Tudo que Vai...volta
10 Capítulo 10 - Esse segredo não!
Desembarquei no aeroporto de Nova Jersey por volta das oito da noite. Peguei um táxi logo à frente que me deixou em frente a minha antiga casa as oito e vinte. Antes de qualquer passo dei uma olhada em volta, a rua estava repleta de neve assim como a casa da minha mãe que estava toda coberta como se tivesse uma enorme manta branca sobre ela. Minha mãe me recebeu chorosa e emocionada. Nos sentamos na sala e conversamos um pouco. Tínhamos tanto pra conversar e recordar. Fomos pra cozinha, quando ela resolveu preparar um café. -então Natasha, não tem nenhuma novidade?-Não. Por enquanto ainda não sou a sócia do Sr. Banks. Mas esta bem próximo disso acontecer. ele confia bastante em mim e eu faço de tudo pra nunca desaponta-lo.
-Esta certa. -Ontem foi dia 10 né? -Sim. -Lembrei do papai. Foi exatamente o dia que ele morreu.-Sim minha filha. Exatamente dois anos. -Foi levar flores pra ele? -Não tive tempo e estava nevando muito. -Esta muito frio esses dias né? – disse tirando o casaco já que lá dentro estava quente por causa do aquecedor e eu já estava começando a suar. -Muito. – e ela trouxe as xícaras com café pra nos duas se sentando ao meu lado. – não encontrou ninguém lá pelo lado que você mora?-Alguém quem? – perguntei desconfiada. -Talvez, um rapaz...-Mãe...foi você não foi? -Eu o que?-Não se faça de sonsa. Agora que começou continue. Você disse pro Gerard onde eu estava? -Não.-Fala mãe. -Ta bom. Fui eu. -Por que fez isso? Sabia que eu não queria vê-lo. -Ah filha...ele apareceu aqui numa segunda-feira. O menino estava tão abatido...-Ele eh abatido de natureza de tão branco.-Mas bem que você amava esse branquelo.-Mãe, tem que lembrar disso? -Ele veio aqui e me disse quem era e então eu mandei que ele entrasse. Nunca tinha me dito o quanto ele era bonito. -Bonito, mas um canalha...mas continua. O que ele te falou?-Esta curiosa?-Não. Estou só querendo rir um pouco com as mentiras que ele deve ter te contado. -Bom, nos conversamos por muito tempo. Ele me contou toda aquela historia que eu já sabia de vocês terem namorado a sete anos atrás e que depois ele errou contigo e que você sumiu e ele queria muito se desculpar com você. disse que estava desesperado atrás de você. tinha ido atrás de varias pessoas, ate mesmo de sua melhor amiga, a Kate.-A Kate. – e eu sorri ao me lembrar dela. – você tem a visto?-Sim, mas não mude o assunto. depois falamos dela. -Então continua. -Então, ele disse que teve vergonha de vir ate aqui perguntar sobre você, ficou com medo de que não quiséssemos recebe-lo e ficou todos esses anos se remoendo e então ele resolveu que era hora. Ele disse estar incompleto, olha que coisa linda. – eu ouvi cada palavra imaginando a cena dele triste, sentindo a minha falta e depois do nada ri ouvindo a palavra “incompleto”. Foi mais um riso de nervoso do que de qualquer outra coisa – por que ri? Isso eh a coisa mais linda que um homem diria pra uma mulher. -Mãe, esse cara eh um canalha de primeira. Mas continua...-Ele me disse exatamente assim: “Dona Márcia, eu tenho de tudo nessa vida, eu consegui terminar meus estudos, consegui um bom emprego, tenho dinheiro, uma linda casa, meus sonhos, mas pra que tudo se complete eu precisava de uma coisa. Conseguir o perdão de sua filha. Eu nunca consegui dormir direito depois daquele dia que nos desentendemos”. – eu ouvia tudo calada enquanto minha mãe dizia. Tenho que admitir que fiquei meio tocada com aquelas palavras, mas eu quis me mostrar forte.-Nossa! A senhora nem precisa de um gravador.-Eh serio. Ele disse com essas palavras. Ou mais ou menos isso.-Realmente muito bonito e seria ainda mais bonito se fosse verdade. – disse ficando pensativa.-Eu acreditei nele filha, ele chorou comigo. -Eu também acreditei nele mãe. E quem chorou depois fui eu, por cinco anos. -Eu sei o quanto você sofreu filha, mas eu não podia deixa-lo daquele jeito. Ele estava sendo sincero. Eu sei quando um homem esta falando a verdade. Ele tinha verdade nos olhos. -Agora alem de um gravador, eh um cão farejador de mentiras? – realmente, minha mãe sempre sabia quando alguém estava mentindo, pelo menos quando eu mentia. Mas assim não vale, ela era minha mãe, por isso sabia quando eu falava a verdade ou não. -To falando serio minha filha. E alem de tudo ele tinha que saber onde você estava pois querendo ou não ele precisa saber de umas coisas que dizem respeito a ele. – no mesmo instante fiquei seria e a olhei desesperada.-Você não contou pra ele né? Não ousaria fazer isso. Sabe que essa coisa ninguém pode saber. Esse segredo não mãe!-Calma. Eu não contei nada. -Você realmente me assustou agora. To ate zonza. Eu preciso me deitar agora mãe. -Não vai tomar o café? – eu balancei a cabeça que não. e ela me mirou com um olhar arrependido. — Me desculpa.-Esquece mãe. Vou pro meu velho quarto. boa noite.-Boa noite. -Amanha...vamos visitar o papai!? – disse antes de sair da cozinha.
-Cedo?-Eh. -Ta. – e eu fui pro quarto. Quando entrei no quarto, ele estava do mesmo jeito que deixei. Fazia tanto tempo que eu não entrava nele. Remexendo nas coisas ainda achei uma folha com um desenho meu assinado pelo Gerard. tem noção de quanto tempo fazia isso? e eu ainda o encontrei ali dentro da gaveta da minha escrivaninha. Botei o desenho de volta no lugar e me deitei. Estava cansada e com dor de cabeça. Aquele segredo voltou a tona. Mais cedo ou mais tarde ele ficaria ciente disso. Como eu contaria pra ele? Algumas lagrimas insistiam em sair ao lembrar daquela dor. Relembrei a falta que Gerard me fez naquele momento. ele podia estar comigo naquele momento, mas eu estava sozinha. No dia seguinte acordei com meu celular tocando. Era um numero desconhecido. Quando atendi logo reconheci a voz do desconhecido. -oi. – disse com uma voz ainda rouca por ter acabado de acordar. Era o Gerard. – como conseguiu meu telefone? Deixa eu adivinhar, minha mãe. Mas não tinha sido. Banks deu meu celular a ele pra me avisar que a resposta do conselho seria dada naquele dia. Eu resolvi voltar pra casa depois daquela conversa. Depois de arrumar minhas coisas e tomar um banho eu desci com a mala na mão e fui na cozinha que era onde estava minha mãe, pelo menos era o que eu achava já que vinha de lá o cheiro de café sendo preparado.-bom dia. Esta melhor? – perguntou minha mãe quando entrei na cozinha.-Bom dia mãe. – eu larguei minha mala no chão e fui ate ela e dei-lhe um beijo na testa. – to sim. Tenho uma noticia não muito boa pra te dar.-O que foi? Por que a mala?-Vou voltar pra Los Angeles daqui a pouco. Já reservei ate minha passagem. -Ah...mas eu pensei que...-Me ligaram agora do trabalho. Tenho que estar lá de tarde.-Tudo bem. Seu trabalho eh mais importante né? – e ela forçou um sorriso. -Não eh mais importante que você mãe. Ficou triste né? -Não tudo bem. Você volta um outro dia.-Eh... -Então nem vai visitar seu pai né?-Não, da tempo sim. De lá vou direto pro aeroporto. Depois do café fomos pro cemitério e levamos flores pro tumulo do meu pai que estava todo coberto de neve. Fizemos uma oração e depois voltamos pro carro da minha mãe que dali me daria uma carona ate o aeroporto. -você não me falou da kate.-Ah! A kate…eu a vi depois de tanto tempo na rua. Estava indo comprar terra pra umas plantações quando a vi com uma criança no colo.-Ela casou?-Casou. Esta casada há três anos e tem uma menina de quase três anos e um menino de um. -Nossa que legal. -Eh. – ficou um silencio ate eu voltar a falar novamente. -Sinto a falta dela. -De quem?-Da kate. Faz tento tempo...-Quando disse que sentia falta eu pensei que falasse da... – e ficou calada.Ficou um silencio súbito no carro. Chegamos no aeroporto e eu desci do carro com minha mala na mão. Não havia mais clima depois daquela conversa.-faça uma boa viagem filha. – disse sem me olhar.-Obrigada. – disse ainda sem jeito. Ficamos caladas e então eu fechei a porta do carro. Dei um passo a frente e voltei em seguida me escorando na porta do carro. – também sinto falta dela mãe. – disse a ela que começou a chorar. -Você...você ainda...a visita? – disse dificuldade por causa do choro.-De vez em quando. – eu disse começando a chorar emocionada. Ela sorriu pra mim tentando conter as lagrimas e fez sinal pra que eu fosse embora. Eu fui, mas quando estava preste a entrar no aeroporto eu olhei pra trás e a vi ainda com o carro parado no mesmo lugar e a cabeça sobre o volante chorando. Aquele assunto realmente a tocou.
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