Turnabout Fire

6 Capítulo 5: Soldado Bryan?


26 de Outubro, 01:21 da tarde

Distrito Shang Yi

Sala de Julgamento número 2

Quando eu e meu filho voltamos para a sala de julgamento, ela estava estranhamente silenciosa. Tinha uma certa atmosfera de nervosismo, era verdade. Seria tensão sobre o quê o próximo testemunho revelaria?

Andamos silenciosamente até nossos lugares quando entramos. O juiz ainda não estava em seu lugar, mas Roxanne já estava esperando em sua bancada. Ela fazia as unhas: e eu pensando que aquele vermelho berrante não poderia ficar mais vermelho! Acho que me enganei. Ela também tinha aberto sua jaqueta azul, e agora era possível ver que ela usava uma blusa púrpura com os dizeres “I am the girl” bordado em dourado. Embora estivesse fazendo as unhas, ela parecia meio nervosa. Ela mordia o próprio lábio inferior e sua mão tremia levemente. Isso era um bom sinal pra mim...espero.

O juiz finalmente chegou. Embora não houvesse ninguém falando nem nada, ele bateu o martelo mesmo assim, sério.

- A corte aqui voltará á sessão. Srta. Roxanne, poderia por favor chamar sua próxima testemunha?

Roxanne congelou no ato de pintar as unhas e fechou os olhos. Lentamente colocou o esmalte e o pincel sobre a mesa e abriu os olhos devagar. Então, incrivelmente, ela passou a mão nos cabelos e me encarou com o olhar superior.

- A promotoria chama sua próxima testemunha...o vigia noturno do banco MBOX.

OK, era hora. Eu me adiantei na bancada e prestei atenção. Os passos da testemunha se dirigindo para seu lugar ecoaram naquela sala, tal o silêncio que foi feito.

O homem que apareceu diante de nós era graúdo e forte, meio careca e dono de um considerável bigode. Seus olhos negros pareciam sinceros mas atentos, olhando para todos os lados quando tomou seu lugar. Usava roupas de camuflagem, daquela que soldados geralmente usam. Se eu fosse levar só pela impressão, ele não parecia um homem tão mal: embora atento, estava tranqüilo e composto.

- Testemunha, nome e ocupação. – Roxanne começou com a pergunta de sempre.

- ...perdoe-me, querida, repita, por favor. – Foram as primeiras palavras da testemunha. Urk.

- Nome! Ocupação! – Repetiu Roxanne em tom bem mais brando.

- NÃO GRITE COM OS MAIS VELHOS! QUE FALTA DE RESPEITO! – Ele replicou, muito mais alto do que Roxanne tinha falado. Ela bateu na testa com a palma da própria mão.

- Eu tinha dito que essa era a primeira coisa que eu ia perguntar...

- ..Hein?

Dessa vez Roxanne não respondeu á testemunha. Em vez disso, ela levantou os óculos e olhou diretamente para a testemunha, ameaçadora, exatamente como ela fez com a detetive Gumshoe. Agora que eu conseguia ver como aqueles olhos verdes podiam parecer...ameaçadores!

- B-Bryan Hawk, vigia noturno! – Ele respondeu, apressadamente, depois dessa.

- Você é o vigia noturno do banco MBOX, sim? – O juiz perguntou, para clarificar isso de uma vez por todas.

- S-Sim, Meritíssimo, eu sou.

- Você...parece mais um soldado para mim. – As palavras escaparam-me da boca. O homem riu.

- Ah, sim, bom...eu fui um soldado até dois meses atrás. Mas precisei me retirar.

- Precisou se retirar? – Eu perguntei. Agora que tinha começado, talvez fosse bom ouvir um pouco mais sobre o assunto.

- ...desculpe-me, o quê?

Ou não.

- Acho que é óbvio por que o Sr. Hawk foi obrigado á se retirar. – Roxanne falou, rindo-se. – Como é facilmente perceptível, a idade andou atrapalhando os sentidos dele e...

- EI! EU OUVI ISSO! MINHA AUDIÇÃO ESTÁ MUITO BOA, OUVIU!? MUITO! ASSIM COMO MINHA MIRA, VISÃO, CRIPTOGRAFIA, CAPACIDADE DEDUTIVA, CRIAÇÃO DE CÓDIGOS, TUDO!!

- Não podemos reclamar de sua habilidade de gritar também. – Comentou o juiz, com a mão nos ouvidos. – Mas acho que prolongamos conversas não-relacionadas com o caso até demais. Testemunha, por favor fale sobre o quê você viu.

- Muito bem, Meritíssimo...

TESTEMUNHO

- Eu estava no meio do trabalho, olhando em cada canto do banco.

- E então, quando eu estava passando pela entrada, foi que eu notei.

- Tinha alguém tentando arrombar a porta do banco! Essa pessoa era a ré aqui.

- Mas, antes que eu pudesse agir, um cidadão avançou contra ela e tentou acertá-la!

- Foi quando ele magicamente começou a pegar fogo! Eu mal acreditei!

- Eu imediatamente chamei a polícia para reportar o que havia acontecido.

- Eles não tardaram a chegar, ainda bem: chegaram 5 minutos depois.

O juiz estava estarrecido. Roxanne perdera um pouco de compostura e estava com a mão na testa, parecendo frustrada. A corte estava em total silêncio. Eu mesma não podia acreditar no que ouvia. Só podia ser uma piada..

- O...O que foi? – Ele perguntou, aparentemente inocente. – Alguém falou comigo?

- Juíz...posso? – Eu sorri para o juiz para conseguir uma confirmação de poder começar o interrogatório.

- Á vontade. – Ele respondeu, ainda com a cara um tanto surpresa.

- ...Tsc! – Roxanne não parecia feliz.

INTERROGATÓRIO

- Eu estava no meio do trabalho, olhando em cada canto do banco.

- Você já conhece o banco todo, Sr. Hawk? – Eu perguntei. Eu tinha notado que não sabia bem sobre a disposição do banco. Talvez fosse importante.

- Claro que conheço! Tive que decorar no primeiro dia do novo trabalho! – Ele disse, aparentemente satisfeito. – Além do mais, não é muito complicado. A entrada é um corredor um tanto largo, que vai até uma sala com máquinas de saque e depósito...essas coisas. Há alguns caixas ao lado direito, e depois há outras salas dos oficiais e...uma outra...que não sei em o que é, mas sempre vejo gente chique por lá! – Ele rapidamente se consertou. – Eu diria que o lugar é bem mais largo do que alto.

- Verdade, o banco é meio baixo... – Eu murmurei para mim mesma. Bachshil franziu a testa e cruzou os braços ao ouvir isso. Bom, continuemos.

- E então, quando eu estava passando pela entrada, foi que eu notei.

- PROTESTO!! – A contradição ali era óbvia demais para que eu deixasse passar. – Testemunha, você diz que estava dentro do banco, lá pela entrada, quando testemunhou o crime? É isso que você está dizendo?

- ...é o quê, minha filha? – Ele perguntou, apurando os ouvidos. Urk. Vamos tentar denovo.

- Você disse que estava pela entrada no momento do crime! Pois eu tenho uma foto aqui que pode provar que você não estava! – Eu mostrei a foto que Amber tinha tirado no exato momento do crime para ele. – Como você pode ver, não têm ninguém a vista na entrada!!

Ele ficou em silêncio, olhando para a foto. Eu esperava uma reação dele, mas ele não demonstrou nada.

- Err...perdoe-me se não fui claro de onde eu exatamente estava. Eu estava sim no corredor da entrada, mas...eu estava aqui.

Ele apontou para uma das grandes e extravagantes estátuas que se prostravam ao longo do corredor.

- A-Atrás da estátua? – Meu filho pareceu desanimado.

- Sim, eu estava aqui. Coincidentemente, isso me impediu de ser visto nesta foto, aparentemente. É uma pena. – Ele acrescentou, balançando a cabeça. A promotora pareceu mais aliviada e mandou ele continuar com o testemunho como antes. Eu fiquei novamente atenta: não podia deixar um fato desses me desanimar!

- Tinha alguém tentando arrombar a porta do banco! Essa pessoa era a ré aqui.

- Eu nunca toquei na porta do banco! – Eu clamei, em alto e bom som.

- PROTESTO!! – Roxanne me cortou antes que eu pudesse falar mais. – Onde está sua evidência?

- Ah...hum... – Isso meio que me pegou de surpresa: eu não estava provada para provar isso. – O...O testemunho da senhorita Amber! Ela claramente disse que eu não estava arrombando o banco, eu apenas estava na frente dele.

- Desculpe...claramente? – Roxanne sorria maliciosamente. – Não, ela disse apenas que lhe viu, você não a pressionou tão claramente nesse fato. Hehe...

- M-Mas é verdade! Tenho certeza que ela confirmaria o que digo. – Eu tinha deixado um pouco de meu medo interno transparecer em minha voz. Roxanne com certeza tomou como um sinal de fraqueza, pois sorriu ainda mais.

- Me perdoe, mas o interrogatório da senhorita Snap já foi completo. Não podemos...como se diz...voltar as vacas frias agora, já que se passou tanto tempo no dia.

- O quê!? – Meu filho também estava exasperado.

- Temos tudo o que precisamos através desse testemunho. Por favor tentem cooperar, ou vão parecer maus perdedores. – Roxanne sorriu maliciosamente para mim. Novamente. – Testemunha, continue...

- ...mais hein?

- CON-TI-NU-E!! – Ela gritou, impaciente.

- TAMBÉM NÃO PRECISA GRITAR NÃO!! – Ele bradou em resposta. E depois de um silêncio furioso entre os dois, o homem continuou seu testemunho.

- Mas, antes que eu pudesse agir, um cidadão avançou contra ela e tentou acertá-la!

- O que exatamente esse cidadão usou para atacá-la?

- Hum... – Ele se forçou á pensar. – Foi um bastão. Bem grande. Provavelmente de madeira.

- Mas não foi encontrada nenhuma arma na cena do crime! – Eu repliquei, batendo na mesa. – E nenhuma outra arma nos arredores também. Como isso é possível?!

- PROTESTO!! – Mais uma vez Roxanne me cortou. Balançou a cabeça, embora até parecesse um tanto satisfeita. – Tsc, tsc...ouça bem. A tal arma era de madeira. Agora, você não lembra como você matou a vítima? Queimando-a. E, como vimos aqui, seu fogo é muito forte. Deve ter pulverizado aquele tal bastão de madeira.

- Sim, foi isso que aconteceu. – Confirmou Bryan. – O bastão foi pulverizado no momento em que a ré tacou fogo na vítima.

- Hum...senhor. – O jeito com o qual ele falou me deixou...curiosa. – Você sabe que eu consigo usar fogo?

- ...perdoe-me, pode repetir.

- Como você sabe que eu posso manipular fogo? – Eu repeti, pacientemente.

- Ah! Bom, todo mundo devia saber, certo? – Ele respondeu, coçando a careca. – Afinal, não é um poder muito comum...certo?

Ele notou que nem todo mundo estava seguindo. Acho que consegui pegar uma contradição que eu não estava esperando!

- Me desculpe, senhor... – Eu respondi, apoiando as mãos na minha bancada. – Mas esse fato era desconhecido para a maioria das pessoas da corte até o começo desse julgamento! Como você poderia saber?

- H-Hein? – Ele pareceu meio desconsertado, mas logo se recuperou. – Ora...eu vi você usando seu fogo naquele momento! Por isso que eu sabia...quero dizer, eu sei!

- Sério mesmo? Você acreditou no momento em que viu? Eu discordo. – Eu respondi, triunfante. – A última testemunha que passou por aqui não entendeu o que viu na hora. Estava um tanto perdida. E ainda assim, você parece que sabia a tempos desse fato. Como você explica isso?

- PROTESTO!! – Roxanne. Denovo. É, você entendeu. – Que diferença faz, se ele sabia ou não? Isso não têm nada a ver com o caso! Estamos aqui discutindo o que ele viu na noite do crime! Se ele já sabia que você tinha esse poder, era bônus.

- Hmm...eu não tenho tanta certeza. – Meu filho sussurrou. – Não sei como, mas isso parece importante.

- Enfim, testemunha... – Roxanne certamente não queria perder tempo. — Continue seu, err...testemunho.

- Foi quando ele magicamente começou a pegar fogo! Eu mal acreditei!

- Passamos por essa parte... – Eu comentei. – Próximo.

- Eu imediatamente chamei a polícia para reportar o que havia acontecido.

- Você não é o segurança do banco? Por que exatamente você chamou a polícia? – Eu perguntei. Foi a melhor pergunta que eu pude pensar na hora.

- ...como é?

- Por que você chamou a polícia!? – Roxanne repetiu por mim. Já mencionei que o rosto de boneca de porcelana dela fica estranhamente engraçado quando está com raiva?

- Bem, err, o crime...não era no próprio banco, então não era bem na minha área de influência e...

- Como assim, não era no banco!? – Eu perguntei, surpresa. – Você disse em seu testemunho que eu tinha tentado arrombar a porta e isso não é crime contra o banco?

- Ah...sim, isso! – Ele respondeu, como quem lembra de alguma coisa. – Eu não estava falando desse crime...estava falando de como você matou aquele homem com fogo. Esse crime eu achei necessário chamar a polícia.

Ele não parecia...mas era uma pessoa rodeada de suspeitas, ainda mais com o testemunho furado dessa forma. Ele continuou.

- Eles não tardaram a chegar, ainda bem: chegaram 5 minutos depois.

- E o que exatamente você ficou fazendo nesses minutos? – Mais uma de minhas próprias perguntas.

- Eu? Hum...eu esperei, ora! O que mais poderia fazer?

- V-Você poderia ter pelo menos ir segurar a suposta assassina para que ela não fugisse! – O juiz falou, exasperado. Até ele estava com suas dúvidas agora.

- Ah, é! Bom, hum...eu faria isso, mas...eu não podia chegar a tempo. Tipo, é isso! Passei os 5 minutos correndo até a cena do crime!

Silêncio.

- ...por favor. – Roxanne rompeu o momentâneo silêncio, com uma mão na cabeça. – Você disse que estava na entrada. É impossível que você tenha demorado tanto tempo. Diga mesmo o que você fez!

Eu não tinha acreditado. Até Roxanne ficou contra a testemunha? Olhei pra ela, e provavelmente ela notou o modo que eu a olhava, por que respondeu, me encarando.

- Eu não estou aqui para vencer através de um bocado de mentiras, Ana Farfnair. Seria desonroso...e muito fácil. Eu vou acabar com você através de meus próprios métodos.

A garota vaidosa cuja imagem eu formei no começo do julgamento desvaneceu-se no ar. Roxanne tinha acabado de ganhar uns pontos de respeito a mais de mim. Sabia que ela não era uma garota má desde o começo, só queria fazer justiça e parecia meio vaidosa, mas mesmo assim...

Minha nova onda de pensamentos quebrou quando a própria Roxanne bateu a palma de sua mão em sua bancada com estrondo.

- Testemunha! Responda!

- Err... OK, eu não estava bem na entrada naquela hora. Eu vi de outro lugar...

- Outro...lugar? – Eu perguntei, lentamente.

- Sim, sim, na verdade eu não estava na entrada. Eu estava...na cobertura.

A corte entrou em mais um caos. O juiz rapidamente bateu seu martelo pedindo por ordem. Depois que dita ordem se estabeleceu, ele pareceu mais aborrecido que nunca.

- Testemunha! Isso é completamente diferente do que você disse antes!

- P-Perdão, Meritíssimo! – Bryan falou, envergonhado e puxando os bigodes com a mão. – Eu achei que, se eu fosse falar que estava na cobertura, meu testemunho teria menos crédito...e eu realmente quero ver os injustos punidos! Por isso menti.

- Seja lá pelo quê você mentiu... – Eu comecei, mais confiante. Um pouco. – Isso é perjura e é um crime. Então, se...

- PROTESTO!! – Roxanne protestou e parecia que estava com vontade de ir. Urk. Esqueci que ela ainda era minha adversária, por um momento. – Ana, Ana...a lei claramente diz que, se uma testemunha mentir, mas voluntariamente revelar a verdade na mesma sessão de julgamento, sem que seu testemunho falso tenha causado conseqüências, ela está isenta do crime.

- O-O quê!? – Eu realmente fui pega de surpresa agora.

- Ah, é, esqueci...você não é advogada de verdade, né, senhorita Farfnair? Por isso que não sabe. – Ela balançou a cabeça, reprovadora. – Mas, hum, continuemos...

- Continuar o quê, Roxanne? Não há nada para continuar. – Eu a lembrei, mexendo em meus próprios cabelos.

- O-Oh. É! Eu sabia! – Ela rapidamente se consertou. Mentirosa! – Juiz, seu veredicto de “Culpada”, por favor.

- Quê!? Com um testemunho esburacado desses!? – Meu filho bradou, enraivecido. – Inconcebível! – Virou-se pra mim. — Mamãe, vai lá e mostra pra ela que você não é a culpada!

Eu mesma não pude evitar de parecer surpresa com essa. Meu filho realmente estava com o espírito esquentado com toda essa batalha de palavras. Bom, não posso desapontá-lo! Tenho que pensar em algo...colocar as peças juntas! E pensar de outro ângulo...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.