Notas iniciais
Eu prometo que a fic vai melhorar!!! :D

Eu olhei pensativa para a xícara que estava sobre a mesa, havia um pouco de café espalhado em volta dela. Quando voltei a encarar a minha mãe não consegui mais esconder o que eu estava sentindo. Eu não queria falar por que ainda era muito doloroso tocar naquele assunto, mas eu precisava dos conselhos da minha mãe. Minha mãe apesar de às vezes pegar bastante no meu pé, tinha uns bons conselhos, afinal, ela era minha mãe certo? E as mães sempre desejavam o melhor pros seus filhos. No fundo tudo o que eu queria era uma solução pra evitar que aquele dia chegasse. Eu não esperava que o meu reencontro com o Gerard fosse chegar tão cedo. Talvez esse dia nunca chegasse. Eu sei o que deve estar pensando, esconder sobre outra filha dele de novo? Mas foi ele que nunca me procurou depois de fugir daquele jeito. E se ele nunca me procurasse, talvez eu é que não fizesse isso por ele. Senti minha barriga doer de fome. Tomei um gole do café que minha mãe havia preparado e então comecei a contar.

- Diga alguma coisa. – Minha mãe exigiu antes de eu começar a explicar.

- Mãe, você sabe que a revista está comemorando uma década de existência e que haverá uma festa, certo?

- Certo. – Ela confirmou sentando-se na cadeira ao lado da minha. – Aconteceu alguma coisa? Algo com a empresa?

- Não. Graças a Deus não, mas... – Eu coloquei meu cabelo atrás da orelha. — Um dos convidados para essa festa é o Gerard.

- O mesmo Gerard pai da Jessy?

- O mesmo que me abandonou. – Eu disse ferida.

- E agora?

- Eu não sei o que fazer.

- Mas quem o convidou? Você?

- Não! Eu deixei a cargo de dois dos funcionários da empresa de escolherem a capa dessa edição de aniversário e eles me falaram sobre colocar um grupo que está fazendo sucesso nas rádios atualmente. Achei interessante e permiti. Advinha como fiquei ao descobrir que o vocalista era nada mais nada menos que ele: o meu... – Fiz uma pausa breve, então me corrigi-me. -... O Gerard?

- O que vai fazer agora?

- Eu não sei. – Eu disse confusa. — Eu esperava que você pudesse me dizer o que eu devo fazer agora.

Olhei pra ela apreensiva suplicando por uma solução praquilo. Eu já sabia o que ela pensava só de olhá-la. Aquela não era bem o tipo de resposta que eu estava esperando. Eu esperava por algo muito mais fácil de fazer.

- Deve contar a ele sobre a criança, Natasha. – Ela me olhou com um pouco de receio, medo de que eu ficasse brava por aquela decisão dela. Mas ao contrario, eu achei que ela estava com toda razão. Não queria repetir o que fiz no passado.

- Você tem toda razão. – Balancei a cabeça concordando. — Vai ser uma oportunidade para contar que ele agora tem uma filha comigo. Uma filha viva. – Concluí.

< Visão do Gerard >

Eu estava deitado no sofá da sala. Coloquei o livro aberto na página que eu havia parado sobre minhas pernas e tirei o celular do bolso da minha calça. Disquei o número que há tempos não discava. Eu não tinha mais ele gravado na memória do celular, mas eu não precisava disso, eu o tinha guardado na minha memória. Pensei em ligar pra Natasha e falar sobre o nosso possível e óbvio reencontro na festa da empresa, mas não fui corajoso o bastante. Desliguei o celular na primeira chamada. Estava parecendo um adolescente bobo com medo de ligar pra alguém. Eu tinha medo sim, de ser ignorado pela Natasha. Talvez ela nem quisesse falar comigo, talvez ela ainda estivesse chateada pelo que aconteceu no ano passado. Mas pensando por outro lado, acho que foi ela mesma que planejou esse reencontro. Talvez ela não esteja com ódio de mim, talvez ela queira me ver e por isso colocou minha banda como capa da revista. Ela tinha esse poder. Alguns meses atrás fiquei sabendo do falecimento do Sr. Banks, e que a empresa foi passada pra ela. Agora Natasha era a cabeça da empresa e se minha banda estava naquela edição da revista, justo na edição em que teria uma grande comemoração pelos dez anos da empresa, era por que ela assim o desejava. Ela queria me ver, é isso. Acho que precisamos mesmo nos rever e conversar. Sempre pensei em fazer uma visita a ela, olhar novamente naqueles olhos amendoados, pegar em sua mão, mas eu sempre voltava na metade do caminho. O mais próximo que fui, foi passando de carro em frente à casa que ela morava sem ao menos parar.

- Olá, meu amor. – Diz Jasmine, minha atual namorada, a mesma que Natasha acabou vendo na cafeteria quando ainda estávamos nos conhecendo. Natasha entendeu tudo errado, eu ainda não pensava em namorar jasmine, mas depois daquela conversa que tivemos, achei que ela não quisesse mais voltar pra mim. Cheguei a jogar alguns verdes naquele dia, mas Natasha concordou que devíamos seguir nossas vidas e me pareceu estar bem sem mim. Jasmine estava sendo uma boa companhia durante esses meses.

- Oi querida. – Levantei a cabeça para beijá-la e voltei a ler o livro.

- E então, o que está fazendo? – Ela sentou no braço do sofá já que eu estava tomando todo o espaço dele deitado, e envolveu seus braços no meu pescoço bem atrás de mim lendo o que eu estava lendo.

- Estou lendo um livro que achei no seu armário.

- Fortaleza digital é um ótimo livro.

- É... Interessante. – Eu quase não aprestava atenção no que lia. Já fazia uma hora que eu lia o livro e não saia do primeiro capítulo.

- O que vamos fazer hoje, em? – Ela puxou o livro da minha mão e o jogou pra longe para que pudesse se sentar no meu colo. Ela pegou nos meus braços e os colocou em volta de sua cintura. – Estou com saudades de quando fazíamos amor. Já faz tanto tempo. – Ela sorriu pervertida e beijou meu pescoço me provocando abrindo alguns botões da minha camisa que eu a impedi de continuar segurando os braços dela. – O que foi? Não está afim?

- Eu estou com dor de cabeça. Desculpa. – Inventei uma desculpa qualquer que a fizesse desistir daquela idéia. Depois de pensar em Natasha, não tinha mais vontade de fazer nada.

- OK. – Ela abotoou os botões da minha camisa que ela havia aberto e me beijou na testa. – Tem remédio no armário da cozinha. – Ela se levantou e foi em direção ao quarto. Com certeza eu havia deixado ela irritada com minha rejeição.

< Visão de Natasha >

Acordei no dia seguinte melhor que no dia anterior, dessa vez sem ressaca, sem enxaquecas e sem uma mãe irada me indagando o dia inteiro. Eu colocava a Jessy para dormir depois de dá-la de mamar quando a campainha tocou.

- Mãe! – Gritei, mas ela não me respondeu. – Mãe, atende aí, por favor.

Momentos depois ela respondeu que já ia atender e eu continuei a colocar Jessy à dormir já que ela despertou com meus berros. Coloquei-a no berço assim que ela pegou no sono. Olhava pra ela dentro do berço enquanto fazia carinho em seu rosto quando minha mãe entrou no quarto nervosa, mais pra ansiosa do que nervosa, mas se tremia toda abanando as mãos.

- O que houve? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei tocando no ombro dela tentando fazê-la se acalmar, mas não adiantou.

- Ele está aí. – Ela sussurrou como se não quisesse que alguém ouvisse. Logo o Gerard me veio na cabeça. Mas ele na minha casa depois todo esse tempo era algo impossível. Ele nunca teria coragem de aparecer ali.

- Ele quem, mãe?

- Gerard.

Não, não podia ser ele, mas era. Meu coração bateu a mil por hora e eu entrei em desespero.