Turma de Malhação - 1ª Temporada
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV Sophy
Hoje o meu humor está pior do que o normal. Sério, não entendo as pessoas que funcionam durante a manhã. Me peça para passar a noite acordada fazendo lição de matemática – tá, nem tanto – mas não me peça para acordar cedo! De vez em quando eu estou empolgada e tento descontar em todo mundo, como na segunda-feira, mas hoje, eu só quero que o mundo pare mais um pouco e que eu realmente não esteja escutando a louca da Bia gritando no corredor no meio do meu banho. Infelizmente eu também não estou com sorte... Quando aquela mistura de retardada com “The Flash” aparece antes de eu terminar o meu banho boa coisa não é, disso eu tenho certeza.
Esperar as matracas, vulgo Ju e Bia, café da manhã, primeiras aulas antes do almoço... não vi nada passando. Às vezes eu acho que sofro de amnésia matutina... Isso existe? Se não acho bom alguém começar a pesquisar e fazer muito dinheiro em cima da minha pobre pessoa que não suporta um despertador.
Finalmente chegou a hora do almoço e realmente aquela torta de palmito estava me tentando. Nossa, que cheiro bom! Nem parece a comida do refeitório! Peguei logo dois pedaços e salada de folhas. A Julia montou um prato que qualquer nutricionista daria os parabéns, todo colorido e com tudo o que eles mandam para ter uma vida saudável, o problema é que a quantidade era para sustentar uma Barbie. A boneca de brinquedo, saca? A Bia já foi para os doces e os meninos estavam competindo qual tinha “a montanha” maior.
Já estava no final da primeira torta, com os meus sentidos voltando a funcionar plenamente quando o celular da Ju tocou em baixo da pilha de smartphones que estava no centro da mesa. O da Bia foi o próximo. Ela deu sorriso sacana e todos os meus sentidos se focaram naquele movimento com um só pensamento: “não vai prestar”. Todos nos olhamos, sabíamos que quem pegasse o celular primeiro teria que fazer alguma coisa em benefício da galera. Era uma espécie de aposta.
– Sugiro que a gente dê um pause na nossa aposta hoje – disse a Bia – vocês realmente vão querer saber o que está escrito nessa mensagem. Principalmente você, Jujubinha!
– Já vi que algo deu certo, não é meu amor? – Disse o Yuri com uma piscadela de quem estava sabendo de tudo.
– Tudo bem, tudo bem. Eu me retiro da aposta – Falou o Murilo.
– Se é para um bem maior, eu também me retiro. – Eu disse consternada.
– Alguém me passa o meu celular! – Essa foi a Julia praticamente chorando. – Sério, Bia, jujubinha? Queria saber de onde você tira tanta criatividade...
– Quer mesmo? – perguntou com a maior cara de safada do mundo, sério.
– NÃO!!! – Gritamos eu, o Yuri e o Murilo, surpreendentemente, em coro.
A Julia só ficou vermelha e se concentrou na mensagem. Uma interrogação perfeita surgiu no seu rosto enquanto ela lia.
– Ué, minha mãe surtou de vez. Festa? Vestido? Ãnn? Isso não faz sentido! Como assim “não se preocupe, já mandei entregar um vestido perfeito para a festança desse final de semana! Nada de desculpas como ‘eu não tenho roupa’, mocinha”?
A Bia caiu na gargalhada, junto com o seu fiel escudeiro Yuri, enquanto a cara de interrogação do Murilo se tornava quase tão cômica quanto a da Julia. Eu já devia estar com cara de poucos amigos porque a Bia saiu se explicando:
– Calma! Está tudo dando certo. Minha irmã, fingindo que era a minha mãe, mandou um convite para a sua mãe, e para a sua também Soneca, chamando vocês duas, minhas amigas, para a festança de aniversário de casamento que ela vai fazer nesse final de semana.
– Pera ai! A gente não ia para a praia nesse findi? – interrompeu o Murilo.
– É por isso que eu sou o gênio dos planos aqui Mumuzinho, e não você. – ele deu de ombros e ela continuou – Nós vamos para a praia nesse final de semana, mas eu precisava da desculpa perfeita para tirar vocês todos da escola sem nenhum problema, e para as meninas voltarem comigo, é claro. Então é o seguinte: meus pais estarão realmente comemorando o aniversário de casamento deles, só que com uma viagem. Eu deveria ir para casa e ficar com a minha irmã, mas vai ser muito melhor acampar com vocês na praia. Então, sabendo que os pais da Sophy iam surtar sobre “com meninos não”, e os pais da Julia também, e com a roupa que ela iria usar, é claro, eu armei que a mãe da Sophy vai levar a gente para a minha casa, junto com o vestido da Ju, e assim nós três já estaremos na minha casa com uma boa desculpa. De lá para a praia é só um pulo.
– Muito bom, dona Beatriz, mas você se esqueceu dos meninos. Se eles aparecerem minha mãe leva a gente para um convento, e não para a casa dos seus pais. Além disso, e se algum deles quiser falar com os seus pais? Dar parabéns e essas coisas? E a barraca? – eu disse.
– Calma, calma estressadinha. Vejo que a sua massa cefálica já acordou Soneca. Como eu já disse, eu sou um gênio dos planos. A minha irmã vai estar com o namorado em casa. Eles se conheceram no curso de teatro, então ambos conseguem dar uma boa enganada nos pais por telefone. Com relação aos boys magia da minha vida, é aí que o meu amor Henrique entra na história.
– Ah, não me diga que aquele puxa saco vai estar lá minha flor. Mesmo com todo o meu amor por você e não gostaria de ter ele por perto atrasando os nossos planos – opinou o Yuri. Que bom, nem mesmo o gêmeo do mal sabia do plano completo.
– Calma você também. O meu amor não vai poder ficar, mas, como vocês sabem, ele tem carta e vai nos ajudar. Os meninos vão dizer aos pais que ficarão na escola, eles não vão ligar mesmo porque eu já pesquisei e vi que a mãe do Yuri e os pais do Murilo vão trabalhar, e até fazer plantão durante todo o feriado. Mas, eu já consegui a papelada falsa para eles conseguirem sair da escola sem problemas. Quando eles já estiverem lá fora o Henrique coloca os dois no carro, junto com as nossas barracas que misteriosamente já estão lá – piscou – e vai direto para a minha casa. Nisso, a sua mãe já foi embora, Sophy e nós vamos para a praia.
– Tenho que concordar que é um bom plano, na teoria. – eu disse.
– Nossa! A sua irmã é o máximo! E ela concordou de nos ajudar assim na maior mesmo? – Tinha que ser uma observação do Murilo. Nem vou falar que a Julia fechou a cara quando ele disse que ela era o máximo. Sério, minha amiga está mais do que apaixonada e se recusa a enxergar.
– Ah, bem se vê que você não entende nada mesmo da vida, né Murilo. Todo mundo tem um preço, garoto, ou uma forma de chantagem. No caso da minha irmã e do seu querido namorado era um interesse maior. Como eu disse, meus pais estarão fora e os dois acharam uma oferta maravilhosa ter a casa só para eles durante todo o feriado e final de semana, além da oportunidade de mostrar que eles são ótimos atores para não deixar as meninas entrarem em encrenca com os pais delas.
– Certo, muito bom, mas e se a escola ligar para os seus pais para confirmar a história. Você sabe que eles sempre ligam para os celulares! – questionou muito sabiamente a Julia.
– Pô! Gente! Não é a toa que eu me chamo de gênio!
– O ponto chave dessa frase é que VOCÊ se chama de gênio, mais ninguém. – Eu disse.
– Tá, não vamos discutir. Mas sim, eu sou um gênio. Contudo, confesso que eu tive ajuda do namorido da minha irmã nisso. Quando qualquer um dos números do PABX da escola ligarem para o celular dos meus pais, eles misteriosamente não receberão a ligação. Claro que só para esses telefones não vai funcionar, afinal eu não podia deixar os meus papitos sem comunicação. Com isso a escola não terá outra escolha a não ser ligar para a minha casa, e lá a minha irmã saberá como dar um jeito em tudo isso. Essa coisa de gênio de planos é de família, apesar de eu ser a melhor, é claro.
O sinal tocou e nós não pudemos continuar com essa conversa, mas até eu não consigo negar que a empolgação de todos é contagiante. Da próxima vez que acordarmos será para irmos à praia! Deus me ajude para a minha mãe não perceber nada!
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