Tudo por Você, Sophia
2 Capítulo 1
Um salto, dois saltos, três saltos. Sophia havia perdido a conta de quanto havia pulado naquela noite. Suas pernas doíam, seus joelhos queimavam quando seus pés chegavam ao chão. Estava no seu limite. O que era ruim, já que ainda haveria de fugir. Correu sobre o teto do prédio do qual havia acabado de saltar, tentou forçar a porta que dava para o seu interior, tentou e tentou, mas sem sucesso. Olhou para os lados, via apenas mais e mais prédios, poderia saltar sobre eles até achar um que pudesse lhe abrigar, mas o seu corpo já não lhe permitia tal luxo. Por que não pensou nisso antes? Idiota! Se não tivesse se exposto não estaria naquela situação.
Sentiu um arrepio subir a sua coluna, sem saltar a maçaneta Sophia olhou para traz, viu um pequeno projétil ir à sua direção. Foi apenas numa questão de segundos, Sophia largou o puxador, inclinou para traz e deu uma pirueta. A bala ricochetou o chão onde a garota se encontrava a poucos momentos, Sophia agora estava a poucos metros de distância, estava agachada e com a mão direita apoiando-a naquela posição. Levantou a cabeça para identificar de onde vinha o tiro, atentou para uma mulher que se encontrava na borda do teto, ela usava um uniforme estilo militar marrom, faltava-lhe apenas a boina e acrescentava uma luva de couro negra:
- Quando você vai desistir de fugir? – Falou a moça num tom sarcástico.
- Quando você me deixar em paz – Sophia respondeu rispidamente, seus olhos estavam mais brilhantes e atentos do que nunca.
- Huhuhu, você muito bem que não posso fazer isso, recebo ordens e entre a minha ou a sua cabeça voando, bem, você sabe a resposta.
Sophia pouco se importava com o que aquela mulher havia lhe dito, virava os olhos sem mexer a cabeça em busca de um ponto de fuga, para sua sorte aquele teto não possuía grades de segurança, mas era muito afastado dos outros prédios, o único mais próximo encontrava-se logo atrás da atiradora. Precisava pensar em algo e rápido. BANG! Por pouco Sophia não levara um tiro na perna esquerda, se não tivesse saltado no momento certo não estaria de pé agora:
- Nossa! Até que seus reflexos são bons! – A mulher dizia com relativa surpresa- Achei que estava distraída naquela hora. – voltou a sorrir.
- Tsc! – Dessa vez Sophia não se preocupou em esconder suas intenções virou a cabeça a procura de uma fuga. Aquela mulher estava lhe irritando e aquilo não era bom sinal.
- Ora ora, você ainda insiste em me ignorar. Seus pais não lhe ensinaram que isso é feio? – Ela saiu da pequena bancada e desceu em direção a Sophia. Suas botas de salto batiam no chão produzindo um som alto, seus cabelos loiros eram quase brancos de tão claros, voavam ao sabor do vento daquela noite, parecia relaxada. Mas apesar de sua arma estar abaixada seu dedo não saiu nem um milímetro sequer da posição do gatilho.
Sophia estava ficando desesperada, não encontrava nenhuma saída segura, tinha que sair daquele lugar agora! Recuou um dois passos, a mulher continuou andando em sua direção. Agora sim estava desesperada e o pior aquela pessoa sabia disso, até melhor do que ela. Parou, olhou firme para a moça que seguia em sua direção, ela parou também. Fez-se um momento de silêncio. Sophia apertou as mãos, teria de tomar uma solução drástica. A mulher continuou a olhar sarcasticamente, notava-se seu sorriso de canto de boca. Decidiu a sua fuga! Sophia correu para o lado, suas botas de cano alto por pouco não escorregaram no cimento, o prédio para o qual iria saltar encontrava-se a 5 metros de distância. Era muito para ela, mas a única solução. A mulher rapidamente entendeu a situação, ergueu a arma e apontou-a em direção a garota, apertou o gatinho. Sophia chegou à beirada do local e pulou, propulsionou o rosto para frente, deixando às mãos e as pernas chegarem para trás.
O projétil raspou pelos cabelos escuros de Sophia, o que era perder uns fios comparado com a sua vida? Viu-se aproximar do teto que tanto ansiava, estava salva agora, agora mulher não conseguiria alcançá-la agora. Olhou para baixo apreciando a vista, viu uma casa pequena, um pouco mais alta que o comum, mas baixa se comparada com o prédio onde iria pousar, era velha e suas telhas pareciam bastante frágeis. Sophia saiu do pequeno momento de prazer e voltou a olhar para frente, estava perto do edifício, mas havia um pequeno problema, ele estava um pouco mais acima e foi aumentando cada vez mais. Foi quando se deu conta, estava perdendo altitude e pra piorar de um lugar bem alto. Sophia entendeu a mão na procura de se agarrar em algo, não via nada, apenas a parede de concreto que passava rapidamente aos seus olhos. Olhou para baixo, novamente viu a casa com teto frágil. Sophia juntou os joelhos junto ao abdômen e colocou as mãos sobre a cabeça, se a queda não lhe matasse isso talvez a ajudasse a sobreviver. Rezou baixinho, iria precisar de um milagre divino.
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