Tudo que Vai...volta
18 Capítulo 18 - Revelação.
Cheguei em casa cansada. Tinha sido uma longa viagem. Uma viagem que me levara ao encontro daquele segredo. Não levou muito tempo, mas aquele martírio fazia a viagem parecer durar horas. O táxi me deixou em frente a minha casa. Ainda chovia bastante. Abri a porta de casa com meu guarda-chuva pingando todo o chão. A sala estava vazia, estranhei por não ter ninguém ali. Geralmente encontrava o Gerard estirado no sofá a minha espera ou então ele estava na cozinha preparando algo pra nós dois. Estranhei ele não ter voltado ainda.Por um momento agradeci, achei que fosse melhor assim. Eu precisava de um tempo sozinha. Precisava descansar antes de sorrir pra ele, na verdade forçar um sorriso, pois eu não estava muito bem depois daquele reencontro. Eu coloquei o guarda chuva na pia da cozinha pra secar e subi as escadas tirando meu casaco. Quando cheguei no quarto levei um susto com aquela figura sentada na minha cama. Eu não fazia idéia que ele estava ali. Ele me olhou e só então pude ver que ele estava chorando, parecia irritado com algo, logo eu iria descobrir que era comigo. Eu joguei meu casaco no chão e andei depressa até ele preocupada.
-amor, o que houve!? Quando chegava nele, ele se levantou e me segurou nos braços impedindo que eu chegasse próximo a ele e me empurrou. Olhei pra ele assustada com aquela atitude dele, nunca tinha agido daquela maneira rude comigo antes. Então olhei pra cama e vi a caixa. Aquela caixa que eu não ousava mais abrir durante anos. Aquela caixa me trazia dor. Algumas horas atrás...Provavelmente o que aconteceu foi que, como iríamos viajar e ele ficou de fazer minha mala, ele com toda certeza teve que mexer nas minhas coisas e então mexeu na minha gaveta de roupas intimas na hora de colocar minhas roupas na mala. Com isso ele também viu minha caixa onde eu guardava absorventes e pensando que eu poderia precisar de alguns durante a viagem ele deve ter aberto pra pegar alguns pacotinhos e então viu a chave que logo deve ter despertado a curiosidade dele. Ele logo deve ter imaginado de onde poderia ser aquela chave e numa tentativa inocente e ao mesmo tempo muito curiosa ele tentou ver se aquela chave era daquela porta que eu nunca deixei ele abrir. Ele fez varias tentativas insistentes em cima de mim pra que eu deixasse ele entrar naquele quarto, mas eu sempre dizia que lá haviam segredos do meu passado, nada de mais, mas eram coisas que eu não queria relembrar. Mas tudo não passava de uma mentira. Muitas das caixas continham papeis de trabalho. Apenas uma continha esse meu passado tenebroso. Ele então curioso, testou aquela chave na porta certa e ela então se abriu e assim ele deve ter vasculhado as caixas que traziam na tampa breves descrições do que continha em seu interior. Uma em especial deve ter lhe chamado à atenção, uma denominada como “Passado eterno”. Não sei o que ele deve ter pensado ao ter lido aquilo, talvez tenha pensado que seriam coisas relacionadas a ele, mas então ele descobriu tudo daquela maneira. Horas depois...-por que? – perguntou calmo. – Por que Natasha? – dessa vez ele gritou me assustando. – por que escondeu isso de mim? -Isso o que? – perguntei começando a chorar. Eu sabia do que se tratava, mas não queria admitir. -Isso o que? – ele repetiu e foi até a cama e pegou uma foto me amostrando. Na foto continha eu com uma menina de uns dois anos no colo. A menina era loirinha dos olhos verdes. – eu falo disso. Falo dessa foto, dessa criança que você segura no colo.-O que tem ela? – perguntei me encolhendo. Estava tão amedrontada que tremia dos pés a cabeça.-Quem é ela? -Eu não sei.-Quem é ela? – gritou ele. – você sabe quem é. você está na foto. -Ela...ela...-Fala porra! – gritou nervoso.-Nicole. – gritei desesperada e tapei meus ouvidos como se aquele nome me trouxesse dor. – o nome dela é Nicole. – disse chorando. -Nicole...- repetiu ele com voz de choro. – quem é Nicole?-Você não conhece... – disse num sussurro ao mesmo tempo chorando. -Quem é a Nicole, Natasha? Não minta pra mim droga! – disse dando um soco num quadro da parede fazendo-o cair. Eu fiquei desesperada, eu me encolhia cada vez mais, sentia um frio totalmente anormal. Aquelas lembranças...-Uma irmã. – respondi o que o deixou fulo com aquela resposta.-* ele respirou fundo * Você não tem irmã Natasha... – tentou sendo paciente, mas logo ele começou a gritar. – fala Natasha!-Minha...minha... – eu não conseguia falar, estava em estado de choque. Não conseguia nem falar direito. Minha voz estava fraca. -Droga Natasha, diga quem é essa garota. Você sabe quem ela é, você sabe. Você me escondeu todo esse tempo, me diga droga! Natasha fa... -É sua filha! – gritei calando ele. – é a sua filha Gerard, droga! – e eu comecei a chorar alto e me joguei no chão descontrolada, caindo sentada. – ela é sua fiiiilhaaaaa. – dizia tremido com o choro. -Por que Natasha? Por que me escondeu tudo isso? -É a sua filha, é ela sim. Nicole é sua filha... – dizia descontrolada. -Natasha. – e se ajoelhou na minha frente e levantou meu rosto e pegou na minha mão que tremia assim como o resto do meu corpo. – por que nunca me disse? -Eu...eu...eu não podia. – disse tremendo. -Por que? -Por que não. – e a imagem dele foi ficando embaçada por causa das lagrimas nos meus olhos.
-Me conta. O que houve? Onde ela está? -Não está aqui. -Eu sei, mas onde ela está? Você deu ela? Deu? – disse fazendo em gestos. -Eu não sei.-Você sabe Natasha. – e ele segurou firme meu rosto.-Eu não...-Continua...-Eu sei onde ela está. -Sabe? Então me diz pra que eu possa encontra-la. Pra traze-la de volta.-Não vai dar. – acho que ele sentiu pena do meu estado e ficou mais calmo comigo e encostou minha cabeça em seu peito tentando me fazer me acalmar. – me desculpa. – eu disse me acalmando um pouco. -Eu te desculpo...se me disser onde ela está. – ele se levantou e foi até a cama onde vasculhou e pegou um papel, logo reconheci, era uma certidão de nascimento. -Ela faz sete anos hoje Natasha. – eu balancei a cabeça negativamente. – como não? Está aqui na certidão. – disse me amostrando a certidão. – você sabe onde ela está, me leva lá, por favor. Mesmo que seja só pra vê-la. -Não posso, você não entende...-Por favor, meu amor. por favor. Eu estou te pedindo. – disse começando a chorar novamente e segurando meu rosto com as mãos. Eu não agüentei ver aquilo e decidi que devia logo acabar com aquele sofrimento. Eu arrumei forças não sei de onde e me levantei enxugando minhas lagrimas, peguei meu casaco do chão e fui me vestindo enquanto descia a escada. Ele vinha logo atrás me seguindo. Entrei no carro dele ficando no volante, enfim eu superaria aquele meu trauma, eu precisava dirigir e levá-lo até ela. Ele então sentou no carona e fomos o caminho todo calado. A viagem durou menos que dez minutos. Ele estalava os dedos apreensivos e olhava de um lado a outro perguntando se já tínhamos chegado. No momento que eu parei o carro ele olhou pra minha cara com os olhos enchendo de lágrimas novamente. Eu conseguia sentir a mesma dor que ele naquele momento. ele não perguntou nada, sabia o que tinha acontecido quando viu o lugar.-é aqui. – eu disse confirmando o que ele temia em saber. Ele virou o rosto olhando pra onde ele se recusava olhar. Era um cemitério. – por isso não quis te contar... – eu disse apoiando minha cabeça no volante chorando. Ele tomou coragem e saiu do carro. Eu permaneci lá dentro de cabeça baixa. Olhei pro cemitério e vi o Gerard desesperado correndo de tumba em tumba atrás de um único nome “Nicole”. Foi então que ele encontrou e desabou de joelhos sobre ela chorando alto, tão alto que eu conseguia ouvir de dentro do carro. Aquilo foi de partir o coração.
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