Tudo por vocês

6 Capítulo 5 — Seres culpados


Notas iniciais
Olá como estão? Primeiramente peço sinceras desculpas pela demora. Tive um pequeno problema com a minha criatividade, nós brigamos e ela resolveu que iria embora por algum tempo. Achei que ela voltaria antes do esperado, mas não, ela me torturou até que suplicasse pelo seu retorno, então eu fiz. Além disso, como muitos sabem as aulas retornaram, agora não sou mais caloura e estou provando o que realmente é a vida universitária. E para contribuir mais um pouco, durante o mês de fevereiro eu estava dando algumas aulas de francês em alguns dias da semana, então imaginem: preparar aulas, atividades, treinar a língua, não estava sendo muito fácil. Enfim, o capítulo ficou pronto, espero que gostem. Sem mais delongas, boa leitura.

Suas passadas eram calmas e leves, mas não o suficiente para evitar que o som dos seus pés pisando nas folhas secas ecoasse pelo local. Ele se aproximou da árvore que ficava mais próxima da estrada de terra e ali permaneceu tentando ouvir o que os aldeões diziam.

Será que é verdade? — Ouviu uma senhorinha questionar a outra.

Deve ser, pois é o que todos estão dizendo — respondeu-a.

A princesa seria capaz de fazer isso?

Parece-me que sim — deu de ombros enquanto a outra ficou alarmada, logo o silêncio instalou-se entre as duas e ambas seguiram seu rumo.

Naruto podia não ser o ninja mais esperto da face da terra, porém ele sabia que algo estava prestes a acontecer, e seja o que fosse era algo grandioso demais.

Estava prestes a voltar floresta adentro quado ouviu novas passadas, recostou-se na árvore e pôs-se a observar o pequeno grupo de garotos que rumava em direção ao centro da aldeia. Todos pareciam estar eufóricos.

Eu não acredito que ela vai fazer mesmo isso — disse o moreno de olhos claros.

Você realmente acha que a princesa Kaguya seria capaz de fazer algo do tipo? Certamente não. Ela só está espalhando boatos para amedrontar nossos adversários de guerra. — Disse um outro rapaz moreno de olhos escuros.

Os boatos dizem que ela vai comer o fruto hoje a tarde, se quisermos ter certeza teremos que ir até a árvore Shinju para conferir — comentou o loiro de olhos verdes.

Você tem razão, vamos imediatamente para lá.

Logo os três se puseram a correr em direção ao grandioso castelo que ficava a um raio de cinco quilômetros ao norte, pois era lá que a venerada árvore ficava. O Uzumaki observou tudo ao seu redor para gravar o caminho e explicá-lo a Sasuke.



(…)

Entendo… — disse o Uchiha ao ouvir da boca de Naruto que a princesa comeria o fruto.

Então o que vamos fazer? Não podemos deixá-la comer a tal fruta, ela parece ser valiosa para esse povo, precisamos fazer algo Sasuke!

Não podemos Naruto! — O moreno esbravejou.

Eu não vou ficar aqui de braços cruzados enquanto as coisas acontecem — ele contestou.

Sim, você vai! — Repreendeu o amigo.

Não vou! Se você quiser ficar aí Sasuke o problema é seu, mas eu vou fazer alguma coisa — disse o loiro emburrado para em seguida rumar em direção a aldeia.

O Uchiha fitou-o por alguns segundos, logo suspirou, pois sabia que se não fizesse algo para impedir o loiro, o mesmo com a sua grande inteligência mudaria o passado e isso certamente afetaria o futuro. Contrariado levantou-se e pôs-se a seguir amigo.



(…)

Naruto encontrava-se em meio a uma multidão alvoroçada, animada e entusiasmada. Alguns cantavam alegremente, enquanto outros gritavam em represália ao ato que a princesa estava prestes a cometer.

Enquanto isso Sasuke o seguia a uma distancia considerável, mais perto do que longe, pois ele estava numa época em que tanto o chakra, quanto o seu sharingan não existiam, e isso de alguma forma afetara o seu desempenho como ninja.

Logo avistou o loiro indo de encontro a um grupo de protestantes que faziam um escândalo tamanho, porém não era nada comparado se Naruto se juntasse a eles.

Aquele idiota… — rangiu entre os dentes.

Apressou seus passos e num movimento “lerdo” puxou o Uzumaki pelo braço e o imobilizou.

Me solte seu maldito, eu vou ajudar essas pessoas — o usuário do rasengan se debatia.

Fica quieto Naruto — repreendeu-o.

Porém antes que os amigos/rivais começassem a brigar, o silêncio tomou conta do local, o que deixou ambos constrangidos, logo separaram-se e seus olhares seguiram na mesma direção de todos os outros, para o topo da escadaria que ficava ao lado da famosa árvore.

Lá estava ela, a princesa, usando um vestido alvo, que resplandecia pureza enquanto a sua coroa dourada fulgurava mais que o sol. Seus cabelos compridos caiam em suas costas e ora ou outra balançavam levemente.

Todos se curvaram diante de tal figura majestosa, todos menos Naruto e Sasuke que ainda estavam tentando compreender o que ali passava.

Sasuke, será que temos que imitá-los? — Perguntou o loiro.

O Uchiha por sua vez, ao perceber a situação em que estavam se abaixou imediatamente, e em resposta ao amigo, puxou-o para baixo.

Podia ter dito: Naruto se abaixe, ou Naruto que pergunta estúpida, ou coisa do tipo, mas não me jogar desse jeito… — reclamou-o fazendo Sasuke revirar os olhos.

Levantem-se meus súditos… — Kaguya dissera — hoje vocês vão ver algo inédito, e após isso venceremos a guerra! — A multidão foi a loucura.

Enquanto a Ootsutsuki discursava o moreno estava atento a outra coisa, uma cabeleira negra deslizava entre as pessoas rumando em direção a princesa.

Madara… — sussurrou com os orbes negros arregalados.

O que? — Perguntou o Uzumaki confuso.

Rápido Naruto, temos que agir.

Estava sentada ao lado do memorial de guerra, mantinha meu olhar mirando os céus acinzentados que aos poucos ganhavam nuvens aurinevadas, e tais indicavam que a tempestade já tinha se ido. Muito próximo aos alpestres que ficavam próximos a linha do horizonte, um circo luzente surgia, de maneira encantadora o suficiente para me seduzir. Um sorriso brotou em meus lábios, era um recomeço.

Permaneci naquele lugar por algum tempo, que aos meus olhos pareceu ser pouco, mas ao meu exterior fora muito. Quando acordei de meus pensamentos o crepúsculo caia sobre mim deixando os céus com um novo tom de arrebol, suspirei pesadamente, aquilo era a minha deixa.

Levantei-me e rumei em direção a minha casa, minha amada e querida casa, que era mil vezes melhor do que o hospital.

Não andei muito para alcançar o centro de Konoha, na verdade apenas demorei porque andei passos curtos e lentos, para aproveitar um pouco mais o clima agradável.

— Olá Sakura-san! — Meu coração palpitou fortemente.

— Hinata… — suspirei assustada.

— Oh céus, Sakura-san perdoe-me por tê-la assustado. Desculpe-me — disse-a envergonhada.

— Não foi nada — dei um sorriso amarelo. — Na verdade a culpa foi minha por estar distraída.

Continuamos andando uma do lado da outra, porém a conversa se encerrara ali, mas não acho que seja por falta de assunto, mas sim porque estávamos com medo de uma tocar na ferida da outra e abri-la, deixando-nos expostas e vulneráveis.

— Ei Hinata… — chamei-a.

— Sim, Sakura-san?

— O que acha de irmos jantar no Ichiraku? Podemos comer ramem de porco, tomar sakê e conversar sobre os velhos tempos — talvez não devesse ter dito a última parte, e nem ter falado do sakê, afinal a Hyuuga era uma moça de família, portanto não devia apreciar coisas do tipo.

— Eu adoraria.



(…)

Se passaram exatamente duas horas desde que havíamos chegados no Ichiraku, desde então comemos muito ramem. Hinata dissera mais cedo que cada uma de nós tinha que comer pelo menos cinco porções, e assim fizemos.

Entre uma porção e outra intercalamos doses e mais doses de sakê, portanto, a essa altura já estávamos um pouco fora de nós.

— Mais um pouco… — A Hyuuga gritou um tanto alterada. — Vamos Sakura, não seja fraca, me acompanhe.

Eu podia ter mexido minha cabeça para o lado em sinal de negação, mas não o fiz, muito pelo contrário, ergui meu copo pedindo por mais.

Levei o líquido aos meus lábios e o sorvi. Aquela dose foi mais amarga que as outras, mas era um amargo diferente, de solidão.

Suspirei pesadamente, sabia bem o que aquilo significava, era o álcool me lembrando que eu ainda não estava curada, que as feridas em meu coração nem de longe estavam cicatrizadas, e que talvez nunca cicatrizassem. Era a depressão apossando-me do meu ser para me lembrar que tudo o que me restava era um futuro obscuro, assombrado pelas perdas do passado.

— Sabe Sakura… — Afastei meus pensamentos pesarosos, e voltei a minha atenção para a moça a minha frente. Ela tinha um olhar vazio, opaco, que se deixava inundar por lágrimas penosas enquanto seus lábios estavam compridos, tentando conter um grito amargurado. Eu via sua alma cândida perecer no sofrimento, assim como a minha.

— Eu sei, eu te entendo… — Apertei sua mão de forma terna.

— É tão difícil prosseguir…

— Mas temos, não é mesmo? — Sorri querendo chorar.

— Isso é tão problemático — Shikamaru aproximou-se de nós.

— Shikamaru-kun — Hinata cumprimentou-o assim que limpou suas lágrimas, ele respondeu o aceno de cabeça.

— Eu realmente não entendo a mente das mulheres, vocês sentem tudo com muita intensidade, o que as torna problemáticas — suspirou-o para em seguida pegar um cigarro, acendê-lo e levá-lo a boca.

— Talvez ser sentimentalista, significa ter um coração — respondi.

— Ou não — deu de ombros. — Olha, na vida temos apenas duas certezas, que nascemos e morreremos, só isso. Essa morte, bem, não sabemos como será e nem quando acontecerá, apenas que um dia irá se concretizar, portanto temos que viver pensando no hoje, não é no ontem, nem no amanhã, e sim hoje.

O Nara suspirou novamente e sentou-se ao meu lado.

— Se querem saber eu me culpo todos os dias por eles estarem mortos, afinal fui eu que os mandei fazer aquele jutsu — ele abaixou seu olhar em direção a mesa. — Eu estava tão desesperado que não pensei no que aquilo poderia causar, apenas fiz.

— Você não teve culpa… — falei. — Apenas aconteceu.

— Se eu tivesse pensando um pouco mais… — passou a mão no cabelo demonstrando nervosismo. — Jutsus de selamento sempre são perigosos, alguns exigem um preço alto para serem concretizados.

— Você não tinha escolha, estávamos em guerra — Hinata argumentou.

— Era um jutsu de selamento do tempo, qualquer ninja mais experiente saberia que os dois corriam o risco de se desintegrar, ou qualquer coisa do tipo… Droga! — Esmurrou a mesa. — Eu falhei.

Jutsu de selamento do tempo… Desintegração…

“— Mas não estamos mortos Sakura, nunca estivemosSasuke falou.”



Lembrei-me de Sasuke me dizendo que não estavam mortos.

“— Droga Sakura, eu jurava que você era mais inteligente! — O loiro resmungou emburrado.

Elevei as mãos a cabeça, passei rapidamente meus olhos sobre ambos e fechei-os em seguida desejando que eles sumissem


Respirei fundo, esperei um pouco, os abri novamente e me deparei com Sasuke parado na minha frente me fitando intensamente. Num movimento sutil ele encostou o dedo indicador na minha testa, abaixou-se para seus olhos ficarem na altura dos meus e ativou seu sharingan.

O jutsu do tempo é o segredo."



Logo tudo começou a fazer sentido.

Notas finais
Espero que tenham gostado, agora chega de depressão e vamos para a ação. Agradeço aos reviews do último capítulo, acredito que já os respondi. Comentários e recomendações são bem vindos. Prometo voltar logo, okay? Beijos da Xoco.