Tudo que Vai Volta Ii
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Capítulo drama!
novidade neh??? rsrsrs
Eu desci do táxi e a frente da minha casa aparentava tranqüilidade. Quando abri a porta o interior dela estava silencioso, só quando a fechei que ouvi passos vindo da cozinha e então a Kate surgiu na sala vestindo uma calça jeans e uma camiseta o que não era muito comum naquele horário já que ela vestia sua camisola quando davam as oito badaladas.
- Onde está a Jessy, no berço? – Eu perguntei depressa fazendo menção de andar até a escada, mas ela agarrou meu braço.
- Calma, Natasha. – Eu me virei pra ela e senti uma dor no peito ao ver seu olhar triste. Devia ser mais grave do que ela tinha revelado.
- O que aconteceu com minha filha? – Perguntei temerosa. Minhas mãos ficaram frias e senti um frio tomar conta do meu corpo, me fazendo tremer.
- Calma, a Jessy está bem, ela está dormindo e não há nada com ela. – Ela me avisou tentando me tranqüilizar, mas meu corpo começou a tremer ainda mais por que se não era com a Jessy era com o Gerard que estava desaparecido, será que ele tinha morrido e era por isso que ela estava me escondendo?
- O que aconteceu? – Eu perguntei nervosa quase a sacudindo de tanto desespero.
- A sua mãe não está nada bem.
- O que? – Eu pensando no Gerard, e até esqueci minha mãe.
- Senta um pouco, você está tremendo muito.
- Eu estou bem. – Eu gritei descontrolada. – Onde ela está?
- Nós estávamos assistindo TV quando ela começou a passar mal se tremendo e então chamei uma ambulância. A última coisa que eu sei é que ela foi internada as pressas, mas não quiseram me dar mais informações por telefone e eu nem tive como ir até lá por causa das crianças. Eu chamei a vizinha pra tomar conta delas, mas ela até agora não apareceu...
- Eu vou até lá. – Eu joguei meus cabelos pra trás e tirei meu celular da bolsa. – Qual hospital?
- Calma, eu vou com você. – Ela disse correndo em direção a escada.
- Eu vou chamando um táxi.
A vizinha chegou quando eu discava para o táxi, o que foi um alívio. Eu não sei se iria agüentar ir pro hospital sozinha. E se minha mãe estivesse muito mal, e se ela tivesse...? Eu prefiro nem pensar nisso. A Kate voltou às pressas com uma bolsa pendurada no ombro. Enquanto ela conversava com a vizinha eu voltava a ligar pra empresa de táxi nervosa pela demora, mesmo que só fizesse alguns minutos que eu tinha ligado da primeira. Quando o táxi chegou eu nem me despedi da vizinha, quando eu voltasse talvez eu me lembrasse de ao menos agradecê-la pelo favor. Eu estava tão nervosa que nem me importei em deixar a Jessy com um estranho. Mesmo depois de tantos anos, eu não era muito de papear com o pessoal da vizinhança.
Quando entramos no hospital e inalei o cheiro do ambiente, me senti zonza. Estar ali me dava arrepios. Não tive boas experiências por ali, aliás, quem algum dia passou por alguma coisa boa dento de um hospital? Se você está ali, é por que alguém está mal, e isso não é nada tranqüilizador. Eu mal tive coragem de perguntar na recepção pela minha mãe. Kate conversou com a recepcionista e tudo que eu tive que fazer foi entregar meus documentos. Então nos sentamos para esperar o médico. Não tínhamos qualquer informação que pudesse nos deixar mais calmas. Eu olhava desconfiada pra todos os lados tentando adivinhar qual daqueles senhores de jaleco seria o médico que estava cuidando da minha mãe e traria alguma noticia. Até que uma mulher apareceu na recepção perguntando por mim e então eu me levantei indo até ela.
- Sou eu. – Eu me identifiquei, então ela se virou pra mim. Ela não tinha nenhum sorriso nos lábios, o que era mal. Respirei fundo para receber a notícia. E como eu esperava, não foi uma das boas.
- Sua mãe está com pneumonia, e no estado de saúde dela, o caso se agravou... – Ela dizia, mas eu parei de ouvir pela metade. Eu já sabia o que ela ia dizer, ia enrolar até revelar que o fim estava próximo. Eu olhei pro lado ignorando o olhar da doutora e a Kate a olhava preocupada, seu rosto se contorcia a cada palavra. Voltei a olhar a minha frente e a doutora se dirigia à Kate já que eu havia virado o rosto pra não ter que encará-la. – Eu irei chamar uma enfermeira pra levá-las até lá. – Ela finalizou dando as costas pra nós que ficamos no meio do caminho sem ação alguma.
- Você vai primeiro. – Kate disse de repente aos sussurros.
- Pra onde? – Eu perguntei sem entender.
- Você não ouviu o que a doutora falou? – Ela me perguntou confusa, e ao ver meu olhar perdido tentou me explicar. – Natasha, você tem que ser forte agora. Sua mãe pode não voltar nunca mais pra casa. – Ela disse calmamente tentando não me deixar ainda mais nervosa. – A médica disse que talvez essa seja hora de nos despedirmos, antes que seja tarde.
Minha respiração aumentou como se eu tivesse ficado sem ar por muito tempo. Senti um bolo subindo pela minha garganta, chegando a me sufocar, era até dolorido. Uma dor pulsava em meu peito e então meus olhos começaram a se embaçar. Kate cruzou seu braço no meu quando alguém toda de branco apareceu na nossa frente e pediu que a acompanhasse. Quando paramos em frente a um dos quartos eu não consegui me segurar por mais tempo. Eu não podia entrar daquele jeito no quarto. Minha mãe não podia me ver chorar como se ela já estivesse praticamente morta. Ela não podia ver isso. A enfermeira saiu de perto da gente pra atender um chamado, então Kate pediu pra eu entrar, mas eu não podia antes de me acalmar.
- Vá você. – Eu disse tentando me conter. – Se eu entrar não vou parar de chorar. Eu preciso me acalmar antes.
- Tudo bem. Então eu vou primeiro. – Ela disse nervosa, estava sem jeito, sem saber o que fazer, não queria falar primeiro do que eu com a minha mãe. Mas pra mim isso não importava. Eu sendo a primeira ou a última, o que importava é que eu tivessse a oportunidade de pelo menos me despedir dela.
Eu continuei do lado de fora quando ela entrou. Tentei pensar em várias coisas pra me acalmar, mas não estava dando muito certo por que eu só conseguia pensar em coisas tristes. Entrei num banheiro e joguei água no meu rosto para amenizar meus olhos vermelhos, mas as lágrimas não paravam de sair. Eu tentei de tudo pra conter o choro, sem sucesso. Minha mãe ia morrer. Tudo bem, disso eu já sabia, mas ela ia morrer a qualquer momento, hoje ou amanhã, o fim estava muito perto. Pensar nisso me fazia me sentir sozinha como se eu não fosse conseguir viver mais sem ela presente. O que eu ia fazer de agora em diante sem a sua companhia, sem os seus conselhos, sem a sua ajuda? E a Jessy? Nunca teria a oportunidade de conhecer sua avó assim como teve a Nicole. Isso era tão injusto. Minha mãe era tão nova ainda.
Meu celular tocou e eu não estava a fim de atender, pensei que talvez pudesse ser o Wallace tentando se explicar, mas como estava insistente eu atendi e era a Kate a minha procura. Saí do banheiro e ela estava no corredor próximo a porta parecendo assustada.
- Ela quer ver você. – Ela me disse quando me aproximei. – Está pronta?
- Não. – Eu respondi balançando a cabeça. – Como ela esta?
- Ela é sua mãe. Você sabe como ela é forte. Está bem como se nada estivesse pra acontecer.
- Você disse a ela o que a médica nos contou?
- Não precisei. Ela já sabe, Natasha.
Eu fechei meus olhos pressionando as têmporas com os dedos. Respirei fundo umas três vezes antes de entrar. Não havia mais lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas com certeza meus olhos me denunciavam. Lá estava minha mãe, sobre a cama, tão impotente, mas ao mesmo tempo ainda mantinha uma certa pose rígida. Eu sei que eu disse que ia ser forte, mas assim que encostei a porta e dei uma profunda olhada em seu rosto pálido eu me desmanchei em lágrimas e corri em sua direção me debruçando sobre seu corpo para abraçá-la como se eu ainda tivesse dezesseis anos. Foi tão aconchegante e protetor estar em seus braços que eu tinha vontade de parar as horas para que pudéssemos passar mais tempo desse jeito.
Minha mãe afagou meu cabelo com sua mão que havia um tubo ligado a sua veia que a alimentava com soro. Eu levantei minha cabeça e ela sorria, forte, sem demonstrar nenhuma pena de si mesma. Eu invejava sua força.
- Mãe... – Eu gemi triste.
- Eu vou ficar bem. – Ela pegou em minha mão e a apertou com toda força que lhe era possível. – vou cuidar da Nicole.
Eu tapei minha boca tentando não fazer muito escândalo enquanto soluçava. Eu balancei a cabeça, mas dessa vez concordando com sua ultima frase.
- Você tem que ser forte. – Ela exigiu firme, mas eu continuei chorando. – Não, Natasha. Seja forte. Não quero ver você chorar. Eu vou ficar bem.
- Não posso. Eu nunca mais terei você aqui, mãe. – Eu juntei minha outra mão às nossa.
- Você não precisa de mim. Não mais. Eu fiz tudo que foi possível, e você se tornou uma mulher.
- Eu não sei se vou conseguir superar isso.
- É claro que vai. E o Gerard irá ajudá-la nisso como não conseguiu fazer da primeira vez.
- Gerard? Do que está falando? – Eu indaguei sem entender.
- Você vai ligar pra ele e vai conversar com ele.
- Eu nem sei onde ele está. Ele sumiu. – Depois de eu ter dito que o queria longe de mim.
- Você sabe como encontrá-lo. Vai dar um jeito.
- Eu não posso. Você mesma me disse que ele me fazia mal.
- Eu também tenho direito de errar. – Ela me disse com um sorriso de desculpas.
- Você estava certa o tempo todo. Agora que ele foi embora eu me sinto bem melhor.
- Tem certeza? – Ela me olhou séria. – Não é isso que eu vejo, Natasha.
- Você precisa descansar. – Eu desviei a conversa largando a mão dela e puxando o lençol até a cintura dela.
- Ele deve saber sobre a Jessy. – Ela continuou falando sobre o Gerard, e eu não queria mais ouvir aquele nome. Eu estava tentando me esquecer de sua existência, pelo menos um pouco.
- Mãe, você quer alguma coisa? Eu posso pedir à enfermeira. – Eu fingi que não ouvi sua ultima frase.
- Se eu quiser algo eu mesma peço. – Ela gritou enfezada. – Agora me escute sua teimosa: você vai ligar pros pais dele e vai descobrir onde ele está e depois vai contar sobre a filha dele antes que ele acabe descobrindo por outra pessoa.
- Você não pode se alterar. – Eu continuei a ignorar o assunto.
- Você não pode ser tão burra, Natasha. Está fazendo a mesma coisa novamente. Você deve aprender com os seus erros.
- Mãe, para! Eu não quero falar disso. – Eu gritei irritada.
- Saia daqui! – Ela gritou em resposta apontando pra porta. Eu me assustei. Não achava que ela fosse chegar a ponto, mesmo depois de eu ter gritado com ela, o que foi algo que eu fiz sem pensar. – Só volte quando decidir contar pra ele. – Ela disse firme.
Eu sai do quarto irritada batendo pé. A Kate tomava um copo de café do lado de fora sentada em uma das cadeiras perto da porta. Eu me aproximei e me afundei na cadeira ao lado, cruzando os braços como uma criança birrenta. Algumas pessoas me olhavam com curiosidade. Kate levou a mão à boca quando queimou a língua com o café. Ela me olhou com a testa franzida.
- O que aconteceu?
- Ela me expulsou do quarto.
- O que você fez? – Ela perguntou curiosa.
- Nada. – Eu não queria falar sobre aquilo, mesmo que fosse com a minha amiga. Ela saberia depois quando entrasse pra ver minha mãe, as duas andavam de complô contra mim. Será que ninguém estava me apoiando agora? Não era isso que todos queriam que eu fizesse antes? Isso é ridículo. Eu saí como a madrasta má da branca de neve nessa história. Quer saber? Eu não vou mais dar ouvidos à nenhuma das duas, a partir de agora eu faço o que eu achar que for melhor. E dane-se o que elas vão achar. Isso é o melhor que eu faço. Depois não terei que aturar suas chatices.
Eu estava realmente muito irritada, mas abaixei minha crista quando um grupo de médicos passou por nós apressado e entrou no quarto que estava a minha mãe. Kate e eu nos levantamos nervosas e corremos pra lá também, mas quando paramos em frente a porta, uma das enfermeiras a fechou na nossa cara. A única coisa que eu consegui ver nesses segundos foi um dos médicos tentando ressuscitar minha mãe e a linha infinita em seu aparelho.
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