Tudo que eu quero...
1 Capítulo Único
O Natal era uma das datas mais românticas do ano para Ochako. Ela amava ver as luzes coloridas que enfeitavam a cidade; a neve brilhando no chão; comer bolos saborosos das mais diversas confeitarias; gostava até dos jingles repetitivos e grudentos. Porém, desde que se comprometera com Katsuki, seu item favorito da lista era compartilhar abraços quentes enquanto tentava afastar o frio da estação. Adorava o Natal porque tudo parecia anunciar que o amor estava no ar.
E diferente dos outros anos, decidira passar este Natal no aconchego do apartamento, em um jantar piegas com o marido. Seria o primeiro após o casamento, portanto, queria fazer algo especial, uma comemoração que ficasse marcada em suas memórias. Claro que eles já haviam passado por muitos Natais marcantes, como por exemplo, o primeiro na U. A, o que ela passara na casa dos Bakugou como namorada oficial, o que tiveram um “pré-natal” por causa de uma missão de última hora e, o mais recente, que eles passaram em um Love Hotel chiquérrimo.
Todos, de diferentes formas, foram memoráveis. Mas, dessa vez, queria algo familiar, algo que expressasse o quão feliz estava com o recém matrimônio e que, de alguma forma, fosse uma recompensa pelo ano difícil que enfrentaram. E um jantar íntimo, totalmente focado neles, parecia ser a opção certa para este natal.
Por isso, assim que Katsuki concordou, Ochako tratou de cuidar de todos os preparativos. Comprou vários enfeites e ornamentou o apartamento da forma mais natalina possível, sem sobrecarregar o espaço que tinham. Havia alguns pisca-piscas de led, estilo cascata, na parede sanfonada que dividia a sala/cozinha do quarto; uma guirlanda na entrada principal; uma árvore enfeitada e modesta, perto da varanda envidraçada, que combinava perfeitamente com a cortina vermelha temática e com o acolchoado natalino do kotatsu.
Além disso, como o Japão inteiro comia exatamente a mesma comida no natal, encomendou com bastante antecedência o tradicional frango frito do KFC. Afinal, ela não se arriscaria a tentar fazê-lo em casa, muito menos perderia tempo com a fila interminável do restaurante, podendo assim arruinar o jantar especial. Do mesmo modo, comprou um bolo de creme com morangos na sua confeitaria favorita, só que ao invés do pequeno papai noel no topo do bolo, pediu ao Sato miniaturas da Uravity e do Dynamight, com direito a bombinhas e estrelinhas na decoração. Simplesmente a ideia mais fofa que tivera!
Ochako também quis se arrumar a caráter. Trajava um vestido evasê vermelho, acima do joelho e de mangas compridas; meias-calças novas e pantufas natalinas. Era meio brega usar roupas combinando, no entanto, ela fez questão de comprar um suéter da mesma cor para o marido, que aliás chegaria a qualquer momento da patrulha. Estava ansiosa demais! Não via a hora de Katsuki chegar para, mesmo a contragosto, tirarem várias fotos durante a noite. Ela sorriu só ao imaginar a cena e os possíveis resultados. Sem dúvidas seria um natal memorável.
Enquanto o aguardava, bebendo um pouco de chá, sentada nas almofadas que acompanhavam o kotatsu; contemplou o resultado de todo seu esforço e suspirou satisfeita. Sabia que Katsuki não se importava com aspectos decorativos e tradições natalinas, mas se achava tão sortuda por ter um relacionamento baseado no respeito e no companheirismo mútuo, que não podia evitar o desejo de querer agradá-lo. E tinha certeza que as luzes, as comidas, o clima abrasador de dentro do apartamento e, principalmente, o fato de ser uma comemoração privada, fariam-no muito feliz.
Porém, ao observar a árvore ornamentada, percebeu que faltava um pequeno e crucial detalhe da tradição de Natal. Um detalhe que nem em um milhão de anos poderia ser esquecido, já que havia se organizado, e planejado com cuidado — até fizera uma lista de afazeres igual a Momo lhe ensinara —, gerenciado bem o tempo entre os preparativos e suas atividades heróicas. Então como pudera esquecer algo simples?! Algo que, independente do local, fazia todos os anos?!
Merda!
Levantou-se nervosa e foi conferir a árvore de perto, na esperança de tudo ser apenas uma pegadinha de seu cérebro ansioso. Mexeu nos galhos do mini pinheiro, rodeando-o, e amaldiçoou-se ao constatar que a verdade era esta: Ela se esquecera de comprar o presente do marido. Choramingou enraivecida. Era um completo absurdo ter cometido um erro tão idiota logo no primeiro natal casada; imagina o que esqueceria quando fosse bem mais velha ou quando tivesse filhos… Droga! Preferia não pensar em tal cenário.
E o pior de tudo é que não havia como reverter ou melhorar a situação, pois Katsuki chegaria a qualquer momento; as melhores lojas da região estavam fechadas; a neve torrencial parecia não querer dar uma trégua; e não havia absolutamente nada no apartamento para improvisar alguma coisa minimamente simbólica. Tinha se concentrado tanto nos aspectos estéticos e gustativos da noite, que não comprara nem uns sais aromáticos para um banho relaxante ou uma lingerie nova. Nem uma lingerie nova!
Definitivamente, um fiasco total.
Maldita cabeça na Lua!
Só que não adiantava se martirizar, já estava feito e não tinha como voltar no tempo para resolver o pequeno deslize. Talvez ele aceitasse um presente atrasado, talvez nem notasse a falta do presente… Não, isso não. Depois de tantos anos o importunando com datas comemorativas, Katsuki com certeza compraria alguma coisa. E se o distraísse? E se começasse a seduzi-lo logo após o jantar? Talvez ele se esquecesse da troca de presente e acabasse deixando para o dia seguinte. É… Não era o que ela idealizara, mas até que era um bom plano. Não custava nada tentar, né?
Determinada, tomou todo o chá restante e correu para o quarto. Como ainda tinha um tempinho, resolveu passar mais um pouco de perfume e trocar a tradicional meia-calça por uma meia ⅞, preta, bem mais sexy do que as que usava no dia a dia. As pantufas natalinas não ajudavam muito no novo plano, mas, como gastara alguns ienes nelas, não deixaria de usá-las. Deu mais uma ajeitadinha no cabelo, retocou o batom e não pode impedir o leve nervosismo ao ouvir a porta principal se abrindo.
— Oe, Bochechas! — exclamou Katsuki, ao mesmo tempo em que encarava o calçado rídiculo que o esperava no genkan.
— Okaeri, Katsu! — gritou do quarto, já pronta para a noite que prepara.
— Que porra é essa, Ochako? — perguntou, ainda parado na entrada e sem tirar os sapatos da rua.
— São pantufas de rena iguais as minhas, ué?! — respondeu, após se aproximar e comprimentá-lo com um beijo rápido. — Comprei as mais simples que achei… Não são adoráveis?!
— Tsk… São feias pra cacete.
— Eu devia ter comprado as do Grinch então…
— Devia ter comprado porra nenhuma! — reclamou, tirando os sapatos e calçando as pantufas.
Apesar de ser tão ranzinza quanto, Katsuki detestava ser comparado ao personagem "estraga natal" mais famoso do mundo. Assim como detestava os frufrus exagerados da época, toda a baboseira de papai noel e o superestimado espírito natalino; porém, a última coisa que queria era estragar a comemoração de Ochako e sofrer terríveis consequências mais tarde. Ele nunca cometeria tal erro novamente.
— Ficaram ótimas, Katsu! — disse contente, puxando-o para dentro do apartamento e já o empurrando para o banheiro. — Agora vai se arrumar enquanto eu ponho a mesa.
— Tsk… Tá com pressa por quê, cacete? — questionou, fazendo corpo mole de propósito. Ele jamais estragaria o natal de Ochako, entretanto, um pouco de implicância não fazia mal. — Acho que vou ficar assim mesmo… Tá um frio do caralho para tomar banho, Bochechas.
— Argh… Não me faça usar a Gravidade Zero, Katsuki! — ameaçou, empurrando-o com mais força.
— Não precisa disso, amor… — debochou descaradamente. — É só pedir com jeitinho.
— Humpf… — bufou, desistindo de força-lo. — Pode ir pra porra do banheiro e se arrumar logo?! Eu tô com uma puta fome e não vou ficar perdendo meu tempo te esperando.
— Uau! Tá ficando boa nisso, Bochechas — elogiou, com um sorriso sacana, trazendo-a para si e beijando-lhe à altura da clavícula. — Ta cheirosa pra caralho também... Não quer vir comigo?
— N-não… Katsuki… Assim vai arruinar meu planejamento — respondeu negativamente, mas se deixando levar pelo afago.
O plano era seduzi-lo após o jantar e não ser seduzida logo no início da noite, só que ela amava o fato de o “deus das explosões mortais” ser um marido super carinhoso e dedicado, mesmo em horas inapropriadas como esta. Foco! Ela tinha que manter o foco. Pensando nisso, Ochako tratou em afastá-lo e em recusar alguns beijos.
— Ok, ok… Depois não reclama, Bochechas — falou Katsuki, indo em direção ao banheiro.
— Deixei sua roupa em cima da cama! — gritou ela, antes de entrar na cozinha.
Ao ouvir a confirmação do marido, começou a organizar a mesa de jantar. Tirou o frango do forninho, que o mantinha aquecido e crocante, colocando-o no balde natalino do KFC; depois depositou os dois molhos que compra em molheiras de porcelana diferentes; bem como duas saladeiras pequenas — também de porcelana, pois todas peças faziam parte de um conjunto que ganhara de presente de casamento — para os dois tipos de salada que prepara. Era um pouco cansativo fazer ou comprar duas versões de comidas, porém, como ele sempre pensava nela ao cozinhar, não via o porquê não fazer o mesmo na sua vez.
Por último, serviu a gemada em canecas de natal do jeitinho que Katsuki lhe ensinara: decorada com canela em pó e de pauzinhos. Arrumou tudo no kotatsu, junto com guardanapos e dois pratos personalizados conforme a época. A mesa era pequena, mas, da maneira certa, todos os elementos encaixaram-se perfeitamente sobre ela; conseguiu até colocar uma mini luminária de árvore de natal bem no meio. Diminuiu a luz do apartamento, acendeu o pisca-pisca e pronto. Estava lindíssima sua decoração! O orgulho era tanto que não resistiu e tirou uma foto para as redes sociais.
— Puta merda, você não tava brincando… — Katsuki disse ao se deparar com a mesa de jantar.
E aproveitando que o celular estava na mão, Ochako tirou uma foto do visual do marido; afinal não era sempre que o via de calça moletom, suéter e pantufas de natal.
— Ficou perfeito, amor — ela disse, mostrando-lhe a foto.
— Tsk… Só não posta essa merda — pediu, sentando-se à mesa e cobrindo-se com o acolchoado. Ochako revirou os olhos e ajoelhou-se perto dele.
— Mas eu queria postar pelo menos uma, Katsu… — solicitou manhosa. — Até já preparei um textinho para colocar na legenda.
— Cadê a porra da fome, Bochechas?
— É rapidinho...
— Não. Você vai querer tirar um milhão de fotos — afirmou, quase pegando um pedaço de frango, mas sendo impedido por uma tapa na mão.
— Katsuki, a comida não vai desaparecer! — Brigou, enquanto ele resmungava alguns palavrões. — Só duas fotos e começamos a jantar.
— Tsk… Vai logo com isso, porra.
Ochako deu um mini pulo de alegria e posicionou-se atrás de Katsuki, abraçando-o pelo pescoço e esboçando um sorriso largo. Por sua vez, ele pegou o celular, fez sua típica cara mau humorada e tirou uma selfie.
— Satisfeita?
— Ainda não. — Katsuki xingou e ela respondeu com um beijo estalado no rosto dele. — Agora temos que tirar uma pra você postar. Como quer a sua fo…
Antes que ela pudesse terminar a frase, ele a puxou para frente, deitando-a em seu colo, em seguida mordeu a sua bochecha e tirou outra selfie. E apesar de ter sido pega de surpresa, Ochako até que gostou do resultado.
— O que eu escrevo na legenda? — ela pergunta ao sair do colo do marido, dando a chance de Katsuki começar a pôr a comida no prato.
— Merry Fucking Christmas! — ele responde já com um pedaço de frango na boca. Bom, não seria o Bakugou se não falasse algo do tipo, mas talvez pudesse suavizar a mensagem colocando alguns asteriscos... — E escreve com todas as letras, Bochechas.
— Tsk… Que droga, amor! — reclamou, fazendo um bico de indignação.
Mas não criaria caso, afinal a maioria das provocações eram propositais e suspeitava que nunca teriam fim. Discretamente, Ochako tirou mais uma foto dele comendo frango frito, para fins vingativos e chantagens futuras, e postou a primeira selfie nas contas profissionais e a segunda só no perfil privado do marido. Problema resolvido! Agora era hora de se concentrar no jantar a dois.
— Como tá a salada? — Era a vez de Ochako se servir.
— Boa pra caralho! — elogiou sincero e de boca cheia, provocando um sorriso vitorioso na esposa. — A quantidade de gengibre tá foda.
Depois de seis meses e muitas tentativas falhas, ela finalmente acertara a proporção de gengibre da salada favorita de Katsuki. Era realmente um milagre de natal! E talvez um prenúncio de que, mesmo tendo esquecido o presente, a noite continuaria maravilhosa.
— Eu pedi pro restaurante caprichar no seu molho picante também…
— Tá do cacete, Bochechas!
Estava boa demais a sensação de só acertar! Tão boa que aconchegou ainda mais ao lado do marido; enquanto jantavam e conversavam sobre o dia, trocavam carícias tímidas como se fossem recém namorados. Ochako contou como foi andar pelas ruas lotadas de Musutafu, como se enrolou para pendurar o pisca-pisca — provocando um engasgo em Katsuki — e como quase se esqueceu de ligar para os pais. Da mesma forma, ele relatou brevemente seu dia na agência, reclamou do marketing exagerado na formação Musketeers e resmungou alguma coisa sobre como passar o ano novo com Mitsuki seria um inferno desta vez.
— Então os Musketeers vão ser capa da Today's Heroes… — Ochako retomou o assunto do trio mais famoso do mundo heroico, bebendo o último gole da gemada. — Eu vou querer um autógrafo...
— Não fode, Ochako!
— É sério! Vou comprar várias revistas e vender seu autógrafo na internet — disse, divertindo-se com as caretas de Katsuki. — Vai ter pôster?
— Claro que não, porra! Não é uma revista de adolescente de merda.
— Poxa… — Ela fez um beicinho triste. — Eu só queria um posterzinho pra colocar no meu armário da agência.
— Que porra você acrescentou na gemada, Bochechas?
— Eu sou sua maior fã, sabia? — sussurrou de maneira sexy no ouvido dele; mudando drasticamente o tom da conversa. Talvez pudesse pular a sobremesa e ir diretamente para o plano de "distração".
— É mesmo?! — perguntou ele, entrando no clima e puxando-a pela cintura. — Então você podia considerar a proposta da agência do n°1…
— Hum… Acho que não quero falar mais de trabalho no nosso jantar romântico — Ochako informou, sentido-se estranhamente desmotivada.
— E eu acho que seríamos uma puta dupla em ação — insistiu, mesmo sabendo que não era a melhor hora para terem essa conversa.
— Talvez… — Deu de ombros, tentando mostrar indiferença. — Eu vou pegar a sobremesa.
— Não foge, Bochechas!
— Não tô fugindo, Katsuki! Só vou buscar o bolo.
Levantou-se rumo à cozinha, demorando mais do que o necessário para pegar o doce e os utensílios que seriam utilizados. Não queria brigar, mas também não responderia à insistência do marido, até porque não tinha uma resposta definitiva para a proposta que recebera. Tudo que queria era uma noite perfeita!
— Tcharan!! — ela exclamou assim que voltou à mesa e sentou-se. — O que achou da decoração? Pedi pro Sato nossas miniaturas, são comestíveis.
— Ochako, só me diz que vai pensar — ele pediu, ignorando a cena.
— Eu tô pensando — revelou, desviando o olhar e passando o dedo no creme do bolo. — Só não tô certa de que lá é meu lugar… E nós dois na mesma agência… Não sei…
— Você é uma puta heroína, Uravity. É a melhor no que faz — encorajou, tocando-lhe o queixo e fazendo com que ela o encarasse. — Não tem nada de errado em estar com os melhores.
— E não tem nada de errado em ficar onde estou — retrucou confiante, cortando um pedaço do bolo. — Tenho aprendido tanta coisa com a Ryuko-san...
— Claro, porra! — concordou com a esposa. — Mas ia ser bem mais divertido trabalhar com você.
— Não quero atrapalhar o desempenho do grande Dynamight…
— Cacete! Qual foi o arrombado que disse essa merda?
— Ninguém, Katsuki — respondeu, enfiando um morango inteiro na boca. — São só uns comentários por aí… Só umas fofocas.
— Mas que porra! — exclamou mais do que irritado. — Esquece essas merdas e não deixa ninguém te dizer o que fazer, inclusive o idiota do seu marido.
Ochako riu enquanto era abraçada e sentia um beijo no pescoço. Essa era a maneira de Katsuki dizer que, mesmo querendo-a ao seu lado na agência, lhe apoiaria independente da escolha que fizesse. E ela o amava ainda mais por causa disso.
— Vou considerar, marido idiota — prometeu sorridente, sentindo o clima ficar descontraído novamente.
— Ótimo, porque somos uma dupla foda até em cima de um bolo de morango — concluiu, pegando a miniatura da Uravity e comendo.
— Ah, amor! Somos de sabores diferentes, queria experimentar a mini eu…
— Não seja por isso, Bochechas — disse, puxando-a novamente pela cintura e selando seus lábios.
Além do inebriante sabor da língua de seu marido, Ochako sentiu o gosto cítrico da mini Uravity se juntar com o doce de sua boca; simplesmente uma das misturas mais deliciosas da sua vida. Os toques quentes e macios ajudavam a aprofundar cada vez mais o beijo, fazendo com que ela posicionasse as pernas uma de cada lado de Katsuki e sentasse em seu colo. Ouviu um gemido e soube que era a hora de pôr o plano "distração" em prática. Não haveria troca de presentes, pois tinha certeza que ele não ficaria satisfeito só com amassos natalinos no meio da sala.
— Ochako — chamou ao separarem os lábios, passando as mãos nas coxas da mulher e notando as meias especiais.
— Hum… — resmungou, acariciando os cabelos loiros. Podia sentir animação crescente, enquanto as mãos masculinas subiam por dentro do vestido.
— Essas meias são bem sexy — disse, mordendo o lábio inferior, contendo-se para não tirar o vestido da mulher e apreciá-la por completo. — Mas acho...
— Que bom que gostou, amor — interrompeu-o, mordendo o lóbulo da orelha dele, sentindo-se vitoriosa ao ouvir um suspiro pesado.
— Porra, Ochako, eu tenho um coisa pra você...
Merda!
Ela não sabia se ficava contente por receber um presente ou frustrada por seu plano ter falhado miseravelmente. Agora, depois de tantos anos invicta, teria que assumir que esquecera de comprar o presente de Natal de Katsuki. É… esta não era sua noite de sorte.
— Uau! Podemos ir pro quarto se quiser... — Apesar de saber o que viria a seguir, continuou com os afagos e com a cara de inocente.
— Tsk, não se faz de tonta. — Ele pegou um envelope, estrategicamente escondido debaixo do acolchoado, e lhe entregou. — Feliz Natal, Cara de Lua.
— Oh! — Pegou o envelope, sem sair do colo do marido, e o abriu delicadamente. Katsuki não era de grandes surpresas, mas sempre conseguia agradá-la. — Santa Gravidade! Como conseguiu esses ingressos?!
— Com um dos investidores — Deu de ombros, como se tivesse sido moleza.
— Katsuki, eu fiquei horas na fila do planetário e não consegui comprar nenhum ingresso pro dia da inauguração! — Estava super empolgada, pois a inauguração coincidia com seu aniversário. Não podia ter presente melhor, por isso não resistiu e distribuiu vários selinhos pelo rosto do marido. — Mas você não usou os punhos né, amor?
— Cacete, que tipo de herói acha que sou? — Ele revirou os olhos, indignado. — Eu salvei um moleque que por acaso era filho do investidor de lá. O cara só quis agradecer…
— Ah, eu adorei! — Abraçou-o, felicíssima com o presente; o que fez com que ela se sentisse ainda pior por não ter comprado nada para ele.
— Sua vez, Bochechas.
— Então... Eu andei pra caramba hoje, rodei em alguns lugares, fui no KFC, na confeitaria… Comprei esses enfeites… Te contei que ganhei desconto no pisca-pisca?
— Para de enrolar, caralho. Me dá logo o presente pra gente continuar…
— Eu esqueci de comprar! — admitiu de uma única vez. E de todas as reações possíveis não esperava ouvir o som alto de uma gargalhada. — Não tem graça, Katsu.
— É engraçado pra porra, Ochako! — falou entre os risos. — Você nunca esquece essas merdas.
— É, só que dessa vez eu esqueci — disse envergonhada, achando super irritante ser o motivo do bom humor repentino dele.
— A minha velha vai ficar decepcionada por não ver uma foto do meu presente, e os fãs também, Cabeça de Lua. E de que porra eu vou reclamar amanhã na agência?
— Argh… Não precisa me torturar, Katsuki. — Cruzou os braços, emburrada. — Tudo que eu queria era uma noite perfeita. Então, se você quiser, podemos dar uma volta ou…
— Relaxa, Bochechas! — exclamou, mesmo que a sua vontade fosse importuná-la um pouco mais. Ele a trouxe para perto, pelo pescoço, e completou: — Tudo que eu quero de Natal é você.
Bakugou não era do tipo romântico ou de usar frases prontas só para impressioná-la, muito menos fazia questão de presentes, ela sabia que era tudo por sua causa. Por isso, sorriu espontaneamente e, segurando o rosto do marido com as duas mãos, beijou-lhe mais uma vez.
— Pode repetir, Katsu? Eu queria filmar… — pediu, satisfeita com a declaração inesperada.
— Só se eu tivesse louco, Bochechas.
Ainda sorrindo, eles continuaram a trocar beijos e carícias até que os corpos estivessem de fato unidos. E apesar da noite não ter saído exatamente como idealizara, Ochako a guardaria para sempre em seu coração, pois o sentimento latente e contínuo que compartilhavam um pelo outro, era tudo que ela queria.
Notas finais
*kotatsu - Uma mesa baixa com um aquecedor embutido embaixo e um acolchoado grosso para que o ar quente não escape.
♥️
Então, o que acharam?
Essa é minha contribuição para o tema bimestral do Ochabowl: Celebração. Fiz umas pesquisas sobre o Natal japonês e quis incorporar alguns itens à história, por isso temos frango frito e bolo de morango. Infelizmente não consegui postar antes do Natal, por causa de vários motivos, mas espero que tenham curtido mesmo assim. ♥️
Agradecimentos especiais à @wafflech4n pela betagem e à @OchakOmochi pela capa lindíssima. Fiquei suuuuper apaixonada por essa obra de arte natalina. Muuuuuuito obrigada! ♥️
Essa é minha última fic de 2020 e, mais do agradecer a leitura, queria agradecer o carinho de vocês leitores em todas minhas fics. Sempre fico muuuuito feliz em receber favoritos, comentários e ver meus babys nas listas de leituras de vocês. Obrigada! Espero que possamos nos encontrar novamente em 2021.
Muitíssimo obrigada (de novo) e até mais!
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