Turnaround
12 Anjo
Espera.. Espera.. Aqueles olhos.. Esses olhos.. Eu já os vi em algum lugar. Sim! Claro que eu vi! Foi ele! É o meu anjo! É ele!
- Nos conhecemos de algum lugar? – Falei com receio. E se eu estivesse delirando?
O sinal tocou. Ele me entregou dois dos livros que haviam caído e sorriu. Foi em direção à sala. Não respondeu minha pergunta, o que me deixou intrigada. Entrei na sala e me sentei ao lado de Bonnie. A professora de biologia entrou na sala.
- Bom dia meus queridos! Sentiram minha falta? – Todos começaram a rir. De repente meu celular vibrou. Era uma nova mensagem de texto da Bonnie.
“C-A-R-A! O QUE ELE É? UM DEUS?”
“Presta atenção na aula e para de paquerar o novato.”
Estava do lado dela e ela insista em continuar mandando mensagens.
“Dá um desconto vai! Não achou ele um gato?”
Olhei pra ela e sussurrei um “para com isso”, ela deu uma gargalhada. A aula de biologia terminou e todos estavam saindo apressados pro intervalo. Eu continuei sentada ali. Não estava mesmo com vontade de sair dali. Não estava com vontade de sair de casa. Ou da minha cama. A verdade é que não prestei atenção nenhuma na aula, só pensava no anjo. No meu anjo. No anjo que havia me salvado. Agora ele estava tão perto. O lado bom de pensar nele é que deixei um pouco de lado esse meu “drama” com o Stefan. Estava sozinha na sala quando a porta se abriu. Era ele. Meu coração bateu forte.
- Gosta tanto assim da sala de aula? – Ele deu um sorriso de canto.
- Ah.. Não estou com vontade de sair. – Dei um sorriso falso.
- Qual é.. – Não respondi nem o olhei. Ele resolveu parar de brincar. – Vou te fazer companhia. – Senti de vontade de sorrir.
- Vai responder minha pergunta? – Ele ficou sério.
- Que pergunta?
- Nos conhecemos de algum lugar? – Eu o encarei.
- Sim.- EU SABIA! – Você estava se afogando e eu a salvei. Pronto.
- Como assim pronto? Eu poderia ter morrido. Queria muito te agradecer mas você sumiu do hospital.
- Eu sei. Sinto muito. Precisava resolver umas coisas e também imagino que seus pais quisessem passar um tempo com você. Não quis incomodar.
- Tudo bem, eu entendi. Mas sério.. Obrigada.
- Você me deve uma. – Sorrimos.
- Então, Damon.. Está gostando do colégio?
- Gostando? Cara, eu queria estar na minha cama agora! Quero férias! – Eu sorri.
- Somos dois.
- Me diz uma coisa.. O que estava fazendo na praia uma hora daquela? E o que te deu na cabeça pra entrar na água?
- Olha, não quero falar sobre isso. – Eu abaixei a cabeça. Ele me deu um cascudo leve.
- Bom.. Desculpe.
- Tudo bem. – O silêncio desconfortável invadiu o lugar.
- Elena.. Eu.. – O sinal tocou. Todos entraram na sala. Ele sorriu pra mim e voltou ao seu lugar. Bonnie nos viu e abriu a boca. Fez aquele velho escandalozinho.
- ELE VEIO FALAR CONTIGO? QUÃO SORTUDA VOCÊ É?
- Ele só estava sendo agradável. Porque eu não sai da sala e tal.
- Eu quero que ele seja agradável com a minha pessoa também. – Eu sorri.
A hora da saída chegou. Todos se levantaram pra ir embora, inclusive Damon. Queria ir atrás dele mas não tive coragem. Resolvi ir pra casa. Quando cheguei me joguei na cama e dormi facilmente.
- Não.. Não.. Por favor..
- Elena? Elena! – Minha mãe estava ao meu lado da cama. Estava tendo pesadelos. De novo.
- Estava tendo um pesadelo não é?
- Sim, mãe.
- Tudo bem, querida. Está tudo bem. – Ela me abraçou. Senti uma paz enorme. – Vim lhe dizer que tem um rapaz à sua procura. Ele está esperando lá embaixo. Não demora. – Ela me deu um beijo na cabeça.
Provavelmente devia ser o Kol. Mas por que mamãe falou “rapaz”? Fui me trocar. Ainda estava de farda. Coloquei uma saia jeans e uma camisa preta de mangas compridas, tinha começado a chover e estava frio. Desci as escadas e..
- Oi. – Ele disse sorrindo.
- Damon.. Como descobriu onde eu morava?
- Cidade pequena.
- O que faz aqui?
- Ai! – Ele sorriu de novo.
- Desculpe. Não quis ser grossa. MAS.. O que faz aqui?
- Eu vim te chamar pra sair mas pelo visto.. – Olhamos pra janela ao mesmo tempo. A chuva estava forte.
- Ah.. Quer comer alguma coisa ou sei lá?
- Não, obrigado.
- Então vem, vamos subir. – O quê? Eu estava chamando ele pro meu quarto?
- Então esse é o seu refúgio? – Fiz uma careta.
- Fala como se eu fosse uma deprimida que não sai do quarto.
- Foi o que pareceu lá na escola.
- Bom, não sou sempre assim. É que meu verão.. – Hesitei. – Digamos que ele ainda mexe comigo.
- Alguém te magoou?
- É.
- Uma hora isso passa. Acredite.
- Eu espero. — Sorri.
Ele foi em direção a minha pilha de CD’s e pegou o que estava em cima.
- RHCP? Olha.
- O que tem?
- Eu curto. – Ele continuou olhando os outros CD’s e eu o olhava. Cara, não era exagero da Bonnie. Ele era lindo. Ele veio em direção a minha cama e sentou-se.
- Você parece ser durona e fechada mas é só uma máscara.
- Por que diz isso?
- Sou um bom observador.
- Devo culpar meu verão novamente.
- Não está na hora de seguir em frente e esquecer esse passado doloroso?
- Foi doloroso mas foi especial, sabe? – Eu estava desabafando com um cara que tinha acabado de conhecer. Uou.
- Eu sei como é. Mas viva a vida. Deixe pra trás. – Nos olhamos. Ele se aproximou. Hesitei. – Desculpe.
- A chuva já deve ter parado. Acho melhor você ir.
- Tudo bem. – Ele se levantou. Parou na porta do quarto. – Elena? – Levantei a cabeça. – Falo sério.. Viva a vida. – Ele piscou.
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