Tudo É Possível

8 8 - Dificuldades


Notas iniciais
"Nem todos os jogos se joga sozinho. Precisamos aceitar que em certos momentos, nós precisamos de ajuda."

O tempo ia passando, mas parecia que as horas eram mais longas que o convencional. O barulho da televisão e o típico programa infantil não saciavam mais a atenção de Matthew. A ansiedade e animação tinha tomado conta dele desde a parte da manhã. Ele não conseguia acreditar que poderia sair todos os dias para acompanhar Francis até o colégio.

A volta do mais velho era o que ele aguardava, pois precisava dar-lhe a notícia maravilhosa que tomou conta do seu dia. Precisava compartilhar isso com Francis. Ele era o seu melhor amigo.

– Matthew, você gostaria de comer alguma coisa antes do Francis chegar? – a senhora Bonnefoy gritava da cozinha.

– Não precisa. Irei aguardá-lo.

Ele queria aproveitar toda e qualquer oportunidade de estar ao lado de Francis. Desde que ele viera morar com ele, não gostava de desgrudar do amigo. Mas era inevitável essa separação quando o mais velho ia para o colégio. Ele só podia esperar seu retorno.

– Acho que as coisas estão começando a melhorar... – ele sorria confiante.

– Matthew, você quer uma nova tarefa? – a senhora Bonnefoy apareceu na sala segurando um pequeno bolo de dinheiro.

–-- X ---

Francis terminava de organizar seus livros dentro da mochila. Logo que a pôs nas costas, um de seus colegas veio a interceptar seu caminho. Seu amigo era sorridente e confiante, e adorava expor a grandiosidade que pensara que tinha.

– Ei, Francis? Vamos lá para casa jogar vídeo game! – seu amigo soltou uma risada estranha – Antonio também irá.

– Você sabe que eu não posso. Tenho que voltar para casa.

– Só dessa vez! – ele se agarrou ao pescoço de Francis – O que você faz de tão interessante em casa que é necessário voltar o mais depressa possível?

– Bem... eu preciso cuidar de uma pessoa... – ele ficou vermelho e abaixou a cabeça.

– É um gato? Você adora gatos, né?

– Sim, eu gosto. Mas não é um bichinho de estimação.

– Pensei que fosse. Afinal, você sempre volta correndo direto para casa. – ele deu um grande suspiro – Pensei que você tivesse achado um gato abandonado e machucado. E que estivesse cuidando dele.

Ele não poderia comparar Matthew a um gato, mas ele é tão fofo quanto um. E se fosse para avaliar a situação, fora exatamente assim que ele encontrou Matthew. Ele só não era, literalmente, um felino.

– Quem sabe outro dia, Gilbert. Diga para Antonio que eu irei na próxima! – Francis saiu correndo para fora da sala.

Gilbert encarava o amigo sair da sala às pressas, e se perguntava quem fez Francis ficar daquele jeito. Deveria ser uma pessoa muito especial.

–-- X ---

A pequena confeitaria do bairro estava um tanto movimentada. Estava chegando a hora do almoço, e as pessoas faziam uma fila para terminar de fazer suas compras. E por causa da movimentação, o senhor Cesar, dono do estabelecimento, pediu para seus netos ajudarem com os clientes.

– Feliciano! Lovino! Peguem mais algumas porções de bolinhos na despensa.

– Claro, vovô! – Feliciano colocou uma das mãos na cabeça, fazendo um gesto de bater continência.

– Feli, pare de ser idiota e me ajuda a pegar esses malditos bolos de uma vez – Lovino segurou a camisa do irmão e começou a puxá-lo para dentro da despensa.

Enquanto Lovino procurava os bolinhos, Feliciano ficava cantando. Pelo visto, ele se esqueceu do que deveria fazer ao entrar na despensa, e por causa disso, os seus olhos voltaram para a entrada da confeitaria. Feliciano conseguiu enxergar um garoto loiro, sentado, e olhando diretamente para a porta de vidro da confeitaria.

Curioso, ele deixou seu irmão procurando os bolinhos e correu para ver quem era o garoto loiro. E cada passo mais perto da porta, ele foi juntando mais detalhes de onde o menino estava sentado, até que chegou perto o suficiente e abriu a porta.

– Você poderia me ajudar? – Matthew apontou para o chão.

– Mas o que aconteceu?

– Não consigo entrar na loja com a minha cadeira por causa desse degrau...

Depois de encarar por um tempo, Feliciano notou que as rodas da cadeira do menino loiro eram menores que o degrau que o separava da loja. Sem demorar muito, Feliciano foi para atrás da cadeira e tentou empurrá-la. Mas a cadeira não ia para frente, e em uma das tentativas, Matthew quase caiu dela.

Feliciano ainda tentava empurrar a cadeira, mas foi detido com o pedido de Matthew para ele parar. E por causa disso, o jovem garoto ruivo ficou confuso.

– Mas... você não queria entrar na loja?

– Sim... mas não tem como eu entrar por causa dessa maldita cadeira. – ele esboçava uma expressão triste.

– Não se preocupe, eu irei chamar o meu irmão para ajudar!

– Não precisa chamar ninguém, eu vou ajudar. Eu que sempre cuidei dele não tenho porque ficar só olhando.

Matthew e Feliciano encararam a nova voz que tinha se manifestado. E quando Matthew percebeu que era Francis, ele voltou a sorrir, e logo ficou afoito para matar a saudade. Mas Francis estava confuso. Ele não entendia o porque de Matthew estar na rua e em frente a confeitaria.

– Não se preocupe, Francis. A senhora Bonnefoy me pediu para comprar uma torta para comermos depois do almoço. – ele levantou as poucas notas de dinheiro que ela tinha lhe dado.

– Mas pelo visto... isso está sendo complicado...

– Bem, eu ia voltar pra casa e dizer para ela que tem um degrau atrapalhando.

– Você pode voltar pra casa... depois de comprar a torta. – Francis pegou os cabos da cadeira e fez um movimento que levantou a parte da frente da cadeira. Logo, ele conseguiu entrar na loja.

–-- X ---

O senhor Cesar e seus netos olhavam os dois meninos saírem da loja e acenando para eles antes de virarem a esquina.

– Matthew é um menino legal, vovô. – Feliciano sorriu – Ele pode vir aqui mais vezes?

– Claro que pode. Desde que ele sempre compre alguma torta. – o senhor Cesar soltava uma pequena gargalhada.

– Viciado em dinheiro... – Lovino falou baixinho.

–-- X ---

Francis percebia que Matthew estava inquieto, pois ele ficava o tempo todo ajeitando a torta em suas pernas. E por pura preocupação, ele perguntou o que estava acontecendo.

– Estou um pouco triste...

– Pelo o que aconteceu na confeitaria?

– Sim...

– Sobre você não conseguir subir aquele degrau?

– Eu deveria aprender a fazer isso sozinho... Mas eu fiquei um bom tempo lá tentando e não consegui. Até o Feliciano aparecer e tentar me ajudar... Eu só dou trabalho para os outros.

– Mas você sabe que por causa das suas pernas... – Matthew o encarou com uma feição chorosa.

– Desculpe por ter lhe dado tanto trabalho esses 3 anos, Francis... Me desculpe.

Ele não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Ele não quisera que Matthew se sentisse desse jeito. Cuidar da pessoa que ele gosta era mais do que uma benção para Francis. Mas após ouvir isso, ele só chegou próximo de Matthew e o abraçou. O abraço foi tão repentino que Matthew quase derruba a torta que ele estava carregando.

– Matthew... não peça desculpa. Você não fez nada de errado. Se eu estou cuidando de você, é porque eu gosto de fazer isso. Você é muito especial para mim, e eu só não quero que nada de mal lhe aconteça... Coisas como lhe ver triste, chorando, machucado... Quando eu o vejo assim, eu que me sinto preso em uma cadeira de rodas.

Matthew sentia o cheiro daqueles cabelos longos, misturado com aquelas palavras. Francis sempre dava o melhor de si para fazer com que o mais novo fosse feliz. Ele deveria ter lembrado disso. Desde o início, Francis tinha sido desse jeito: protetor.

– Vamos para casa almoçar. Quero provar a torta que você comprou. – Francis sorriu para o menor.

– Sim... vamos logo! – Matthew enxugava as poucas lágrimas que surgiram em seus olhos.

– E não se preocupe com mais nada, ok? Eu sempre vou estar com você.

Matthew confirmou com a cabeça. Ele estará tão feliz por ter encontrado alguém como Francis. Ele foi a pessoa que ajudou a iluminar a sua vida quando ela já estava quase na escuridão total. Ele fora a pessoa que o notou e que o acolheu. Não existia pessoa que pudesse se comparar a ele.

– Matthew.

– Sim?

– Você se machucou em algum lugar?

– Não que eu me lembre.

– Sua testa... está arranhada.

O menor colou a mão na testa para sentir o arranhado. Ele não lembrara se tinha passado por algum lugar que tivesse feito essa marca. Mas ele supôs que não era nada e disse para Francis não se preocupar. Mas quando disse isso, ele pode perceber que estava olhando para a camisa de Francis. Ela estava muito perto. Mas o mais surpreendente foi sentir os lábios de Francis tocando sua testa onde o arranhado estava.

– Pronto. Agora vai melhorar bem mais rápido! – Francis sorriu mais uma vez.

Notas finais
Eu sei... eu deveria ter postado no fim de semana ou na segunda... mas a preguiça e coisas da faculdade me dominaram. Espero que possam me perdoar. E eu achei estranho esse estilo de notas Iniciais e Finais do Nyah... quem concorda? Enfim, sobre a fic~~ Pretendo dividi-la em "Crianças", "Adolescente" e "Adulto". E por eu gostar de enrolar demais em certas coisas, eu creio que ela vai demorar para acabar... Isso pode ser um pouco ruim. O que eu quero dizer é: a parte de "Criança", talvez, esteja chegando na metade. E tem o "talvez" por eu nunca ter certeza de quando acaba as coisas. Resumindo: eu sou uma bosta escrevendo. Mas depois dessas minhas notas finais confusa, eu espero que tenham gostado. Até o próximo capítulo~~