Espera.. Espera.. Aqueles olhos.. Esses olhos.. Eu já os vi em algum lugar. Sim! Claro que eu vi! Foi ele! É o meu anjo! É ele!

- Nos conhecemos de algum lugar? – Falei com receio. E se eu estivesse delirando?

O sinal tocou. Ele me entregou dois dos livros que haviam caído e sorriu. Foi em direção à sala. Não respondeu minha pergunta, o que me deixou intrigada. Entrei na sala e me sentei ao lado de Bonnie. A professora de biologia entrou na sala.

- Bom dia meus queridos! Sentiram minha falta? – Todos começaram a rir. De repente meu celular vibrou. Era uma nova mensagem de texto da Bonnie.

C-A-R-A! O QUE ELE É? UM DEUS?”

“Presta atenção na aula e para de paquerar o novato.”

Estava do lado dela e ela insista em continuar mandando mensagens.

“Dá um desconto vai! Não achou ele um gato?”

Olhei pra ela e sussurrei um “para com isso”, ela deu uma gargalhada. A aula de biologia terminou e todos estavam saindo apressados pro intervalo. Eu continuei sentada ali. Não estava mesmo com vontade de sair dali. Não estava com vontade de sair de casa. Ou da minha cama. A verdade é que não prestei atenção nenhuma na aula, só pensava no anjo. No meu anjo. No anjo que havia me salvado. Agora ele estava tão perto. O lado bom de pensar nele é que deixei um pouco de lado esse meu “drama” com o Stefan. Estava sozinha na sala quando a porta se abriu. Era ele. Meu coração bateu forte.

- Gosta tanto assim da sala de aula? – Ele deu um sorriso de canto.

- Ah.. Não estou com vontade de sair. – Dei um sorriso falso.

- Qual é.. – Não respondi nem o olhei. Ele resolveu parar de brincar. – Vou te fazer companhia. – Senti de vontade de sorrir.

- Vai responder minha pergunta? – Ele ficou sério.

- Que pergunta?

- Nos conhecemos de algum lugar? – Eu o encarei.

- Sim.- EU SABIA! – Você estava se afogando e eu a salvei. Pronto.

- Como assim pronto? Eu poderia ter morrido. Queria muito te agradecer mas você sumiu do hospital.

- Eu sei. Sinto muito. Precisava resolver umas coisas e também imagino que seus pais quisessem passar um tempo com você. Não quis incomodar.

- Tudo bem, eu entendi. Mas sério.. Obrigada.

- Você me deve uma. – Sorrimos.

- Então, Damon.. Está gostando do colégio?

- Gostando? Cara, eu queria estar na minha cama agora! Quero férias! – Eu sorri.

- Somos dois.

- Me diz uma coisa.. O que estava fazendo na praia uma hora daquela? E o que te deu na cabeça pra entrar na água?

- Olha, não quero falar sobre isso. – Eu abaixei a cabeça. Ele me deu um cascudo leve.

- Bom.. Desculpe.

- Tudo bem. – O silêncio desconfortável invadiu o lugar.

- Elena.. Eu.. – O sinal tocou. Todos entraram na sala. Ele sorriu pra mim e voltou ao seu lugar. Bonnie nos viu e abriu a boca. Fez aquele velho escandalozinho.

- ELE VEIO FALAR CONTIGO? QUÃO SORTUDA VOCÊ É?

- Ele só estava sendo agradável. Porque eu não sai da sala e tal.

- Eu quero que ele seja agradável com a minha pessoa também. – Eu sorri.

A hora da saída chegou. Todos se levantaram pra ir embora, inclusive Damon. Queria ir atrás dele mas não tive coragem. Resolvi ir pra casa. Quando cheguei me joguei na cama e dormi facilmente.

- Não.. Não.. Por favor..

- Elena? Elena! – Minha mãe estava ao meu lado da cama. Estava tendo pesadelos. De novo.

- Estava tendo um pesadelo não é?

- Sim, mãe.

- Tudo bem, querida. Está tudo bem. – Ela me abraçou. Senti uma paz enorme. – Vim lhe dizer que tem um rapaz à sua procura. Ele está esperando lá embaixo. Não demora. – Ela me deu um beijo na cabeça.

Provavelmente devia ser o Kol. Mas por que mamãe falou “rapaz”? Fui me trocar. Ainda estava de farda. Coloquei uma saia jeans e uma camisa preta de mangas compridas, tinha começado a chover e estava frio. Desci as escadas e..

- Oi. – Ele disse sorrindo.

- Damon.. Como descobriu onde eu morava?

- Cidade pequena.

- O que faz aqui?

- Ai! – Ele sorriu de novo.

- Desculpe. Não quis ser grossa. MAS.. O que faz aqui?

- Eu vim te chamar pra sair mas pelo visto.. – Olhamos pra janela ao mesmo tempo. A chuva estava forte.

- Ah.. Quer comer alguma coisa ou sei lá?

- Não, obrigado.

- Então vem, vamos subir. – O quê? Eu estava chamando ele pro meu quarto?

- Então esse é o seu refúgio? – Fiz uma careta.

- Fala como se eu fosse uma deprimida que não sai do quarto.

- Foi o que pareceu lá na escola.

- Bom, não sou sempre assim. É que meu verão.. – Hesitei. – Digamos que ele ainda mexe comigo.

- Alguém te magoou?

- É.

- Uma hora isso passa. Acredite.

- Eu espero. — Sorri.

Ele foi em direção a minha pilha de CD’s e pegou o que estava em cima.

- RHCP? Olha.

- O que tem?

- Eu curto. – Ele continuou olhando os outros CD’s e eu o olhava. Cara, não era exagero da Bonnie. Ele era lindo. Ele veio em direção a minha cama e sentou-se.

- Você parece ser durona e fechada mas é só uma máscara.

- Por que diz isso?

- Sou um bom observador.

- Devo culpar meu verão novamente.

- Não está na hora de seguir em frente e esquecer esse passado doloroso?

- Foi doloroso mas foi especial, sabe? – Eu estava desabafando com um cara que tinha acabado de conhecer. Uou.

- Eu sei como é. Mas viva a vida. Deixe pra trás. – Nos olhamos. Ele se aproximou. Hesitei. – Desculpe.

- A chuva já deve ter parado. Acho melhor você ir.

- Tudo bem. – Ele se levantou. Parou na porta do quarto. – Elena? – Levantei a cabeça. – Falo sério.. Viva a vida. – Ele piscou.