Tudo É Cinza

3 Apenas Mais Um Dia


Notas iniciais
Eu ia postar de manhã, mas esqueci totalmente! Bem, aqui está o capítulo. Boa leitura.

Adam já estava tomando seu café da manhã. Tinha preparado um sanduíche e um pouco de café. Lá fora estava um sol fraco, mas não havia muitas nuvens no céu.

Já faziam dois dias que George falou sobre sua mãe e ele ainda estava pensando sobre isso, que poderia ser mais gentil ou ou simplesmente ignorar para que ele não tenha que pensar ainda mais nisso.

Depois de escovar os dentes, penteou o cabelo e já foi direto para o trabalho. O tempo estava agradável. Nem foi uma experiência ruim esperar o ônibus, como no outro dia.

Ao chegar no trabalho, foi direto para sua mesa. Não falou com muitas pessoas. Não sabia se podia falar com Harry ou se ele estava apenas conversando com ele porque estava bêbado. Provavelmente era melhor parar de pensar tanto e focar no computador que estava usando.

— Oi, Adam. — Harry falou, chegando por trás dele e sentando numa cadeira vazia que estava por perto.

— Oi? — Respondeu, assustando-se e colocando a mão na mesa.

— Como percebe, cheguei bem em casa e tive um final de semana tranquilo.

— Que bom. — Adam sorriu e voltou a olhar para a tela do computador.

— Semana que vem eu vou no cinema com uns amigos, quer vir também? É para assistir esse novo filme da Marvel que vai estrear. — Perguntou.

— Eu... — Adam parou para pensar se seria bom ficar vacilando nos assuntos mais uma vez ou se o filme tomaria maior parte dos assuntos. Ele lidava muito melhor com uma pessoa sozinha do que com grupos. Provavelmente iam o excluir dos assuntos novamente.

— Você vai ou não? Adam, você me assusta às vezes. — Harry riu, mas parecia falar sério.

— Vou pensar e depois te falo, ok? — Falou, animado ao lembrar de Samanta.

— Não vejo problemas. — Falou, levantando-se e estendendo a mão para Adam apertar.

— Ok. — Ele apertou a mão de Harry e focou no computador novamente.

~’~’~’~’~’~’

— Samanta, me ajuda por favor. — Pediu a amiga pelo celular.

— Vou por no viva-voz, estou me arrumando. — Falou, apertando o botão e vestindo uma calça.

— O que você quer? A gente vai se encontrar amanhã de noite. Não pode esperar até lá?

— Você é uma vadia maligna, sabia disso? Minha boca está seca, Sam. Minha boca está seca! — Gritou, rindo e vestindo uma blusa.

— Adam, o que você quer? — Ela riu também.

— Eu vou num encontro já já. Eu não sei o que fazer porque a última vez que eu fui num encontro foi com Sebastian no ensino médio e ele riu de mim. Engraçado que ele me beijou também, então não sei o que tirar disso.

— Adam, você está falando demais. Não faça isso. Aja naturalmente. Seja você mesmo.

— Você quer que eu seja um geek viciado em seriado e jogos? Ou então um inseguro? — Falou, tentando demonstrar a maior quantidade de ironia possível pelo celular.

— Então não seja você mesmo. Provavelmente assustará o cara.

— Certo. Vou tentar descobrir o que ele gosta antes de sair falando.

— Isso mesmo. Posso ir agora?

— Nossa, quando vamos nos tratar bem? Sabe, como amigos normais. Suporte! Positividade! — Adam riu, colocando seus óculos e abotoando a camisa.

— Adam, não somos normais.

— Ok, obrigado. Não preciso mais de você por agora. Até depois, espero que isso saia minimamente bom. — Falou, indo até o celular.

— Ok, até amanhã. — Samanta finalizou a ligação.

Adam estava pronto, então foi até o ponto de ônibus e entrou em um. Não resolveu pensar muito, apenas foi até o restaurante que ele nem se lembrou de olhar o nome e reservou uma mesa.

Depois de alguns minutos, um homem da idade dele entrou e sorriu ao vê-lo.

— Você deve ser Adam. — Falou, sentando na cadeira, que ficava de frente a de Adam.

— Oi, e você deve ser Tobias. — Adam sorriu e o cumprimentou, sentindo-se um pouco desconfortável. — Vai querer pedir logo?

— Claro, eu estou com fome.

— Então, quais são os seus hobbies? — Adam perguntou, demonstrando interesse na vida de Tobias.

— Jogar futebol, carros e jogos de tiro. — Tobias respondeu sem muita emoção.

— Ah, eu gosto de jogar também. — Adam tentou arrumar alguma conexão entre eles.

— Aqui está, senhor. — O garçom entregou um cardápio para Adam e outro para Tobias.

— E então, o que vai pedir? — Adam perguntou, mais uma vez tentando puxar algum assunto.

— Sinceramente? Eu queria pizza. — Reclamou.

— Bem, não tem pizza aqui. — Adam revirou os olhos e voltou a olhar o cardápio. — Acho que vou querer uma salada.

— Sério? Isso é coisa de viado. — Tobias riu.

— Cadê a bala perdida quando a gente precisa dela…— Adam sussurrou e sorriu para ele.

~’~’~’~’~’~’

Adam estava em casa, três horas depois do encontro. A cada minuto que passou ali queria revirar os olhos, mas isso seria rude.

— Isso é coisa de viado. — Repetiu com uma voz irritante e colocou café na máquina. Foi até a janela de seu apartamento e ficou olhando as pessoas lá fora. Apenas olhando e pensando em todas as coisas que aconteciam, quantas pessoas estão lá, passando por coisas que ele sequer imaginou. Pensando se Samanta passava por coisas e nunca disse para ele. Ela provavelmente diria, era o que ele dizia a si mesmo.

Era hora de dormir, ia acordar cedo no outro dia e era melhor ir dormir logo. Adam tirou a blusa e caiu direto na cama, sentia-se muito cansado para tomar um banho ou colocar um pijama. Mas ele odiava a sensação de dormir nu, ao menos sozinho. Não gostava de forma alguma a sensação do tecido da cama em toda a sua pele.

Ao acordar, foi até o espelho e se olhou. Estava com olheiras, parecia que tinha tomado umas doses e agora estava de ressaca.

— Deve ser por isso que tenho 25 e nunca namorei. — Falou, sorrindo por auto piedade e lavando o rosto.

Depois de se arrumar, foi para o trabalho. Não ocorreu nada demais por lá, apenas um dia normal.

~’~’~’~’~’~’

— Samanta, estou aqui. — Adam bateu tocou a campainha da casa e esperou. Era uma casa fora do centro, tinha seu próprio terreno e isso era bom. A varanda era confortável e tudo parecia arrumado. Era óbvio que Samanta morava com os pais.

— Estou aqui! — Ela abriu a porta e o abraçou. Seu cabelo encostou nos lábios de Adam, deixando-o desconfortável.

— Pelo visto você está feliz. O que houve? — Questionou, desvencilhando-se e indo até a sala.

— Eu sou uma pessoa feliz. O inseguro da relação aqui é você. — Ela fez uma expressão sarcástica e fechou a porta.

— Ah, é verdade. — Concordou e foi até a cozinha. — Onde estão seus pais?

— Saíram, provavelmente só voltam amanhã de tarde.

— Uma pena, eles são adoráveis.

— Certo, vai querer torta de morango? — Perguntou, indo até a geladeira.

— Claro que sim. Adoro torta de morango. — Adam sorriu, transbordando felicidade.

— Percebo. Um pedaço pra você e outro para mim. Não pegue os dois! — Ela alertou, colocando a torta na mesa e retirando dois pedaços.

— Eu não faria isso. — Adam sorriu pelo canto da boca, soando maliciosamente.

— Claro que sim. Lembra do dia que você comeu uma taça de 500ml de sorvete todinha? Você ficou um tempão trancado no banheiro e com medo porque no outro dia era evento do colégio. — Samanta falou, começando a gargalhar.

— Apaga isso da sua mente, vaca. — Adam começou a rir também. Ela entregou-o um garfo, mas ele não conseguiu parar de rir para comer.

— Não fique envergonhado por isso, pelo menos não teve um garoto para piorar mais.

— Nunca tem. — Respondeu com uma voz quieta e começou a comer. Ela não respondeu nada, apenas comeu também. — Acredita que fui chamado de viado de forma negativa por um gay?

— O quê? — Samanta fez uma cara de confusa e o olhou.

— O cara do Tinder era muito chato. Toda hora tentava se mostrar machão. Eu juro que estava por um triz de acertar um tiro na cabeça dele. — Colocou a mão na cabeça e deu uma garfada forte na torta. — Porque existe homens que acham que todo mundo tem que ser viril?

— Porque a sociedade incentivou...

— Pergunta retórica, Sam.

— Eu sei. — Ela sorriu.

~’~’~’~’~’~’

Depois de uma hora, os dois estavam deitados no chão da sala, assistindo um filme aleatório.

— Eu conheci um cara esses dias. — Adam falou, sem tirar os olhos da tela.

— Sério? Ele é bonito? — Perguntou, demonstrando interesse.

— Ele é sim. — Adam sorriu.

— Meu Deus. Você gosta dele! — Samanta riu e se ajeitou no chão, colocando a cabeça na coxa dele.

— Eu não gosto dele, qual é. Nunca iria rolar nada, ele é assexual. — Respondeu, parecendo um pouco desconfortável.

— Certo, então você não gosta dele…

— Ele veio visitar a mãe. Ela está doente, mas ele não me deu muitos detalhes. — Adam falou, começando a acariciar seu cabelo.

— Droga, às vezes a vida consegue ser uma merda. — Samanta falou com um semblante triste.

— Quase sempre é. — Adam concordou e suspirou. — Espero que as coisas melhorem para ele.

— Espero que as coisas melhorem para todos nós.

— Eu não sei onde minha vida pode melhorar, sou feliz com o que tenho.

— Você precisa de mais amigos. Adam, você só tem a mim, isso é triste. — Samanta falou, demostrando seriedade.

— Não, não é verdade. — Ele retrucou, tentando ajeitar-se no chão, com uma expressão desconfortável. Samanta percebeu e focou o olhar em seus olhos.

— Adam, é verdade.

— Eu estou conhecendo pessoas novas. — Adam respondeu, sua voz soou como se tivesse vencendo uma discussão.

— Que bom. É por causa disso que você está saindo com o povo do tinder? — Samanta perguntou, voltando a focar na TV.

— Não… São as pessoas do trabalho. George sugeriu que…

— Você gosta dele.

— Cala a boca!

— Vamos jogar alguma coisa? — Samanta sugeriu, ligando o console.

— Claro, coloca alguma coisa aí. — Adam subiu para o sofá e pegou um controle.

— Certo, escolhe aí que eu te venço em qualquer coisa. — Ela riu, tentando provocá-lo.

— Tá.

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Adam acordou e percebeu que não tinha levado nenhuma roupa limpa para tomar banho e ir para o trabalho. Ficou alguns minutos pensando e resolveu fazer alguma coisa para Samanta e ele comerem.

— Sam! — Gritou andando pelo corredor, mas não houve resposta. — Sam! Qual é. — Gritou novamente, desta vez batendo na porta do quarto dela.

— O que é? Porra. — Ela respondeu, bastante irritada, sem abrir a porta.

— Eu estou sem roupa e estou me atrasando. O que eu faço? — Adam perguntou, começando a ficar nervoso.

— Vai assim mesmo.

— Sam... — Adam encostou a testa na parede e suspirou, sem saber o que fazer.

— Use a roupa de meu pai, ele não vai se importar. — Ela sugeriu.

— É o único jeito, ok. Obrigado! — Adam foi até o quarto dos pais de Samanta e abriu o guarda-roupa. Havia uma grande variedade de roupas, mas ele era um pouco menor que o tamanho ideal delas.

— Certo, é o único jeito. Droga.

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Adam entrou no prédio do trabalho e foi direto para sua mesa, sem falar com ninguém. Não queria que o vissem com roupas folgadas, apesar disso ser uma besteira.

— Adam, olá! — Harry aproximou-se e se sentou na cadeira da mesa ao lado.

— Oi! — Respondeu alto demais e sentiu um queimor rápido em seu estômago.

— Se assustou? Desculpa. — Harry colocou uma mão em seu ombro.

— Não. Estou bem. — Adam sorriu e recuou um pouco.

— Você está diferente. Roupas novas? — Harry perguntou, mas Adam sentiu como um aviso de que a roupa não caiu muito bem mesmo.

— Não, as roupas não são minhas. — Adam explicou, passando a mão na cabeça.

— Ah, mas você continua charmoso. Com certeza está fazendo muitas mulheres gostarem de você.

— Não tá dando certo, então. Saí com um cara e tudo o que ele fez foi ser distante.

— Um cara? Ah, você é gay. — Harrison falou, surpreso por nunca ter percebido.

— Sim, eu sou. Acho que já tinha falado disso.

— Aposto que eu não prestei atenção, mas por que eu só percebi por agora?

— Porque eu comecei a falar contigo por agora. — Adam sorriu de tanto nervosismo, começou a desejar de todo seu coração que o assunto acabasse para que ele pudesse ficar sem ver ninguém até trocar as roupas que não eram dele.

— Bem, preciso ir agora. Até depois! — Harrison levantou da cadeira ao ver que o funcionário que a utilizava estava se aproximando.

— Até depois. — Adam despediu-se e voltou a trabalhar. As horas passaram rápido e ele pôde voltar para casa antes de ficar ainda mais inquieto por estar com as roupas de outra pessoa.

A primeira coisa que fez quando chegou em casa foi tirar a roupa e entrar na banheira. A água estava relaxante. Adam tirou seus óculos encostou a cabeça na banheira e fechou os olhos. Mais uma vez, estava pensando em George e também no cinema que ia sair com Harrison e os outros.

Depois de uns minutos, levantou e se enxugou. Já estava sentindo-se melhor e saber que usaria as próprias roupas deixava-o confortável.

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Duas semanas se passaram, o tempo estava agradável. As folhas começaram a cair de verdade, pois em breve o inverno chegará. Era a época mais bonita para Adam.

Ele já estava na porta do cinema, esperando Harry aparecer com seus amigos. Alguns minutos se passaram e as únicas coisas que Adam pensava era que havia muitas pessoas no cinema para um dia qualquer e que eles estavam atrasados.

— Adam! — Harrison falou, animado ao vê-lo.

— Oi, tudo bem com vocês? — Perguntou, suspirando aliviado.

— Sim. — Disseram. Adam percebeu que apenas Carlos e Johnathan estavam lá, além de Harrison.

— Você também gosta da DC? — John perguntou.

— Gosto sim. — Adam respondeu, tentando ser simpático e sorrindo um pouco.

— Que bom, você não é otário como certas pessoas. — Olhou discretamente para Carlos, que percebeu e levantou o dedo do meio para ele.

— Você chegou cedo, não foi? — Harrison questionou, quase pedindo desculpas para Adam com o olhar.

— Não, cheguei um pouco antes de vocês. — Mentiu.

— Então, vamos entrar? — Carlos falou, entregando as entradas e adentrando a grande sala escura.

Após todos os quatro entrarem e se acomodarem, resolveram prestar atenção na tela. Propagandas de outros filmes estavam passando, pois eles chegaram antes do filme começar.

Carlos e Harrison estavam comendo salgadinhos e bebendo refrigerante, já Adam e Johnathan estavam apenas esperando o filme começar.

— E então, espero que o filme seja bom. — Adam tentou iniciar uma conversa com John, pois ele estava sentado ao seu lado.

— Estou com altas expectativas também. — Respondeu, sorrindo levemente. Adam teve quase certeza que Johnathan estava dando em cima dele.

O filme começou e todos resolveram fazer silêncio, Adam apenas sorriu de volta. Durante o filme, Adam sentiu uma mão passando em cima da sua, mas não fez nada. Depois de mais um tempo, sentiu mais uma vez. Olhou para o lado e viu que John também o olhava.

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Depois do filme acabar, Adam foi até o banheiro e entrou numa cabine. Sentou-se na privada com a tampa fechada e ficou mexendo no celular, pensando no que tinha acontecido. Ao abrir a porta, percebeu que John estava lá.

— E aí. — Falou, aproximando-se de Adam.

— Oi, gostou do filme? — Perguntou, extremamente nervoso com a situação que estava acontecendo. Adam não se afastou de John, que continuava vindo para mais perto dele.

Já era possível tocá-lo, os dois pararam por um momento. Adam estava paralisado e corando de tanto nervosismo, já John estava totalmente excitado.

— Você não acha que seria melhor... — Adam tentou falar algo, mas foi interrompido pelos lábios de Johnathan. Com o contato dos lábios, Adam fechou os olhos e se deixou ser guiado por ele.

John encostou Adam na parede do banheiro e pousou a mão em seu peito. Por ser maior que Adam, era mais fácil guiá-lo com as mãos. Adam começou a excitar-se também, seu pensamento não estava mais tão acelerado. O único problema seria se as coisas ficassem intensas, ele não tinha muita experiência com coisas sexuais.

De repente, Adam começou a pensar em George e tudo começou a desandar. Parou de responder os beijos e tirou a mão de John de dentro de sua jaqueta de couro.

— Desculpa, é que... — Adam falou, colocando a mão na cabeça.

— Ah, você é comprometido. — John olhou para baixo e se afastou um pouco.

— Não é isso, é que eu sou muito complicado. Eu só não... — Adam parou de falar e o abraçou brevemente. Deu o número do celular para ele e se afastou.

— Diga aos outros que eu estou passando mal e tive que ir embora sem eles. Gostei muito de passar um tempo com vocês. — Andou apressado até a porta do banheiro e errou a maçaneta.

— Tchau. — Bateu a porta e foi embora, imaginando como foi que John entendeu isso.

Saiu do cinema tão desnorteado que resolveu ir para casa a pé. As ruas estavam pouco movimentadas e silenciosas. Adam não conseguia pensar em muita coisa além de John e George. Principalmente George, ele sempre estava pensando nele, não importava o momento, ele sempre passava em sua mente. Mesmo que por um breve momento.

Estava pensando demais, novamente. Percebeu que tinha dinheiro em seu bolso e resolveu entrar num bar aleatório que estava em seu caminho. Caminhou até o balcão e sentou num banco. O ambiente estava pesado e cheio de pessoas, as lâmpadas escuras davam esse ar diferente ao local.

Ao olhar para o lado, percebeu que George estava sentado em uma cadeira, um pouco afastado dele. Havia um copo vazio em sua mão e sua cabeça estava abaixada.

— George! O que você está fazendo aqui? — Adam perguntou, colocando a mão em seu ombro.

— Aproveitando o resto de vida que posso ter. — Falou um pouco embolado, provavelmente bebeu muito.

— Vamos embora, você está mal. — Segurou seu braço e o puxou, mas ele não saiu do lugar.

— Não, Adam. Ela está mal! Eu estou bem e ela está mal! — George exclamou, parecendo irritado.

— Venha comigo, por favor. Você está muito bêbado. — Adam cruzou os braços, sentindo-se desconfortável ao perceber que estava atraindo atenção.

— Por que eu iria? Aqui parece melhor.

— George, por favor. Eu posso te ajudar com isso. — Adam estendeu a mão para fazê-lo levantar.

— Vai se foder! Você não é nenhum deus. — Gritou e abaixou a cabeça, cobrindo-a com os braços.

— Certo, pode ficar aí. Desisto. Provavelmente sua mãe estaria extremamente decepcionada com você! — Adam falou, mas só percebeu que foi algo ruim quando já tinha saído de sua boca.

George levantou-se e não disse nada. Apenas levantou-se com uma certa dificuldade.

— Vamos.

~’~’~’~’~’~’

Adam levou George até sua casa e o deitou em seu sofá. Não falou muita coisa, apenas mandou-o ir dormir e disse que ia ficar tudo bem. Apesar de estar agindo tranquilamente, estava bastante preocupado. O tempo passou e Adam resolveu ir dormir também, mas antes de chegar em seu quarto percebeu que não tinha comido nada e resolveu preparar alguma coisa.

Foi até a cozinha e fez um sanduíche rápido. O sono chegou assim que ele terminou de comer, mas antes ele precisava tomar um banho.

O resto da noite foi tranquila, George continuou dormindo e Adam conseguiu pegar no sono bem rápido. Ao acordar, foi até a sala e George não estava mais lá, porém a cozinha exalava um cheiro de omelete.

— Meu pedido de desculpas pela noite passada. — Falou, finalizando o preparo da refeição.

— Pode comer do pedido de desculpas se quiser. — Adam sentou-se numa das cadeiras da mesa.

— Estou sem fome. — George colocou o prato na mesa e se aproximou de Adam.

— O que aconteceu? Você não estava assim semana passada. — Perguntou, demostrando uma certa apreensão na voz.

— Os médicos disseram que ela está piorando muito. — George sentou numa cadeira e colocou a mão no rosto. — Eu não sei o que fazer!

Adam ficou em silêncio, pois não sabia como reagir a isso. Abriu a boca para falar, mas fechou em seguida porque não conseguiu formular uma frase.

— Ela me apoiou de tantas maneiras. Ela fez tanto por mim e eu não posso fazer nada para ajudar. — George começou a chorar, mas continuava cobrindo o rosto.

— Você não pode ajudá-la contra um câncer. — Disse Adam, mesmo que isso soasse frio. George não respondeu. — Por favor, não fique triste. Aproveite o tempo que você ainda tem com ela.

— Eu vou fazer isso, pode ter certeza. Mas eu não suporto a ideia de que talvez eu nunca mais possa vê-la novamente. — George levantou-se e Adam também.

— George! As coisas podem mudar. Dois meses atrás eu mal saia de casa para falar com amigos e ontem eu fui num cinema com gente que eu mal conheço. Sua mãe também pode mudar. — Falou, mesmo que não fizesse muito sentido. Tudo o que ele buscava era acalmar o amigo.

George o abraçou subitamente, mal houve tempo para buscar uma reação. Ele era maior que Adam, então era fácil envolvê-lo em seus braços. A sensação de conforto proporcionada pelo abraço caloroso de George acabou deixando-o sem querer soltá-lo. De repente, os pensamentos de antes voltaram. Adam percebeu que estava se apaixonando.

— Vai ficar tudo bem. — Falou mais para si mesmo do que para confortar o outro.

Seu celular começou a tocar e ele parou de abraçá-lo. — Desculpa. — Falou, puxando o aparelho do bolso e colocando no ouvido.

— John, oi. — Sorriu e sentou novamente na cadeira. George não falou nada, apenas ficou olhando-o.

— Estou bem sim, e você?

— Ah, então você tem uma namorada? Sério que você tem uma namorada e perguntou se eu era o comprometido? — Questionou-o, bastante irritado.

— Vai se foder. Não quero ser objeto de traição. — Desligou o celular e o bateu na mesa.

— Homens são uma merda. — George tentou puxar assunto para relaxá-lo.

— Sim, são. Tenho certeza que eu sou com alguém também. — Adam falou, a expressão de irritado deu lugar a uma triste. — Eu tenho um dedo muito ruim pra pessoas.

— O que aconteceu?

— Dois caras já me estão fazendo desistir de sair com homens.

— O mundo tem mais de sete bilhões de pessoas, nem todos são assim. — George falou, tentando confortá-lo.

— Sim, espero que você esteja certo. Mas foi apenas uma noite, de qualquer forma. — Adam sorriu e começou a comer a omelete. — Está ótima.

Notas finais
O que achou? Comente sobre o capítulo, dê sua opinião, isso é muito importante para mim.