar. Como as coisas mudam.

Troquei-me e fui à praia. Stefan já estava lá. Deu-me um beijo leve, romântico e rápido. Resolvemos andar um pouco.

– Eu não parei de pensar em você sabia? – Ele falou. Senti minhas bochechas corando.

– Não sabia que era tão encantadora assim. – Falei em um tom debochado.

– É encantadora, linda, meiga, sexy, tudo em uma só! – Ele disse enquanto me dava vários beijos na testa, na bochecha, no olho, no nariz.

– Você sempre foi fofo assim com suas outras namoradas? – Fiquei vermelha. Ainda não havíamos rotulado nosso relacionamento. Com certeza não erámos só ficantes, nosso grau de intimidade aumentou. Mas ele não havia tocado nesse assunto e muito menos me pediu em namoro formalmente.

– Nunca me importei tanto com alguém como me importo com você, Elena. – Ele falou com um semblante sério.

– Eu sei que sou chata por falar disso, mas.. O que nós somos agora? Quer dizer, não quero rotular nem te pressionar, só quero saber se somos um casal. – Soltei e imediatamente quis enfiar minha cabeça no buraco mais próximo possível.

– Então é isso? Você quer namorar comigo? Se quiser é só pedir, gata. – Ele sorriu.

– Argh! Bobão. – Sorri junto.

– Eu não te pedi formalmente mas quero que saiba que você é minha namorada. Bom, eu achei que depois daquela noite eu não precisaria ser direto.

– Entendo. Tudo bem então, NAMORADO. – Sorri e lhe dei um beijo.

– MINHA NAMORADA. – Ele imitou meu jeito de falar. Dei um tapa de leve em suas costas e fiz um biquinho.

Passamos a tarde juntos, bebendo água de coco e admirando o mar. Ele tirou o celular de bolso e o posicionou para que tirássemos uma foto.

– Não ficou nada mal. – Eu disse olhando a foto.

– Claro. Estou na foto. – Dei um empurrão nele e ele sorriu. Me empurrou de volta. Ficamos nessa brincadeira boba até que caímos juntos na areia. Deitei no seu peito e fechei os olhos. Ele brincou com os meus cabelos.

– Estou feliz por estar aqui com você. – Ele sussurrou no meu ouvido.

– Estou feliz por estar aqui com você. – Repeti. Virei-me e o olhei. – Eu te amo, Stefan.

– Eu te amo, Elena. – Nos beijamos. Enquanto nos beijávamos concentrei-me no som das ondas. Queria aproveitar aquele instante. Me sentia bem. Estava com ele e nada mais importava agora. Estava feliz