Notas iniciais
Sabe quando a gente tem aquela comida favorita que sempre come e que as vezes ate enjoamos? Essa história é meio que como isso, porém, as vezes quando acrescentamos um ingrediente novo na comida ela se torna diferente, seja mais gostosa ou pior, se torna uma surpresa até que provamos. Foi o que tentei fazer com esse clichê.

Meu nome é Alexandre e tenho 15 anos de idade. Posso dizer que sou um garoto comum, mas acho que as pessoas não me consideram assim, pelo que parece sou algum tipo de nerd esquisitão que todos gostam de zoar e principalmente agredir. Sinceramente, eu não sei se é o prazer de bater em alguém ou uma falta de alguma forma de se expressar, mas tem valentões que vivem para isso.

Como já devem ter percebido eu estou me referendo as pessoas da minha escola. Não é o melhor da região, mas é o colégio que tem mais a oferecer no momento. Costumo estar lá todos os dias, das segundas às sextas — em alguns sábados também, mas é bem raro-. Minhas aulas vão até às 12:30. Esse é o período mais chato e irritante do meu dia. A unica coisa que ainda me dá forças para continuar indo para a escola, além do meu melhor amigo, o Rafael, é a oportunidade de ver a garota mais bela e encantadora que já vi em toda a minha vida, o seu nome é Leila. Leila é a garota mais popular do colégio e a mais concorrida. Quase todos os garotos são gamados nela, inclusive eu. Mas ai você pensa: "Nossa que clichê, o nerd imbecil apaixonado pela senhorita popularidade". Tá, e dai que a Sessão da Tarde já está saturada disso? Não tenho culpa por ter me apaixonado.

Normalmente eu não tenho chances de falar com ela, além de ser de uma turma acima da minha, ela vive cercada de outros protótipos de "Laila" que fazem tudo que ela quer. De inicio você pode pensar que ela faz o tipo de uma garota fútil, mas ela não é. Por mais incrível que pareça ela é bastante culta e foi isso que chamou a minha atenção. Eu fico observando ela durante o intervalo — Sei que parece meio doentio, mas me deem uma chance — e já presenciei ela lendo livros que para muitas garotas da sua idade serviria apenas de calço para mesas ou peso para portas. Esse foi um dos fatores que chamou minha atenção. Porém, um dia eu estava saindo do colégio e indo para casa e por acaso me deparei com ela chorando em um beco próximo a minha casa.

De inicio eu fiquei com receio de ir até lá, mas meu coração pesou, talvez pudesse fazer algo para ajuda-la, além de finalmente ter a chance de poder falar com ela.

— Oi. — Falei ao me aproximar. — Sou da sua escola... Estava passando por aqui e notei que você estava chorando. Aconteceu alguma coisa?

— Eu se que você é da minha escola, está usando a farda de lá. — Ela me respondeu. — Não é nada, preciso ir. — Foi saindo.

— Tudo bem... — Eu já ia me retirando quando ela cambaleou e caiu no chão. — Ai meu Deus!

Me aproximei dela, ela parecia estar inconsciente. Toquei sua testa e ela estava gelada, tentei pedir ajuda, mas ninguém passava por ali naquele momento. Então tive a ideia de levá-la até a minha casa, ficava a poucos metros dali.

Por sorte ela despertou, mas estava tão fraca que mal podia andar, muito menos falar onde ficava sua casa. Tive de carrega-la apoiada em meu ombro e quer saber, o perfume dela era muito bom.

Quando chegamos em minha casa não havia ninguém lá, por sorte eu tinha uma cópia das chaves, a deixei sentada no banco da varanda enquanto abria a porta e depois a pus deitada no sofá da sala. Ela dormiu por um tempo como se estivesse em seu quarto, em sua própria cama. Quando ela despertou eu estava sentado no outro sofá a observando.

— Onde estou? — Perguntou confusa, ainda sonolenta.

— Está na minha casa. — Respondi. — Você desmaiou naquele beco e eu não soube o que fazer, então a trouxe para cá.

— Obrigado, mas eu preciso ir. — Ela tentou levantar e gemeu de dor. Voltou a sentar.

— Você não parece bem. Porque não descansa um pouco... — Falei. — Está com fome? Aceitaria algo para comer?

Quando falei sobre comida percebi que a ideia a perturbou.

— Eu... — Ela começou a falar mais desistiu. Me parecia que tinha vontade de aceitar, mas por algum motivo queria recusar.

— Espera um momento. — Falei e fui em direção a cozinha, mexi nos armários e peguei um pacote de salgadinhos. — Aqui, coma isto, não é a melhor refeição do mundo, mas é o melhor que tenho no momento.

Ela pegou o salgadinho e não demorou para começar a devorá-lo.

— Você está mesmo com fome em... — Falei.

— Eu não deveria estar comendo isso...mas eu não estou mais aguentando! — Ela falava enquanto fazia uma pausa para respirar. — Precisava muito comer algo assim.

— Já volto... — Fui novamente até a cozinha, mas desta fez peguei uma fatia enorme de torta que estava na geladeira, eu iria come-la depois, mas... — Aqui, pode comer isso se quiser.

Não precisei insistir. Em pouco tempo ela acabou com a torta, parecia que não comia a dias. Enquanto ela comia aproveitei para saber mais sobre ela, fiz perguntas de vários tipos, pouco tempo depois estávamos conversando abertamente.

— Você é um garoto legal. — Ela falou. — Obrigada pela ajuda, mas agora eu preciso mesmo ir.

— Está bem. — Nos levantamos e eu a acompanhei até a porta. — Espero que possamos conversar mais vezes.

— Claro.

Então ela se foi andando e eu a observei ir até que a perdi de vista. No dia seguinte ela não foi ao colégio, no inicio eu achei que algo grave pudesse ter acontecido, mas no dia posterior ela foi normalmente. Parecia estar muito bem, como se nunca tivesse desmaiado na rua, a não ser pelo fato de que ao me ver fez um sinal de cumprimento. Levei horas para explicar ao Rafael o por que da diva do colégio ter me dado "xauzinho".

Na semana seguinte eu me deparei com uma boa oportunidade, ela estava sentada em uma mesa do refeitório distante de todas as demais, parecia estar estudando para alguma coisa, aproveitei e fui até lá.

— Oi. — Falei. — Estudando muito?

— Nem tanto, esse assunto não entra na minha cabeça. — Ela falou enquanto olhava amargurada para o livro.

— Qual é o assunto? — Perguntei e ela me mostrou um livro de matemática com alguns assuntos que para mim pareciam "nada".- Posso ajudar se você quiser.

— Sério? Você sabe isso? — Ela perguntou incrédula.

— Bom, é que meu pai é professor de matemática e nas férias costuma me fazer aprender alguns assuntos que não estou dando na escola, no caso, na minha série e esse foi um deles. — Respondi.

— Que ótimo, então quando podemos nos reunir para você me dar umas dicas?

— Que tal hoje a tarde na minha casa? Meus pais não estarão lá e haverá paz e silencio. — Falei.

— Está bem, chego lá às 15:00. Pode ser?

— Claro.

Como marcado a Leila chegou às 15:00 em ponto. No inicio pensamos em nos acomodarmos na mesa de jantar, mas a Leila afirmou estar muito escuro e abafado e realmente estava, então fomos para o meu quarto, ele ficava no andar de cima da minha casa e tinha janelas, o que resolvia os nosso problemas. Começamos pelo básico, fui mostrando a ela o passo-a-passo e aos poucos ela foi entendendo. Porém, como sempre, dois jovens não conseguem ficar apenas estudando quando estão juntos, ou muito dificilmente isso acontece, por isso acabamos desviando para outros assuntos.

Ela era muito bonita mesmo e fazia meu coração pular toda vez que colocava os cabelos para trás da orelha, sempre fazia aquilo. Logo não resisti e em um impulso idiota tentei beija-la. Estava preparado para receber um tapa ou um empurrão, mas por mais estranho que pudesse parecer, ela não me impediu. Então finalmente obtive o que queria, o toque que faltava para que minhas ambições se tornassem realidade. Aquele beijo encheu meu corpo de energia, eu podia sentir todo que ela representava assumindo meu corpo, seus gestos, sua forma de falar, de andar, de se relacionar, de viver. Logo meu cabelo começou a crescer e a ficar loiro como os dela, meu olhos assumiram a mesma cor, a pele, toda a sua aparência se tornou a minha. Assim que percebeu ela se assustou.

— O que... — Ela tentou falar, mas não conseguiu terminar.

— Bom, acho que é isso... — Falei, minha voz era igual a dela. — Acho que não preciso mais de você.

— O que está acontecendo?! — Ela perguntou desesperada.

— Ora, não é evidente? Estou roubando a sua vida.

— O que? Como assim?

— Ai ai... — Essa sempre era a pior parte. — Eu sou uma especie de Doppelganger... Eu sei que você sabe o que significa, eu tenho as suas memorias também. Bom, para assumir a forma de outra pessoa eu preciso beijá-la, então quando acho uma vitima, eu procuro o que julgo ser o par perfeito ou mais possível para conseguir o que quero. Como eu sabia que você tinha um queda por garotos intelectuais, agradeça a sua amiga Sara por isso, à proposito, ela não está viajando com os pais... eles já não estão mais presente entre nós... Bem, continuando... Eu então encontrei esse garoto, o Alexandre, e usando a sua amiga Sara consegui plagia-lo, infelizmente tive de me livrar dos pais dele também, o bom é que serão um bom adubo para as plantas.

— Isso...

—Isso o que? Não pode estar acontecendo? Hum, acho que pode sim. Agora se me der licença eu preciso dar fim em você para poder viver a sua vida, pelo menos até eu me cansar dela.

Então eu peguei a minha faca especial que estava debaixo do meu travesseiro, ou do travesseiro do Alexandre, tanto faz e brinquei com ela pelo resto da tarde.

Bom, vocês podem dizer que é horrível isso de não ter um identidade própria e ficar roubando a dos outros, mas sabe o que eu acho da sua opinião? Ela será minha um dia.

Notas finais
Espero que tenham gostado da leitura! E ai? O adicional foi bom ou ruim?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!