Abri os olhos devagar. A primeira coisa que vi foram meus pais sentados em um pequeno sofá que estava no quarto do hospital. Assim que perceberam que eu havia despertado vinheram em minha direção.

- Querida, como você se sente? Fiquei tão preocupada! – Mamãe falava comigo de um jeito incrivelmente doce.

- Estou bem, mãe. Eu acho.. Me sinto bem, na verdade.

- Elena, Elena.. Você precisa ser mais atenta. – Meu pai falou.

- Eu sei, pai. Me desculpe.

- Um rapaz passou toda a noite aqui, esperando que você acordasse. Disse que estava com você na noite do acidente mas havia ido embora minutos antes. Ele parecia muito preocupado. O nome dele é.. Damon. Se não me engano. – Meu coração bateu forte. Quando escutei meu pai dizer “um rapaz passou toda a noite aqui” imaginei que fosse Stefan. Ou eu teria mesmo sonhado com isso?

- Oh.. Ele ainda está aqui no hospital? Quero falar com ele.

- Não, querida. Eu pedi que ele fosse pra casa comer alguma coisa e depois ele voltava. Relutou um pouco mas obedeceu. – Mamãe sabia como convencer alguém.

- Tudo bem.. Alguém mais veio me visitar?

- Bonnie e Kol deram uma passada rápida. Só eles, querida.

- Ok.. – Senti meu coração pesar. Mas pareceu tão real. E fazia tanto sentido. Não podia acreditar que minha mente apenas havia projetado aquilo.

- Agora durma um pouco. Você deve receber alta ainda hoje. – Mamãe me deu um beijo na testa. Papai me deu um beijo na cabeça e acariciou meus cabelos. Os dois saíram da sala. Escutei alguém chegando e conversando com eles. Dava pra ver pelo vidro da porta do quarto. Damon.

- Elena, Elena.. Que bom que você acordou.. Eu.. – Ele sentou-se ao meu lado na cama.

- Tudo bem, Damon. Estou bem.

- Não.. Isso é minha culpa.. Sinto muito, Elena. Sinto muito.. Eu devia ter te levado em casa..

- Não, não se sinta culpado. Foi minha culpa. Eu não quis voltar com você. Foi consequência do que eu escolhi. Não se sinta culpado, ok?

- Mas.. Mas.. – Os olhos dele estavam vermelhos. Aquilo me deixava triste. Se eu não tivesse hesitado em deixar meu passado pra trás nada disso teria acontecido.

- Ei.. Não foi sua culpa. – Olhei firme em seus olhos quando falei. Ele ficou em silêncio. Em seguida me deu um abraço. E um beijo na testa. Aproximou seu rosto do meu.

- Fiquei muito preocupado com você.

- Minha mãe me falou que você passou a noite toda aqui.

- Achei que estava com raiva de mim.

- Claro que não. – Fiz uma careta. Ele sorriu.

- Uou.. Não consigo nem descrever o que senti, Elena. Entrei em pânico.

- Olha, que bobinho.

- Para.. Falo sério. Eu não sei o que faria se tivesse sido pior.

- Tudo bem. Estou bem. Esqueça isso.

- Você sabe quando vão te dar alta?

- Provavelmente ainda hoje.

- Posso ir na sua casa amanhã então?

- Fazer o quê?

- Eu quero passar o dia com você. Recompensar isso tudo. E acredito que seu pai não vai permitir que você saia de casa tão cedo depois desse acidente.

- Ah.. Com certeza.. Mas tudo bem, passe lá em casa.

- Certo. Eu gostaria mesmo de ficar aqui contigo até você receber alta mas não posso. Amanhã nos vemos né?

- Sim.

- Ok. Tchau, Elena. – Ele encostou os lábios nos meus de leve. E aquela sensação foi tão boa que quase esqueci de abrir meus olhos novamente. Sorri e ele foi embora.

Tentava dormir mas não conseguia. Eu tinha que descobrir se o Stefan tinha vindo me ver. Katherine estava na cidade. Ele também devia estar. Sei que não sonhei tudo isso. Eu precisava de provas. Me levantei da cama e chequei os corredores. Não tinha movimento. Talvez por causa do horário. Olhei o relógio que havia na parede e marcava “07:00” em ponto. A recepção só tinha uma mulher. Ela estava checando os computadores. Eu voltei ao meu quarto e troquei de roupa. Fui em direção a recepção.

- Com licença.. Poderia me fazer um favor?

- Claro.

- Posso usar seu computador um instante pra pesquisar uma informação?

- Tudo bem mas seja rápida.

- Ok, obrigada.

O telefone tocou e a mulher atendeu. Aproveitei sua distração e fui direto na pasta de filmagens das câmeras de segurança. A câmera que havia no corredor do meu quarto era a B-3. Abri o vídeo e assisti algumas horas depois de ser internada. Meu coração bateu tão forte que achei que ia passar mal. Era ele. Sim, era o Stefan! Entrando no meu quarto. Estava usando uma jaqueta de couro, óculos escuros e uma calça jeans escura. Acelerei o vídeo. Ele passou 8 minutos no meu quarto. Deve ter sido o tempo de eu acordar, ele falar comigo e ir embora. Fechei tudo rapidamente.

- O.. Obri.. Obrigada.

- De nada. – A mulher ficou meio confusa. Mas eu não me importava com isso agora. Stefan estava na cidade. E eu precisava encontra-lo. Estava tão perdida em meus pensamentos que não notei que estava no segundo andar do hospital. Voltei pro elevador e desci um andar. Meus pais estavam entrando no meu quarto. Eu tinha que correr e dar uma desculpa aceitável.

- Elena? Onde ela está? – Escutei a voz de meu pai enquanto me aproximava do quarto.

- Oi, pai. Estou aqui. Estava procurando vocês.

- Elena, você precisa ficar em repouso.

- Quando vão me dar alta? Não aguento mais esse hospital! – Estava descontando minhas frustrações nos meus pais e não era justo. Eu precisava me acalmar.

- Tudo bem, vou falar com seu médico. Aguarde aqui.

Papai saiu do quarto e eu sentei na cama.

- Fique calma, querida. Vamos sair daqui o mais rápido possível.

- Tudo bem, mãe.

Voltamos pra casa. Passei todo o caminho em silêncio. Eu precisava investigar. Sair batendo de porta em porta à procura dele ou até mesmo da Katherine. Eu precisava vê-lo.

Depois de comer um enorme prato da macarronada da minha mãe – ah, como eu adorava a macarronada da minha mãe – fui para o meu quarto. Meu celular estava em cima da cama. Havia quatros mensagens de texto do Damon.

Já chegou em casa?”

“Elena, você está bem?”

“Sei que você deve estar descansando mas estou ficando paranoico, me liga!”

“Posso te ligar?”

Também havia 3 chamadas não atendidas dele. Liguei de volta.

- AH! DEUS! VOCÊ DEU UM SINAL DE VIDA.. – Sorri quando ele falou isso.

- Calma, garotão. Estava comendo, esqueci de te avisar que já estava em casa.

- Você me deixou louco! Estava pensando seriamente em ir na sua casa.

- Eu te deixo louco? Você é louco.

- Por você.

- Isso foi ridículo. – Nos dois rimos.

- É, eu sei. Falou com seus pais sobre eu ir amanhã?

- Ainda não. Mais tarde falo com eles.

- Tudo bem. — Ficamos em silêncio por alguns minutos. – Está ouvindo isso?

- O quê?

- Os grilos.

- Morri de rir.

- Não foi uma boa piada. Ei!

- Diz.

- Já falou com a Bonnie? Ela está preocupada com você.

- Oh.. É, bem lembrado. Vou ligar pra ela.

- Tudo bem. Até amanhã então?

- Até amanhã, Damon.