Turnabout Land
3 Capítulo 3
Maya e eu tínhamos acabado de chegar ao Centro de Detenção. Já fazia algum tenho que eu não visitava aquele lugar... Mas ele continuava o mesmo. As mesmas paredes pretas entediantes, o mesmo vidro separando-me de meu cliente, o mesmo policial cuidando do lugar enquanto tirava a mesma soneca.
- Eu estou perdido! – eu ouvi alguma voz, lá dentro, gritando – Eu estou tão ferrado como um Parasect contra um Charizard! Um Parasect sem Spore, ainda por cima! Eu me sinto uma Magikarp fora d’água! Um Feebas sem PokéBlocks de Beauty! Um Marowak sem Thick Club! Um Geodude tomando Surf de Kyogre! Eu vou morrer!
- Nick... – disse Maya, apavorada – De quem é essa voz assustadora?
- Ela está vindo do outro lado do vidro. Então só pode ser... Nosso cliente, Deagá.
E como eu me arrependia de estar certo neste momento. Afinal de contas, por que eu sempre tenho que defender os clientes malucos?
- Vocês... Como vocês sabem meu nome?! – ele perguntou, espantado – E o que fazem aqui, visitando alguém tão culpado quanto uma Blissey agüenta golpes especiais?!
Ele finalmente se mostrou por trás do vidro. Deagá era realmente uma figura bizarra. Ele vestia um jaleco que, supostamente deveria ser branco, mas estava todo sujo e rasgado, como se ele tivesse acabado de passar uma temporada na floresta, sem qualquer contato com a civilização. Isso ficou mais evidente quando eu percebi que pedaços do dito jaleco estavam remedados com folhas e cipós. Mas, mais impressionante que o selvagem jaleco, era a cabeça de meu cliente: ela era tão grande que eu sentia que poderia me engolir a qualquer momento.
- Eu sou Phoenix Wright, advogado de defesa e...
- Você é O Phoenix Wright?! Aquele que diz.... OBJECTION! ? – ele perguntou, virando-se para sua esquerda, esticando seu braço e apontando para o nada. Eu nunca imaginei que eu ficava tão ridículo apontando para os outros...
- Sim, esse sou...
- Estou salvo! Agora eu é que me sinto como um Charizard com Belly Drum e Salac ativados, que sabe Fire Punch, contra um time de 6 Parasects com Dry Skin.
- Meu Deus, como eu vou conseguir defender isso...? – eu falei para mim mesmo
- Nick! Não fique assim! – disse Maya, alegre – Você tem que ficar feliz que nem seu cliente. Ele acredita em você!
- Mas como você...? – eu perguntei – Ah... não me diga que você entendeu o que ele disse?!
- Mas é claro que sim, Nick!
- Eu não acredito nisso...
E, até hoje, ainda não acredito. Como é possível que, no mundo, existam pessoas capazes de se comunicar usando frases como “Agora eu é que me sinto como um Charizard com Belly Drum e Salac ativados, que sabe Fire Punch, contra um time de 6 Parasects com Dry Skin.”? Bom, o importante é que tais pessoas existiam, mas felizmente Maya era uma delas. Eu iria precisar dela para traduzir tudo o que esse cliente bizarro dissesse.
- Bom, sr. Deagá – eu disse – Poderia me contar o que aconteceu na noite do assassinato?
- Ah, certo. Pois bem... – ele começou – Na tarde de ontem, eu recebi uma Mensagem Particular pela Comunidade. O remetente era o fake de alguém e...
- Espere um pouco – eu o interrompi – Um fake? O que você quer dizer?
- Uma segunda conta que alguém fez. É como um Pokémon de verdade e um Ditto transformado nesse Pokémon; o Ditto é o Fake!
- Erm, ok. Eu entendi. – eu menti, após ouvir essa história de Dittos. Apesar de que eu tinha certeza de que minha expressão facial tornou óbvio que eu ainda estava confuso.
- Se é assim que você diz, – ele prosseguiu – Eu sabia que era um fake porque o membro que me enviou essa mensagem havia se registrado apenas ontem mesmo e não tinha nenhum post. Mas ele sabia que eu era.
- Como assim?
- Ele sabia exatamente a melhor forma de ameaçar. E o jeito como a mensagem estava escrita implicava que ele me conhecia. Sem falar que o username dele, ABCDEF indica obviamente alguém que está fazendo um fake. Quer dizer, um username desses é tão idiota quanto jogar Alakazam num Weavile!
- É, eu tenho certeza de que esse username é tão idiota quanto isso. Mas o que esse bilhete dizia?
- Ele me mandava ir sozinho à cena do crime de noite e...
- À cena do crime? Então ele avisava que um assassinato iria ocorrer?
- Não, não! Eu apenas disse isso porque achei desnecessário citar o nome do local. Afinal, foi lá que o assassinato ocorreu, então vocês terão muito mais facilidade em achá-lo perguntando pela cena do crime. É que nem um Tyranitar; você pode procurar por ele tanto como Tyranitar, que gasta bem mais tempo para falar, ou T-tar, que é bem mais rápido. Eu escolhi o “caminho T-tar”, entende?
- Ah, claro...
- A parte mais assustadora é que o vem depois. Seja lá quem escreveu essa mensagem, ele disse que deletaria o Dojo Pokémon inteiro se eu não fosse a onde ele me mandou ir!
- O... Dojo Pokémon?
- NICK! – gritou Maya, raivosa e me estapeando – Peço desculpas, Deagá, mas o Nick é um tremendo sem-cultura! Nick, o Dojo Pokémon é a parte da Comunidade PokéLand destinada à realização de campeonatos Pokémon!
- Certo, certo. Então você cumpriu as instruções para salvar o Dojo, é isso?
- Sim. Eu não poderia deixar que esse cara destruísse o Dojo! Isso seria destruir os sonhos de todos novos treinadores Pokémon da Comunidade!
- Huh, ok.
- Pois bem, então eu fui encontrar esse cara. O tópico onde nós...
- Tópico?
- É como se fosse uma salinha dentro do Dojo, onde as pessoas podem deixar mensagens para discutir os mais variados assuntos. Cada prédio da PokéLand tem vários tópicos.
- Ah, certo.
- Pois bem, eu esperei anoitecer para ir ao local de encontro. Era uma noite assustadora. Parecia que eu estava bem no meio de um ataque Dark Void de um Darkrai...
- Quê?
- Estava muito escuro, Nick! – Maya traduziu
- O que ela disse. Chegando lá, eu encontrei algo mais surprendente que um Alakazam com Choice Band: GBcrazy estava lá, naquele tópico remoto!
- A vítima!
- Ele me disse, na hora, que não era para eu tê-lo encontrado... O que é estranho, já que a Mensagem Privada basicamente marcava um encontro comigo. Ele disse que queria apenas se assegurar de que nada de ruim acontecesse...
- Nada de ruim?
- Oras, o bilhete me mandava ir sozinho a um tópico remoto. Eu estava tão vulnerável como um Caterpie contra um Staraptor nessa situação. Talvez ele tenha ido lá por estar preocupado comigo?
- Mas como ele saberia do encontro? Se era uma mensagem privada, seria impossível ele saber disso...
- Eu também não faço idéia. O importante é que, assim que eu entrei no tópico, ele fez uma cara de aterrorizado. Essa expressão... Eu acho que nunca poderei esquecê-la.
- Aterrorizado? Mas por quê?
- Eu apenas me lembro de ele dizer “Atrás de v...!” e então...! – ele parou subitamente. Fechou os olhos fortemente, virou-se para o chão. Apenas lembrar daquele momento o assustava.
- Deagá, eu sei que essa é uma memória horrível – eu disse – Mas eu preciso saber exatamente o que aconteceu.
- Eu ouvi um BANG! ensurdecedor, vindo de trás de mim. Eu... eu senti a bala passado pertíssimo de mim, entre meu braço e meu corpo. E então... A Critical Hit! Ela atingiu GBcrazy... Direto em seu coração, eu acredito. Quem diria que, apesar de Bullet Seed ser tão patético, uma bala de verdade seria tão destrutiva? – ele disse, triste. Mas que tipo de surpresa é uma bala de verdade matar alguém?
- Então você quer dizer que, seja quem for o verdadeiro assassino, ele apareceu atrás de você e atacou o GBcrazy?
- Sim. Depois eu só me lembro de algo acertar minha cabeça e eu ficar inconsciente. Quando acordei, a polícia estava no local e eu fui preso como suspeito.
- Deagá... – eu disse – Muito obrigado pela sua cooperação. Eu sei que lembrar disso tudo deve ser difícil para você, mas é importante que eu entenda o caso como um tudo.
- Sem problemas, sr. Wright. Eu sei que agora parece que eu estou sob o efeito de um Nightmare, mas, agora que o senhor apareceu, eu sei que é só uma questão de tempo até eu acordar!
- É, claro... – eu respondi – Agora eu e a Maya temos de ir embora para investigar a cena do crime. Mas talvez voltemos em breve para fazer mais algumas perguntas.
- Não se preocupe, Deagá! – disse Maya, com um gigante sorriso em sua boca – Nós sabemos que você não matou seu amigo e vamos provar isso amanhã!
- ... – ele fez uma pausa. Pela primeira vez em toda nossa conversa, fez um sorrisinho minúsculo – Muito obrigado.
Maya e eu nos despedimos de Deagá e fomos de volta à PokéLand. Apenas pela metade do caminho eu me lembrei, porém, de que pela primeira vez em sua vida, o Detetive Gumshoe não nos deixou chegar nem remotamente perto da cena do crime; ele nos barrou antes de entrarmos na Comunidade! Mas eu já tinha aceitado o caso. Eu tinha de entrar na PokéLand de alguma forma!
Notas finais
Se nunca deixarem Reviews eu nao posto mais a fic u.u!
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