Notas iniciais
Um garoto. Uma vida juntos. O que fariam a seguir já estava programado.

Fui trancada em uma cabine pequena, não conseguia respirar, me sentia trancada. Segurei minha bermuda forte e fechei meus olhos.

A porta foi aberta devagar.

– Entende por que está aqui?

Confirmei com a cabeça.

Fomos empurrados a um quarto onde deveríamos permanecer até outra ordem.

Havia duas camas e eu deitei em uma. Depois de alguns minutos o rapaz falou:

– Você também odeia o silêncio, sim?

Virei para ele devagar.

– Odeio muito, muito esse silêncio na qual passei todo esse tempo e agora tivemos que puxar uma corda para terminar com tudo isso, só?

– Você fala muito rápido.

Entristeço com essa pequena frase, mas vejo um sorriso estampado no rosto dele, sua pele é mais morena que a minha, e usa uma regata igual à que eu estava usando.

– Sou Kik.

– Dop.

– Número nove, está entre os 10 melhores.

– Se isso contasse algo, o número 1 estaria ao meu lado, não?

– Verdade – ele começava a encarar meus olhos, mesmo olhando para eles como se fosse a melhor coisa que virá na vida, ele começava a corar – você também comia a comida...

– Em tubos, sim.

– Sabe por que estamos nessa...

– Se soubesse teria fugido.

Ele ficou de cabeça baixa, quando levantou eu tentei abrir um sorriso.

– Pelo menos aqui estamos.

Tinha acordado com um alarme estridente que machucava meus ouvidos, os tapei com as duas mãos e dei uma joelhada em Kik, que estava batendo na porta com força e virou para mim com raiva e os dentes cerrados.

– Mas que diabos está acontecendo? — Gritou Kik na minha direção.

Nunca havia ouvido aquela expressão, mas nunca tinha falado com mais alguém tirando meus instrutores.

Peguei a pasta de comida e joguei um punhado em minhas mãos, fui até ele e coloquei a comida em seus ouvidos e depois nos meus.

A cara de nojo e incredulidade apareceu em sua face, eu corei, fazia isso quando meus ouvidos não aguentavam mais.

Digitei na tela na parede:

"Eles tocam o alarme quando fazemos algo errado"

Ele leu aquilo, e escreveu algum tempo depois:

"Eu nunca tinha feito isso ou ouvido esse alarme, a maioria das vezes eu teria dormido."

Eu pensei naquilo também, meu sono era pesado e a tela do tempo mostrava que havíamos dormido 1 hora apenas. Achei que deveria ser mais um experimento ou droga que eles nos deram.

A pasta respingava na suas roupas mas ele sorriu para mim e escreveu na tela:

"Muito obrigado."

Não sei o que acontecia comigo, a felicidade tinha invadido meu rosto e por dentro eu parecia ofegante. Só muito tempo depois eu percebi por quê.

Notas finais
Educação...a gente vê por aqui.