Turma de Malhação - 1ª Temporada
2 Capítulo 2
Notas iniciais
POV Julia
Estava deitada na minha cama lendo um livro quando a Sophy entrou no quarto fazendo o maior barulho e se jogou de bruços em sua cama.
– Ei, como foi a aula de jiu-jitsu? – perguntei, fechando o livro e colocando ao meu lado para prestar atenção nela.
– Meu professor quase me matou hoje. To acabada!
Sophia é o exagero em pessoa, em todos os sentidos. Além de ser uma das garotas mais altas da nossa turma, ela fala alto quando se empolga, não perde uma oportunidade de expor sua opinião, não para de falar e não é de selecionar muito as brigas em que entra. Mas só quem a conhece bem, como eu, sabe que por trás de toda essa muralha, tem alguém com um coração enorme, que é praticamente nossa mãe de tão cuidadosa e que morre de medo de se apaixonar. Diante de mais um de seus exageros, eu apenas sorri.
– O Murilo passou aqui mais cedo! – comentei – Queria saber se já tínhamos conseguido uma barraca porque parece que ele tem uma sobrando.
Ela se sentou na cama com um olhar malicioso e um sorriso que eu conhecia bem.
– Aí vocês aproveitaram que eu não estava, deram uns beijinhos e ele te mostrou como se arma uma barraca?
– Nós somos só amigos Sophia! Você sabe muito bem disso! – eu disse voltando a ler meu livro.
Não sei por que eles têm essa maldita mania de achar que eu e o Murilo temos algo. A gente nunca se beijou! Ok que ele é um cara bonito, interessante, fofo... Se não fossemos tão amigos, talvez eu até ficasse com ele. Isso caso ele quisesse algo comigo né? Mas ele não quer e nós somos muito amigos – só isso! Ela riu da minha cara, se levantou e foi tomar um banho.
Olhei pela janela e ainda chovia. Estava assim a semana toda. Já era quarta-feira e nada do tempo melhorar. Eu queria pegar um bronze na praia, mas desse jeito vai ficar bem difícil. Ao contrário de todo mundo, a minha mala era a única pronta pro acampamento. Talvez seja porque eu sou um tanto ansiosa. Minha cabeça já está cheia de planos e ideias de como vai ser a viagem, o que vamos fazer, comer e etc. Eu só espero que o “plano perfeito” da Bia seja realmente perfeito e não nos coloque em problemas.
A quinta amanheceu ensolarada, exatamente do jeito que eu gosto. Eu estava me arrumando pra ir pra aula quando alguém bateu na porta.
– Gatonas, já estão acordadas? – Bia chamava do lado de fora.
– Para de gritar garota! São 6h30 da manhã. – nossa vizinha de quarto reclamou.
Eu corri pra abrir a porta antes que ela arrumasse confusão logo de manhã.
– Ih, que foi hein? Ta mal amada... – ela respondeu enquanto eu a puxava pra dentro. – Essas meninas são muito mal humoradas, gente!
Antes que eu pudesse falar algo, ela já estava me abraçando e me dando um beijo de "bom dia" no rosto. O mesmo aconteceu com a Sophy quando ela saiu do banheiro, que deu logo um jeito de se desvencilhar e continuou arrumando sua mochila pra aula.
– Vamos Sophy, vamos chegar atrasadas no café! – apressei ela enquanto a Bia futricava no nosso quarto.
– Ei, essa é a sua mala pro feriadão? – ela me questionou. Eu apenas concordei com a cabeça. – Julia, são 3 dias e não 3 meses. Essa mala vai ser mais difícil de sair do colégio do que nós.
– Aproveitando o assunto, como vamos sair do colégio? – perguntei.
Bia fez uma cara de mistério e deu um sorrisinho de lado que ela só dava quando ia aprontar algo.
– Quanto menos você souber, melhor! Mas fica tranqüila! Amanhã de manhã estaremos com os pés na areia! – ela piscou.
– Vamos? – Sophia estava parada em frente à porta com a mochila nas costas apenas esperando por nós.
Mal chegamos ao refeitório e já vimos o Yuri e o Murilo tomando café com as maiores caras de sono do mundo. Sentamos com as nossas bandejas na mesma mesa que eles. Yuri abriu um sorrisão como ele sempre fazia quando nos encontrava e Murilo apenas acenou com a cabeça.
– Vocês não sabem da maior! O Otávio Moura do 2ºB foi pego ontem com uma menina no jardim de trás, acreditam? – Yuri disse em meio a gargalhadas.
– Gente, que babado! Que menina? – Bia se interessou.
– Ah, não sei. O nosso grande amigo inspetor Renne com certeza sabe. A gente pergunta pra ele depois. – Yuri disse com a boca cheia de bolo.
– Ah Yuri, que nojeira! Come de boca fechada vai! – Sophia, com todo seu mal humor matinal, reclamou.
Ele abriu a boca ainda cheia de bolo e ficou mostrando pra ela. Eu e a Bia rimos muito quando ela deu uma tapa na cabeça dele pra ele parar. Murilo parecia completamente alheio ao assunto. Será que ele ainda está com dor de cabeça ou pode ser outra coisa?
Mal terminamos de tomar café e o primeiro sinal tocou pra entrarmos na sala. Bia, Yuri e Sophy saíram do refeitório de braços dados falando algo sobre os hematomas que eles estavam por conta da aula de jiu jitsu da noite anterior. Esperei o Murilo para irmos juntos pra sala.
– Ei, ta tudo bem? Você está muito quieto hoje.
Ele me olhou com um sorriso fofo nos lábios.
– É só sono. – ele me respondeu pouco antes de me abraçar de lado e dar um beijinho no topo da minha cabeça.
Por não ser uma pessoa de grandes gestos e muito menos palavras, nós tínhamos que decifrar a linguagem corporal bastante particular do Murilo. Havia a piscada de “obrigada”, a levantada de sobrancelha de “não quero opinar” e até mesmo o olhar de “e agora?”. Nesse caso, ele estava agradecendo a minha preocupação. A Sophy costuma dizer que ele não tem esses tipos de demonstrações com ela e a Bia, mas eu acredito que seja só coisa da cabeça dela. Ele não me trata diferente de forma alguma. Pelo contrário, ele até deixa de me contar algumas coisas. Outro dia mesmo, descobri que ele tinha ficado com uma menina da sala da Bia porque, sem querer, o Yuri deixou escapar. Foi engraçado porque o Murilo engasgou de um jeito que até o diretor veio ver o que tava acontecendo.
– Olha se não é a turma de Malhação! – Renne disse ao nos encontrar no corredor.
Todos nós sorrimos e acenamos pra ele. Ele era um dos caras mais legais de todo o colégio. Além de ser muito engraçado, ainda era muito parceiro dos alunos e chegava até a encobrir alguns deles – a Bia, por exemplo. Ele sempre nos chamava por esse apelido que ele mesmo criou porque nos achava parecidos com os personagens da novela.
O clima bom logo passou quando vimos os professores nas portas das salas nos apressando pra entrar. Sophia, Murilo e eu éramos do 1ºB e a Bia e o Yuri eram do 1ºC. A classe deles era muito mais bagunceira (mas bem mais unidos também) que a nossa. Uma vez, um dos meninos foi ligar o ventilador que ficava próximo à lousa e abaixaram a bermuda dele. O professor não viu quem fez isso e ninguém quis entregar, então todo mundo tomou uma advertência e teve que ficar no colégio no fim de semana como castigo – menos o menino né? Coitado. Se fosse na nossa sala, as patricinhas fúteis que ficam se jogando em cima dos caras bem iam contar quem fez. Por isso que a Sophy e eu nem nos aproximamos muito dessas meninas! Além de fúteis e oferecidas, ainda são falsas. Eu mal sentei na minha cadeira e já ouvi uma delas comentando algo sobre a roupa da Sophy. Respirei fundo e debrucei na mesa. Ia ser um longo e demorado dia pré-feriado.
Fale com o autor