Tudo pelo Povo
16 Encontro entre melhores amigos!
Notas iniciais
Estava nervosa com a reação de Al e Lexi. Para falar a verdade, eu nem sabia se eles vinham, quer dizer, Lexi poderia não entender o recado. Mas quanto ao cravo não haveria dúvidas de que ela entenderia.
Era uma brincadeira nossa.
Desde pequenas, Lexi e eu éramos melhores amigas, quando não tínhamos nada para fazer brincávamos á caça do tesouro pelo castelo. Ou quando queríamos enviar uma mensagem sem que ninguém soubesse de quem era, utilizávamos as flores. Cravo para mim, Gerbera para ela.
– Para onde me trazes? – Ouvi a voz do Al perguntar.
– Está calado e segue-me – Alexia repreendeu-o. – Estamos quase.
Levantei-me do banco onde estava sentada. Ajeitei o meu vestido simples e passei a mãos pelos cabelos, agora ruivos. Eu não queria que eles soubessem quem era Joanne por enquanto.
– Sério, Alexia, vamos embora – pediu Albus.
Ouvi-a bufar.
– Confias em mim? – Não ouvi resposta, pelo que Al deve ter acenado. – Então, confia que é uma coisa boa. Agora, vem comigo.
As vozes estavam mais perto. Comecei a ouvir as folhas e os galhos quebrarem á medida que eles se aproximavam. E os meus nervos aumentaram.
Senti as palmas das mãos suarem. E se eles ficassem chateados por ter ido embora?
Lexi foi a primeira a aparecer por entre as folhas. Ela olhou-me e sorriu. Poucos segundos depois, senti os seus braços á minha volta.
– Rose – chamou ela, enquanto me abraçava.
– Rose? – Perguntou Al confuso, enquanto se aproximava. Depois viu-me. – Rose!
Assim que Lexi me largou, Albus abraçou-me com força.
– Eu tive tantas saudades vossas – admiti, olhando-os.
– E nós tuas, ruiva – disse Lexi. – Porque te foste embora?
– Que tal se me perguntasses porque voltei? – Tentei mudar de assunto. Eu não queria relembrar o que se tinha passado. – Ou então o que andei a fazer até agora?
Alexia deu-me a mão e puxou-me até ao banco onde eu estava sentada antes. Obrigou-me a sentar a seu lado.
– Então o que andaste a fazer? – Perguntou e sorriu.
Olhei para ela e para Al, que estava em pé a observar-me.
– Eu voltei para Beauxbatons e conheci os meus avós maternos – informei.
– Tu tens avós maternos? – Questionou Al. – Pensei que já tivessem morrido, quer dizer, nunca ninguém falou neles.
– Eu também pensei isso até os conhecer – disse. – E percebi porque é que ninguém fala deles – eles olharam-me confusos. – Digamos, que os Granger utilizam os seus conhecimentos sobre poções e alguns feitiços…
– São bruxos? – Interrompeu-me Lexi. Albus arregalou os olhos.
– São conhecidos como bruxos — indiquei. – Mas não são maus, sério. Eles são óptimas pessoas, e eu não vejo mal nenhum em utilizar os conhecimentos que têm sobre plantas para fazer poções. Não é como se magoassem pessoas.
– E deixa-me adivinhar, tu ficaste com eles e aprendeste?
– Sim, Al, eu aprendi – confessei. – Fiquei com eles durante o ano inteiro, até eles me mandarem para Hogwarts.
– Então tu sabes fazer poções? — Questionou Lexi admirada.
– Sim, sei – admiti.
– E eles mandaram-te para Hogwarts para quê?
– Eles disseram que era para encontrar uma planta, mas mentiram-me – disse. – Quando cá cheguei avisaram-me que Hogwarts corria perigo e que eu devia ajudar mas não me disseram mais nada – confessei.
– Hogwarts corre perigo? – Perguntou Albus preocupado.
– Sim, eu acho que tem a ver com a invasão – afirmei.
– Faz sentido – disse Lexi. – E tu já sabes alguma coisa sobre isso?
– Não – admiti. – E é por isso que preciso da vossa ajuda.
Albus cruzou os braços. Eu conhecia-o suficientemente bem para saber que aquilo era sinal de preocupação.
– Em que te podemos ajudar? – Perguntou ele.
– Eu pensei que vocês poderiam ajudar a recolher informações – disse. – Al, tu és amigo do Scorpius, além disso és da realeza, podes participar nas reuniões. Poderias tentar recolher alguma informação dos nobres.
– Posso tentar – concordou ele.
– Lexi – olhei para ela. Lexi olhava-me séria, como se o que eu dissesse fosse algo de vida ou de morte. – Se há coisa que eu aprendi em 18 anos a viver num castelo foi que nada escapa aos criados.
– Deixa-me adivinha, queres que eu procure saber o que eles sabem? – Perguntou com um sorriso.
– Exato– confirmei. – A Alice ainda trabalha no castelo? – Ela acenou. – Fala com ela, ela pode ajudar-te. Mas tenta ser discreta, a última coisa que queremos é que fiquem a saber que andamos á bisbilhotar sobre este assunto.
– Certo – disse Alexia. – E tu o que vais fazer?
– Eu vou falar com o povo – disse. – Ver se alguém sabe de alguma coisa.
– Mas eles vão te reconhecer – indicou Albus.
– Não te preocupes com isso, eu tenho os meus truques – admiti.
Ficamos uns segundos em silêncio, até Lexi o quebrar.
– Então, tu voltaste mesmo? – Perguntou receosa.
– Sim, voltei – disse.
– Boa – exclamou Al. – O Scorpius vai-se passar quando souber…
– Não! – Quase gritei. Albus olhou-me assustado. – O Scorpius não pode saber que eu estou aqui. Aliás, ninguém pode saber! Perceberam?
– Tudo bem, eu não digo nada – disse o moreno.
– Lexi?
– Palavra de dama de companhia – brincou. – Sério, Rosie, eu não digo a ninguém. Mas como é que te vou contactar se souber alguma coisa?
Pensei durante algum tempo.
– Deixas uma Gerbera num sítio que eu possa ver – indiquei. – Pode ser na janela do teu quarto.
– Gerbera? Isso não é uma flor? – Perguntou Al confuso.
– Sim – sorriu Lexi. – É uma brincadeira nossa. A Rose e eu, às vezes, não queríamos que ninguém soubesse de quem eram as mensagens que enviávamos, então criamos um código.
– Eu sou o cravo e a Lexi a Gerbera – informou Rose.
– Porquê?
– Cravo vermelho significa respeito, amor, paixão e nobreza, para além de combinar com os meus cabelos – informei.
– E a Gerbera significa sensibilidade, alegria e pureza e, tal como o cravo, combina comigo, não achas? Amarelo e loiro? – Brincou Alexia.
– É por isso que vocês andam sempre com flores na mão? – Tanto eu como Lexi acenamos com a cabeça. – E os bilhetes?
– São sempre rimas – informou Lexi. – Mas tu só deves ler a primeira e a ultima palavra de cada verso, são as que importam. E, o ultimo verso, é o que diz o que precisamos levar. Neste caso, o último verso era sobre ti.
– E como foi, exactamente que a Rose me descrever? – Perguntou curioso.
– Albus Potter, o louco por cerejas – pisquei o olho e sorri.
Al corou.
– Eu não tenho a culpa se gosto – disse ele.
Rimos os três. Era bom estar com os meus melhores amigos outra vez.
Ficamos mais algum tempo juntos, enquanto eles me contavam tudo o que se tinha passado durante aquele ano.
– Ele ficou mesmo chateado? — Perguntei.
– Claro que ficou Rosie – disse Al. – O Scorp não queria casar, mas quando, finalmente, percebe que não tem outra opção, tu vais-te embora sem te despedires.
– O rapaz ficou com o ego magoado – informou Lexi. – Ninguém o conseguiu aturar durante os primeiros tempos.
– E agora? Como ele está?
– Bem, agora ele anda melhor – disse Al. – Às vezes, sai com o Luke até o bar da cidade. Mas não encontrou outra noiva, se queres saber…
– Mas não deve faltar muito – informou Lexi. – Ele já tem 21 anos, já devia estar casado há muito tempo, não achas?
– Tens razão – admiti. Normalmente, as pessoas casavam-se aos 18 anos. Scorpius esperou devido ao contrato de casamento que tinha comigo, mas agora, uma vez que eu o quebrei, ele estaria disponível para casar com quem quisesse. – Não acham estranho pensar que, se eu tivesse ficado, eu estaria casada. Rose Malfoy!
Rimos os três.
– Até que não fica mal – provocou Lexi com um sorriso malicioso. – Quer dizer, alguém se importaria de casar com o Scorpius?
– Lexi – repreendia. – Tu não existes!
– Oh Rosie, admite – brincou ela. – Ele é um pedaço de mau caminho e tu não te importarias de ir andar de cavalo com ele…
– Ir andar de cavalo? – Perguntou Al com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de lado.
– Ora, eu sou uma dama, não posso usar outras palavras – defendeu-se ela, a brincar.
– Oh, Merlin! Eu tinha saudades vossas – admiti a sorrir. Mais ninguém teria estas conversas comigo.
– Claro que tinhas, quem mais te faria ver o que perdeste? – Perguntou ela. – Mas ainda vais a tempo de recuperar se quiseres. Mas tens de ser rápida, senão ele vira-se para a Joanne.
– Joanne? – Questionei confusa. O que raio o Scorpius andava a fazer?
– Uma mulher que ele conheceu no baile – indicou Al, receoso da minha reação. Credo, não é como se eu fosse fazer algo. – Ele não pára de a tentar encontrar…
– Mas se tu voltasses, de certeza que ele a esqueceria – disse Lexi, um pouco ansiosa.
Fiquei nervosa.
Scorpius andava á minha procura? Eu não queria isso! Eu precisava ser invisível, e com ele á minha procura isso era impossível…
– Eu não posso voltar agora, Lexi – conclui. – Acho que está na hora de vocês voltarem.
– Tudo bem Rosie – concordou Albus.
Eles despediram-se de mim e voltaram para o castelo, deixando-me para trás a pensar.
Primeiro passo, esquecer o Scorpius.
Segundo passo, recolher informações. Mas por onde começar?
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