Tudo por vocês

4 Capítulo 3 — Alvorecer


Notas iniciais
Olá pessoal, como estão? Primeiramente queria me desculpar, demorei um pouquinho porque tive alguns problemas para escrever o início do capítulo, mas tudo resolvido. Queria agradecer a todos que comentaram o capítulo anterior, muito obrigada. Vou respondê-los em seguida, Gente eu sempre respondo os comentários do capítulo anterior, assim que posto um novo, peguei esse costume, vez ou outra faço antes, okay? Mais algumas pistas para vocês amorecos, boa leitura.

Um mês atrás

Naruto ofegava, suas pernas doloridas não eram capazes de dar mais um passo se quer. O sol escaldante ardia-lhe os ombros desnudos e a sua boca, assim como todo o seu corpo suplicava por água.

— Eu não aguento mais — murmurou-o para em seguida desmoronar sem forças.

Sasuke olhou-o de soslaio, logo suspirou. Ele também estava esgotado, pois há tempos perambulavam por aquele lugar e não encontravam nada. Com muita sorte achavam uma nascente, ou outra de água, e algo para comer, mas era raridade. Quando isso acontecia tratavam de estocar os itens da maneira que fosse possível, pois nunca sabiam quando voltariam a se encontrar com a sorte.

— Levante-se Dobe, estamos quase lá — encorajou o amigo.

— Estamos quase aonde Sasuke? — Com dificuldade, Naruto se sentou no chão seco e árido. — Não há nada aqui além de areia e sol.

— Talvez estejamos no país do vento — arriscou o moreno.

— Acredito que a essa altura já teríamos alcançado Suna — rebateu o Uzumaki zangado.

O Uchiha deu-se por vencido. A quem ele queria enganar com aquela hipótese tão absurda? Talvez a si próprio. Talvez estivesse tentando se convencer de que logo tudo estaria bem e voltaria ao normal.

— Do que você sente mais falta? — Ouviu a voz de Naruto soar tristonha. — Eu daria tudo para ver o sorriso de todos, para levar algumas bordoadas da Sakura-chan e para comer ramem, muito ramem. Quando voltarmos, irei comer ramem até explodir.

Os lábios ressecados de Sasuke curvaram-se num sorriso torto. Apesar de todos os apesares, Naruto não tinha perdido a sua essência, continuava sendo Naruto, um pouco menos hiperativo, mas um completo cabeça oca.

— Sharingan! — Disse-o deixando o loiro confuso — Eu sinto falta de usar o meu sharingan — completou.

— Mas ele está em você, é só usá-lo — naquele momento o Uzumaki rotulou o amigo como tapado ao extremo, até mais que si mesmo, não que isso fosse possível.

— Não consigo — desabafou. — Desde que viemos parar aqui não consigo ativar o meu sharingan, ou usar qualquer jutsu.

Os olhos azuis arregalaram-se, enquanto sua boca se abria num “o” de incredualidade, em seguida soltou uma gostosa gargalhada, ela claro que Sasuke estava brincando.

— Você é engraçado Teme! — Disse-o entre risos. — Eu quase acreditei nisso, acho que sol demais esta lhe deixando alucinado.

Sasuke segurou-se para não estrangular aquele idiota, como diabos ele tinha conseguido se tornar um ninja tão poderoso, se era tão burro quanto uma porta?

— E você, por acaso entrou em contato com a Kurama nesses últimos dias? Os seus kage-bushins estão lhe ajudando a procurar comida ou água por ai?

Então a ficha caiu... Há tempos a raposa não o incomodava, nem mesmo para lhe dizer algumas doces palavras gentis. Outro dia tentara utilizar o Kage Bushin no Jutsu, mas não tivera sucesso.

“Droga!” — Foi a primeira palavra que lhe veio a mente. De fato ele era realmente lerdo e deixava pequenos detalhes passarem despercebidos aos seus olhos.

Porém não tivera tempo de pronuncia-ser, de tentar se explicar, pois o clima começara a mudar rapidamente. Logo o sol escaldante dera lugar a uma ventania tremenda, seguida por gotículas de chuva, e foi ai que tudo sumiu.



Ouvia vozes desesperadas. Não conseguia entender o que diziam, as únicas palavras que soavam nítidas eram Sakura e morrendo.

Senti mexerem em meu corpo, parecia que me carregavam para algum lugar. Tentei avistar quem me conduzia, mas meus olhos não se abriam. Abri a boca para gritar, mas nada saia, eu estava de mãos atadas.

Colocaram-me sobre um leito macio, tremi o queixo a o sentir que o mesmo estava gélido. Logo envolveram-me com algo pesado e quente. A medida que meu corpo se esquentava o mundo ficava cada vez mais distante, e continuar tentando desvendar quem estava ao meu lado tornava-se uma tarefa difícil.

Por algum motivo eu estava cansada, o meu torso parecia pesar o dobro e algumas de minhas juntas flamejavam. Tentei me queixar, mas nenhum ruído ecoara de meus lábios, que se contrariam assim que senti algo me penicar, logo dormi.

(…)



Pisquei uma, duas, trocentas vezes, até que meus olhos se acostumassem com a claridade do ambiente. Olhei de esguelha para o lado direito, depois para o esquerdo. Tudo era branco. Suspirei pesadamente. Lá estava eu de novo, aprisionada em um quarto de hospital.

Direcionei meu olhar para a mesinha que ficava próxima a maca, sobre ela tinham inúmeros aparelhos, deles saiam variados fio de diferentes cores e todos estavam conectados a mim. Mas não era apenas isso, eu também usava uma máscara de oxigênio.

Bufei frustrada, num dia eu era demitida e proibida de entrar no hospital, no outro amarravam-me em uma maca e me enchiam de fios coloridos. Acho que devo alertar Tsunade sobre mal das bebidas alcoólicas.

Antes que eu pudesse organizar meus pensamentos, para em seguida tomar alguma atitude; a porta se abrira e por ela passaram uma moça ruiva. Seus cabelos ensebados estavam presos em um rabo de cavalo, as sombras arroxeadas sob seus olhos indicavam que ela não dormia há dias e na ponta do seu nariz pendia o velho óculos surrado.

A jovem torceu os lábios ressecados num sorriso sútil ao perceber que eu estava acordada, em seguida rumou até a janela e a abriu. A brisa que adentrou no quarto fez o seu guarda-pó branco oscilar de leve.

Eu matinha meu olhar sobre ela, dei uma leve arqueada em minha sobrancelha indagando o motivo dela estar ali. Tudo bem, poderia haver uma hipótese dela ser a médica responsável por mim, mas era uma chance entre dez.

Ela percebeu os meus olhos sobre si, mas ainda não dissera nada, apenas caminhou em minha direção. Deligou o aparelho de oxigênio, pois percebera que eu podia respirar sem ele e se sentou nos pés da cama, enquanto me encarava.

— O que faz aqui Karin? — Tomei iniciativa, já que a mesma não o fazia.

— Vim ver como você está — sorriu docemente. — A Hokage ficará feliz ao saber que você acordou depois de tanto tempo.

— Tanto tempo? — Indaguei confusa.

— Uma semana Haruno, você ficou desacordada por uma semana — suspirou. — Encontraram-na desmaiada sob chuva no ápice de uma hipotermia. Tsunade-sama entrou em pânico ao vê-la num estado tão lastimável, e ficou mais desesperada ao ver que estavam te perdendo.

Aos poucos as informações foram se organizando em minha mente.

Minha demissão...

Lágrimas no memorial...

As inúmeras cerejeiras e a ponte da morte...

Naruto e Sasuke vivos...

Minha cabeça latejou ao tentar assimilar a ultima informação. Elevei a mão na região dolorida na esperança que isso passasse para que eu pudesse prosseguir.

— Nunca pensei que a grande Sakura Haruno fosse alguém tão irresponsável — ouvi-a dizer. — Acho que você está fazendo isso apenas para chamar atenção, sabe? Olhe para mim, eu perdi o grande amor da minha vida e nem por isso estou ai me martirizando, valorizando minha dor para que os outros tenham pena de mim.

As palavras dela me enjoaram, como ela tinha a audácia de destratrar os meus sentimentos dessa maneira?

— Você é tão ridiculamente baixa e desprezível — torceu o nariz. — Mas eu não tenho pena, não de você. Para mim seria muito melhor se eles tivessem permanecidos vivos ao invés de você. Na verdade acredito que toda a vila acha isso, e assim como eu todos te culpam.

Todos me culpam...

Todos me culpam...

Aquelas palavras feriram meu coração, fazendo um corte profundo e demasiadamente dolorido. Doía tanto que eu podia sentir o sangue escorrer pelo meu corpo, o gosto dele verter em minha boca.

— Cala a boca — berrei entre lágrimas. — Você não sabe o quanto eu desejei ter ido no lugar deles — descontrolei-me e arranquei todos os fios conectados ao meu corpo.

— Então vá. Você será mais útil morta mesmo — seu tom era amargo, repleto de repúdio e raiva.

Não consegui ouvir mais uma palavra sequer, pois perdi a cabeça e avancei contra ela. Mesmo estando debilitada e sob efeito de remédios, eu ainda tinha força suficiente para acabar com ela, e assim o fiz.

Um soco de cada vez, neles esta imposta toda a minha raiva, agonia, tristeza, tudo. Eu estava descontando tudo nela, que tentara fugir e revidar, mas a certa altura viu que era em vão, logo desistiu.

Depois de um tempo senti braços fortes me agarrarem e me puxarem para longe. Em seguida conseguiram me imobilizar, para finalmente me doparem.

~~~ ♥ ~~~

Lá estava eu, novamente no memorial. Quem me visse ali diria que eu os idolatrava, sim, talvez, quem não?

Eles foram os nossos heróis, os nossos guerreiros, os meus companheiros de time, eramos uma célula tripla. Eramos nós três. Agora era só eu.

Meus olhos lacrimejaram, não consegui evitar as lágrimas que dali vertiam, apenas deixei rolar. Porém dessa vez eu chorei só, pois o céu a minha volta não estava triste como eu, na verdade suas cores eram bem alegres, um misto de alaranjado e amarelo pincelados sobre o azul indicavam mais um alvorecer.

Seria um belo espetáculo se eu não estivesse tão desolada.

— Sim, é tão bonito que dá vontade de chorar — dei um pulo de susto, olhei para o lado e me deparei com Naruto olhando sua réplica. — Até que fiquei bonito, o que acha Teme?

O olhar dele foi além de mim, pus-me a acompanhá-lo e avistei Sasuke, sereno e calmo sob as sombras que as arvores de cerejeiras lhe proporcionavam.

— Que isso é algo insignificante — disse-o.

— Eu sei que sim, na verdade só teria sentido se realmente estivéssemos mortos — disse o Uzumaki.

— Mas vocês estão mortos e são apenas frutos da minha cabeça — falei atordoada. — Oh céus estou surtando.

— Você está certa — fitei-o com um olhar confuso e perdido —, realmente estamos na sua cabeça, assim como você esteve na nossa antes de irmos.

O sorrido de Naruto era tão largo e alvo, que chegava a ofuscar a minha vista. Suspirei pesadamente , eu só podia estar ficando louca, mas eles pareciam ser tão reais.

— Vão embora, por favor, me deixem em paz, eu sei que vocês estão mortos — gritei na tentativa de me livrar daquela alucinação, mas eles permaneciam imóveis, os dois.

— Droga Sakura, eu jurava que você era mais inteligente! — O loiro resmungou emburrado.

Elevei as mãos a cabeça, passei rapidamente meus olhos sobre ambos e fechei-os em seguida desejando que eles sumissem.

Respirei fundo, esperei um pouco, os abri novamente e me deparei com Sasuke parado na minha frente me fitando intensamente. Num movimento sutil ele encostou o dedo indicador na minha testa, abaixou-se para seus olhos ficarem na altura dos meus e ativou seu sharingan.

— O jutsu do tempo é o segredo.

Ao olhar aquela iris escarlate eu perdi o chão.

No final de tudo eu só tinha certeza de duas coisas: Algumas vezes a morte errava e nos dava uma nova chance, mas mesmo uma nova chance tem uma data de validade, e essa data se chama tempo. Já o resto, nada mais fazia sentido.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentar não mata e me deixa feliz. Se alguém quiser recomendar fique a vontade, rsrs. Beijos, até o próximo.