Tudo por vocês
8 Capítulo 7 — Aliado
Notas iniciais
Naruto observava a jovem Sakura desacordada sobre um banco, que ficava próximo a saída de Konoha. Aproximou-se, torceu os lábios ao notar que os rastros deixados pelas lágrimas ainda eram visíveis na nívea face da moça.
— Você podia ter tido um pouco mais de compaixão… — resmungou-o duramente ao ouvir Sasuke se aproximar.
— Você não sabe de nada — respondeu o moreno ao se sentar de frente para o banco.
— Sei o quanto ela sofreu, isso pra mim é mais do que o suficiente — disse o Uzumki ao sentar-se de costas para o assento.
O Uchiha nada falou, apenas ignorou o comentário feito pelo companheiro, e pôs-se a fitar a rapariga adormecida de belos cabelos róseos. De súbito sentiu algo em seu peito, mas não era o ódio que constantemente emanava daquela região, e sim alguma coisa diferente, que não era do seu conhecimento.
— Me pergunto o que está acontecendo no nosso presente — Naruto deixou escapar uma de suas especulações mentais.
— Devem achar que estamos mortos, muitos nem devem lembrar que um dia existimos — o moreno foi frio.
— A Sakura-chan deve estar em martírio… — suspirou-o.
— Típico dela apenas chorar — Sasuke deu de ombros.
— Você poderia ser menos arrogante — falou o Uzumaki.
— E você menos irritante.
O loiro abriu a boca para dizer algo, mas não o fez, pois voltara a sua atenção para os resmungos que a jovem Haruno soltava.
— Sasuke-kun… Naruto… Voltem… — disse-a.
O Jinjuuriki da Kyuubi levantou-se num pulo, enquanto o usuário do sharingan fitou-a intrigado.
— Sasuke-kun… Naruto… Mortos… Não… — proferiu-a novamente.
Durante alguns segundos os dois ninjas permaneceram calados, estáticos, tentando encontrar uma resposta para o que tinha acabado de acontecer ali, mas nada lhes vinha a mente.
— O que foi isso? — Indagou Naruto, ainda abobalhado.
— Não sei… — O Uchiha tentara disfarçar seu tom surpreso.
— Dói… Perder alguém dói — disse-a.
— Ela está falando da gente — A voz do Uzumaki tinha um misto de confusão e perplexidade. — É como se a Sakura do passado e do futuro tivesse ligadas…
— Não fale bobagens Naruto — Sasuke revirou os olhos.
— Não é bobagem — disse o loiro ao se aproximar da moça. — Ei, Sakura — chamou-a.
— Idiota não faça isso…
No exato momento em que o Uchiha segurou a gola da blusa do hospedeiro da raposa de nove caudas, o mesmo tocou na mão da Haruno, de forma mística ambos foram absorvidos pelo corpo da moça, e levados a outra dimensão.
(…)
As árvores balançavam lentamente, fazendo com que suas pétalas rosadas cobrissem o chão, eram as flores de cerejeiras, que aos montes deixavam suas casas para viver livremente os poucos segundos que tinham.
— Aonde estamos? — Naruto perguntou.
— Não faço a miníma ideia.
O solo coberto por pétalas rosadas era lamacento. O céu sobre suas cabeças estava encoberto de nuvens acinzentadas, que se embolavam uma nas outras, fazendo um barulho estonteante, indicando que uma negra tormenta se aproximava.
A dupla de ninjas continuou andando, explorando o novo lugar, tentando descobrir qual era o objetivo de estarem ali.
— Isso é estranho… — Sasuke murmurou.
— O que é estranho?
— Olhe para o outro lado do bosque, as cerejeiras estão vívidas, o céu radiante e o solo coberto por gramíneas, mas a morte parece alcançar tudo aos poucos.
— O que isso quer dizer? — Indagou o loiro.
— Não faço a miníma ideia — disse o moreno, seguindo em frente, porém Naruto não o acompanhava. — O que foi? — Virou-se para fitar o loiro.
— Sakura-chan... — ele murmurou ao apontar o dedo para frente.
O Uchiha olhou para a direção, a qual o loiro apontava, ele não pareceu surpreso, mas tudo fez sentido.
— Naruto se ela atravessar aquela ponte, ela morre! — disse seriamente.
O caminho até o escritório do Hokage nunca foi tão longo, a cada passo que eu dava, ele parecia mais e mais distante. Respirei profundamente, precisava estar calma para me sair bem, e consequentemente não fazer nenhuma burrice.
Caminhei por mais alguns minutos, até que por fim alcancei a porta de entrada.
— Sakura-san como vai? — Levei um susto ao avistar um dos guardas. — Soube que andou com alguns problemas, já está melhor?
Revirei os olhos, pelo jeito a vila inteira sabia dos meus problemas pessoais, alguém naquele hospital não tinha tramela na língua.
— Estou muito melhor, aquilo já é águas passadas — forcei um sorriso. — Tsunade pediu para que eu deixasse em seu escritório um relatório sobre a minha evolução.
— Tudo bem, pode entrar, mas não demore muito. Para ser mais exato eu não posso deixar as pessoas entrarem no escritório da Hokage sem que ela esteja lá, mas você é alguém que ela confia muito, por isso abrirei essa exceção — ele sorriu, eu retribui.
Passei por ele lentamente, disfarçando o máximo o meu nervosismo, assim que passei a porta principal comecei a correr, precisava ser rápida para não levantar suspeitas. Foram dois lances de escadas até encontrar a porta do escritório da Tsunade, que estava trancada.
— Merda! — Resmunguei irritada.
Se eu usasse a força, seria descoberta mais cedo ou mais tarde, eu precisava encontrar a chave. Rumei para a outra porta que estava semiaberta e adentrei no escritório da Shizune. Revirei as gavetas, a mesa, procurei dentro dos armários, e nada. Suspirei, em seguida voltei a procurar, precisava daquela chave, precisava muito.
Estava difícil procurar no escuro, com auxílio apenas da luz da lua que adentrava pela janela e iluminava Tonton, que dormia serenamente com algo pendurado em seu pescoço. Aproximei-me dele e encontrei o que procurava.
Com cuidado para não acordá-lo, retirei o cordão com a chave do seu pescoço e rumei para a sala da Hokage. Em questão de segundos abri a porta e adentrei no local, logo comecei a procurar pelos pergaminhos que ali ficavam guardados.
— Relatórios… — rumei para o outro armário. — Fichas nos ninjas da vila… Cópias das certidões de nascimento dos civis… Me pergunto se a mestra já leu tudo isso.
Continuei procurando, olhei todas as gavetas da mesa, do arquivo, dos quatro armários, vasculhei as caixas que estavam no chão, mas não havia encontrado absolutamente nada.
— Droga, aonde está? — Perguntei para mim mesma.
— Aonde está o que Sakura? — uma voz ecoou atrás de mim fazendo com que todo meu corpo ficasse petrificado, eu fura pega, estava perdida. — Sabe que é um crime invadir o escritório do Hokage, não é mesmo?
Ele andou até mim e parou na minha frente.
— Sei sim Shikamaru… — eu estava assinando a minha sentença de morte.
— E mesmo assim o fez?
— Na verdade tive autorização para subir, então, tecnicamente não foi uma invasão — respondi.
— Isso é tão problemático… — ele suspirou para em seguida pegar um cigarro no bolso. — Tudo bem, já vi que assim nós não vamos a lugar algum, então me responda o que estava procurando?
— Quem disse que eu estava procurando algo? — Me fiz de desentendida.
— Eu vi você procurando algo — ele deu uma tragada em seu cigarro. — E eu sei que você sabe disso, mas eu sei também que você não colocaria o seu pescoço na guilhotina de graça, então eu vou lhe perguntar apenas mais uma vez, o que estava procurando?
Revirei os olhos, dessa vez eu não tinha escolha, teria que contar a ele tudo o que sabia e teria que rezar para que ele acreditasse em mim, suspirei:
— Você vai achar que eu sou louca, ou coisa do gênero, mas peço que me escute até o final — ele assentiu. — Naruto e Sasuke estão vivos.
Encarei-o para analisar a sua feição. Ele tinha franzido o cenho, seus lábios tinham entortados e o cigarro estava entre eles.
— Suponhamos que eu acredite nisso… — entendi isso como um continue.
— Há algum tempo eles vem invadindo meus sonhos, tentando me fazer acreditar que ainda estão vivos. No começo eu achei que era coisa da minha cabeça, mas o fato era os sonhos nunca se repetiam, e eles eram tão reais… Eu levei um tempo para absorver essa informação, para ser sincera só consegui fazer isso depois daquela conversa que tivemos, você me disse que por ser um jutsu de selamento do tempo...
— Eles poderiam ser desintegrados, mas isso não faz sentido, se eles foram desintegrados eles não podem estar vivos.
— Eles poderiam ser desintegrados, ou qualquer coisa do tipo, foi isso que você disse.
— Tudo bem, mas isso ainda não faz sentido.
— Durante um dos sonhos, Sasuke me disse que o jutsu do tempo era o segredo, em seguida ele ativou o seu sharingan e me mostrou algumas imagens, pelo que eu entendi eles estão em outra dimensão, e nessa dimensão há fendas que os leva para outros lugares, eu não sei explicar direito.
— Você estava procurando o pergaminho? — Eu assenti. — Certo, eu vou lhe ajudar a encontrá-lo, mas estamos começando pelo lugar errado.
— Os meninos me disseram que eu não encontraria esse pergaminho junto aos outros por ser mais perigoso.
— E é por ele ser tão perigoso que Tsunade o tirou da vila — novamente o Nara deu uma tragada em seu cigarro. — Isso vai ser problemático, vamos precisar de três ninjas de nossa confiança.
— Para onde vamos? — Perguntei assustada.
— Para o lugar onde o tempo é sagrado — sua resposta fora vaga. — Vou atrás Shino e Chouji, enquanto isso vá até o clã Hyuuga convoque a Hinata para missão.
— Shino? Por que não a Ino?
— As habilidades dela não serão tão úteis quanto as do Shino — foi a última coisa que o Nara disse antes de se retirar da sala.
Eu fiquei ali parada durante algum tempo, tentando absorver tudo o que estava acontecendo. Eu enlouqueceria antes de trazê-los de volta para Konoha. Mas mal eu sabia, que o destino reservava para mim algo pior que a loucura, e mais doloroso que a morte.
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