Tudo o que não superamos
11 A despedida sem adeus
Os pais de Hanna chegaram em Seoul numa sexta-feira cinzenta.
E junto deles veio a realidade definitiva.
Agora não existia mais volta.
As reuniões com a agência americana estavam praticamente concluídas.
Os advogados conversavam com a empresa coreana para encerrar oficialmente o contrato de trainee.
Documentos já estavam sendo assinados.
Mais alguns dias.
Só isso.
E Hanna deixaria o dormitório.
A escola.
Os corredores da empresa.
Tudo.
Em breve todos saberiam.
Menos Bang Chan.
E aquilo começou a sufocar ela de verdade.
Porque agora cada beijo parecia mentira.
Cada abraço carregava culpa.
Cada “amanhã a gente se vê” feria o peito dela.
Então tomou uma decisão.
Precisava contar.
Mesmo que doesse.
Mesmo que destruísse os dois.
Naquela manhã ela mandou mensagem pra Chan chamando ele pra sair depois dos treinos.
Um encontro simples:
parque,
caminhada,
cafeteria.
Queria guardar uma última memória bonita antes de contar a verdade.
E talvez…
talvez pedir desculpas.
O dia inteiro Hanna passou ansiosa.
As mãos frias.
A cabeça distante durante os ensaios.
O coração acelerado.
Ela ensaiava mentalmente mil formas diferentes de dizer:
“Eu vou embora.”
Nenhuma parecia menos cruel.
Quando finalmente encontrou Chan perto da saída da empresa, ele parecia estranhamente animado.
Mais leve do que nos últimos dias.
E aquilo piorou tudo.
— Você demorou.
Hanna tentou sorrir.
— O professor de vocal me segurou.
Chan segurou a mão dela automaticamente enquanto começavam a caminhar.
Natural agora.
Como se fossem realmente um casal escondido do mundo.
O parque estava bonito naquela noite.
Árvores iluminadas,
casais caminhando,
vento frio atravessando as ruas de Seoul.
Mas Hanna mal conseguia aproveitar.
Porque o peso da verdade esmagava cada segundo.
Ela precisava contar logo.
Precisava.
Então respirou fundo tentando criar coragem.
— Chan… eu preciso falar uma coisa.
Mas antes que conseguisse continuar, ele sorriu daquele jeito cansado e feliz que desmontava ela inteira.
— Ah, eu também tenho uma surpresa.
Ela travou.
— Hm?
Chan parecia genuinamente animado agora.
Quase adolescente demais.
— Meu colega de quarto foi visitar os pais esse fim de semana.
O coração dela tropeçou sem entender.
Então ele continuou:
— Hoje eu tenho o quarto só pra mim.
Silêncio.
Hanna sentiu o ar sumir dos pulmões por um instante.
Porque claro…
pra ele aquilo era especial.
Mais uma noite juntos.
Mais tempo.
Mais intimidade.
Mais futuro.
E Deus…
ele estava tão feliz contando aquilo.
Chan aproximou o rosto dela brincando:
— Então senhorita Hanna vai finalmente conhecer meu quarto oficialmente.
Ela tentou sorrir.
Mas os olhos já estavam marejando.
E Chan percebeu imediatamente que alguma coisa estava errada.
O sorriso dele diminuiu devagar.
— Hanna?
Ela abaixou os olhos rapidamente.
Porque naquele instante entendeu uma coisa terrível:
não existia jeito gentil de quebrar o coração de alguém que te ama.
— Sim, eu vou adorar conhecer seu quarto fedorento.
Hanna riu tentando soar leve.
Bang Chan fez uma expressão ofendida imediatamente.
— Fedorento nada.
Ele puxou de leve o nariz dela.
— Muito bem organizado e cheiroso, você vai ver.
— Veremos.
Quando chegaram ao dormitório masculino, Hanna ficou naturalmente mais quieta.
Não por medo exatamente.
Mas porque aquilo parecia íntimo demais.
Pessoal demais.
Chan abriu a porta do quarto tentando agir casualmente, mas claramente estava nervoso também.
— Bem-vinda ao meu império.
Hanna entrou observando tudo devagar.
E sorriu pequeno.
O quarto realmente era organizado.
Assustadoramente organizado, na verdade.
A cama arrumada.
Os tênis alinhados.
O notebook sobre a mesa.
Cadernos empilhados cheios de anotações e letras rabiscadas.
Algumas fotos da família presas perto da parede.
Ela se aproximou observando uma delas.
Chan mais novo ao lado dos pais, sorrindo daquele jeito aberto que ele quase não mostrava mais.
O peito dela apertou silenciosamente.
Porque aquele quarto parecia tão ele.
Simples.
Disciplinado.
Acolhedor.
Ela passou os dedos distraidamente sobre um dos cadernos de composição.
“Será que um dia ele vai escrever algo sobre nós?”
O pensamento veio involuntário.
E doeu.
Chan apareceu atrás dela então.
— Então?
Ela virou devagar.
Tentando sorrir apesar da tristeza escondida.
— Eu gostei.
Os olhos dele suavizaram imediatamente.
— É?
— Tem a sua cara.
Chan soltou uma risadinha baixa.
— Isso é bom ou ruim?
— Ainda estou decidindo.
Ele puxou ela pela cintura devagar até ficar perto o suficiente pra encostar a testa na dela.
O clima mudou naturalmente outra vez.
Como sempre acontecia entre eles agora.
Não demorou muito para os beijos começarem.
Lentos no início.
Carinhosos.
Cheios daquela intimidade construída aos poucos entre treinos, madrugadas e segredos.
Hanna segurava ele como se estivesse tentando gravar cada sensação dentro de si.
Cada toque.
Cada sorriso pequeno entre os beijos.
Cada vez que Chan olhava pra ela daquele jeito completamente apaixonado.
Porque ela sabia.
Sabia que aquele era provavelmente o último momento dos dois antes da verdade destruir tudo.
E isso fazia cada segundo parecer precioso demais.
Chan acariciava o rosto dela com cuidado, os dedos deslizando pelas sardas suaves que Hanna passou anos tentando esconder do mundo.
Mas nunca dele.
Nunca mais.
Em algum momento os dois acabaram sentados na cama estreita do dormitório, abraçados, rindo baixo entre beijos e provocações bobas.
A janela deixava entrar o brilho distante das luzes de Seoul enquanto o resto do dormitório permanecia silencioso.
E Hanna aproveitou cada instante.
O calor dele.
A voz baixa no ouvido.
Os braços envolvendo ela como se fosse exatamente onde deveria estar.
Talvez por isso os olhos dela tenham enchido de lágrimas silenciosas quando Chan não estava olhando.
Porque às vezes o amor chega justo quando a vida decide separar caminhos.
A madrugada passou silenciosa no pequeno dormitório em Seoul.
Os dois dormiam abraçados na cama estreita, ainda presos naquele calor confortável construído entre carinho, cansaço e amor jovem.
Hanna despertou antes do sol nascer.
Por alguns segundos ficou imóvel observando Bang Chan dormindo ao lado dela.
O rosto relaxado.
Os cabelos bagunçados.
A respiração calma.
Tão diferente do Chan cansado e pressionado que o mundo via todos os dias.
Ela sentiu o peito doer imediatamente.
Porque aquela era a última vez.
A última manhã.
O último despertar juntos.
O último momento em que ainda existia um “eles”.
Com cuidado absurdo, Hanna saiu dos braços dele devagar para não acordá-lo.
Vestiu as roupas tentando fazer o mínimo de barulho possível.
As mãos tremiam.
O quarto ainda carregava o cheiro dele.
As luzes fracas da madrugada atravessavam a janela iluminando os cadernos espalhados sobre a mesa.
Então os olhos dela pararam num deles.
O caderno de composições.
Hanna caminhou lentamente até a mesa e sentou.
Por alguns segundos ficou olhando a página em branco sem conseguir respirar direito.
Porque escrever aquilo tornava tudo real.
Mesmo assim pegou a caneta.
E começou.
A letra saiu tremida desde a primeira linha.
Cris,
Eu queria te dizer isso cara a cara, mas não consegui.
Os momentos que passamos juntos foram os mais importantes pra mim durante todo esse tempo em Seoul. Você foi meu conforto quando tudo parecia difícil demais. Nunca vou esquecer disso. Nunca vou esquecer você.
Mas apareceu uma oportunidade… e eu não posso deixar ela passar.
Meu coração dói demais em te deixar.
Eu sinto muito.
Talvez você fique bravo comigo, e sinceramente eu acho que tem direito. Eu devia ter contado antes. Só que quanto mais eu tentava, mais difícil ficava olhar pra você e imaginar essa despedida.
Obrigada por cuidar de mim.
Por ficar ao meu lado.
Por me fazer sentir menos sozinha aqui.
Espero que um dia você consiga me entender…
e me perdoar.
— Hanna
Quando terminou, as lágrimas já caíam silenciosamente no papel.
Ela secou o rosto rápido olhando pra trás instintivamente.
Chan continuava dormindo.
Hanna se aproximou da cama mais uma vez.
E aquilo quase destruiu a pouca coragem que restava nela.
Porque ele parecia em paz.
Uma paz rara demais.
Ela ajoelhou devagar ao lado da cama e passou os dedos pelos cabelos dele uma última vez.
Delicado.
Carinhoso.
Então se inclinou e beijou sua testa levemente.
— Eu te amo… — sussurrou tão baixo que parecia só pensamento.
E talvez tenha sido a primeira vez que falou aquilo em voz alta.
Depois se levantou rápido antes que desistisse de ir embora.
Pegou a bolsa.
Olhou o quarto uma última vez.
Olhou ele uma última vez.
E saiu.
Fechando a porta devagar enquanto o céu começava a clarear sobre Seoul.
Deixando pra trás o garoto que amava…
sem saber que carregaria aquela despedida dentro do peito por muitos anos.
Hanna já tinha deixado o dormitório oficialmente no dia anterior.
As malas estavam prontas.
Os papéis assinados.
O quarto vazio.
Tudo já apontava para um novo começo.
Menos o coração dela.
Assim que saiu do dormitório masculino, caminhou pelas ruas frias de Seoul quase sem sentir o próprio corpo.
O céu começava a clarear devagar.
Padarias abrindo.
Ônibus começando a circular.
A cidade despertando como se aquele não fosse o pior dia da vida dela.
As lágrimas caíam silenciosas enquanto ela apertava a alça da bolsa tentando continuar andando.
Não olhou pra trás nenhuma vez.
Porque sabia:
se olhasse…
voltaria correndo.
O hotel onde os pais estavam hospedados ficava perto da região central.
Quando entrou no quarto, a mãe levantou imediatamente preocupada ao ver o rosto dela.
— Hanna…
Mas ela apenas balançou a cabeça.
Não conseguia falar ainda.
O pai entendeu rápido demais.
Porque aquele era o olhar de alguém deixando um pedaço de si pra trás.
Hanna foi direto pro banheiro.
Lavou o rosto.
Tentou respirar.
O celular vibrava sem parar em cima da cama do hotel.
Ela já sabia quem era antes mesmo de olhar.
Bang Chan.
Uma.
Duas.
Cinco ligações.
Mensagens começando a chegar em sequência.
“Hanna?”
“Onde você tá?”
“O que é esse bilhete?”
“Isso é brincadeira?”
“Hanna atende.”
O peito dela parecia rasgar a cada vibração.
Então desligou o celular.
Sem coragem de ouvir a voz dele.
Porque sabia…
se escutasse Chan chamando por ela só mais uma vez…
não conseguiria ir embora.
Ela sentou no chão do quarto do hotel abraçando os joelhos enquanto tentava segurar o choro.
Mas não conseguiu.
Tudo veio de uma vez:
a culpa,
a saudade antes mesmo da distância,
o medo,
o amor.
A mãe sentou ao lado dela em silêncio depois de alguns minutos.
Sem pressionar.
Só ficando perto.
Igual mães fazem desde sempre quando entendem que existem dores que conselho nenhum resolve.
Hanna chorou escondendo o rosto nas mãos.
— Eu machuquei ele…
A voz saiu quebrada.
A mãe acariciou os cabelos dela devagar.
— Às vezes escolhas importantes também machucam pessoas importantes.
Mas aquilo não ajudava.
Porque Hanna não queria ser a lembrança dolorosa de alguém que amava.
No outro lado da cidade…
Chan estava sozinho no quarto encarando o bilhete com as mãos tremendo.
A cama ainda tinha o cheiro dela.
O casaco dela ainda estava jogado na cadeira.
E a última noite juntos agora parecia cruel demais em retrospecto.
O pior não era ela estar indo embora.
Era perceber que ela estava se despedindo silenciosamente há dias…
enquanto ele sonhava com futuro.
Tentou ligar outra vez.
E outra.
E outra.
Mas a mesma resposta fria continuava vindo:
“Celular desligado.”
O quarto parecia sufocante agora.
Silencioso demais.
O bilhete ainda aberto sobre a mesa ao lado do notebook.
A letra tremida de Hanna machucando mais a cada releitura.
Chan passava a mão pelos cabelos nervosamente andando de um lado pro outro sem conseguir pensar direito.
Não fazia sentido.
Nada daquilo fazia sentido.
Ontem ela estava ali.
Rindo.
Beijando ele.
Dormindo abraçada nele.
E agora…
desapareceu.
Ele mandou mensagem outra vez.
“Hanna conversa comigo.”
“Pelo menos me explica direito.”
“Por favor.”
Visualização nenhuma.
Resposta nenhuma.
O desespero começou a crescer de verdade no peito dele.
Porque o problema não era só a partida.
Era o jeito.
Silencioso.
Repentino.
Como se ela tivesse arrancado a própria presença da vida dele durante a madrugada.
Chan saiu do dormitório quase sem pensar direito.
Precisava encontrar alguém.
Entender alguma coisa.
Foi até o dormitório feminino procurando Yuna, a colega de quarto de Hanna.
Quando Yuna apareceu no corredor e viu o estado dele, já percebeu que algo tinha acontecido.
— Chan?
Ele tentou parecer calmo.
Falhou miseravelmente.
— Você sabe onde a Hanna tá?
Yuna hesitou imediatamente.
Erro suficiente.
Chan sentiu o estômago afundar.
— Você sabia?
Ela abaixou os olhos desconfortável.
— Eu… achei que ela tinha contado pra você.
Aquilo atingiu ele como um soco.
— Contado o quê?
Yuna ficou claramente nervosa agora.
— Ontem ela se despediu das meninas do dormitório.
Silêncio.
Chan ficou completamente imóvel.
Como se o cérebro tivesse parado de processar por alguns segundos.
— …o quê?
Yuna percebeu tarde demais.
— Espera… você realmente não sabia?
Mas Chan já nem escutava direito.
Porque aquela frase destruiu o pouco equilíbrio que restava nele.
Ela tinha se despedido de todo mundo.
Todo mundo menos dele.
Ou pior:
ela se despediu dele enquanto fingia que ainda existia um amanhã pros dois.
O peito dele apertou tão forte que chegou a faltar ar.
Yuna tentou explicar rápido:
— Chan, ela tava mal… muito mal. Ela chorou a noite toda arrumando as coisas.
Mas aquilo só piorava tudo.
Porque significava que Hanna planejava ir embora fazia tempo.
E mesmo assim:
sorriu pra ele,
segurou a mão dele,
beijou ele,
dormiu nos braços dele.
A dor agora vinha misturada com algo mais perigoso:
abandono.
Chan passou a mão no rosto tentando controlar a respiração.
— Pra onde ela foi?
Yuna balançou a cabeça lentamente.
— Eu não sei exatamente…
só sei que era uma oportunidade fora da Coreia.
Os olhos dele fecharam imediatamente.
Califórnia.
Agora tudo fazia sentido de uma vez:
as perguntas estranhas,
os olhares distantes,
o medo dela nas últimas semanas.
E aquilo destruía ele ainda mais.
Porque significava que Hanna estava sofrendo sozinha…
enquanto tentava proteger ele da verdade.
Chan riu sem humor nenhum passando as mãos pelos cabelos outra vez.
Completamente perdido.
— Ela realmente foi embora…
A voz saiu baixa.
Quebrada.
Yuna sentiu pena imediatamente.
Porque mesmo sem saber detalhes…
dava pra ver o estrago acontecendo diante dela.
Chan ficou olhando o corredor vazio do dormitório feminino por alguns segundos.
Esperando irracionalmente que Hanna aparecesse correndo dizendo que tudo aquilo era um mal-entendido.
Mas ninguém apareceu.
Só o silêncio.
E pela primeira vez em muitos anos naquele lugar cruel…
Bang Chan sentiu o próprio sonho perder completamente a cor.
Enquanto Bang Chan tentava juntar os pedaços do que restou em Seoul…
Hanna se preparava para partir.
De verdade.
O aeroporto parecia distante.
Embaçado.
Irreal.
As malas alinhadas ao lado dos pais.
Anúncios ecoando pelos alto-falantes.
Pessoas correndo de um lado para outro vivendo vidas normais enquanto o mundo dela parecia desmoronar silenciosamente.
Ela estava com os olhos inchados.
O corpo cansado.
O coração em pedaços.
Mas continuava andando.
Porque agora era tudo ou nada.
A passagem para a Califórnia queimava dentro da mochila como um lembrete cruel:
“Você escolheu isso.”
E escolheu mesmo.
Não porque deixou de amar Chan.
Muito pelo contrário.
Talvez justamente porque amava demais…
não suportava a ideia de continuar presa numa empresa que já tinha praticamente dito que ela nunca debutaria ali.
Ela não queria voltar atrás.
Não podia.
Passou anos lutando até quase quebrar.
Chorou escondida em banheiro de dormitório.
Treinou até o corpo doer.
Engoliu humilhação.
Aprendeu a abaixar a cabeça mesmo quando queria gritar.
Agora finalmente existia uma porta aberta.
Mesmo que ela tivesse custado o garoto que amava.
O voo seria longo.
Mais de trinta horas entre conexões, espera e fuso horário.
Uma travessia inteira.
Quase simbólica.
Como se Hanna estivesse atravessando não só oceanos…
mas uma versão inteira da própria vida.
Antes do embarque, ela pegou o celular desligado dentro da bolsa.
Ficou olhando a tela preta por vários segundos.
Sabia o que encontraria ali:
ligações,
mensagens,
dor.
Mesmo assim não teve coragem de ligar.
Porque ainda estava fraca demais.
Se ouvisse a voz dele…
talvez quebrasse completamente.
Então apenas apertou o celular contra o peito por alguns segundos antes de guardar outra vez.
A mãe observava tudo em silêncio.
O pai fingia mexer nos documentos pra dar privacidade pra filha sofrer.
Coisa de pai antigo.
Homem que sabe que algumas dores precisam existir.
Quando finalmente anunciaram o embarque, Hanna respirou fundo tentando reunir forças.
As pernas pareciam pesadas.
Cada passo em direção ao portão dava a sensação absurda de estar deixando uma vida inteira pra trás.
E talvez estivesse mesmo.
Antes de entrar no avião, ela olhou uma última vez pela janela enorme do aeroporto.
O céu sobre a Coreia ainda estava cinzento.
E o peito dela apertou tão forte que quase faltou ar.
Porque em algum lugar daquela cidade…
existia um garoto provavelmente segurando um bilhete amassado,
tentando entender por que ela foi embora sem deixar ele lutar por ela também.
Hanna fechou os olhos sentindo as lágrimas queimarem outra vez.
Então embarcou.
Levando consigo:
os sonhos,
a culpa,
e o amor que não conseguiu abandonar mesmo atravessando o oceano.
Fale com o autor