Turnabout Land

6 Capítulo 6


CAPÍTULO 6

- Phoenix, para que esse desespero todo? – me perguntou uma voz, antes de Shinji subir ao banco de testemunhas.

A única pessoa que poderia estar no lugar de onde veio essa voz era Maya. E, realmente, quem falou comigo era Maya – mas, ao mesmo tempo, também não era. Seu corpo havia se modificado, estava mais adulto. Esse era o grande poder de Maya: incorporar espíritos. Neste caso, Maya estava incorporando o espírito de sua irmã mais velha e também minha eterna mentora: Mia Fey.

- Seu cliente é inocente, não é? – ela continuou.

- É claro que ele é – eu respondi – Mas contra essa pilha de evidências, eu não tenho a menor chance!

- Phoenix, enquanto a verdade estiver ao seu lado, não há o que temer. E qual você acredita que é a verdade neste caso?

- Que alguma outra pessoa atirou em GBcrazy, por trás de Deagá, e então fugiu da cena do crime.

- Então prove isso. Prove a possibilidade de haver uma terceira no local do crime, Phoenix!

- Eu sinto muito por ter de interromper a conversa – interveio Edgeworth – mas seria muito interessante se a defesa parasse de fofocar e deixasse a testemunha depor sobre o crime. Não concorda, Meritíssimo?

- Uma excelente sugestão, Sr. Edgeworth! – respondeu o Juiz, eufórico – A defesa abster-se-á de fofocar durante o julgamento!

Fofocar? Mia estava apenas me dando um tão necessário apoio moral. Mas eles estavam certos em um ponto; já era hora de Shinji falar alguma coisa Ele estava no banco de testemunhas, segurando seu notebook, já fazia algum tempo.

- Testemunha, por favor, diga-nos seu nome e profissão. – disse Edgeworth

- Eu sou Ikari Shinji – ele respondeu – Minha profissão? Huh, você poderia dizer que sou um ex-treinador Pokémon, mas agora eu me empenho mais em estudar computação mesmo.

- Foi você quem encontrou o corpo e o réu na Oficina Web++, correto, Sr. Shinji?

- Sim.

- Por favor, conte-nos tudo o que puder sobre esse ocorrido.

- Eu estava perambulando pela Oficina Web++ — disse a testemunha – Quando encontrei um tópico trancado. Eu achei isso muito estranho, já que ninguém nunca posta na Oficina Web++ em primeiro lugar.

- HOLD IT! – eu interrompi – O que você quer dizer com “ninguém nunca posta na Oficina Web++ em primeiro lugar”?

- Ninguém deixa mensagens nos tópicos de lá. Ninguém cria tópicos lá. Ninguém faz nada lá. – Shinji respondeu – É apenas um lugar morto, que ainda existe sei lá por quê. Em todo caso, eu decidi investigar esse tópico misterioso. Eu conectei meu notebook ao sistema e comecei a hackeá-lo, para destrancar o tópico.

- Ei, ei, ei! Espere um segundo! – interveio o Juiz – O senhor hackeou o sistema? Isso não é um crime?

- OBJECTION! – interveio Edgeworth – Meritíssimo, isso é apenas considerado um crime se o ato de hackear o sistema for usado para obter informações confidenciais. Neste caso, a testemunha o usou para descobrir a cena de um crime. Não há nenhum crime nisso.

- HOLD IT! – eu interrompi – Mas então, por que a testemunha estava vagando pela Oficina Web++, se ele mesmo afirmou que o local é completamente morto?

- É um sub-fórum sobre informática – Shinji respondeu – Eu estava apenas lendo sobre computadores lá. Afinal, esse é o meu hobby. Quando achei o tópico trancado, apenas vi nele uma chance de exercitar meu hobby ainda mais.

- Ele não parece estar escondendo nada, Phoenix. – disse Mia.

- Eu sei, ele apenas encontrou a cena do crime. Eu queria apenas saber se havia algum motivo particular para ele estar naquele lugar naquela hora... Nunca se sabe.

- Mas agora é hora de procurarmos informações em outros pontos, não? – ela perguntou.

- Sim, Chefe!

- Se a defesa permitir, podemos continuar com o depoimento? – sugeriu Edgeworth, ironicamente.

- Ah, claro. – eu respondi, envergonhado e com cara de tacho.

- E então, no tópico, eu encontrei tudo que o Detetive descreveu anteriormente. Mais nada.

- Sr. Edgeworth – disse o Juiz – Esta testemunha apenas repetiu o que o Detetive Gumshoe nos disse anteriormente. Eu dificilmente chamaria esse rapaz de “testemunha decisiva”!

- Ora, ora, Meritíssimo – respondeu Edgeworth, balançando seu dedo indicador ao lado de sua testa – O Sr. Shinji ainda tem muito mais o que falar. – ele abriu seus braços e deu um sorriso confiante – Antes que a defesa faça alguma afirmação absurda como “E se houvesse uma terceira pessoa na cena do crime?”, Shinji estabelecerá que essa possibilidade não existe. E, então, a culpa do réu será estabelecida completamente!

- Oh, eu entendo! – disse o Juiz – Pois bem, vamos logo a esse depoimento decisivo.

- Certamente, Meritíssimo – disse Edgeworth, curvando-se para o Juiz – Sr. Shinji, por favor, explique-nos todas as propriedades de tópicos trancados e também sobre como ninguém pode invadir um tópico nesse estado. – ele disse, balançando seu dedo indicador esquerdo.

- Edgeworth está afiado como sempre, não acha, Phoenix? – perguntou Mia.

- Afiado até demais, eu diria. Ele vai derrubar nossa única chance de vitória antes mesmo de podermos usá-la!

- E esta é sua grande chance de virar este caso.

- ...!

Eu finalmente percebi o que Mia estava planejando. Deagá havia me dito que uma terceira pessoa foi quem atirou em GBcrazy. Se ele era inocente, então essa era a verdade. Se Shinji iria depor afirmando que esse atirador não existe... Então haveria algum buraco no depoimento dele. Alguma contradição! E eu teria de achá-la. Era minha única chance!