De manhã amo-te.

À tarde não te suporto.

À noite eu te odeio.

Digo a verdade sem rodeio.

Hoje me interesso em falar contigo.

Amanhã não te quero como amigo.

Não sou normal, logo te digo.

Eu avisei que eu era um cristal.

Se fosse descuidado ele iria quebrar.

Mas você pensou que fosse algo banal.

E lhe aviso que fez muito mal.

Eu sou o que dizem que é bipolar.

Rio e depois começo a chorar.

Amo e passo a detestar.

Não posso controlar o que sinto e penso.

Sinto muito, se não lhe agrado assim.

Você quem quis se aproximar de mim.

Acostume-se com o meu modo de ser.

Ou trate de se esforçar e me esquecer.

Não vou mudar só por teu querer.

Eu me aceito sendo doce ou amarga.

Fazendo piadas ou ficando isolada.

Mas não sou uma desalmada.

E não nasci para agradar a todos.

Se nem Jesus agradou, quanto mais eu.

A fila anda, o ciclo vai continuar.

Eu erro em tanto me entregar.

E, em pensar que não serei julgada.

Por dizer a verdade sem vergonha.

Mas é melhor que mentir de cara lavada.

Se quiser a minha amizade ou algo a mais.

Sabe que eu não sou como as outras que conhece.

Não julgue sobre o que desconhece.

Da minha vida você não sabe um terço.

Sou bipolar, mas eu sei amar de verdade.

Sei valorizar a importância da amizade.

Mas principalmente lealdade e sinceridade.

Honestidade e humildade.

Eu sou assim transparente como a água.

Um monstro ou uma simples donzela.

Tudo ou nada, inconstante.

Uma loucura como a vida, um pulso incessante.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!