Seoul continuava igual.

Rápida.

Barulhenta.

Cheia de luzes acesas de madrugada e pessoas correndo como se o mundo nunca desacelerasse.

Mas, dentro daquele apartamento silencioso, pela primeira vez em muito tempo… Hanna sentia paz.

A janela estava aberta.

O vento frio entrando devagar pelas cortinas claras.

Na cozinha, o cheiro de café recém-passado se espalhava enquanto Bang Chan mexia distraidamente numa panela, claramente concentrado demais numa receita simples.

— Você tá queimando isso.

A voz dela veio sonolenta do sofá.

Chan virou imediatamente.

— Não tô.

Hanna arqueou uma sobrancelha.

— Chris.

— Tá quase queimando.

Ela riu baixo.

Daquelas risadas pequenas.

Cotidianas.

Que parecem simples… mas dizem muito.

Porque durante muito tempo ela achou que nunca teria isso com ele.

Normalidade.

Sem fugir.

Sem esconder.

Sem medo do dia seguinte.

Chan desligou o fogão antes do desastre completo e caminhou até ela com duas canecas nas mãos.

Moletom largo.

Cabelo bagunçado.

Cara de quem dormiu pouco de novo.

Algumas coisas nunca mudavam.

Ele entregou o café pra ela e se jogou ao lado no sofá.

Silêncio confortável.

Lá fora, o mundo deles ainda era caótico.

Agenda.

Show.

Câmera.

Rumor.

Fã analisando até respiração errada em live.

Às vezes ainda era pesado.

Às vezes Hanna cansava.

Às vezes Chan se fechava demais.

Eles ainda discutiam.

Ainda tinham medo.

Ainda eram duas pessoas difíceis tentando aprender a amar sem destruir o que sentiam.

Mas agora… tentavam juntos.

E isso mudava tudo.

Hanna encostou a cabeça no ombro dele devagar.

— Sabe o que é engraçado?

— Hm?

— A gente perdeu tanto tempo tentando proteger isso…

Pausa.

— …e quase destruiu justamente por causa disso.

Chan soltou um riso fraco pelo nariz.

— A gente era bem idiota.

— Muito.

Ele virou o rosto pra olhar ela.

Silêncio curto.

Então sorriu pequeno.

Daquele jeito raro.

Verdadeiro.

Só dela.

— Valeu a pena mesmo assim.

Hanna sustentou o olhar dele por alguns segundos.

E pela primeira vez… não havia medo escondido ali.

Só verdade.

Lenta.

Calma.

Construída entre erros, saudade e retorno.

Ela sorriu de volta antes de sussurrar:

— Eu sei.

E talvez o amor nunca tenha sido sobre encontrar alguém perfeito.

Talvez seja só sobre encontrar alguém que, mesmo depois do caos… ainda escolha ficar.

E Bang Chan escolheu.

Hanna também.

Todos os dias.

Fim.


Notas finais
E talvez essa tenha sido a parte mais bonita da história deles. Não o reencontro. Nem os ciúmes. Nem os beijos roubados. Nem o escândalo quando o mundo descobriu. Foi a escolha. Porque amor de verdade quase nunca chega limpo. Ele vem cansado. Cheio de medo. Cheio de orgulho quebrado e coisas mal resolvidas. Hanna e Bang Chan não tiveram um romance perfeito. Tiveram silêncio demais. Tempo perdido demais. Feridas abertas por teimosia e insegurança. Tiveram portas fechadas. Mensagens apagadas. Distância emocional disfarçada de proteção. Mas também tiveram coragem. Coragem de voltar. De admitir. De parar de fugir quando tudo seria mais fácil escondido. E no fim… era isso que sustentava os dois. Não intensidade. Não destino. Escolha. Todos os dias. Mesmo quando dava medo. Mesmo quando custava caro. Mesmo quando o mundo inteiro tinha opinião sobre eles. Porque amar alguém nunca foi sobre encontrar paz o tempo inteiro. Às vezes é justamente atravessar o caos… e ainda decidir ficar. E eles ficaram. Um no outro.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!