Os alunos caminhavam pela trilha, observando a vegetação do lugar e ouvindo algumas observações que a professora fazia, ou melhor, alguns poucos alunos, que andavam mais à frente, ouviam o que ela dizia e faziam algumas anotações, o mesmo não acontecia com os alunos que estavam no final da fila, eles falavam sobre coisas inúteis, e hora ou outra, era possível ouvir alguma menina reclamar de algum inseto inofensivo. Eles andaram mais um pouco, até que ouviram alguns gritos, ao que parecia, era um garoto gritando, todos se entreolharam e então Lívia exclamou:

—Onde o Matheus está? – Só então eles perceberam que Mateus havia desaparecido.

— Só pode ser ele gritando – Kellen disse e depois completou – Vocês sabem como ele gosta de brincar, não deve passar de mais uma de suas brincadeiras.

— Brincadeira ou não, temos que encontra-lo — A professora falou e então eles começaram a caminhar na direção de onde os gritos vinham.

Os gritos ainda continuavam, e quanto mais se aproximavam, mais altos e desesperados eles ficavam, mas de repente, eles cessaram. No mesmo momento, eles pararam e um silêncio assustador se instalou, o único som que se ouvia era o dos galhos que batiam uns contra os outros em consequência do vento forte, que ao que parecia, havia aumentado consideravelmente, os trovões começaram, anunciando que a chuva estava chegando, e não demorou muito para que Beatriz sentisse as primeiras gotas dela, batendo contra sua pele, só havia um problema nisso tudo, a chuva aumentava e não havia sinal algum de Matheus

—Mateus! – Alice gritou e começou a caminhar por entre as árvores, numa tentativa de encontrar Matheus, logo, todos começaram a fazer o mesmo.

— Ah Meu Deus! – Nayara exclamou, quando se deparou com algo que estava nas árvores, a reação dos outros ao verem aquilo, foi a mesma.

— Isso é... – Ela disse gaguejando e então Beatriz completou:

— Sangue. – havia uma marca de sangue, na forma de uma mão na árvore. “Seria Matheus quem havia passado e deixado aquela marca ali?” Era o que todos se perguntavam

— Só pode ser ele, temos que ir procura-lo, ele dever estar machucado — Carol falou, desesperada.

—Agora não. – A professora falou – Vamos voltar para o ônibus, assim que a chuva parar, iremos procurá-lo.

Eles seguiram o caminho de volta até o ônibus, enquanto caminhavam, Beatriz se aproximou de Carol e Kim e então sussurrou:

—Machucado? — Beatriz perguntou a Carol com incredulidade — Você viu o tamanho da marca de sangue que estava na árvore e viu que havia marcas em outras árvores? Um simples machucado não sangraria tanto.

— Eu sei, mas... – Carol disse e então pensou um pouco – Você tem razão, ele deve estar muito ferido.

— E o que me incomoda, é o fato de ele ter desaparecido, alguém tão ferido não conseguiria correr e se afastar tanto. — Kim disse e as outras concordaram com ela.

—Tem alguma coisa estranha aqui. – Carol concluiu o que já era óbvio

–E eu não sei se quero descobrir o que é – Beatriz disse por fim, assim que chegaram ao ônibus elas sentaram no fundo, Beatriz fechou os olhos e encostou sua cabeça na janela , as meninas começaram a conversar, mas Beatriz não pode ouvir muito do que elas falavam, já que o barulho da chuva estava ainda mais forte, após um longo tempo assim ela olhou em seu relógio, eram 18:30, nem o motorista, nem o Matheus haviam retornado, e isso a preocupava, pouco depois ela dormiu, e ao acordar, algumas horas depois ouviu alguns sussurros vindos do banco que estava a sua frente. Ouviu palavras como “rastros” “sair” “encontrar” além de ter ouvido seu nome, o de Carol, o de Kim e o de Matheus, não conseguiu reconhecer as vozes e nem saber direito do que se tratava, mas viu duas silhuetas femininas levantarem do banco e seguirem em direção à porta do ônibus, Beatriz balançou sua cabeça em forma de desaprovação e então voltou a dormir. Não se surpreenderia se no outro dia houvesse mais duas pessoas desaparecidas, mas já era tarde demais para alertar alguém, ou melhor, para fazer alguém acreditar nela.