Tudo É Possível

3 3 - Fatos |Parte I|


Notas iniciais
"Aproveite cada segundo. Mesmo que seja apenas dois. Lembre-se: dois segundos podem ser os segundos antes de você tomar um copo d'água, ou os segundos antes de você morrer."

“Sete meses atrás...

Eu brincava, alegremente, com o meu antigo bichinho de pelúcia no meio da sala. Então escuto a voz do meu pai. Ele parecia bem entusiasmado. Falava muito alegre e ansioso, e falou tanto, que eu me envolvi com a sua animação.

Minha mãe estava tão energética quanto. Dizia que finalmente poderia passar mais tempo com a família e que faria bem para todos.

A euforia era de se esperar. Porque, após um bom tempo, os três iriam viajar juntos! E a viagem iria durar mais tempo, pois eles resolveram viajar de carro. Foi algo que, aos meus quase oito anos de idade, era incrível! Seria algo surreal. Uma viagem só com os meus pais. Seria o melhor presente que eu podia imaginar!

Não deu nem uma semana direito, e já estávamos com as malas prontas e com a animação no máximo. Eu finalmente poderei ficar mais tempo com eles!

– Está chovendo muito... – meu pai reclamava do tempo – Queria que essa garoa parasse logo. Preciso enxergar o caminho.

– É só ir um pouco mais devagar. – minha mãe tentava acalma-lo – Senão pode acontecer um acidente.

– Estou indo devagar. Mas o problema maior é essa nevoa e essa escuridão.

Sim, meu pai estava indo devagar e com os faróis bem acesos. Ele não gostava de se apressar na estrada, e sem falar que a chuva nunca permitiria ele fazer uma coisa dessas. Mas não culpo meu pai pelo o que aconteceu. Ele não fez nada para isso terminar daquele jeito.

Eu, que parei de prestar atenção na conversar, fiquei brincando com o meu urso no banco de trás. Estava tão entretido na minha brincadeira, que resolvi ficar de joelhos no banco e olhar pela janela que fica atrás do carro para usar de cenário para a minha história.

Não dera nem cinco minutos, e eu enxergo dois pontos de luz no fim da estrada. Espremi os meus olhos para tentar ver o que era. Aquilo era estranho e assustador, mas não consegui identificar o que fosse. Gritei para o meu pai para que ele desse uma olhada naquilo.

– Depois, Matthew. Tenho que ficar de olho na estrada.

– Mas os pontos brilhantes ficam indo de um lado para o outro! Isso está me dando medo!

– Devem ser fadas, meu filho. Talvez elas queiram só chamar a sua atenção.

Não, aquilo não eram fadas. Os pontos foram se aproximando mais ainda. Cada vez que eu piscava, eles ficavam maiores na minha visão. Estava com tanto medo que deixei de olhar para os dois pontos e me sentei no banco e comecei a abraçar o meu urso. Aquilo não era normal.

– Não se preocupe, filho. Depois que a chuva passar e as fadas vão embora. – meu pai tentava me animar.

– Sua mãe não vai deixar que essas fadas façam alguma coisa com você. – minha mãe se virou para mim quando disse isso.

E foi a última vez que eu vi o rosto dela me encarando.

Depois disso, eu só consegui ouvir um grande barulho e sentir uma forte batida na traseira do carro. Foi tão rápido que eu não consegui distinguir quando eu ainda estava de cabeça para cima ou para baixo. Eu só tentava entender o que tinha acontecido.

Consegui sentir um grande choque de um estilhaço do carro cortar e perfurar as minhas costas e outros estilhaços machucando as minhas pernas. Sabia que o estilhaço maior tinha atingindo algum lugar próximo da cintura, mas não sabia que por causa desse estilhaço, a minha vida mudaria tanto.

–-- x ---

Quando eu acordei, brevemente, eu vi que estava fora do carro e que a minha mãe e o meu pai estavam estirados ao asfalto, com a chuva caindo e molhando seus corpos.

Tinha sague por todo canto que eu olhava.

Eu tentava gritar, mas nada adiantava. A voz não saía! E a dor que eu sentia era a pior do mundo. Não conseguia me virar para tentar enxergar o que tinha nos atingido. A única coisa de diferente, era um pneu maior que a do nosso carro.

Não aguentei mais e desmaiei.

–-- x ---

Na segunda vez que eu acordei, eu estava olhando para um grande teto branco. Ele estava em movimento, e aquilo me dava dor de cabeça. Parecia que eu estava em cima de alguma coisa e ela se movia.

Tentei virar o meu rosto para enxergar alguma coisa diferente, e quando consegui fazer isso, eu pude ouvir algumas pessoas gritando.

– O garoto está se movendo!!

Não consegui entender o porquê daquela frase se tornar uma frase de alívio. Eu não queria estar por lá. Eu queria que meus pais chegassem logo e me tirassem dali.

Eu sentia que tinha algo cobrindo as minhas pernas, e que o ferimento da minha costa estava amarrado. Mas a dor não cessava em nenhum desses dois cantos do meu corpo. Mas pior que a dor, era não ter ideia de onde eu estava e o que iriam fazer comigo.

Gritava mentalmente para que me deixassem ir embora. Queria ver os meus pais e ir para casa.

Parece que uma daquelas pessoas tentou entender o meu desespero e parou de me levar para onde eles queriam. Mas eu só senti pegarem o meu braço e enfiarem uma agulha nele. Senti a dor de ter a agulha no meu corpo e comecei a chorar. Não só por causa do que estavam fazendo com o meu braço, mas por causa de tudo que estava acontecendo. Das coisas que eu não entendia e das que eu passei a entender.

Logo que a pessoa tirou a agulha do meu braço, eu comecei a adormecer, e a última coisa que eu vi foi uma enorme luz em cima de mim e umas pessoas com máscaras brancas.

Fechei meus olhos e não soube o que aconteceu comigo depois disso.

–-- x ---

A terceira vez que eu acordei eu olhava para uma parede num tom azulado, nela tinha uma pequena mesa com caixas de remédios e uma jarra.

Eu estava em cima de uma cama, com muitos fios ao meu redor e um lençol fino cobrindo as minhas pernas. E com as informações que eu fui pegando, eu sabia que estava em um quarto de hospital. Mas aquilo não era importante. Eu só queria saber dos meus pais.

Não pude ter muita certeza, mas tinha algumas pessoas na porta, e elas estavam falando coisa estranhas. Palavras como acidente e caminhão vieram à tona nas falas de cada um.

Se eu tivesse escutado toda a conversa, eu saberia da pior parte, mas o cansaço repentino tinha me pegado, e os olhos começaram a fazer um grande esforço para se manterem abertos.

Nada mais restava fora dormir naquele lugar.

–-- x ---

Na quarta vez que eu acordei, eu consegui me manter mais alerta. Eu olhava para os lados do quarto onde eu estava e vi que não tinha mais ninguém além de mim. Me perguntava com frequência onde estavam meus pais. Será que eles estavam em quartos diferentes do meu? Ou eles eram obrigados a me esperar do lado de fora?

Mas ninguém me falava nada.

Passou quase dez minutos após esse meu pensamento, e um homem alto com jaleco branco entrou e se aproximou de mim.

– Olá. – ele tentava sorrir de uma maneira agradável – Sou seu médico. – eu o encarava muito, mas não queria conversar – Bem, de acordo com os pertences e documentos achados, o seu nome é Matthew, não é? – eu confirmei com a cabeça – Bem, você já está no hospital a três dias. E vai ter que ficar pelas próximas três semanas para tentar se recuperar dos ferimentos em suas pernas e nas suas costas. Eu espero que compreenda. – eu o encarei por mais alguns segundos e depois confirmei com a cabeça.

Ele parecia querer me contar algo, mas ficou receoso. Só que a curiosidade foi maior naquela hora, então eu me forcei a dizer alguma coisa para que ele me falasse o que era.

– E-Eu... m-m-eus... – o médico colocou uma das mãos em meu ombro.

– Tente descansar.

– M-M-eus...

– O que você quer saber? – ele olhava para mim de forma triste.

– P-ai-is...

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e depois suspirou, ele realmente não queria me informar aquilo. Será que os meus pais estavam em alguma sala de cirurgia? Ou o caso deles era mais grave?

Mas o médico ficou em silêncio.”

Notas finais
Vou tentar contar essa parte em três. Mas se eu conseguir escrever tudo certinho, eu acabo no próximo. Espero que tenham gostado~