Tudo que Vai...volta

9 Capítulo 9 - Uma conversa bem sincera.


-fala Gerard. o que você quer comigo?

-A gente tem muito que conversar e você sabe disso.

-Eh...acho que sim. Já que você diz...

-Olha eu não sei nem por onde começar... – e ele se aproximou de mim e eu me afastei mostrando que não queria aproximações dele.

-Pelo inicio Gerard. – disse cruzando os braços e indo me sentar numa das cadeiras em volta da mesa.

-Ta. – e se sentou numa cadeira de frente pra minha. — Eu...eu realmente sinto muito por tudo que aconteceu.

-Realmente sente ou está dizendo isso só pra amenizar as coisas?

-Eu te escrevi uma carta, lá estava tudo explicado. Não sei se chegou a ser entregue a você.

-Eu sei. Eu a li. Li várias vezes pra dizer a verdade.

-Eu não queria fazer aquilo...me desculpa Natasha.

-Mas fez. E você partiu meu coração. Você acabou com a minha vida. Eu tive que suportar aquela dor durante anos. Sabe quanto tempo levei pra esquecer tudo aquilo? E agora você volta...volta como se nada tivesse acontecido. Pra que Gerard? pra me atormentar?

-Pra te ver mais uma vez.

-Então sabia onde eu estava? – ele abaixou a cabeça.

-Eu sabia. – disse depois de uma longa pausa. Eu suspendi os braços num gesto de que já fazia idéia.

-Eu não to acreditando. Então o que eu achei que fosse coisa da minha cabeça é verdade. Você realmente voltou pra me atormentar.

-Não vim pra te atormentar.

-Então veio pra que Gerard? eu estava bem, estava fazendo meu trabalho, ganhando meu dinheiro, eu sorria Gerard, depois de cinco anos e agora você vem me trazer aquelas lembranças, como um fantasma do passado.

-Não foi essa minha intenção. – disse colocando sua mão na minha.

-Por que queria me ver? En? — e eu tirei a mão dele da minha.

-Por que eu te amo.

-Me ama? – e eu deixei escapar uma risada irônica. – é até engraçado ouvir você falar isso.

-Mas é sério Natasha. Eu me arrependo demais por tudo que aconteceu. eu não conseguia nem dormir depois daquilo. Também sofri demais por ter feito aquilo contigo, por você ter ouvido aquilo.

-E o que aconteceria se eu não tivesse ouvido? Continuaria com sua farsa ou me deixaria na “pista” livre pros seus amigos como você disse? O que você faria Gerard? De qualquer forma ia ser péssimo pra mim.

-Eu sei que o que eu fiz foi idiotice! Eu sei disso Natasha. Eu te amava demais, eu não sei por que fiz aquilo. Aliás, eu sei, depois de muito pensar eu acabei vendo o por quê daquela idiotice. – e ele começou a fazer cara de quem ia chorar e eu vendo aquilo comecei a chorar. – me perdoa natasha, eu nunca menti pra você quando dizia que te amava. Tudo que eu disse foi verdadeiro. Nosso namoro significou muito pra mim.

-Então por que me matou naquele dia?

-Por que era cego. Tinha a mulher mais incrível do meu lado e que eu amei cada momento, mas por criancice, optei por ir pela cabeça dos outros. Você sabe como são os meninos...

-Não sei não.

-Eu não tinha opinião própria, queria ser como os outros idiotas dos meus amigos. Queria me amostrar pra eles. Queria que eles me achassem o tal e me aceitassem no grupinho deles mesmo tendo que machucar a pessoa que eu amava. – e ele deixou umas lágrimas caírem e parou enxugando-as depois me olhou com aqueles olhos cheio d’água. — Natasha, me perdoa. Eu juro que não quis te magoar. Eu nunca te trai.

-E a Cecília?

-Eu nunca fiquei com ela enquanto estava com você. só dizia aquilo pros garotos me acharem o “cara”. – disse fazendo as aspas com as mãos.

-Gerard...como pode ter sido tão idiota? Tão burro.

-Eu fui um burro, um idiota. Mas eu mudei. Me perdoa, por favor.

-Quem sou eu pra perdoar alguém? Não tenho nenhum poder pra isso. Mas...tudo bem. Eu não guardarei rancor seu. – e me levantei ficando de costas pra ele, não queria que ele me visse chorando. De repente senti suas mãos nos meus ombros e ele me virou. Estava fraca e deixei que ele me abraçasse e depois me beijasse. Nossos lábios se encontraram depois de 7 anos. Foi um beijo salgado pelas lágrimas. Eu o empurrei. – eu não guardo magoas, mas também não quero mais sofrer de amor...não por você.

-Mas não sou mais aquele moleque Natasha, agora sou um homem e sei o que eu quero. E eu quero você.

-Não vai ser assim tão fácil Gerard. só por que voltou depois de sete anos e me pediu desculpas não quer dizer que eu vá te aceitar novamente. Acho melhor ficarmos somente como amigos, afinal, agora somos companheiros de trabalho. Acho melhor falarmos só de trabalho.

-E se eu tentar te reconquistar? Você volta...?

-Gerard... – eu ainda gostava dele. Não sabia por que, fazia tanto tempo, mas eu ainda sentia algo por ele. -...esquece. me esqueça de vez, por favor. Me esqueça...

-* ele abaixou a cabeça e depois me olhou desapontado * Ta. – e ele se virou ficando de costas pra mim e depois voltou a olhar pra mim com os olhos cheios de lagrimas. – então...acho que não tenho mais nada a fazer aqui. – eu balancei a cabeça que sim e me virei dando as costas pra ele. — tchau. A gente se vê na empresa.

E ele foi embora. Ouvi a porta fechar novamente e dessa vez fui ate a sala pra conferir, mas nem precisei ir tão longe, pois quando ia pra sala eu pude ver da janela da cozinha ele indo embora. Ele ainda enxugava os olhos com a manga do seu sobretudo. Eu comecei a chorar desesperadamente, me joguei no chão caindo sentada e fiquei me martirizando. Toquei nos meus lábios lembrando do nosso beijo. Depois lembrei da nossa conversa.

Aquele dia foi péssimo. Eu nem fui trabalhar, fiquei na fossa a tarde toda. E novamente me senti como nos últimos cinco anos quando tentava me recuperar das desgraças da minha vida.

Uma semana depois...

15:00 p.m, sala de reunião da empresa que eu trabalhava. Eu dava meu discurso pro pessoal do conselho e pro Sr. Banks, sobre as idéias que Gerard e eu trabalhamos na minha casa, foi quando a porta de reunião se abriu e por ela entrou ele. Pediu desculpas pela demora e licença pra que pudesse entrar. Senti um frio na espinha ao vê-lo. Meu coração batia a mil e minhas mãos começaram a suar frio. Eu assenti a cabeça positivamente e ele se sentou na única cadeira que sobrara. Ao meu lado. Agora eu não conseguia nem continuar. Aqueles olhos verdes estavam ali, próximos a mim me encarando.

-você dizia... – disse Banks depois de um pigarro tentando fazer com que eu continuasse. Eu estava paralisada e não conseguia continuar meu discurso.

-Ah sim...bom, como eu dizia... – e continuei com minha idéia.

Eu tentava o Maximo, não olhar pra ele. Por que quando eu o olhava ficava muda. Quando terminei me sentei e o pessoal começou a conversar entre si analisando os documentos que eu lhes entreguei. Eu olhava pras minhas mãos em cima da mesa brincando com a caneta só pra não ter que falar com ele. Mas então senti uma mão no meu braço, era a dele.

-você foi ótima. – disse apertando meu braço de leve e depois ficou calado.

-Obrigado. – agradeci sem olhar pra ele.

A reunião enfim acabou e eu pude respirar aliviada depois de ter que ficar quase uma hora suando frio ao lado dele. Banks nos chamou ate sua sala depois da reunião.

-então, o trabalho de vocês foi ótimo, mas agora precisamos aguardar o conselho e vê se vai ser possível trabalharmos em cima dessas idéias. Estão de parabéns. Eu estava certo, formam um ótimo par.

-Uma ótima equipe. – corrigi olhando pro Gerard que franziu as sobrancelhas desapontado com minhas indiretas.

-Bom, estão dispensados. – disse Banks, se sentando. – Gerard, posso falar com você um minutinho?

-Claro. – disse ele tirando as mãos do bolso da calça.

-Com licença então. – eu disse tirando meu corpo fora.

Eu sai da sala e ia direto pra minha sala, quando no meio do corredor fui impedida por Gerard que segurou meu braço.

-Natasha, a gente podia sair? – eu olhei pra mão dele no meu braço e ele me soltou. – eh pra comemorar nossa possível vitória.

-Não vai dar. Sinto muito.

-Eh por causa da gente?

-Não existe mais a “gente”.

-Eh por causa de mim?

-Não. Eu vou viajar hoje. To indo pra nova Jersey visitar minha mãe. – realmente era verdade. Tinha combinado com minha mãe de passar o resto da semana com ela.

-Ah. Então ta. – disse ele ficando meio sem graça e se virou indo pro lado oposto do meu.

Por um momento senti pena e confesso que tive vontade de aceitar o convite, mas eu tinha que recusar. Primeiro que eu tinha que ser forte, pois tinha tomado uma decisão de não nos relacionarmos mais e segundo por que tinha outro compromisso praquela tarde.