Notas iniciais
Está fic faz parte de um arco chamado "The colorful arc" e é a primeira fic em ordem cronológica deste arco embora tenha sido a terceira fic do arco a ser escrita.
Título: Tumbalalaika
Capítulos: oneshot
Autora: lahy
Beta: kanariya
Gênero: angst/songfic
Bandas: Irodori
Pares: Ruri x Kanoe
Classificação: PG — 13
Disclaimer: infelizmente eles não me pertencem ._.
Sumário: Porque todas as flores caem um dia
Tumbalalaika Shteyt a bocher, shteyt un tracht, tracht un tracht a gantze nacht. Vemen tsu nemen un nit far shemen, vemen tsu nemen un nit far shemen. Um jovem rapaz pensa, pensa a noite toda Estará errado, ele pergunta, ou talvez certo? Deverá declarar seu amor, escolher ousar? E ela aceitará, ou recusará? O relógio marcava uma hora da manhã. O papel branco permanecia intocado em cima da escrivaninha, recebendo apenas o reflexo da minha sombra enquanto eu o observava. Levei a ponta da caneta a tocar novamente próxima a uma das linhas, porém ela permaneceu ali, imóvel. Desisti, abandonando a caneta, levantando da cadeira e andando até a janela, fitando a escuridão da noite iluminada por poucas estrelas. Não era uma noite romântica como a dos filmes. Nem uma noite para se escrever uma canção. Para escrever uma canção é necessário muito mais esforço do que inspiração, as palavras devem ser extremamente bem combinadas, ritmadas, perfeitas o bastante para se encaixarem umas nas outras, demonstrarem não apenas sentimentos como sensações. Não se escreve uma canção, uma canção de verdade, como se escreve um poema de escola na aula de redação. Não mesmo, deveria ser algo extremamente calculado, pensado e repensado para transmitir exatamente o que eu queria. Antes fosse como nos filmes, onde o compositor via sua musa inspiradora, sentava e escrevia a mais linda canção do mundo. Não, não era assim. As palavras não poderiam ser jogadas ali ao acaso, apenas dizendo o quanto a pessoa amada era linda, bela, radiante, de curvas perfeitas e personalidade invejável. As coisas não funcionam desse jeito. Já existem milhares de canções declarando amor a uma pessoa qualquer que não possuí nada demais perante as outras pessoas de outras canções. Isso porque, é simples demais escrever dez ou vinte linhas dizendo o quanto a pessoa que você ama é perfeita. Mais simples ainda musicar isso, gravar, colocar em um CD e vender em qualquer loja. Mas fazer uma música que se tornasse inesquecível para quem a ouça, para que lembrem daquela como a mais bela canção de amor, isso sim é difícil. E exige mais do que eu posso dar está noite. Porque escrever uma canção de amor é fácil quando você é amado e correspondido, mais fácil ainda quando você não é correspondido e pode cantar as dores de não ser amado. A rejeição é o tipo de sentimento que algumas pessoas adoram ouvir. Se penalizar. Como se fosse bonito ver os outros sofrendo. Claro, não é o sofrimento delas. E elas ainda poderiam pensar que foi só uma invenção do compositor, ninguém sentiria algo tão intensamente, ou sofreria tanto como esse pobre infeliz. Se bem que, eu admito, às vezes, os compositores apenas aumentam seu sofrimento. Era por isso que eu não podia escrever. Recusava-me a fazer apenas mais uma canção de amor. Queria fazer uma canção que dissesse tudo com apenas uma palavra, que expressasse todo o meu sentimento com apenas um acorde. Que só a pessoa a quem meu amor se destina a entendesse. Porque uma canção de amor, uma verdadeira canção de amor, só precisa ser apreciada por uma pessoa. Eu não queria escrever uma canção para os outros, não queria escrever uma canção para mim mesmo. Queria uma canção para
ele. Para dizer com poucas letras o quanto o amava, para que fosse compreendida só por
ele e significasse muito para
ele. O problema era... Será que
ele queria ouvir uma canção de amor? Será que
ele aceitaria ouvir uma canção de amor minha? Éramos amigos há tanto tempo. Era do seu sorriso que me alimentava há tanto tempo. Que tudo que sempre desejei foi sair por aí, gritando para todos que era insandecidamente apaixonado. Que amava aquele homem mais do que julgara ser possível amar alguém. Eu o amava de maneira tão intensa, tão verdadeira, tão pura. Não era o sentimento egoísta de alguns livros, filmes e canções. Não era o sentimento repleto de luxúria que já ouvi falar. Era apenas amor, tão poderoso que não podia descrever. Não podia explicar o que se apossava do meu peito, e fazia meu coração bater mais acelerado. O que fazia meus olhos pararem de enxergar o resto do mundo. O que me fazia sorrir por apenas saber que
ele estava bem, e me fazia chorar por apenas cogitar um momento de tristeza que
ele pudesse passar. Por isso tinha orgulho desse sentimento, desse total desapego de mim mesmo, ao mesmo tempo em que temia por ter tanto apego a outra pessoa. E se eu, que era o dono de tanto amor, temia ao meu próprio sentimento, o que
ele iria sentir? Iria gostar? Iria odiar? Iria tentar corresponder? E no meio de tantas dúvidas, como eu podia escrever uma canção de amor? Uma verdadeira canção de amor? Não, não sem saber o que
ele sentia.
Tumbala, tumbala, tumbalalaika, Tumbala, tumbala, tumbalalaika tumbalalaika, shpiel balalaika tumbalalaika — freylach zol zayn. Tumbala, tumbala, tumbalalaika, Tumbala, tumbala, tumbalalaika tumbalalaika, toque a Balalaika, tumbalalaika — nos deixe ser felizes. Haviam confirmado, nosso baterista e guitarrista estavam escolhidos. Aquele era o começo do Irodori e, por isso, eu não podia conter o sorriso em meu rosto. Era um sonho. Um sonho sendo realizado. Era a minha banda, minha e
dele. Um sonho meu e
dele. Seriamos uma grande banda juntos. Eu me esforçaria para isso, daria tudo de mim, cada pedaço de minha alma para que aquele sonho desse certo. Porque aquele sonho também era o sonho
dele. Foi por isso que ignorei as advertências de Tatsuya quando reclamou que eu estava me esforçando demais.
\"Eu preciso cantar melhor\" Foi essa a minha resposta. Eu precisava cantar melhor. Eu sabia que era um cantor medíocre. E de cantores medíocres o mundo estava cheio. Eu tinha que ter algo a mais. Algo especial. Algo único. Eu precisava ser especial para poder fazer o Irodori especial. Era para isso que eu estava lá, para
ele. Para fazer da banda
dele especial. Por isso eu treinei, treinei até que minha voz se perdesse várias e várias vezes. Treinei até que eu pudesse sentir que evoluía, que o som de minha voz agradasse a mim mesmo, até que
ele viesse me elogiar. E treinei mais e mais, exigindo que eu cantasse melhor, que fosse bom o bastante para
ele ouvir. Porque eu ainda estava escrevendo aquela canção de amor. Aquela canção de amor que queria escrever desde os tempos do Devise en Despair. E quando a terminasse, quando a cantasse, queria que
ele sentisse toda a emoção que eu queria passar. Mas eu nunca conseguiria aquilo daquele jeito. Cantando tão mediocremente, tão sem beleza, tão sem emoção. E enquanto eu treinava, enquanto estava no estúdio, sozinho, cantando, me esforçando para melhorar, a porta se abriu devagar, revelando a mais linda das criaturas que já existiram na Terra, fazendo com que eu me perdesse em sorriso encantador.
Ele apenas entrou discretamente, sentando em um cantinho, com dois copos na mão, esperando que eu terminasse a canção que já havia terminado no momento que ele entrou. Porque em minha mente, só a àquela canção, na escrivaninha do meu quarto, era a canção que eu deveria cantar para ele. Eu não devo dizer que não estranhei a presença
dele ali. Não era comum que
ele estivesse no estúdio àquela hora. Apesar disso, eu continuei cantando, cantando para
ele ouvir, tentando dizer que o amava, mesmo que a canção que eu entoasse não fosse uma canção de amor. Mas eu cantaria para
ele. Cantaria qualquer canção que ele quisesse ouvir. Até que eu pudesse ser capaz de lhe mostrar
aquela canção. A canção de amor que eu não terminei. E enquanto isso, eu tentaria dizer, do meu jeito, o quanto eu o amava. Foi impossível para eu conter um sorriso tímido quando
ele me elogiou. Seus elogios a minha voz eram raros e quando vinham eu me sentia a mais feliz das criaturas, e a mais miserável. Algum dia, eu poderia cantar
aquela canção? Porém, naquele dia,
ele me ofereceu um dos copos de suco que tinha nas mãos. Um líquido saboroso que seria muito bem vindo para alguém que precisava beber alguma coisa. E qualquer coisa que
ele me oferecesse eu aceitaria. Pois não era sempre que
ele poderia me oferecer algo. Foi exatamente por isso que eu senti meu coração parar de bater por alguns instantes, que meus pulmões esqueceram que necessitavam respirar e meus olhos não lembraram de piscar.
\"Eu também gosto de você\" Eu nunca esperaria ouvir aquelas palavras, assim como nunca as esqueceria. Seria impossível esquecer o quão gracioso foi seu sorriso tímido. O quão lindo ele ficava com as bochechas ligeiramente coradas. O quão próximo seus lábios ficaram dos meus, pedindo por um beijo que eu nunca seria capaz de lhe negar. E seria impossível não notar seu jeito delicado ao se entregar àquele ato tão repleto de significados. Eu podia sentir o toque suave dos dedos
dele em meu rosto, acariciando tão gentilmente que eu pensei que fosse alguma espécie de criatura delicada que fosse quebrar ao seu toque. O perfume de sua pele inebriava meus sentidos, fazia-me afundar mais e mais no calor de seus lábios, procurando decorar cada milímetro de sua boca para jamais poder esquecer que ali era meu lugar. E quando nos separamos, eu desejei me afundar nos olhos
dele que brilhavam com algo que eu nunca havia visto. Pela primeira vez eu pensei que \"morrer de felicidade\" não era o que eu desejava, eu queria viver aquilo, eu queria que
ele visse o quanto eu queria viver aquele sentimento. Eu nunca esperei que ele me correspondesse, o que tornou tudo mais intenso, melhor do que qualquer uma das fantasias que eu havia criado. Simplesmente porque era real. Era
ele ali ao meu lado, me abraçando carinhosamente com suas mãos gentis, acariciando suavemente minhas costas enquanto escondia, envergonhado, o rosto na curva do meu pescoço. E eu apenas o achava cada vez mais adorável. E naquele momento, eu prometi a mim mesmo que daria tudo que
ele precisasse. Tudo que
ele quisesse. Tudo que
ele pedisse. E quem diria que uma promessa silenciosa e tão banal seria apenas o começo do meu erro? Aquela foi a época mais feliz da minha vida.Eu estava ao lado
dele, admirando cada sorriso que
ele me dava, cada detalhe do rosto delicado e infantil. Lentamente eu ia descobrindo cada parte do corpo perfeito que
ele possuía. Em nossa primeira vez juntos, eu o deitei na cama com cuidado, observando cada um dos arrepios que causava em seu corpo. Admirei seu sorriso encantador, vendo a luz refletir no piercing em seus lábios, que logo foi escondido quando
ele mordeu o cantinho do lábio, sorrindo malicioso. E mesmo com aquele sorriso, ele parecia a mesma pessoa infantil e angelical de sempre. Eu o despi de suas roupas, revelando a pele alva como a neve e, fascinado demais, beijei cada parte de seu corpo. O acariciei como o mais fino dos tecidos. Apreciei cada suspiro, cada gemido, cada sussurro e cada sorriso. Cada toque dele era como o fogo, aquecendo e inebriando cada um dos meus sentidos. Como um enólogo degustando o mais saboroso dos vinhos, eu bebi da existência
dele, afundando-me em seu corpo com a lentidão torturante e ao mesmo tempo prazerosa que só o amor pode nos proporcionar. Eu senti seus dedos em meus cabelos, suas pernas entrelaçadas em minha cintura, enquanto ele me pedia por mais. Eu sempre estaria disposto a lhe dar mais e mais do meu amor, porque nunca parecia que eu lhe dava o bastante. Com os lábios próximos aos
dele, eu chamei por seu nome, implorando para que aquele prazer fosse eterno e para que ele sempre estivesse ao meu lado. Era com aqueles gestos que eu tentava demonstrar, ao menos um pouco, o amor que sentia por
ele. Foi com as mãos entrelaçadas as
dele que eu ouvi pela primeira vez o primeiro single do Irodori pronto. Foi com um sorriso de pura felicidade que vi a alegria
dele ao terminar aquele trabalho. E eu não pude deixar de sentir o mesmo ao vê-lo tão feliz. Como eu poderia não me sentir plenamente feliz ao realizar um sonho nosso? Um sonho de nós dois, juntos. E por alguns meses eu esqueci a canção. A canção interminada em minha escrivaninha. A canção de amor perfeita a qual eu usaria para me declarar. E não a esqueci porque não a desejava mais e sim porque eu já tinha meu amor. Ele sabia o quanto eu o amava. Eu tentava, da forma mais intensa e verdadeira, provar a cada segundo o meu amor. Sendo assim, aquela canção ficou lá, naquela escrivaninha. Uma canção não começada e não terminada. Que deveria dizer tudo e não disse nada. E eu nunca pensei que aquela canção nunca escrita seria a nossa canção.
Meydl, meydl, ch\'vel bay dir fregen, Vos kan vaksn, vaksn on regn? Vos kon brenen un nit oyfhern? Vos kon benken, veynen on treren? Senhora, senhora, me diga novamente O que pode crescer, crescer sem a chuva? O que pode incendiar durante muitos anos? Quem pode ansiar e chorar, sem lágrimas? Eu havia sentado em um dos bancos do parque, admirando o fim da primavera. O parque estava repleto de crianças. Correndo. Brincando. Sorrindo. O vento soprava carregando pétalas de flores pelo ar. Os muitos pássaros voando, planando, levando comida para alimentar seus filhotes. O pólen era carregado, garantindo as mudanças que só aconteciam na primavera. Eu sempre acharia a primavera a estação mais linda do ano. Fechei os olhos, apreciando o toque do vento em meu rosto. Os sons pareciam desaparecer nesses momentos, e tudo que parecia existir era
ele. Eu podia ver as inúmeras vezes que tinha sido brindado com seu sorriso. Que aqueles olhos castanhos tinham brilhado mais forte por um motivo qualquer. Ou então a expressão concentrada que ele possuía quando estávamos em algum show. Abri os olhos, vendo o céu azul novamente. Os pássaros voando. Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto ao mesmo tempo em que eu levantei calmamente. Comecei a caminhar, não queria me atrasar por nada no mundo. Eu não devia ficar admirando, pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo. Não era hora de sonhar. Eu o vi a poucos metros de distância, se aproximando e fazendo todo o mundo ao seu redor desaparecer. Meu próprio sorriso se alargou ao notar que
ele vestia a blusa que eu tinha lhe dado de presente de aniversário. Uma blusa preta, com a estampa de algumas pétalas de cerejeiras voando com o vento. Os olhos castanhos
dele fitaram os meus, e um sorriso brotou em seu rosto, um sorriso que era capaz de iluminar o mundo. Inocente e infantil, mas que despertava meu desejo de abraçá-lo, beijá-lo, senti-lo. Eu segurei na mão
dele, olhando-o como se ele fosse o único homem do mundo. E ele era exatamente isso para mim. Nós caminhamos juntos, de mãos dadas, conversando amenidades e admirando a primavera. E a primavera era especial, pois foi naquela estação que
ele havia me dito o que eu sempre imaginei ser impossível. Que
ele havia dito que gostava de mim.
\"É uma pena que a primavera não dure o ano inteiro\". Palavras
dele. Tão simples tão verdadeiras. Por que a primavera não podia ter durado a vida inteira? Era a única coisa que eu pensava enquanto
ele me dizia que tudo tinha acabado. Que poderíamos ser amigos, mas aquele sentimento especial havia terminado. E, naquele momento, o mundo parecia estar se despedaçando em mil partes diferentes. A primavera parecia estar dando lugar ao inverno, escuro e gelado. Eu o fitei, desejando gritar, chorar, implorar por uma segunda chance, por qualquer coisa que pudesse fazê-lo dizer que tudo aquilo fosse apenas uma brincadeira de mau gosto. Mas eu não consegui. Não conseguia chorar no momento que mais precisava, não conseguia falar, gritar ou implorar. Apenas conseguia ver tudo se desfazendo enquanto eu me sentia como alguém que teve o melhor dos sonhos e havia sido obrigado a acordar para a realidade cruel. Eu vi o mundo perder as cores, enquanto eu ia me perdendo dentro de mim mesmo. E quando dei por mim novamente,
ele já estava indo embora, andando em outra direção. Só então as lágrimas deixaram meus olhos, caindo lentamente por meu rosto enquanto eu o observava se afastar. O pano negro de sua blusa com os desenhos de flores de cerejeira. Meu olhar voltou-se para o chão e eu vi uma única e solitária pétala de cerejeira. Rosa e ao mesmo tempo sem cor. Abaixei, juntando e guardando aquele pedacinho do que um dia havia sido uma flor. Porque todas as flores caem um dia. Naquele dia eu voltei para casa, sentando na escrivaninha e pegando meu caderno de composições. Abri em uma página especial, que não tinha nada, vazia como várias outras folhas, mas deixada em branco no meio de outras tantas repletas de canções. Guardei a pétala de cerejeira ali, e pegando a caneta, eu tracei as palavras no papel: \"Queda da florada\". Aquela canção não foi escrita naquele dia. Ela não poderia ser escrita naquele dia. Ela deveria dizer tudo em nada. E eu não teria sido capaz de escreve-la como eu queria naquele momento. Depois disso, tudo que pude fazer foi fechar o caderno e olhar pela janela. A chuva começava a cair pela cidade. E eu lembrei das aulas do primário, nas quais a professora dizia sabiamente que as flores precisavam ser regadas para crescer. O que poderia crescer sem ser alimentado? Será que se eu parasse de alimentar meu amor por
ele, aquele sentimento amainaria a ponto de eu poder fazer do desejo
dele de sermos apenas amigos se tornar real? Eu não tinha certeza se podia fazer aquilo. Porque o amor que eu sentia era tão forte que se tornava quase palpável. Como eu poderia abafá-lo? Viver como se aquele sentimento não existisse? Olhar para
ele como olhava para outras pessoas? Eu não lembro de ter desejado tanto quanto aquele dia para conseguir chorar o que estava abafado em meu peito. E nem esse desejo eu tive realizado.
Narisher bocher, vos darfstu fregn? A shteyn ken vaksn, vaksn on regn. Libeh ken brenen un nit oyfhern. A harts kon benkn, veynen on treren. Tolo rapaz, por que ainda pergunta? É a pedra que cresce, que cresce sem chuva. É o amor que pode incendiar por anos. É o coração que pode chorar sem lágrimas. Fechei o zíper do casaco, enrolando o cachecol entre o pescoço e enterrando as mãos nos bolsos. A neve caia por toda a cidade enquanto eu caminhava tentando me esquentar ao menos um pouco. Atravessei a rua, chegando no parque que agora só tinha as árvores sem folhas e cobertas por neve. Sentei no mesmo banco de sempre. Observando o local que eu já conhecia de cor. Eu ia ali todos os dias. Sentava no mesmo lugar todos os dias. Observava as mesmas coisas todos os dias. Desde que
ele havia me dito que tudo tinha acabado. Aquilo tinha sido na primavera, e naquela época estávamos no inverno. O inverno gelado de Kyoto. Meus olhos percorreram todo o parque quase vazio naquele dia gelado. Não tinha crianças correndo, pássaros cantando, flores brotando. Era apenas o branco da neve. Nenhuma cor. Nenhuma flor. Um cenário lindo e triste que arrancou um pequeno sorriso de meus lábios. Devagar, abri a bolsa que eu carregava, tirando um caderno velho e uma caneta. Abri a página com a pétala de cerejeira e que só continha o título daquela canção nunca escrita. Eu já sabia como escrever minha canção. Eu sabia como dizer \"eu te amo\" de uma maneira que só
ele fosse capaz de entender. E enquanto eu escrevia, eu ainda desejava que um dia pudesse derramar as lágrimas que meu coração guardava silenciosamente. Pois eu já sabia que nunca poderia abafar aquele sentimento que era capaz de crescer sem a chuva. Eu desejava que um dia as cores voltassem para a minha vida, como a primavera volta depois do inverno. E eu esperava poder renascer com as flores. Mesmo que isso significasse morrer ao fim da estação, eu ansiaria a cada segundo para que o olhar
dele caísse novamente sobre mim. E minha canção? Ela falaria sobre flores e cores, e não mencionaria uma vez sequer a palavra amor. Uma verdadeira canção de amor que só
ele seria capaz de compreender verdadeiramente.
Fim 2007.1811
Notas finais
1 - Tumbalalaika é uma canção folclórica russa.
2 - "Queda da Florada" é a tradução de "Saite Chiru" canção do segundo single do Irodori e nome de uma das fics que eu escrevi e que faz parte da mesma linha temporal e enredo dessa fic aqui, assim como "If I could see your heart" e "Borrões".
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