Turnabout Fire

5 Capítulo 4: Recesso e Reflexão


— PROTESTO!!

Demorei um segundo para entender que meu filho tinha acabado de lançar um protesto totalmente do nada. Ele tinha me soltado e eu nem percebera. Agora ele apontava para a promotora, bem sério.

- A defesa gostaria de examinar a foto novamente! – Bach bradou, a voz agora meio tremida. É, ele não tinha conseguido coragem do nada. Ele se forçou muito para levantar o protesto. A promotora também olhava para ele com nítida surpresa, mas logo se acalmou.

- Examinar a foto? De novo? Para quê?

- Err...eu só...eu só quero ver aquela foto de novo! A chave do mistério tem que estar nela!

- Conjecturas sem sentido, garotinho! – Foi a resposta, em tom agressivo, da promotora, mas o juiz pigarreou e ela parou na hora, parecendo irritada.

- Não há problema nenhum nisso. Nunca é mal ser um pouco minucioso. Aqui está.

O juiz passou a foto para meu filho na mesma hora. Eu olhei para ele, e meu querido filho se limitou á me dar a foto, forçando um sorriso no rosto e coçando a cabeça.

- Err...foi o que eu consegui. Boa sorte. TÊM algo aí, né, mamãe?

Eu olhei e olhei a foto. Mas realmente não consegui ver muito mais coisas que fossem interessantes na foto. Will Burnt, pela posição em que seu corpo estava, parecia estar segurando algo acima da cabeça, visto que os dois braços estavam levantados. Eu não notei isso na hora do crime, mas não vi como ajudaria. No máximo, isso poderia ser mar para fortalecer idéia de legítima defesa, mas não era o que eu queria. Procurei mais algum detalhe, e nada. Realmente não tinha mais ninguém na cena do crime. Pensei bem naquela noite, no que acontecera...mas não lembrei de nada demais...

Espere. Não tinha mais ninguém na cena do crime?

- Promotora Roxanne! – Eu exclamei, talvez alto demais, por que as pessoas presentes se surpreenderam.

- Hein? O que foi? Pronta pra confessar?

- Você disse que tinha duas testemunhas neste caso. Quem exatamente era a segunda testemunha?

- Hah, não se lembra mais? E eu achava que a família Farfnair era perspicaz! Ele era o vigia noturno do banco, que presenciou o crime enquanto fazia sua ronda.

- ...Mas...isso é....impossível. – Eu respondi, mexendo no meu próprio cabelo, mal contendo a excitação que acabara de irromper em meu peito. Roxanne recuou de sua bancada.

- O...O quê...?

- Preste bem atenção nesta foto. – Eu a joguei para a promotora, que apanhou-a no ar e imediatamente a examinou. – Bom, este foi, como a testemunha deixou claro, o momento do crime, ou um segundo antes dele. Então...se alguém de dentro do banco viu esse mesmo momento, o momento do crime...não seria claro que ele DEVIA ESTAR NESSA FOTO!?

Roxanne demorou um pouco para perceber o que eu falara, e confirmar pela foto. Quando finalmente o fez, ela soltou uma exclamação de surpresa e deixou a foto cair. O aumento repentino no barulho de várias conversas irrompendo pela corte mostrava quanta confusão esse fato trouxe. Bingo. Eu tinha encontrado algo para escapar da pressão que me colocavam tão fortemente, pelo menos temporariamente. O juiz bateu com o martelo pedindo por ordem.

- Ordem! Ordem no tribunal! – Foram-se mais uns segundos antes que a corte voltasse ao normal.

SNAP! SNAP!

- Poderia a testemunha também parar de tirar fotos de todos nós para variar? – Perguntou o juiz, levemente irritado com aquilo.

- Ei, a cara que vocês fazem quando estão surpresos é engraçada! Não me culpem por isso! – Respondeu a repórter fotógrafa compulsiva, enquanto tirava mais algumas fotos das pessoas ao redor com sua grande câmera cinza. – Sem falar que, se continuar assim, esse caso vai virar matéria de primeira página! Isso vai me economizar o trabalho de ter de procurar uma notícia!

- Testemunha. – Eu ignorei o que ela dizia, já que não tinha nada a ver com o caso, e lhe direcionei a palavra. – Você têm absoluta certeza de que o assassinato aconteceu no momento que você tirou essa foto, ou pelo menos no mesmo segundo?

- Sim, tenho! Certeza absoluta!

- Muito bem então. Roxanne, a credibilidade da sua próxima testemunha não parece muito boa agora. – Eu disse, sorrindo para a garota. Ela certamente tomou isso como um insulto. Bateu na própria mesa, com raiva.

- Não importa se minhas testemunhas são boas ou não, no final todas as indicações de assassinato vão apontar para você, Ana Farfnair! Eu vou mostrar isso! Snap, se retire agora, por favor...

SNAP!

- SEM FOTOS, OK!?

- “A fúria e determinação escondidas da promotora finalmente vêm à tona”...perfeito! Já pensou em fazer drama, promotora?

- Guarda, faça o favor de retirar a câmera das mãos da teste...

- Não, nem vem! A câmera é minha! Não vou lhe deixar ficar com ela!

- Ordem! — O juiz bradou, e elas silenciaram. – Continuaremos o julgamento, mas imagino ser necessário termos um tempo para analisar as informações recebidas aqui e outras que foram descobertas agora. Declaro que haverá um recesso de 15 minutos para isso! A corte está temporariamente encerrada.

E bateu seu martelo.

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26 de Outubro, 01:05 da tarde

Distrito Shang Yi

Salão do Réu

Eu e meu filho estávamos novamente no salão da ré (eu, lembra? Hihi). Nós tínhamos passado por alguns momentos de tensão, mas não adiantava continuar com o nervosismo. Eu brincava com meu próprio cabelo distraidamente quando meu filho falou:

- Mãe...o que realmente aconteceu nessa madrugada? Aquela testemunha...Srta. Snap, ela...

SNAP!

Fiquei tonta por causa daquele flash tão...flash! Também fiquei surpresa, não sabia que a testemunha estava ali! Levantei o rosto para encontrar com o dela, sorridente e com a câmera agora abaixada.

- Oi! Depois vou querer uma entrevista, com você, Ana Farfnair, a garota que desesperadamente tenta se defender da injusta alegação de assassinato mesmo sem um advogado! Brilhante! Ainda bem que pude participar daqui, é mais legal do que tirar as fotos depois dos casos...

- Srta. Snap... – Eu aproveitei que ela estava por aqui para lhe perguntar mais alguma coisa: quem sabe que informação eu poderia conseguir a mais... – Você realmente não viu mais ninguém na cena do crime além de mim e da vítima...certo?

- Certíssimo! E, sabe, eu não sei como você foi colocada como suspeita. – Ela adicionou, adotando uma postura pensativa. – Simplesmente não têm como você ter cometido esse crime, não pelo que eu vi.

Lembrei que Amber não estava presente na ocasião em que Roxanne me obrigou a usar meu poder...por isso ela devia estar confusa. Bachshil parecia meio incerto do meu lado. A repórter continuou:

- Têm que ter sido outra pessoa! Mas não faço idéia de quem mais poderia ter sido...não vi mais ninguém.

Se o que ela falava era verdade, não havia como a segunda testemunha ter mesmo estado lá...ou visto o momento claramente. Claro, estava escuro, mas a foto auxiliava na linha de pensamento de que a testemunha não poderia estar por lá. Mesmo assim, ele diz que testemunhou, então alguma coisa ele devia saber. Senão, acho que seria fácil desmantelar suas mentiras. Era só usar um pouco a cabeça, acho.

- Srta. Amber... – Fiquei surpresa ao ouvir meu filho tentar continuar a conversa. – Você lembra de mais alguma coisa que aconteceu na hora do crime?

- Hein? Hum...não, não muito. Ana Farfnair nem pareceu pensar em fugir, pra mim. Ela estava...absorta em pensamentos por uns minutos, e depois...

- M-Minutos? – Eu perguntei, exasperada. Eu sabia do que ela estava falando, é claro: eu geralmente saio de mim quando olho para fogo. Quer dizer, é tão...bonito!! Não me culpem por isso! Mas eu poderia jurar que não tinha ficado “minutos”. Calculei apenas “segundos”.

- Minutos. Não sei quanto, uns 5? – Ela parecia incerta do que dizia. – Só sei que foi demorado. Achei que você estava em transe, mas não imaginei o por quê disso.

- Então é por isso que eu tive impressão de que a polícia chegou rápido demais...! Eu fiquei atordoada com o fogo mais tempo do que imaginei. Amber, foi você que ligou para a polícia depois que o assassinato ocorreu?

- Hum? Não. Deve ter sido aquela “outra testemunha”.

- Entendo...

- Então essa outra testemunha deve ser a verdadeira culpada! – Meu filho disse, pensativo. – Quer dizer, minha mãe não é a culpada, não pode ser...

Fiquei feliz por ouvir da confiança de meu filho novamente. Sorri para ele. Amber parecia concordar.

- É, não vejo como poderia ser de outra forma. Mas de onde foi? O fogo que eu vi...ele apareceu como se tivesse vindo do nada. Logo depois daquele “barulho”...

- Barulho...? – Eu perguntei, pensando naquele momento. Devia ser mais ou menos na hora em que ela tirou a foto, ou um segundo depois (pelo menos foi o que ela disse em seu testemunho), quando o fogo apareceu.

- Sim, sim! Você devia ter ouvido também, acho. Se bem que seu grito deixou difícil de ouvir... – Amber falou, fechando os olhos e sorrindo, contente.

- Então foi no mesmo momento em que gritei?

- Sim, foi.

- Mas você tirou a foto nesse momento... – Bachshil especulou. – O barulho não poderia ter sido esse “SNAP!” tão alto de sua câmera?

- Tenho certeza que foi outra coisa! – Ela confirmou. – Eu sei que barulho minha câmera faz! Foi outra coisa. Soou mais como um...um “CRASH!”.

- Algo quebrando? – Eu arrisquei.

- É, deve ter sido. E não foi longe de lá. Foi bem claro. De fato, eu diria, se fosse me guiar só pelo som...que tinha vindo bem da minha frente.

- Q-Quê!? – Bachshil pareceu surpreso. – J-Já sei! Esse barulho com certeza tem algo a ver com o verdadeiro assassino! Têm que ter.

- Mesmo assim... – Eu bem queria que isso fosse prova definitiva, mas infelizmente não era. – Aquele barulho se mesclou com o barulho da câmera da Amber e com meu grito. É muito difícil dizer se ela ouviu exatamente de onde esse barulho veio. Pode ter vindo de outro lugar. Além do mais...não havia nenhum pedaço de vidro na cena do crime, que eu lembre...

- Espera...espera, tinha sim! – Amber disse, repentinamente, com a voz fina de surpresa. – Agora eu lembrei! Eu estava toda exasperada, olhando para você, depois daquilo, Ana Farfnair. Mas depois que a polícia chegou, eu chequei a cena do crime junto com a detetive. E então eu vi!

-S-Sério? – Eu também estava surpresa. Isso poderia mudar algo. – Mas, por que Emily Gumshoe não disse isso naquele testemunho dela no começo?

- Hum...ela certamente não parecia em estado apropriado para testemunhar... – Foi o que Bach disse. – Ela não parecia estar com sono, mas quando falou, parecia que a única coisa que queria era uma cama...

- Realmente, ela trabalhou duro para conseguir tudo pronto ainda hoje. – Amber complementou. – Achei que ela realmente precisava acabar hoje. Natural.

- Como assim, “natural”? – Perguntou meu filho á repórter, sem entender.

- Garoto, um caso policial desses têm que ser preparado para julgamento tão rápido quanto possível. Sempre. A regra começou com....”aquele”caso, se me lembro bem. Fazem...hum...o quê, 3 anos? – Ela contou até “três” com os dedos. – Você não ficou sabendo?

- Acho que não...meu pai nunca falou disso. – Ele respondeu, parecendo meio desapontado.

Eu pensei um pouco. Não me lembrava exatamente de quando, mas parecia ter sido pela data que Amber falou mesmo. Ou antes. Mas ela preferia não pensar nesse caso agora...ela estava pensando exatamente no que acontecera no caso dela. Mas ela não conseguia extrair mais nenhuma pista de lugar nenhum. Ela não tinha escolha senão esperar para interrogar a próxima testemunha. Ela seria a chave de tudo...

- Já é hora. – Disse Amber, cortando os meus pensamentos. – Bom, pelo menos deve ser. Vamos, sim?

Eu consenti com a cabeça. Bom, aí vamos nós. Me desejem sorte, sim?