Turnabout Land
10 Capítulo 10
- Esta corte está novamente em sessão para o julgamento de Deagá! – anunciou o Juiz – Antes do intervalo, um veredicto quase foi obtido, mas uma nova testemunha surgiu. Agora, devo perguntar: Sr. Edgeworth, o senhor considera esta testemunha bizarra apta a depor?
Foi apenas então que eu percebi que Edgeworth estava caído sobre sua mesa. Ele não aparentava mais ter aquela autoconfiança de sempre.
- Esta testemunha clama ser capaz de ouvir e ver como uma pessoa normal, Meritíssimo. – ele respondeu – Mas eu fui incapaz de compreender o que ele testemunhou.
- Incapaz de compreendê-lo? – perguntou o Juiz, surpreso – Explique-se, Sr. Edgeworth.
- O que ele diz ter visto não faz sentido. Aliás, quase tudo que esse computador diz não faz sentido! — Edgeworth finalmente se levantou e bateu em sua mesa com sua palma direita – Uma testemunha como essa não é capaz de depor num Tribunal de Justiça!
- Compreendo. – disse o Juiz – Nesse caso, não vejo mais necessidade de prolon...
- OBJECTION! – eu protestei – A defesa ainda gostaria de ouvir a testemunha!
- OBJECTION! – Edgeworth retrucou – Mas essa testemunha fala de uma forma que parece outra língua. Ele é incompreensível!
- OBJECTION! Ao menos me dê uma chance de tentar entendê-lo!
- Esta testemunha realmente parece ser duvidosa – disse o Juiz, batendo seu martelo uma só vez – Mas devo concordar com o Sr. Wright em que a defesa merece ao menos uma chance de tentar compreendê-la. Sr. Edgeworth, Abra irá depor para este tribunal! Mas Sr. Wright, fique avisado de que, caso não consiga compreender o que esse computador quer dizer, este julgamento está acabado! – o Juiz bateu seu martelo uma vez novamente.
O tribunal se silenciou durante os poucos segundos que Shinji usou para colocar seu notebook sobre o banco de testemunhas. Uma vez que Abra fora ligado, porém, o julgamento prosseguiu normalmente.
- Testemunha, diga-nos seu nome e profissão. – disse Edgeworth.
- eu tenho um nº de serie idiota q eu nem lembro, mas acho q vc pode me chamar de Abra mesmo. – o bot respondeu — como profissao, acho q bot jah basta, ne?
- Era exatamente disto que eu estava falando, Meritíssimo! A testemunha já está beirando o incompreensível! – Edgeworth disse, indignado.
- Realmente, Sr. Edgeworth, esta testemunha...
- OBJECTION! – eu protestei – A defesa ainda gostaria de interrogar a testemunha. Eu ainda tenho a minha única chance, Meritíssimo.
- Certo, Sr. Wright. Mas se não conseguir encontrar nada produtivo interrogando esta testemunha, este é o fim para seu cliente!
- Entendido, Meritíssimo.
- Como a defesa insiste tanto em interrogar esta testemunha – disse Edgeworth – Acredito que seja necessário compreendermos como um programa de computador é capaz de ver e escutar. Testemunha, deponha sobre como você é capaz de ter os sentidos humanos sendo um programa de computador!
- certo – o computador “disse” – eu sou um notebook equipado com uma camera e um microfone, oras. e tb tenho os programas necessarios para entender os dados que esses programas enviam. com a camera e o microfone, eu sou capaz de ouvir e ver!
- HOLD IT! – eu interrompi – Essa câmera e microfone têm aproximadamente que alcance?
- os mesmos de um ouvido e olho humanos iirc
- OBJECTION! – Edgeworth protestou – “iirc”? Por favor! Wright, se você diz entender o que esta testemunha diz, explique o significado disso!
Mas é claro que eu não sabia o que aquilo significava. Eu, sendo um advogado, mal conseguia “traduzir” todos os termos legais que encontrava pela frente. Entender o que um computador dizia, então, era inimaginável. Ainda bem que eu não estava sozinho naquele momento.
- Erm... – eu disse, com minha mão esquerda atrás do meu pescoço – A testemunha quer dizer que...
- É muito fácil, Nick! Ele quis dizer “if I remember correctly”, ou “Se eu me lembro direito”!
Aquela voz... Não era Mia, mas sim Maya! Eu não havia reparado, mas Mia provavelmenteseguira o pedido de Deagá e tinha deixado o corpo de Maya. E isso acabou sendo extremamente útil, já que eu precisaria de Maya para traduzir o que essa testemunha dissesse.
- A testemunha quer dizer que o alcance de sua câmera e de seu microfone são os mesmos de um olho e ouvido humanos, se ele está se lembrando corretamente, Meritíssimo. – eu disse.
- Hmm, isso está correto, testemunha? – perguntou o Juiz, pensativo.
- eh, vc pode dizer q sim. mas dizer “iirc” eh bem mais leet!
- OBJECTION! – Edgeworth novamente protestou — “Leet”? Mas que diabos é isso?!
- Nick! Ele quer dizer que isso “é bem mais legal!” – Maya foi rápida em traduzir.
- Legal! Ele quer dizer que falar “iirc” é mais legal do que falar “se eu me lembro direito”! – eu respondi.
- Hmm, eu não fui avisado de que era ilegal dizer “Se eu me lembro direito”! – disse o Juiz, espantado – Melhor adotar esse novo termo, iirc, logo!
- Não, Meritíssimo – eu respondi, com uma expressão que gritava “DECEPÇÃO” – É “legal” no sentido de “divertido”.
- Ah, sim. Devo admitir que usar palavras confusas que ninguém entende soa muito divertido! – o Juiz respondeu, mais animado que de costume. – Sr. Edgeworth, acredito que já tenhamos estabelecido como esta testemunha é capaz de ouvir e enxergar, correto?
- Correto, Meritíssimo. – respondeu Edgeworth, curvando-se para o Juiz – Agora sim o verdadeiro depoimento começará. Abra, deponha sobre tudo o que viu relativo ao assassinato!
Edgeworth estava certo; o depoimento de Abra realmente só iria começar agora. Mas eu já me sentia numa posição melhor. Afinal, com a ajuda de Maya, eu fui capaz de provar que Abra era uma testemunha compreensível. Aliás, se Edgeworth não entendera o que Abra havia dito anteriormente, era bem capaz que ele próprio não tivesse idéia do que o bot viu... Essa era minha chance!
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